terça-feira, 8 de março de 2011

Os valorosos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel


Fazenda Santa Isabel, onde esteve aquartelada
a 3ª. CCAV. do BCAV. 8423


A 3ª. CCAV. do BCAV. 8423 aquartelou-se em Santa Isabel, até aos primeiros dias de Dezembro de 1974. Era comandada pelo capitão  miliciano José Paulo Fernandes.Juntou-se à CCS, no Quitexe, e com os nossos companheiros acamaradámos por três meses, partilhando os mesmos espaços, as mesmas glórias e tragédias, até a mesma mesa.
O grupo de valorosos e garbosos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel tinha os seguintes quadros, da respectiva cadeia de comando:

COMANDANTE
- FERNANDES. José Paulo Oliveira Fernandes, capitão miliciano. Engenheiro, empresário do sector da informática, residente em Torres Vedras.

ALFERES MILICIANOS
- PEDROSA. Luís António Pedrosa de Oliveira, atirador de cavalaria. Reside em Marrazes (Leiria).
- RODRIGUES. Augusto Rodrigues, operações especiais. Quadro do Instituto de Metereologia, no aeroporto de Lisboa.
- SILVA. Carlos Almeida e Silva, atirador de cavalaria. Trabalha na área da contabilidade, residente no Entroncamento.
- SIMÕES. Mário José Barros Simões, atirador de cavalaria. Bancário, residente nas Caldas da Raínha.


1º. SARGENTO
- MARCHÃ. Francisco António Gouveia Marchã.

FURRIÉIS MILICIANOS
- BELO. Agostinho Pires Belo, alimentação. Aposentado da administração fiscal, residente no Retaxo (Castelo Branco).
- CAPITÃO. Luís Ribeiro Capitão, atirador de cavalaria. Já falecido. Foi motorista da CP e residia em Vila Nova de Ourém.
- CARDOSO. João Augusto Martins Cardoso, transmissões. Aposentado da administração fiscal, residente em Coimbra.
- CARVALHO. José Fernando da Costa Carvalho, atirador de cavalaria. Aposentado da PSP, reside no Entroncamento.
- FERNANDES. António da Costa Fernandes, atirador de cavalaria. Professor, residente em Braga.
- FLORA. António da Silva Flora, atirador de cavalaria. Quadro da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa. Residente em Odivelas.
- GORDO. António Luís Barradas Mendes Gordo, atirador de cavalaria. Funcionário municipal, em Alter do Chão.
- GRACIANO. Graciano Correia da Silva, atirador de cavalaria. Empresário do sector agrícola, residente em  Souto (Lamego).
- GUEDES. Vitor Mateus Ribeiro Guedes, atirador de cavalaria. Já falecido. 
- LINO. José Rodrigues Lino, mecânico-auto. Empresário do sector de madeiras, residente no Fundão. 
- LOPES. José Avelino Grenha Lopes, atirador de cavalaria. Empresário do sector têxtil, residente em Lisboa.
- QUERIDO. José Adelino Borges Querido, atirador de cavalaria. Empresário comercial, residente em Odivelas.
- RABIÇO. Ângelo Tuna Rabiço, enfermeiro. Professor aposentado, residente em Guimarães.
- REINO. Armindo Henriques Reino, operações especiais. Aposentado da GNR, residente no Sabugal.
- RICARDO. Alcides dos Santos da Fonseca Ricardo, atirador de cavalaria. Residente em Loures.
- RIBEIRO. Delmiro da Silva Ribeiro, atirador de cavalaria. Engenheiro aposentado da PT, residente em Vila Real.
- NOTA: um ou outro destes dados poderão não estar actualizados.
Ver AQUI.
E AQUI.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Os Cavaleiros do Norte de Zalala

Aquartelamento da 1ª. CCAV. 8423

Zalala foi o primeiro aquartelamento da 1ª. Companhia de Cavalaria 8423, comandada pelo capitão miliciano Castro Dias. Não era sítio fácil, antes de muitos desafios e medos - que por lá se viveram muitas tragédias, desde os tempos dramáticos de 1961. Até que de lá levantou a última guarnição militar portuguesa, a 25 de Novembro de 1974.
Agora, aqui me foi perguntada a composição da Companhia.
Aqui deixo a relação de oficiais e sargentos, com as respectivas especialidades:

Comandante
-  CASTRO DIAS. Capitão Miliciano Davide de Oliveira Castro Dias, professor aposentado e dirigente sindical. Residente em Rio Tinto (Porto).

Alferes milicianos
- SOUSA, Mário Jorge de Sousa Correia de Sousa, operações especiais.
- ROSA: Pedro Marques da Silva Rosa, atirador de cavalaria. Residente no Laranjeiro (Almada). 
- SAMPAIO: Carlos Joao da Costa Sampaio, atirador de cavalaria. Residente em Lisboa.
- LAINS. José Manuel Lains dos Santos, atirador de cavalaria, residente em Cadafais (Alenquer).

1º. Sargento
- PANASCO. Alexande Jaquim Fialho Panasco, 1º. sargento de cavalaria. Residente em Carnaxide (Lisboa).

Furriéis Milicianos
- ALDEAGAS. João Matias Mota Aldeagas, atirador de cavalaria. Residente em Estremoz.
- BARATA. Jorge António Eanes Barata, atirador de cavalaria.
- BARRETO. Jorge Manuel Mesquita Barreto, enfermeiro. Aposentado da função pública, residente em Rio Tinto.
- COSTA. Vitor Moreira Gomes da Costa. Residente em Famões (Odivelas).
- DIAS. João Custódio Dias. Transmissões de Infantaria. Aposentado da Polícia Judiciária, residente em Tomar.
- DIAS. Manuel Dinis Dias, mecânico-auto. Residente em Lisboa.
- EUSÉBIO. Eusébio Manuel Martins, atirador de cavalaria. Funcionário público em Belmonte.
- LOURO. José dos Santos Louro, atirador de cavalaria. Residente em Évora.
- NASCIMENTO. João António Moreira do Nascimento, alimentação.
- PINTO. Manuel Moreira Pinto, operações especiais. Residente em Paredes.
- QUEIRÓS. Plácido Jorge Oliveira Guimarães Queirós, atirador de cavalaria. Aposentado, residente em Braga.
- RODRIGES. Américo Joaquim da Silva Rodrigues, atirador de cavalaria. Residente em Vila Nova de Famalicão.
- VELEZ. Vitor Manuel Conceição Gregório Velez, atirador de cavalaria. Residente na Amadora.
- VIANA. Fernando Manuel da Mota Viana, atirador de cavalaria. Residente em Braga.
Um dia, aqui poremos a relação dos praças.
Ver AQUI.
E AQUI.

domingo, 6 de março de 2011

A chegada dos especialistas do BCAV. 8423 a Santa Margarida

Entrada do Campo Militar de Santa Margarida


A 4 de Março de 1974, já lá vão 37 anos, e após o breve interregno que se sucedeu aos exercícios finais da Escola de Recrutas (ER), os especialistas do BCAV. 8423 começaram a  fazer as suas apresentações no RC4 - a unidade mobilizadora, no Campo Militar de Santa Margarida.
Os especialistas - enfermeiros, mecânicos, condutores, operadores de transmissões, rádios-montadores, administrativos e amanuense, entre outros - tinham recebido formação específica em outras unidades, de um pouco por todo o país, e apresentavam-se mobilizados para formar a grande família - a que viria a ser a dos Cavaleiros do Norte.
Foi, na verdade, por estes dias que se completou o efectivo do BCAV. 8423 - numa altura em que se efectuou a mudança de aquartelamento, para um Destacamento do RC4. Onde se instalaram todos os praças. Oficiais e sargentos continuaram no RC4, os 1ºs. cabos milicianos num dos pavilhões ao lado do Regimento de Engenharia - para onde, a 16 de Março (estávamos nós de férias), foram deslocados alguns detidos do Golpe das Caldas da Rainha desse dia.

sábado, 5 de março de 2011

O cosmopolitismo que Carmona já «oferecia»...

D. Francisco Mata Mourisca, Bispo de Carmona (em
cima, à direita) e general Altino Magalhães



A 5 de Março de 1975, o comandante do BCAV. 8423, tenente-coronel Almeida e Brito, teve contactos protocolares com o Governador do Distrito (penso que o general Altino de Magalhães, foto, a esse tempo), o Bispo da Diocese (D. Francisco da Mata Mourisca) e os Juízes do Tribunal do Uíge.
Almeida e Brito, se era (e era mesmo!...) um grande comandante e um óptimo estratega militar, era igualmente um excelente relações públicas e  saberia, ao tempo, da importância de semear cordialidade e multiplicar empatias com as figuras maiores da sociedade uigense. Que, quero acreditar, seriam bons portadores da mensagem de companheirismo e segurança que as forças armadas queriam (digo bem!) passar à comunidade civil.
Tenho pena de, agora, não o  poder questionar sobre isso. Faleceu a 20 de Junho de 2003, deixando-nos uma imensa saudade. Nem nunca, nas conversas posteriores, já em Portugal, alguma vez calhou falar sobre isso
A integração dos militares no ambiente urbano foi-se desenvolvendo, nos primeiros dias com pequenos incidentes com os residentes - «coisa» que se foi resolvendo de forma mais ou menos pacífica. 
Recordo, dos primeiros dias de Março de 1975, em Carmona, o deslumbramento de muitos dos nossos companheiros de jornada, enchendo os olhos com o trânsito e a altura dos prédios da cidade, os bares e restaurantes, as lojas comerciais e a corrida para as escolas de condução - para «tirar» a carta. Eram, na sua maioria, rapazes que (como eu) tinham partido de um Portugal rural que nada tinham a ver com o cosmopolitismo e o ambiente social que Carmona já oferecia.

sexta-feira, 4 de março de 2011

A chegada à cidade de Carmona e a criação da PM

Parada do BC12, em Carmona, na estrada para o Songo


A chegada da CCS. do BCAV. 8423 ao BC12, em Carmona, foi acompanhada por um Grupo de Combate da 2ª. CCAV., a de Aldeia Viçosa - comandada pelo capitão José Manuel Cruz. O resto da  subunidade chegaria a 11 de Março e,  para o Songo, seguiria mais tarde a 1ª. CCAV., do capitão Castro Dias, ao tempo em Vista Alegre e Ponte do Dange. Pelo Quitexe, ficou a 3ª. CCAV., do capitão José Paulo Fernandes.
A chegada à cidade e a sequente mudança de hábitos, levou à promulgação de novas NEP´s, adequando-as à nova vivência e relação com a sociedade local.
Ao tempo, medrava já pela cidade de Carmona alguma animosidade da população civil, relativamente aos militares - acusados de traidores e outros mimos irrepetíveis, aqui! Importava, pois, que a apresentação dos militares fosse cuidada, os contactos com civis esmerassem em cortesia, nunca em desaforo, nunca fossem quezilentos.
O comando militar decidiu criar um serviço de PM. Uma das três equipas, calhou-me em rifa, com o António e o Marcos; ou o Almeida e o Francisco. Há histórias a contar, desta missão urbana -que se faria bem espinhosa.
- PM. Polícia Militar. Efectivo militar que exerce
o poder de polícia, no âmbito das forças armadas.
- NEP. Normas de Execução Permanente, instrumento
disciplinar no âmbito de uma unidade militar.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A boa qualidade da Messe de Sargentos do Montanha Pinto

A messe de Sargentos da CCS do BCAV. 8423, em
Carmona (assinalada a amarelo, em cima) e aspecto
da sala do bar, no 1º. piso (em baixo)



A satisfação dos praças do BCAV. 8423, quanto às instalações do BC12, em Carmona, foi superada pela que sentiram furriéis e sargentos, na até aí messe de oficiais do Bairro Montanha Pinto: um luxo!
Um prédio era de dois pisos, de boa construção e equipamentos de primeira linha. Bons quartos, mobília de madeira, cozinha de sala de jantar de bom nível. Bar de convívio e sala de jogos! Um jardim arrelvado nas traseiras. Em frente, passada a rua, um magnífico jardim público. Ali iríamos viver 5 meses, com qualidade de vida, condições de lazer e boa alimentação.
Neste ponto, foi mestre o Francisco Neto, como gerente de messe. Ao tempo, numa estranha deliberação revolucionária do Governo de Lisboa, houve até um período em que tivemos de pagar a nossa alimentação. Vejam  lá!! A servir o país, a dar o corpo ao manifesto e ainda a termos de pagar para comer. 
A gestão da messe, por decisão do grupo, seria assumida rotativamente por alguns furriéis. Mas tão competente foi a do «Cavaleiro Ranger» Neto, que, ao chegar a minha vez, o "contrato" lhe foi renovado. E sucessivamente!

quarta-feira, 2 de março de 2011

A chegada dos Cavaleiros do Norte ao BC12 de Carmona

Quartel do BC12, visto do lado de Carmona (em cima)
e da estrada para o Songo (em baixo)



A 2 de Março de 1975, há 36 anos!!!..., literalmente de armas e bagagens, partiu a CCS do BCAV. 8423 da (saudosa) vila do Quitexe para a cidade Carmona, onde se instalou no BC12. A rotação estava prevista desde dias antes - depois de dúvidas que se tinham posto entre este destino e o de Luanda.
Carmona era metrópole gigantesca. Gigantesca, bem entendido, para os olhos da maioria da guarnição - uma cidade desenvolvida, moderna, atraente, cheia de respostas para a gulodice de jovens que, aos 22 para 23 anos, ali conheciam mundos novos, sendo saídos, a maior parte deles, da província pouco desenvolvida do Portugal metropolitano.
E o quartel!! O quartel pouca tinha a ver - nada, mesmo!!!... - com as modestas instalações do Quitexe. Embora, digamos por verdade, sendo estas muito melhores que quaisquer umas das subunidades que «acampavam» em aquartelamentos de mato.
Recordo os olhares de espanto de alguns de nós, a galgar a cidade por entre prédios de cinco ou seis andares, ou dez!..., que nunca teriam visto na vida. E  alegria de se verem em casernas modernas e bem equipadas. E o olhar ansioso e de espanto, medindo a área da imensa parada do BC12.
A chegada ao BC12 foi mesmo em tempo do almoço, mal havendo tempo de pousar malas e mochilas. A guarnição sentiu-se bem e feliz no seu novo destino.
- BC12. Batalhão de Caçadores 12, em Carmona.
- CARMONA. Cidade capital da Província do Uíge.
Actualmente, denomina-se Uíge (nome original).

terça-feira, 1 de março de 2011

O furriel atirador que se «fez» vagomestre de Zalala

Barreto e Rodrigues, furriéis da guarnição de Zalala,
da 1ª. CCAV. 8423 (foto de 1995)


O Rodrigues foi furriel miliciano atirador de cavalaria, mas a vida de Zalala levou-o para vagomestre, com funções de gestão no sector de alimentação no aquartelamento. Para as quais, obviamente, não tinha sido preparado, mas das quais se saiu lindamente, assumindo-as de «maneira eficiente e dedicada», como se lê no louvor publicado na Ordem de Serviço 165.
O Rodrigues «impôs-se à consideração da sub-unidade», sendo «apreciado pela colaboração prestada aos seus superiores» e de igual modo vendo «os seus serviços sempre desejados e compreendidos pelos seus subordinados».
Dele, lembro eu o ar distinto e a linhagem serena, o porte elegante e cavalheiro, de gente que pensa e diz sem rodeios ou desrespeito, e da sua relação connosco, sempre que ao Quitexe ia ao serviço e por lá nos debitávamos em horas de «fazer tempo».
- RODRIGUES. Américo Joaquim da Silva Rodrigues, furriel miliciano
atirador de cavalaria, da 1ª. Companhia. Natural e residente em Vila Nova de Famalicão.
- BARRETO. Jorge Manuel Mesquita Barreto, furriel miliciano enfermeiro,
da 1ª. Companhia. Aposentado do Centro Hospitalar do Porto, residente em Rio Tinto.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O 1º. cabo Joaquim Figueiredo de Almeida

Hipólito, Monteiro, Almeida e Vicente (em cima), Garcia,
Leal, Neto e Auélio (Barbeiro), gente do PELREC da CCS do BCAV. 8423.
Almeida, Vicente, Garcia e Leal já faleceram


A 28 de Fevereiro de 2009, há dois anos, vítima de doença, faleceu Joaquim Figueiredo de Almeida - que foi  garboso e corajoso 1º. cabo atirador de cavalaria e integrou o o PELREC da CCS do BVAV. 8423.  Desde Santa Margarida, até ao Quitexe, por Carmona e Luanda.
Humilde, sempre prestável, disponível, sem medos...., o 1º. cabo Almeida foi mais que um atirador e um amigo. Foi encarregado do refeitório e padeiro - merecendo louvor público do comando do batalhão.
Morreu há dois anos! Que descanse em paz.
Ironia da vida, hoje faz 59 anos o Franciso Neto - que foi companheiro e irmão da minha jornada militar, desde os epopeicos e sacrificados tempos de instrução militar do CIOE, em Lamego - onde nos fizemos melhores soldados!!!... -, também passando por Santa Margarida, Quitexe, Carmona e Luanda. Até aos dias de hoje. Dei-lhe agora o telefonema da praxe! Está bem, matando os lutos da vida, porque sabe desafiar o futuro.
Ver AQUI.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A CCS a fazer malas para o BC12 de Carmona

Aquartelamento do Quitexe, na avenida da vila. 
Entrada para a parada, parque de viaturas, refeitório e casernas


Os últimos dias de Fevereiro de 1975 forma vividos com alguma ansiedade na guarnição do Quitexe. A CCS, já se sabia, ia partir para Carmona - onde iria ocupar o BC12, com a 2ª. Companhia, a de Aldeia Viçosa. Era mais um passo na caminhada para o regresso, que todos cada vez mais desejávamos. Mal sabíamos o que no esperava.
O comandante Almeida e Brito multiplicava-se, por esse tempo, em reuniões na Zona Militar Norte: a 19, 20, 25, 26, 27 e 28 de Fevereiro, normalmente acompanhado pelo oficial adjjunto - o capitão José Paulo Falcão. A rotação do BCAV. 8423 estava em marcha. No Quitexe, iria ficar a 3ª. CCAV., a de Santa Isabel - que de lá viera em Dezembro de 1974.
As Companhias (subunidades), entretanto, «estavam a braços com grandes problemas, respeitantes às suas cargas», pelo que, como se lê no Livro da Unidade, o Comando do BCAV. 8423 «não realizou as visitas que do antecendente se verificavam». Assim se deu «liberdade de actuação» aos respectivos comandantes.
Nós, Cavaleiros do Quitexe, entretanto, fazíamos as malas para mais uma etapa da jornada de Angola: a mudança para o BC12, para Carmona.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O Pelotão de Mecânicos e Condutores Auto-Rodas


O Pelotão do Parque-Auto era comandado pelo alferes Cruz (destacado 
a amarelo), com o 1º. sargento Aires (vermelho) e o furriel Morais (branco).
Clicar na imagem, para a ampliar

O Pelotão de Mecânicos Auto-Rodas era comandado pelo alferes miliciano Cruz, com colaboração do 1º. sargento Aires e o furriel miliciano Morais. E como era vital que não falhasse! Não falhasse (e não falhou) na segurança e manutenção das viaturas que rodavam pelas picadas do Uíge angolano. Não podiam  ter uma avaria, uma falha mecânica, sempre que viajávamos na mais simples escolta, ou na mais perigosa saída operacional.
E como era arriscado o "papel" dos condutores, sempre primeiros alvos das miras inimigas, quando evoluíamos nos troços mais densos da floresta (onde o IN se poderia esconder fora dos nossos olhos), ou na parte mas aberta dos troços que vomitavam poeira quente e vermelha para os nossos olhos e corpos, para o suor dos nossos frios de medo, para as nossas angústias.
O final de comissão foi tempo de louvor a esta equipa de companheiros fantásticos, boa parte deles na foto deste post.
«O conjunto de mecânicos auto-rodas da CCS/BCV constituiu equipa de trabalho, com espírito de entreajuda e sacrifício, procurando tirar o maior rendimento do seu labor, ao mesmo tempo que, torneando dificuldades inerentes ao muito uso das viaturas e às faltas constantes de sobressalentes, conseguiu que as mesmas obtivessem condições de utilização em tempo oportuno e sempre aceitáveis».
Aqui fica o elogio, lavrado pelo comandante Almeida e Brito, que, «não pretendendo distinguir uns, esquecendo outros» deixou vincado, no Livro da Unidade, o «público agradecimento do seu trabalho». 
Assinamos por baixo.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A 3ª. Companhia vai reunir em Torres Vedras

Grupo da 3ª. CCAV. 8423, de Santa Isabel. Encontro de
5 de Junho de 2010, em Coruche.
Clicar na imagem, para a ampliar

A 3ª. Companhia do Batalhão de Cavalaria 8423 vai reunir-se a 4 de Junho, em Torres Vedras. A organização é do engº. José Paulo Fernandes, que, como capitão miliciano, a comandou - nas jornadas que levaram a guarnição por Santa Isabel, Quitexe e Luanda, pelos já algo distantes anos de 1974 e 1975.
O ponto de encontro será no estacionamento da Expotorres e o almoço será no Restaurante Valoásis, algures na estrada entre Torres Vedras e a Lourinhã. Constará de umas entradas, sopa de agrião, bacalhau com broa, fritada de carne e buffet de sobremesas. Terá um custo de 30 euros, para adultos, mas de dez para as crianças com menos de 12 anos. E nada pagarão as que tiverem menos de 6.
Para se chegar a Torres Vedras, deverá utilizar-se a auto-estrada A8. Quem vier de sul, provavelmente entrará em Lisboa pelo nó de Loures, local onde cruza com a CREL. Deverá sair ao quilómetro 36, onde diz Torres Vedras (sul).
Quem viajar de norte, tem várias ligações à A8, desde a A29 (que vem do Porto e liga directamente no nó de Leiria), até à A15, que vem de Santarém e liga no nó de Óbidos. Deverá sair ao quilómetro 43, onde diz Torres Vedras.
«A minha vontade é a de encontrar todos os militares desta companhia com as suas famílias, ou quem os represente. E mais gostaria de ver aqueles que, não tendo pertencido à 3ª. companhia do 8423, nela queira participar», disse o (ex-capitão miliciano) engº. José Paulo Fernandes, pedindo que «seja passada a informação».
Aqui está ela. Passada para todos quantos por aqui passam, pelo blog.
Quem o quiser contactar, aqui tem o telemóvel: 917 588 737.
Ver AQUI.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Sinto orgulho de ter sido militar do Exército Português

Aldeia Viçosa, vila assinalada no mapa, assim como Santa
Isabel e Dange (que é o Quitexe). João Machado (foto em
 baixo), assina depoimento sobre a jornada angolana dos Cavaleiros do Norte 

A G3 foi a primeira amante que tive quando cheguei a Angola. Aquela que davam aos cachopos de 21 anos, que muita gente agora trata por Defensores do Colonialismo. E o que é que as vezes sinto, perante certas conversas a que assisto e até a programas de televisão?! Vergonha ? Não tenho, mas às vezes ponho-me a pensar se irá haver historiadores honestos que contem a verdadeira história da DESCOLONIZAÇÂO. Até penso se não seria uma página negra na nossa história, comparada com a epopeia dos Descobrimentos.
Bem, mas isso foi só quando me cuspiram em cima, fardado, na cidade de Luanda, algures em Julho ou Agosto do ano de 1975 (se a memória não me falha), já não falando do apelidado de Batalhão Cueca, que, segundo ouvi dizer na altura, em Luanda, vinha em coluna de Henrique Carvalho, para Luanda, quando foi assaltado no caminho, suponho que pela UNITA, de tal modo que desde armamento às fardas tudo que quiseram lhe tiraram, tendo chegado a Malange em cuecas.
Ali lhe foram dadas novas (ou usadas) fardas.
Não haverá quem tenha coragem de divulgar esta história, se o foi efectivamente?
Às vezes, sinto orgulho de ter sido militar do Exército Português, de ter jurado a nossa bandeira - que é a mesma, ainda hoje - e defendido, com armas na mão, a nossa Pátria. Mas por vezes penso se não teria sido mais útil ter fugido para França, como tantos fizeram - hipótese que reconheço estar completamente de lado, considerando a educação que os meus pais me deram.
E qual foi a sorte de alguns miúdos da nossa geração, cujos nomes  estão escritos numa parede, ali para os lados de Belém?! Até há pouco tempo era guardada por uma sentinela, mas não sei como irá ser no futuro, com a crise económica.
Vamos ter mui para falar de Angola
JOãO MACHADO
Alferes Miliciano da 2ª. CCAV. 8423

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O leal, camarada e dedicado furriel Queiroz de Zalala

Furriel miliciano Plácido Queiroz e capitão miliciano
Davide Castro Dias, da 1ª. CCAV. 8423


O Queiróz é de Braga e foi Cavaleiro do Norte, servindo como furriel miliciano de Armamento Pesado, na guarnição de Zalala. Por lá jornadeou a 1ª. Companhia, comandada pelo capitão miliciano Castro Dias.
O Queiroz era rapaz de verbo fácil e companheiro dos bons, sempre regando de boa disposição os seus contactos pessoais. A vida fez-nos encontrar várias vezes, em idas minhas a Braga, e com ele tenho falado nos últimos meses, recordando peripécias da vida militar que nos levou ao Uíge angolano.
«Reúne também elevados dotes de camaradagem, lealdade e extrema dedicação, podendo desse modo dizer-se que as suas actividades militares, além de apreciadas por superiores, foram  admiradas pelos seus camaradas e subordinados», revela o louvor do comandante do BCAV. 8423, por proposta de Castro Dias, o comandante da subunidade de Zalala.
O Queiroz, que com a guarnição do Quitexe confraternizava regularmente - nas suas deslocações enquanto gestor da cantina zalalense -, foi também «pronto e eficiente» como auxiliar do 1º. sargento, missão (tal qual a de gestor da cantina) para as quais «não possuía aptidões especiais».
Mas, cito do louvor, superou dificuldades com «esforço e verdadeiro espírito de sacrifício» (...) «sempre dando provas inequívocas do maior interesse pelos serviços que lhe foram solicitados».
- QUEIROZ. Plácido Jorge de Oliveira Guimarães Queiroz, furriel miliciano de Armamento Pesado, aposentado, natural e residente em Braga.
-  CASTRO DIAS. Davide de Oliveira Castro Dias, capitão miliciano, comandante da 1ª. CCAV., a de Zalala. Proefssor aposentado, residente em Rio Tinto (Porto). Ver AQUI.
- SARGENTO. Alexandre Joaquim F. Panasco, 1º. sargento da secretaria da 1ª. CCAV. 8423, de Zalala.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O último dia da instrução especial de Santa Margarida

Alferes Garcia e soldado Leal, dois «pelrec´s» já falecidos. Em baixo,a  entrada do RC4,
em 2010. Ao fundo, a capela do campo Militar de Santa Margarida. 



Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 1974. Os futuros Cavaleiros do Norte concluem, na Mata do Soares, o período da chamada instrução especial. Os homens que ali chegaram primeiros dias de Janeiro, alguns ainda em Dezembro de 1973, já estão aptos a pegar numa GR, pôr bala na câmara, fazer ponto de mira e disparar. Desmontam a arma, limpam as peças, uma a uma, cuidadosamente, e voltam a montá-las. Já  conhecem os perigos de um trilho armadilhado, de uma granada defensiva a explodir, já percebem o cheiro da morte. Ainda não estão prontos, mas estão... quase, para partirem para a guerra.
Os homens do BCAV. 8423 já sabem que o destino é Angola e bendizem-se pela sorte. Angola era, para a geração que se preparava, o melhor teatro de guerra possível. Mais «pacífica» que os perigos da diabolizada Guiné, ou da sacrificada Moçambique - de onde chegavam notícias aterrorizadoras. Que chegavam, com maior ou menor secretismo, mais ou menos escondidas pelos donos da pátria e das armas.
Os agora «cavaleiros» da guarnição de Santa Margarida vão gozar um dias de férias. Mais para os praças, menos para os futuros furriéis e alferes milicianos.
O Neto e eu, falando aos soldados PELREC num sítio da Mata do Soares por onde Cristo não tinha passado, confortamos-lhe a alma e estimulamos-lhes confiança. Aquilo, em Angola, não ia ser nada. Estávamos preparados. Preparadíssimos. Que gozassem os dias de férias, com as famílias, os amigos, as namoradas. É por estes dias que sei da paternidade do Leal, já casado e da criança que lhe crescia em casa, sem o colo do pai. Viria, eu, a ter especial empatia pelo Leal - que sempre a retribuiu.
Hoje, há 37 anos, abandonámos Santa Margarida com conforto de alma e sem dores que nos inquietassem o físico. Na verdade, Lamego dera-nos força física, competência técnica e destemor. Não exagero. E isso procurámos nós, com o futuro alferes Garcia, incutir no espírito dos nossos soldados. Hoje,. temos a certeza que comseguimos.
- GARCIA. António Manuel Garcia, alferes miliciano de Operações Especiais (Ranger´s). Natural de Pombal de Ansiães (Carrazeda de Ansiães». Faleceu a 2 de Novembro de 1979, vítima de acidente de viação.Era agente da Polícia Judiciária.
- LEAL. Manuel Leal da Silva, soldado atirador de Cavalaria. Natural de Pombal, faleceu a 19 de Junho de 2006, vítima de doença súbita.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Oa 4 leitões roubados ao Pelotão de Intendência


O 1º. aniversário do Pelotão de Intendência iria ser festejado com muita pompa, no dizer do alferes que o comandava. Foram comprados quatro magros leitões que, de imediato, passaram à fase de engorda.
Iriam (e foram) ser alimentados com produtos da xitaca, restos de comida do rancho geral e da messe de sargentos. Da messe de oficiais, não sobrava nada, diziam, por uma razão que não vem, hoje, ao caso.
Os leitões engordavam a olhos vistos, com um pêlo luzidio que dava gosto ver. De tal maneira, que passaram a ser alvo de cobiça por parte de quatro militares da CCS, que não viravam a cara a um bom petisco. Não havia nada a fazer, o destino dos suínos estava traçado! E não tardou muito que o primeiro caísse nas malhas do quarteto, com tal habilidade que nem o silêncio da noite os denunciou.
«O que é feito do porco, pá?..., como é que o gajo saiu?!...», interrogavam-se os proprietários, por não verem qualquer hipótese de fuga! E voltaram a interrogar-se mais três vezes, tantas quantos os suínos desaparecidos.

Não se conformaram os homens da Intendência e disso deram conta ao capitão! E dali saiu um auto a… desconhecidos! Apenas mais um de muitos autos levantados, alguns tão surreais e cómicos, com o devido respeito, que aqui não vou falar! Certo é que se consumaram as churrascadas, feitas pelas mãos de quem sabia – uma por semana! Mas, contaram-me, nem tudo foram rosas e um dos animais ainda bateu a pata antes de se entregar para repasto. Um dos elementos ter-se-á embrulhado com ele numa luta corpo a corpo, para impedir os grunhidos, acabando mordido e num estado tal que não havia margem para dúvidas: a luta tinha sido travada numa pocilga!
Quando já se acreditava em “crime perfeito”, quis o destino que um elemento do quarteto apanhasse uma bebedeira de “caixão à cova” e, ao exibir a sua valentia alcoólica no bar, exclamasse: «O pá, avance o primeiro que aguente cerveja com eu!…, e com um leitão assado, aberto e de churrasco ainda embocava mais c…….!!!...».
Ao furriel, a jantar mas atento aos excessos, não escapou o deslize e montou-lhe o cerco no dia seguinte, “espremendo-o” ao primeiro bocejo da manhã. Surpreendido e ainda com a boca a saber a papéis de música, logo ali confessou tudo!
«Ó mô furriel…,ó mô furriel!..., eu “esplico”!..., balbuciava o Neves. E explicou mesmo, sem sair da cama!
Afim de evitar punições disciplinares para o quarteto, faria de conta que nada sabia, desde que lhe pagassem os leitões. E pagaram, mas bem inflacionados! O dobro…, garantem ainda hoje! Mas antes assim!
O auto, esse ficou como todos os outros! Esquecido na gaveta!
ANTÓNIO CASAL

(CCS do BCAC. 3879)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O alferes «Ranger» João Machado da Companhia de Aldeia Viçosa


João Machado foi alferes miliciano dos que não olhavam para trás  -  se o perigo espreitasse, se se tivesse de gritar uma ordem de combate, se se vivesse algum momento de medos e de frios. Se os cheiros da pólvora, ou os pavores da metralha nos enlutassem a alma, nos adormecessem o corpo ou anestesiassem a coragem.Coragem que nunca lhe faltou.
Jornadeou por Lamego, onde, no mesmo curso, vestimos o camufalado da instrução «Ranger». Liderou, depois, a escola de recrutas da 2ª. CCAV. 8423, como adjunto do capitão Cruz, em Santa Margarida, e daqui, por Lisboa e para Luanda, galgou os ares e os mares até Aldeia Viçosa - onde oficialou na guarnição da vila.
As suas qualidades de comando foram sublinhadas por Almeida e Brito, o tenente-coronel que liderou o BCAV. 8423 por terras do Uíge, dele falando como «um bom oficial», competência que, frisou, «sobretudo se tornou notória no todo coeso que conseguiu dos homens que comandou».
Comandou um grupo de combate da 2ª. CCAV. e as suas qualidades ampliaram-se na função de adjunto do Comandante da Companhia, «manifestando sempre a maior vontade e determinação nas situações que lhe foram impostas».
O sentido de servir e a extrema dedicação, «casou-os» com a enorme capacidade física e mental - que lhe deram lastro para, nos amargos dias de Carmona, ter «actuação de destaque». Em Junho de 1975, releio no Livro da Unidade, «no decurso dos graves incidentes, nova e mais abertamente pôs as suas qualidades à prova».
O alferes Machado, então soldado-cadete, foi contemporâneo do 2º. curso de Operações Especiais (Rangers), em Lamego. Com o Mário Sousa e o Pinto (1ª. CCAV.), o Letras (2ª.) e o Rodrigues (3ª.), o Garcia, o Monteiro, o Neto e o Viegas (CCS).  Por lá, como nós, sofreu as dores da alma e do corpo, que nos prepararam a para a guerra que íamos viver. Foi 24º. classificado do curso de oficiais milicianos, com 14,54 pontos de média final - tirada dos 13,70 de mérito escolar e 15,80 de mérito militar. Curiosamente, exactamente a meio dos 47 cadetes que ficaram Ranger´s. Oito, não o concluíram, passando atiradores de cavalaria.
Foi um dos bravos Cavaleiros do Norte e com ele ontem cavaqueei ao telefone, lembrando momentos e figuras da missão que nos levou a Angola. Acháramos-nos em 1995, 1995 e 1996 (nos encontros do BCAV.) e uma outra vez nas areias da praia de Santa Eulália, no Algarve. Ontem, disparámos sobre essas e muitas outras recordações e matámos, de uma cajadada, a emoção que nos faz saudosos de Angola e o gosto do pão do nosso próximo encontro.
- MACHADO. João Francisco Pereira Machado, alferes miliciano de Operações Especiais (Ranger´s), aposentado da administração fiscal e residente nas Amadora. Foto de 1995.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O 1º. Encontro dos Cavaleiros do Norte, em 1994


O primeiro encontro dos Cavaleiros do Norte, depois do regresso de Angola (em Setembro de 1975), aconteceu em Águeda, na Estalagem da Pateira, a 9 de Setembro de 1995. Faziam-se 20 anos do nosso regresso de Angola.
O encontro foi de muitas emoções, que verteram lágrimas de saudade e alegria, nos abraços mil vezes repetidos entre rapazes que tinham selado fartas amizades e solidariedades nas terras do Uíge.
Quero dizer, e sem exagero ou deslumbramento, que me empenhei pessoalmente de forma exaustiva. Localizei a maior parte dos 93 militares do Batalhão que participaram a partir de centenas de telefonemas e de uma base de dados de... memória. Ora, fulano chama-se assim, é de tal parte, vê na lista telefónica. E quando não a tinha, ligava às informações. Semanas seguidas de serões do verão de 1994 foram passados assim. Gastei uma pipa de massa.
O Matos, da 2ª. CCAV., quis até fazer um peditório, mas recusei. A minha grande compensação foi sentir a alma e a de todos aqueles companheiros a ferver de alegria.
Podia recordar desse dia um mar de momentos mágicos. Vou lembrar o que se seguiu ao desta foto, onde apareço a ler mensagens de companheiros que não puderam estar. Falei das memórias de uma jornada africana que nos engradecera e orgulhara, citei Almeida e Brito como o comandante certo na hora certa. E, simbolicamente, chamei o Cabrita ao pequeno palco, para, ele que era o menos graduado de todos nós, entregar a Almeida e Brito uma peça de faiança de Águeda. Foi um momento simbólico e emotivo, ovacionado de pé. 
O Cabrita, nervoso, chegou-se ao pequeno palco e embaraçou-se com a peça de faiança na mão, ia deixando cair. Entregou-a «ao nosso comandante» e o abraço forte que trocaram simbolizou a irmandade que todos nós, sem saber, quiçá sem darmos por ela, tínhamos construído na nossa jornada de África.
A 9 de Setembro de 1994.
- ALMEIDA E BRITO. Carlos José Saraiva Lima Almeida e Brito, tenente coronel e comandante do BCAV. 8423. Atingiu a patente de general e faleceu a 20 de Junho de 2003.
- MATOS. Mário Augusto da Silva Matos, furriel miliciano atirador de cavalaria, da 2ª. CCAV. 8423. Natural e residente em Anadia.
- CABRITA. António Santana Cabrita, soldado básico, natural de Alvor (Portimão). É empresário do sector da pesca, em Cascais.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A escolta na picada de Zalala


Aquartelamento de Zalala, por onde jornadeou a 1ª.
CCAV. 8423 - que ali foi a última guarnição das Forças Armadas Portuguesas


ANTÓNIO FONSECA
Texto

A partida para uma escolta era sempre bem alicerçada em planos e estratégias, nunca se sabendo como iria decorrer, por mais simples e inofensiva que à partida nos parecesse. Recordo uma escolta e protecção ao pessoal da Junta Autónoma de Estradas de Angola (JAEA), na picada para Zalala, numa zona de visibilidade reduzida e onde já se tinham registado alguns acidentes com viaturas militares. Creio, até, que se deveu também ao facto de ser considerado um local pouco seguro, e onde se teriam registado já alguns incidentes com o IN. Foi, se não me engano, a terceira vez que eu passei por aqueles lados, embora nunca tenha parado na picada, porque ao que íamos a isso não obrigava. E quanto mais depressa passássemos, melhor!
Pela primeira vez tive a noção dos perigos que continha e a fragilidade a que estava sujeito quem nela transitava - na minha única ida a Zalala, pouco depois de ter chegado ao Quitexe, fiz o percurso num espírito de “excursão”, apenas para cumprir uma missão a que me comprometera. Desta vez, senti na pele e na alma os receios e os perigos de que muitos falavam quando já se encontravam bem seguros na vila do Quitexe.
Parece que ainda estou a ver a vegetação que nos ladeava: alta, fechada e de difícil transposição.
«Isto é uma autêntico muro!,.., será que não estão ali a cinco metros a olhar para nós e a gozar o pagode?!», murmurei eu ao furriel, à espera que ele me dissesse que não, para me deixar mais tranquilo!
«Ó pá…, isto está controlado mas deves saber bem onde estamos!!!».
Não fora por acaso que, ao ordenar a posição de cada um, me mandasse sentar ao lado da roda do “burro de mato” com o rádio TR 28 camuflado. A meu lado, estava sempre o Canidelo, tão valente na mata como no refeitório, e que nunca se descolava de mim um minuto que fosse. Era o meu “guarda-costas”, lembrava ele ao alferes!

O dia decorreu sob um calor abrasador, que ainda tentou alguns a deitarem-se debaixo das viaturas, mas o rigor de quem mandava e tinha a responsabilidade de manter a segurança, não deixou pôr o pé em ramo verde. Qualquer “balda” seria sempre um risco e sinónimo de desrespeito para com o restante grupo. Foi também graças a essa rigidez disciplinar que todos voltámos, sempre, das escoltas e operações durante quase 27 meses!
Estávamos em Setembro/Outubro de 1972 e os principais alvos eram, naquele período, os fazendeiros, os seus trabalhadores e funcionários da Junta Autónoma de Estradas de Angola. E por eles, também, nunca nos poupámos a esforços!
ANTÓNIO FONSECA






quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Os exercícios finais da Escola de Recrutas do BCAV. 8423

Marco geodésico da Mata do Soares, nos arredores do Campo Militar de Santa Margarida, onde decorreram os exercícios finais da recruta do BCAV. 8423 (em cima). Neto e Veigas, num carro de combate do RC4

A 17 de Fevereiro de 1974, ao príncípio da noite desse domingo de que hoje se fazem 37 anos, lá partimos nós - o Neto e eu - para Santa Margarida, onde ao outro dia dia começar a chamada instrução especial, que encerrava a escola de recrutas. Os dias de campo, que se iriam estender pela conhecida Mata do Soares. Até 6ª.-feira seguinte, dia 22. E assim foi. A estrutura orgânica do Batalhão de Cavalaria 8423 já estava definida, na sa quase totalidade - sobrando meros pormenores. Por exemplo, não conhecíamos ainda, a esse tempo, quem seriam os futuros furriéis enfermeiro (o Lopes, de Vendas Novas) e rádiomontador (seria o Cruz). E faltavam os oficiais milicianos de reabastecimentos - que seria o alferes Gaspar José F. Carmo Reis, dado como «incapaz para o serviço militar» - e, se me lembro bem, o de transmissões, o alferes José Leonel Pinto de Aragão Hermida. Talvez outros, ainda.
A semana de campo não iria ser nada fácil, com exercícios fisicos e técnicos muuito exigentes, mas era para a guerra que aqueles jovens de então se preparavam e nada melhor, por isso, que adestrar o corpo e a alma ao que seriam os perigos que nos esperavam nas matas de Angola.
Os exercícios tácticos e de técnicas de combate desenvolveram-se na conhecida Mata do Soares, por onde alguns de nós sofreram as dores da preparação que nos tornariam os futuros e garbosos Cavaleiros do Norte.
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