sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Os afectos que nasceram e se multiplicaram no Quitexe


A tropa é uma grande escola de solidariedade e camaradagem! No nosso tempo, dizia-se até que a tropa nos fazia homens. E a verdade que muitos de nós por lá amadureceram ideias e propostas para a vida, abrindo alicerces para o futuro. A tropa, por outro lado, semeou e cultivou afectos que se multiplicaram e amadureceram até hoje - 34 anos depois do nosso regresso.
Afectos que bem se vêm aqui, nesta foto tirada mesmo em frente à oficina-auto. Estão ali uns rapazes, na verdura dos 21 para 22 anos, a olhar embebecidos um bebé seguro no conforto de uma alcofa acadeirada. Quase sem saber como lhe pegar (não se fosse fartir o «vidrinho»...), está o Malheiro. E reparem no brilho dos olhos dos que olham!
Sobra saber quem é o bebé-mascote? É o Ricardo, hoje homem dos seus 35 anos, filho do alferes (engº.) Cruz.
É o engº. Cruz quem faz a legenda:
«A contar da direita , o condutor Pereira (?), penso que foi um dos que me acompanhou, no transporte de umas viaturas a Luanda, numa aventura inesquecivel; o furriel Machado, sempre atento, o 1º.. cabo Gasolinas... (como é que me esqueci do nome ! ), o 1º. cabo Porfirio Malheiro com a mascote (o meu filho Ricardo ) e o condutor... , dos mais certinhos , como é que se chamava?».
Clicar na imagem, para a ampliar.
- CRUZ. António Albano Araújo de Sousa Cruz, alferes miliciano mecânico-auto, de Fafe.
- MACHADO. Manuel Afonso Machado, furriel miliciano mecânico de armamento, natural de Covelo do Gerez (Montalegre), residente em Braga.
- MALHEIRO. Porfírio Tomas Malheiro de Jesus, 1º. cabo de manutenção de material.
- GASOLINAS. João Fernando Carvalho Dias Monteiro, 1º. cabo de combustíveis e lubrificantes, do Porto.
- PEREIRA. Alípio Canhoto Pereira, soldado condutor, de Belmonte.
- CONDUTOR. Anónimo, quem se lembra do nome?

1 comentário:

Manuel disse...

Olá pessoal, sou o ex. Furriel Miliciano, Manuel Afonso Machado, da CCS de BCAV 8423. Hoje mesmo naveguei pelo Blogue e verifiquei que está aqui um excelente documento de memórias e no qual vou também colaborar. Reviver o passado de dignidade e humanidade destes homens que não fugiram porque não tinham medo. A nossa hitória Honra o nosso nome e da nossa descendência, do qual devemos orgulhar-nos. "FOMOS SOLDADOS" de corpo inteiro cumprimos a nossa missão, sempre atentos a tudo e a todos. Estou lembrado de no final de 1974, ser chamado ao Comando de Batalhão, juntamente com os Furrieis Viegas e Neto, para dar explicações sobre a nossa conduta, "politica". Respondemos perfilados às quetões que nos foram colocadas e saímos do inquerito com o mesmo espirito com que entramos. Fomos sempre militares disciplinados e disciplinadores a quem não havia nada a apontar.
Desde o Quitexe a Carmona estabelecemos sempre uma grande ponte de colaboração e diálogo com as populações civis, colaborando com todos fraternalmente.
Também quero deixar aqui expresso, a minha gratidão ao Furriel Celestino Viegas, pela ideia de criar este espaço de partilha de lembranças, que está muito bem organizado e mantem viva a chama do lema com que estivemos nas terras de Angola "Peguntai ao inimigo quem somos"

Manuel Afonso Machado
Ex. Furriel Miliciano