segunda-feira, 18 de abril de 2011

Memória do Alferes Garcia em Pombal de Ansiães


 
Cruz, o nosso alferes das mecânicas e dos autos, foi este fim de semana  em romaria de saudades até Pombal de Ansiães e por lá buscou memórias de Garcia. Não lhe era difícil, por lá andou a «mais que tudo» dele, no último quartel dos anos 70, em medicina de periferia, e por lá conheceram ambos gente do sangue e da alma do (nosso alferes) Garcia.
Garcia, o alferes Ranger, de resto, por lá lhe arranjara (nesse tempo) acomodação em casa de gente amiga e por lá andou Margarida, flor de primavera do coração de Cruz, a medicinar o povo de Ansiães.
Cruz estivera, de resto, com (o alferes) Almeida) no dia de amores maiores de Garcia, embriagado em banhos de amor com a sua Olga - no dia do casamento - e não lhe seria difícil por lá achar gente do seu sangue. A terra não é grande, Pombal de Ansiães! A família é conhecida. Gente agarciada apareceria. E apareceu!
E não é que o destino, ai o destino!!..., não é que o destino por lá cruzou e aproximou emoções e afectos e  juntou Olga, de férias pascais e precisamente no fim de semana de ontem? Pois assim foi!

O dia de ontem, de resto, era de festa na ARCPA, que o nosso Garcia fundou - com prova de vinhos a que se juntaram (o alferes) Cruz e Margarida (sua «mais que tudo»), degustando os néctares afrutados e adamados dos produtores da terra. Orfeonistas da Universidade de Bragança animaram a prova e, por isso ou por aquilo, toda a gente de Pombal se encontrava reunida na associação. E por lá se achou Olga Garcia.
Conta (o alferes) Cruz:
«Falei com ela e com familiares e amigos e foi muito grato para mim ver como ele deixou boas recordações e como a sua falta continua a ser muito sentida».

Um dia, já depois do inesperado desaparecimento de Garcia, nos anos 80, por lá passei eu, por casa dos pais (com eles conversando) e pela frente da associação - dele nos falando as pessoas como se ele por ali estivesse a ouvir a conversa e a rasgar aquele infinito sorriso juvenil que lhe embebecia o rosto atransmontado. E daquela gente ouvi, em conversa de rua, a melhor homenagem que pode ter quem parte: a palavra de saudade, o elogio da memória,  a alegria de o ter e lembrar como amigo e homem bom.
Diz-me (o alferes) Cruz que, por todos nós, por todos os Cavaleiros do Norte que dele fomos amigos e companheiros em Angola, deixou um ramo de flores no seu jazigo do cemitério de Pombal de Ansiães.
Até um destes dias, amigo!
- GARCIA. António Manuel Garcia, alferes miliciano de Operações Especiais (Rangers), comandante do PELREC. Natural de Pombal de Ansiães (Carrazeda de Ansiães), era inspector da Polícia Judiciária quando faleceu, vítima de acidente de viação, a 2 de Novembro de 1979.
- CRUZ. António Albano Araújo de Sousa Cruz, alferes miliciano Mecânico-Auto, comandante do respectivo pelotão. Engenheiro, natural e residente em Santo Tirso.
- ARCPA. Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães, fundada por António Manuel Garcia. A foto de acima foi ontem tirada por António Albano Cruz, na sede da ARCPA - que, com ela, homenageou o seu sócio-fundador nº. 1.

6 comentários:

Tomás disse...

Lembrando o (alferes) Garcia; Nunca aqui contei um encontro fogás que tive com o Garcia, já na "peluda". Estavamos em 1977, em meados desse ano mais precisamente, quando passei por ele no Porto, exactamente na Rua da Fábrica no cruzamento com a Rua José Falcão. Ao passarmos, um pelo outro, ambos ficamos espantados por este encontro enesperado, e ele prontamente, além de me comprimentar, está claro, deu-me um abraço o que nunca aconteceu durante o tempo da comissão em Angola. O que só prova que neste HOMEM havía, tolerância bom censo e humanismo. Só nunca o demonstrou perante um subordinado porque a tropa era assim mesmo. Fiquei a saber, nessa altura, que estava na policia. Nunca mais esqueço este encontro. Como o Viegas costuma a dizer "a gente um dia encontra-se, até lá".

Manuel disse...

Também encontrei ao acaso na cidade de Braga o Alferes Garcia, vinha em serviço, e convidou-me para ir com ele, que ia falar com o presidente da Câmara de Braga, sobre um assunto de serviço. Fomos andando e falando sobre tudo o que nos vinha à memória. Depois de ser-mos recebidos no gabinete do Presidente da Câmara, almoçamos no restaurante Copacabana na Avenida da Liberdade na cidade de Braga,e aproveitamos para pôr a conversa em dia. Depois do almoço cada um de nós retomou os seus afazeres. Passados alguns meses, fiquei estarecido quando o Furriel Viegas me informou do seu falecimento. Como só soube tive a noticia já depois do seu funeral, escrevi à esposa a apresentar-lhe as minhas condolências e manifestar a minha tristeza pelo sucedido. Para mim era como um irmão, sempre pronto a aconselhar e ajudar. Ainda hoje tenho presente parte da conversa que tivemos no último dia em pudemos privar. Quero aqui deixar a minha sincera Homenagem ao ALFERES António Manuel Garcia, que com a sua humildade e grandeza de alma cativou quantos com ele privaram, pela sua simplicidade, simpatia e amizade que deixou em cada um de nós que teve o previlégio de o conhecer. Paz à sua alma. Até um dia...

Anónimo disse...

Tenho de conhecer o Alferes Cruz, afinal entre o percurso de V. N. de Famalicão e Santo Tirso, dois palmos de contacto, pouco terreno para reviver memórias.
Alferes contacte o telemóvel 933962492
RODRIGUES
1ª companhia do 8423.

Anónimo disse...

Um homem bom,escreveu o Viegas sobre o Garcia e eu também acho; arrepiei-me ao ler este texto e lembrei-me de uma cena com uma companhia de açoreanos no BC12, estava o alferes Garcia de oficial de dia e o Viegas de sargento de dia, na hora do almoço; os açoreanos quiserem fazer um levantamento de rancho e a coisa ia dando para o torro, quando o alferes Garcia soltou uns gritos e lhes ordenou que se sentasse e eles começaram a bater pratos. Estávamos todos atrapalhados com a cena, mas ele e o Viegas de G3 na mão impuseram-se aos revoltosos com uma coragem que me surpreendeu.
parabéns Viegas por nos andares a lembrar estas coisas da nossa vida e por lembrares o Garcia desta forma.
Lembras-te desta cena?
Um abraço para a família do Garcia.
Dias

Anónimo disse...

É bom e eu gosto que o n/ amigo Celestino não deixe esquecer esta gente,que sofreu e que agora tem a capacidade de minimizar o sofrimento e até conseguem ter saudades desse tempo.
Ou então mentiam muito bem.
NI NETO

http://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=161128000615507&id=100001516525282

Marta Garcia Tracana disse...

Olá a todos!
Não sabem como é bom ler os vossos textos.
Agora um pequeno conselho: para aqueles que gostariam de conhecer Pombal de Ansiães passem por lá no início de Agosto.Realiza-se o festival de artes, algo que muito orgulharia o meu pai.
Boa Páscoa!