
O livro custou uma fortuna para a época e foi-me guardado por um livreiro amigo (já falecido, o sr. João Lemos, da Livraria Rino), que mo «deu» na manhã de sábado de 23 de Fevereiro de 1974. Li parte dele pela noite dentro - e dias seguintes... (estava de férias militares) - e considerei-o polémico e susceptível de provocar desencontro de opiniões. Mas não passei daí, deste minúsculo tipo de consideração. Na verdade, política era coisa que pouco me interessava e o mais próximo que andara tinha sido no período do Congresso Republicano de Aveiro, chamado da Oposição Democrática, em 1973 - de 4 a 8 de Abril, quando houve a intervenção policial na avenida (poucos dias antes de assentar praça). E das eleições de 1972 - que levaram Mário Rodrigues a Caxias.
«Portugal e o Futuro» foi, no entanto e depois do nosso regresso a Santa Margarida, motivo de alargadas conversas, com uma esperança semeada na malta: se calhar, a guerra do ultramar vai mesmo acabar. Nós é que já não escaparíamos a ela. Lembro-me de o «passear» entre os cabos milicianos e de ser »avisado» por um oficial para ter cuidado na sua «exibição».
Mal imaginávamos nós o que se preparava para dias depois, o 16 de Março. E o 25 de Abril, depois.
1 comentário:
A 1ª vez que vi este livro foi nas mãos do ex- Alferes Serpa, estávamos já em finais de Março de 1974. Lia-o ás escondidas no Centro de Mensagens e guardava-o numa pasta no Centro Cripto, como se fosse um pecado. Só descobri o livro porque adormeceu a ler...como era costume!
Não o li, confesso, mas hoje leria!
Casal
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