domingo, 26 de dezembro de 2010

Guardados estavam os rojões para o dia de Natal...


A 25 de Dezembro de 1974, guardados estavam, no enlatado ido de Portugal, saborosos rojões mandados por minha mãe. Levados pelo Xico Neto, que viera de férias a Portugal. Uma lata de cinco quilos, daquelas redondas, da fábrica Tóbom, do Montijo - se me lembro bem.
Foi uma delícia!!!
A «coisa» foi combinada com o Almeida, 1º. cabo cozinheiro (da messe de sargentos), e meteu batata cozida com a pele, que pouco por lá se usava. Descascada à mão e engarfada com os suculentos rojões que daqui foram, deste sítio de onde agora escrevo. O prazer da lambeirice foi ao pormenor de se arranjar broa de milho, em Carmona e nesse dia levada pelo pessoal do SPM. Não era como a daqui, não era, mas que maravilha nos soube! Tudo regado a vinho tinto, outra raridade por lá. E arranjado como? Pois, sem contar os promenores, numa daquelas habilidades da tropa que hoje quase nos fazem corar.
-Ó Xico, logo ás....».,  avisei eu o Neto, marcando hora do surpreendente petisco. E mais três ou quatro amigos.  
Devorámos o pitéu, que, preparado pelo Almeida, com saberes que lhe desconhecíamos, os pôs como se estivessem a sair do tacho, aqui ao lume.
«Guardaste isto, pá!...», disse o Neto, a sorrir de alegria.
O Neto, aliás, nem queria crer no que lhe se punha na frente dos olhos e a afiar-lhe o apetite, tudo muito bem empratado - como sugere a foto. Faltavam os grelos, pois era, não havia por lá. Mas arranjaram-se umas alfaces, em salada, bem azeitada - num cozinhado divinal. E que, por horas, nos matou as saudades todas das nossas terras e nossas gentes. E das nossas cozinhas!

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