quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Razões humanitárias na razão da coluna terrestre

Militares da 3ª. CCAV. do BCAV. 8423 na coluna de Carmona para Luanda


MANUEL DEUS
Texto
A coluna de Carmona para Luanda incluía a 2ª. e a 3ª. Companhias do Batalhão de Cavalaria 8423. A viagem por terra era absolutamente necessária, pois era impossível que todo o batalhão utilizasse o meio aéreo para regressar a Luanda. Por questões de logística, dado que seria impossível proceder ao transporte de toda a frota automóvel, as armas, munições e diverso material, utilizando o meio aéreo.
Por questões de segurança, dados que os últimos a sair seriam um alvo demasiado fácil de abater.
Por questões humanitárias, pois a retirada das tropas por terra era (e foi) a única forma de garantir protecção à população civil da região do Uíge e todo o corredor de Carmona a Luanda, via cidade de Salazar.
Os civis africanos, mas principalmente os europeus, queriam dirigir-se a tudo o custo para Luanda, dadas as ameaças de que eram alvo por parte dos movimentos de libertação, que lhes provocavam ansiedade e a certeza de que tinha chegado o momento de salvar os dedos e as vidas.

Os anéis, esses estavam irremediavelmente perdidos.
Houve ainda vários chefes de família que mandavam as mulheres e as crianças, ficando eles numa última tentativa de poder salvar mais alguns bens, ou na esperança de que as coisas não fossem tão más como a realidade mostrava.

A coluna militar, ou melhor civil-militar (a certa altura eram mais civis do que militares), chegou a Luanda com quilómetros de comprimento.
MANUEL DEUS
1º. cabo da 3ª. CCAV. 8423

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