sexta-feira, 4 de novembro de 2011

1 055 - Uma guarnição de serviço no Quitexe

Aquartelamento do Quitexe, visto da capela.
Casernas do PELREC e dos sapadores em primeiro plano

Quantas pessoas estavam de serviço, num aqurtelamento como o do Quitexe? Muita gente! Excluindo as tarefas convencionais - secretarias, enfermarias, oficinas, transmissões, faxinas, cozinhas e bares de praças, sargentos e oficiais, padaria e depósitos de material de guerra e géneros, eram nada mais nada menos que 45 militares «à ordem»! E mais um pelotão de piquete (mais ou menos 30 homens).
O exemplo de 4 de Novembro de 1974 era este:
- Oficial de dia: Alferes miliciano Carlos Silva.
- Sargento de dia: Furriel miliciano Morais.
- Sargento de ronda: Furriel Miliciano Gordo.
- Piquete: Pelotão de Morteiros 4281, comandado pelo alferes miliciano Leite.

Praças nomeados pela CCS:

- Reforço ao quartel: 18.
- Serviço à pista: 6.
- Guarda de polícia: 6.
- Ronda: 3.
- Escolta ao Correio: 2.
- Condutores de ronda: 2.
- Cabo de Guarda de Polícia: 1.
- Enfermeiro d dia: 1.
- Clarim de dia: 1.
- Electricista de dia: 1.
- Ordenança à secretaria: 1.
Agora, duas curiosidades:
1 - A 3 de Novembro, vieram de férias os 1º.s cabos Luciano Borges e Joaquim Breda, ambos de Leiria. 
2 - A 4 de Novembro, foi «solto das prisões do quartel, por terminar o cumprimento da pena que lhe foi imposta», o 1º. cabo Alfredo Coelho (Buraquinho) - 10  dias de prisão discipinar, dois agravada pelo Comando de Sector (20 dias) e Comando da Zona Militar Norte (30). Falamos do inimitável e sempre muito-falante Buraquinho, para quem fica um abraço.
- SILVA. Carlos Almeida da Silva, alferes miliciano atirador de cavalaria, da 3ª. CCAV. 8423. Funcionário bancário aposentado, residente em Ferreira do Zêzere.
- MORAIS. Norberto António Ribeirinho Carita de Morais, furriel miliciano mecânico-auto, da CCS do BCAV. 8423. Natural de Niza, é quadro superior da Estação Nacional de Plantas, em Elvas, onde reside.
- GORDO. António Luís Barradas Mendes Gordo, furriel miliciano atirador de cavalaria, da 3ª. CCAV. 8423. Funcionário camarário em Alter do Chão, onde reside.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

1 054 - Cavaleiros de Santa Isabel no Quitexe

O grupo que acompanhou o alferes Silva na apresentação no Quitexe, a 2 de Novembro de 1974, incluía ao furriéis Ricardo (a cores e em camisa) e Gordo ( o segundo, na ordem) e 19 praças, cinco deles do Grupo de Mesclagem, RI21 - Paulo Sebatela, Gonçalves Muecária, João Buende e Gouveia Gonga.
Os militares europeus eram José Valdemar Guinote Mendes Antunes, José António dos Santos Neves e José Carlos Gonçalves Catarino (todos 1ºs. cabos) e os soldados António Franciso Tomás, José Manuel Viegas Sequeira, Graciano Letras Castelo, Joaquim Martins, Diamantino R. Tobias, Albertino Moleiro Duarte, Carlos Alberto B. Carvalho, António Carvalho Moita, Ricardo da Conceição Botelho e Constantino Oliveira Santos. Tudo gente fixe, ao Quitexe chegada a 2 de Novembro de 1974. Por curiosidade, neste mesmo dia, estava eu nomeado de serviço, como Sargento de Dia ao Batalhão - mas fui substituído pelo Gordo! Não faço ideia da razão.
De regresso a Santa Isabel, com o alferes Simões e os furriéis Graciano (primeiro, em cima) e Carvalho (a cores e de bigode, em baixo) foram os 1ºs. cabos Macário e Moreira  e os soldados António Silva, José Eusébio, Custódio Guia, Raúl Graça, José Luís,José Lobo, Henrique Ramos e Simão Cardoso (todos europeus) e, do Grupo de Mesclagem, Adriano Correio, Jose Vunge, Abel Silva, Silvestre Oliveira, Inácio Neto e João Dala (angolanos).
O que será feito desta gente toda?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

1 053 - Missões e amores d´alferes de Santa Isanel

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Alferes Carlos Silva (e esposa, em cima) e Mário Simões (em baixo)

A CCS do BCAV. 8423, que pelo Quitexe fez a sua jornada angolana, era habitualmente reforçada com pelotões (grupos de combate) das três companhias operacionais. Um, por mês.
A 2 de Novembro de 1974, apresentou-se o alferes miliciano Carlos Silva (foto de cima), «a fim de desempenhar uma missão de serviço». Era da 3ª. CCAV., a de Santa Isabel, e ficou adido à CCS, para «efeitos de alojamento e alimentação». No mesmo dia, marchou para a sua companhia (a mesma, a de Santa Isabel), o alferes Mário Simões (foto de baixo), «por ter terminado a missão de serviço que veio desempenhara este batalhão», no Quitexe.
Cada qual comandava o seu grupo de combate. E cada qual era «ajudado» pelos respectivos furriéis milicianos: o Ricardo e o Gordo (com o alferes Silva), o Graciano e o Carvalho (com o alferes Simões). Tudo gente do alto!
O alferes Silva já pelo tempo se enamorara por lá, pela hoje sua mulher e por quem voltou a Angola, depois de desmobilizado. Do romance, resultou o casamento, na cidade de Luanda e a poucos dias da independência angolana.
A princesa dos sonhos do jovem alferes miliciano vivia e trabalhava em Luanda e o conhecimento vinha de Tomar, onde ambos tinham vivido e estudado, nos anos 60. A paixão multiplicou-se e Carlos Silva não se ficou por demoras. Depois do embarque Luanda/Lisboa, com a 3ª. CCAV., e logo após passar à disponibilidade, voltou a Luanda afogueado d´amores e lá casou a 18 de Outubro de 1975. Há dias se fizeram 36 anos.
Amores de Angola e para toda a vida!
- SILVA. Carlos Almeida da Silva. Alferes miliciano atirador de cavalaria. É aposentado da banca e reside em Ferreira do Zêzere.
- SIMÕES. Mário José Barros Simões, alferes miliciano atirador de cavalaria. Professor do ensino secundário nas Caldas da Raínha.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

1 052 - O furriel Ferreira, de atirador a amanuense...


Furriel Ferreira no aquartelamento de Aldeia Viçosa

A 1 de Novembro de 1974, a 2ª. CCAV. 8423 viu partir o furriel miliciano Ferreira, colocado na 1ª. Repartição da CCS do Quartel General (QG) de Luanda, nos termos da nota nº. 37880/1, de 23 de Outubro de 1974. Atirador de cavalaria, fôra reclassificado como amanuense.
As razões vinham de trás, de 1 de Julho de 1974, reportadas a um acidente na escolta que a 2ª. CCAV. 8423 assegurava até ao Piri - seguindo depois para (ou vindo de) Luanda.
O Ferreira voltava a Aldeia Viçosa num Unimog que se despistou, por volta das 11,30 horas da manhã e numa curva perto do Quibaxe - onde se cortava para Maria Fernanda -, atravessou a estrada e caiu por uma ravina, bem alta. O Ferreira e o condutor rebolaram até ao fundo e ficaram maltratados.
Os feridos foram levados ao PAD do Quibaxe e, daqui, transportados para o Hospital Militar de Luanda, onde chegaram apenas por volta das 18,30 - sete horas depois. O Freitas com a perna e a clavícula esquerda partidas. Por lá ficou, em tratamento, tendo alta a 23 de Setembro, quando regressou a Aldeia Viçosa.
A burocracia militar viria a reclassificá-lo como amanuense e colocá-lo em Luanda, considerando-o «apto para os SAE»,como se lê na Ordem de Serviço nº. 119, de 2 de Novembro de 1974.
«Por mim, teria ficado em Aldeia Viçosa, mas ninguém me perguntou nada sobre a minha vontade», disse o Ferreira, hoje em conversa com o blogue. Acrescentou: «Tinha gostado de ficar com aquela malta, malta boa, e ir com eles para Carmona».
- FERREIRA. José Maria Freitas Ferreira, furriel miliciano atirador de cavalaria, reclassificado como amanuense. Natural de Guimarães, onde reside (em Costa) e é profissional de contabilidade, auditoria e consultoria fiscal.
- PAD. Pelotão de Apoio Directo.
- SAE. Serviços Auxiliares do Exército.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

1 051 - A despedida do Neto, para férias em Portugal


Viegas e Neto no jardim público do Quitexe, em 1974. Em baixo,
a ordem de serviço com a «marcha» para férias

A 31 de Outubtro de 1974, por esta hora do Quitexe, já o Chico Neto tinha as malas feitas, para o voo intercontinental que ao outro o traria de férias e ao afago e aos abraços da família, dos amigos e a mais qualquer coisa da Ni. «Eh pá, traz lá os rojões e os chouriços da minha mãe», era a minha recomendação repetida, não fosse ele esquecer-se de tal missão e, depois, ficar eu por lá a xuxar no dedo e amuado, pela ausência dos sabores maternos. E já que não podia ser um escoadinho, ou um bacalhau com couves ou grelos, que de cá fossem umas latinhas bem fechadas e cheias dos ditos preparos de porco.
As nossas mães não se conheciam, mas com os filhos a peregrinar na guerra d´Angola, passaram a encontrar-se na praça de Águeda, onde a minha ia vender as suas hortaliças e animais de capoeira (para acautelar a economia doméstica) e a dele fazer compras.
A janta de há 37 anos, inevitavelmente, foi no Pacheco, mesmo em frente à casa da avenida que nos servia de ninho, e onde uma senhora de cor (suponho que tendo alguma coisa a ver com a propriedade do dito) preparava manjares de abrir a boca de apetites.
Lá veio o pratinho de camarão, mais outro e se calhar outro, com umas canecas de cerveja, enquanto o bife com ovo a cavalo se condimentava na cozinha. Até parece que lhe estou a tomar o sabor. Tenho a ideia de que ainda fomos ao Rocha e chegámo-nos ao bar de sargentos, onde o Neto foi amaciar a despedida com uns Porto´s e uns brandys Vital ou Macieira. E por láestava o Rocha, que com ele vionha até Lisboa!
Faz hoje 37 anos!!!
- ORDEM. Ordem de serviço
com a «saída» do Neto e
do Rocha, de férias. Clicar na
imagem, para a ampliar

domingo, 30 de outubro de 2011

1 050 - A contra-subversão e os cavaleiros de férias

Administração Civil do Quitexe, nos anos 70. Ontem, foto de 2011


A Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS) do Quietexe reuniu a 30 de Outubro de 1974, uma 4ª.-feira - repetindo encontros do mesmo mês (a 3 e 16).
As CLCS actuavam junto das populações, através de acção psicológica e visando influenciar o seu comportamento, no sentido de uma maior fixação no território e de negar o apoio a elementos infiltrados do exterior.O topo da estrutura era o Conselho Provincial de Contra‑Subversão - composto pelo Governador‑Geral, Comandante‑Chefe, Secretário Geral, Secretários Provinciais, Comandantes dos três Ramos das Forças Armadas - e  apoiado por um Gabinete de Estudos e Coordenação da Contra‑Subversão (chefiado pelo Chefe de Estado‑Maior do Comando‑Chefe).
A nível dos distritos, instituíram‑se os Conselhos Distritais de Contra‑Subversão (com o Governador, Comandante de Sector, Intendente, Chefe do Estado‑Maior do Sector) e nos concelhos, circunscrições administrativas e postos administrativos organizaram‑se Comissões Locais de Contra‑Subversão (integrando a autoridade administrativa e comandante militar locais). Assim era no Quitexe.
As reuniões passavam despercebidas da guarnição militar e decorriam principalmente na administração civil (foto).
A 30 de Outubro, entraram de licença na metrópole os 1ºs. cabos Luciano Borges Gomes (mecânico de armamento ligeiro) e Joaquim Rama Breda (condutor), ambos de Leiria. E o (furriel) Neto preparava as malas para, a 1 de Novembro, voar até Luanda e Lisboa e depois para Águeda, também de férias. Todos da CCS.

sábado, 29 de outubro de 2011

1 049 - Elementos armados da FNLA apresentaram-se no Quitexe

Administração do Quitexe (foto de Agosto de 2011, edifício restaurado).
Em baixo, o administrador Galina




A 29 de Outubro de 1974, 6 elementos armados da FNLA apresentaram-se no Quitexe, ao comandante do BCAV. 8423 (tenente coronel Almeida e Brito) e às autoridades administrativas para «esclarecimento da actividades na serra do Quibunda, que julgavam ser das NT».
O Livro da Unidade, de que me socorro, cita o caso como tendo «o maior relevo» e sublinha que «facilmente se concluiu ser de elementos estranhos, que procuravam, certamente, criar um clima de desconfiança local, entre a FNLA e as NT». Não eram estranhas nem surpreendentes essas manobras, de gente interessada em criar conflito e animosidades entre as partes que até às vésperas eram inimigos em armas e, então, se faziam irmãos na construção de um país novo.
O grupo da FNLA era liderado pelo sub-comandante João Alves e, em termos de organização militar do movimento independendista presidido por Holden Roberto, pertenciam ao denominado quartel de Aldeia.
O mesmo dia, no acção do Centro Recreativo do Quitexe, foi tempo para mais uma exibição de um filme, desta feita especialmente «orientado para as populações».
- ADMINISTRADOR. O administrador civil do Quitexe,
em 1974, seria o sr. Galina (na foto, de João Garcia).
Não estou certo que fosse.
A foto do edifício é de Cecilia Miguel.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

1 048 - O Brejo alentejano de Aldeia Viçosa


Estão a ver este tipo, com este olhar de gente fina, arguta e malandreca?! É o Brejo!!! O inimitável e grande companheiro Brejo, de Aldeia Viçosa - a mítica "capital" da 2ª. Companhia dos Cavaleiros do Norte!!
O Brejo era a ironia em pessoa, era a piada fácil e solta que se contava, a inteligência e o saber que se desvendavam do seu sotaque alentejano, sempre bem disposto e satírico, com a resposta e o trocadilho sempre na ponta da língua!
O Brejo era inimitável e crítico: sempre crítico, mordaz e multitalentoso no engenheirar de palavras e argumentos para esgrimir em qualquer debate de ideias, em quaisquer incidente que levasse o verbo à discussão, à diferença e à pluralidade de opiniões.  
Onde estivesse o Brejo, estava a boa disposição, o bom-humor, a alegria de viver - mesmo que o dia, ou a hora, fossem de dor por um qualquer incidente, uma qualquer diferença ou mágoa, algum desalento, ou constrangimento. 
Eu e o Brejo, na verdura entusiasmada dos nossos 22 anos, chegámos a ensaiar uma rábula que seria apresentada numa festa militar em Carmona. Ele à boca do palco, colado ao pano gigante que tapava a cena, girandolando saudades e metáforas, amores e desamores que se sentiam por lá, desembrulhando o cartucho reinvindicativo da tropa (que nem sempre entendia a palavra e a ordem do comando). Ele, de rosto que se fazia Cantinflas, versejando em prosa que se fazia graça. E fazia mesmo!! Pelo ar gingão, pelo talento e pelo dom que tinha de comunicar. Nunca a rábula chegou ao palco.
O Brejo era assim!
Achei-o algumas vezes, pela civil fora. E sei das dores que sente, porque nem sempre tudo corre bem! Mas não se lhe ouve uma amargura! Aceita a vida com a frescura dos que sentem viçosos e confiantes. Ainda hoje lhe senti isso, ao falar-lhe ao telefone.
O manganão chegava do trabalho e não perdeu momento para lamentar este país que somos! Tal qual há 36/37 anos, quando embrulhava a contestação em palavras acesas e fortes. E eu, daqui, a ver-lhe a cara, o esgar rezingão e sério! Mas sempre a brinca(lha)r!!! Sempre igual!!! Abraço forte, ó Brejo!
- BREJO. João António Piteira Brejo, furriel miliciano
atirador de cavalaria, da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia
Viçosa. Natural de Montemor-o-Novo e residente em Vale
de Milhaços (Seixal). Trabalha na área da segurança, em Lisboa.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

1 047 - O 1º. cabo Esteves da Secretaria do Comando

O Zé Esteves foi 1º. cabo escriturário e comissionou por Angola na secretaria do comando do Batalhão, dirigida pelo então tenente Luz. Era a discrição e a competência em pessoa, aquele tipo para quem olhamos e sentimos ser boa gente, bem apessoada, cuidada, civilizada e amiga.
«Ao logo de toda a comissão, demonstrou interesse e dedicação por todos os serviços de que foi encerregado na secretariado comando, onde desempenhou funções da sua especialidade», lê-se no louvor que lhe foi atribuído, pelo tenente Luz.
O documento sublinha que era «muito desembaraçado, correcto e cumpridor, procurando com todo o seu entusiasmo e noção exacta das responsabilidades, apresnetar todos os serviços que lhe eram distribuídos, mesmo os mais variados, com a maior perfeição e em devido tempo».
Exemplar, pois!
- ESTEVES. José Lopes Esteves, 1º.-cabo escriturário,
natural e residente em Viseu (foto de 1994).

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

1 046 - O Grupo de Mesclagem da Fazenda Santa Isabel


Um Dala e um Bila, um Muecária e um Micaela, um Quinguegue!!! Estes apelidos dizem-vos alguma coisa? Dirão, seguramente, mas aos companheiros de Santa Isabel, já que foi por lá que aquartelaram os angolanos do Grupo de Mesclagem da 3ª. CCAV. 8423, comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes.
O grupo era oriundo do RI 20, de Nova Lisboa, e tinha militares como o Vunge, o Boma e o Conga, o Sola, o Buende e o Jinga! E o Paulo Sebetela, ouviram falar? Também era de Santa Isabel e foi promovido a 1º. cabo - tal qual o Abel A. Silva, o Manuel Franco e o Felisberto P. Barata.
De Santa Isabel eram, também, o Caiango, o Canda, o Cassul. E o Cassulo e o Capesse, todos nomes bem africanos. E, inevitavelmente, um Neto: o Inácio A. E o Salomão e o Sebastião (o M. Pedro), o Conceição e um outro Sebastião (o Paulo F.), mais o Simão (Daniel). O Oliveira era Silvestre e o Neves... Tomás. E havia o Diás.
Os mais velhinhos deles todos, eram o Sebastião M. Pedro e o Paulo F. Sebastião, nascidos em 1945, já idos nos seus 29 aninhos. O Garcia Conda e o Francisco Caiango eram de 1946 (28 anos). De 1948: Francisco Pedro, Bernardo Oliveira e José Buende. De 1949: Simão Bila e José Capesse, Francisco P. Correia,  De 1950: Miguel D. Gomes, Paulo Sebetela, João Canda. Neves Tomás, Diás Quinguegue, Inácio A. Neto, Francisco C. Sebastião. Manuel Franco, Cabral Pedro, Mateus J. A. Domingos e António José. Os outros eram de 1951 e 1952.
Alguns deles nos lerão? Contactem os Cavaleiros do Norte.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

1 045 - Os mesclados de Aldeia Viçosa

Aldeia Viçosa, antes de 1974 (foto de José Lapa)

O Manhanga e o Cacongo, conhecem? Eram dois dos 36 soldados do Grupo de Mesclagem da 2ª. CCAv. 8423, a de Aldeia Viçosa. 
O Manhanga, Mateus D. Manhanga, era, por qualquer graça que desconheço, da  incorporação de 1966, portanto nascido em 1945 e o mais velho de todos quantos, naquele espaço os Cavaleiros do Norte, eram comandados pelo capitão milicianoJosé Manuel Cruz. O Cacongo, ligeiramente mais novito, era de 1971, portanto nascido em 1950. Havia tambem o Cipriano A. M. Costa, de 1969 - nascido em 1948.
Mais antigos, de data de nascimento, eram ainda o Rafael S. António e o João P. Mussoqui, o Paulo Santos  e o Fernando Águas, todos de 1949 e da incorporação de 1970.
Quanto a apelidos da malta dos «mesclados» de Aldeia Viçosa, temos um Quiala, um Mussoqui e um Bartolomeu, um S. Tomé (nada como ver para crer...) e até um Sobrinho. E um Bravo e um Amaro, um Romão e dois Costas (o Adelino e o Filipe, nomes bem europeus). Também não falta um Neto (o José A.). Aliás, dois: também o Adelino F.
Quanto a outros nomes e apelidos, ainda tenos um Panzo, um Gabriel, um Bernardo e um... Viegas. Não o conheci! Todos eles eram do RI20, de Nova Lisboa.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

1 044 - O Grupo de Mesclagem de Zalala


Alguns elementos do Grupo de Mesclagem de Zalala, com militares europeus (brancos)

Nomes e apelidos foi coisa que por aqui não faltou, há dias, recordando companheiros europeus das 4 companhias do CCAV. 8423. Sobraram curiosidades até fartar, tantas e tão singulares eram (e são) os baptismos dos Cavaleiros do Norte.
Deixámos os companheiros angolanos no tinteiro e é deles que hoje vimos falar.
O Grupo de Mesclagem do RI20 completava a 1ª. CCAV., a de Zalala, e tinha um Etelvino e um Marcolino, um Gigante e um...  Helena. E um Marias! Um Adão e um Cimba, o Eliseu, o Dala, o Mussoque e o Mequiana, o Júnior, o Leite o o Cabindo.
Esta gente deverá ter agora na casa dos 60 anos, eram rapazes mais ou menos da nossa idade. Também o Macumbo, o Zangola e o Cunola. E o Tito Tandala! Dois Netos: o dito Ramos e o Augusto S.
Os mais idosos de todos eram o José Luís e o Manuel Garcia, da incorporação de 1968 e com nomes bem europeus. Reparo agora que há um «mesclado» de 1967, o Augusto M. Dala. E um de 1969, o Eliseu Neves. Outro de 1970: Eduardo Alberto.
O ano de 1971 foi ano de incorporação de 10: Neto Ramos, Tito C. Tandala, Diniz José, Roque Martins, Tiago Marques, Gaspar Manuel, João Q. Campos, Ernesto Filipe, o José Pedro e o Duarte A. João.
Havia ainda 21 de 1972: Etelvino J. Nunes, Jorge André, Amtónio J. João, José J. Ferreira, Domingos M. António, Daniel J. Helena, Albano V. Marias, Adão J. Francisco, Eduardo H. Júnior, Miranda Cimba, Paulo Mussoque, Gomes Mequiana, Eduardo P. G. Leite, Pedro M. Cabindo, Francisco J. António, Augusto S. Neto, Daniel Macumbo, Adão C. Manzola, Augusto C. Zangala, João S. Manuel Joaquim Ferrão. Todos os outros eram da incorporação de 1973, portanto nascidos em 1952.

domingo, 23 de outubro de 2011

1 043 - Pelotões de Santa Isabel em Lucunga e Quipedro

Vista aérea de Lucunga, nos anos 70 (foto de blog da CCART. 3451)

A 23 de Setembro de 1974, dois grupos de combate da 3ª. CAV. 8423 «abandonaram» a Fazenda de Santa Isabel, deslocando-se um para a Fazenda Além-Lucunga, outro para Quipedro. Tal acontecia no âmbito da rotação aprovada pelo Comando da ZMN e iam reforçar a área do BC12, instalado em Carmona. Os grupos voltaram a Santa Isabel, a 8 de Novembro do mesmo ano.
A finais de Outubro, era cada vez mais iminente a remodelação de todo o dispositivo dos Cavaleiros do Norte e, por isso, repetiam-se reuniões na ZMN. A CCAÇ. 4145, até aí em Vista Alegre, iria mudar-se para o Comando de Sector de Luanda. A CAÇ. 209, a do Liberato, regressaria ao RI 21, a sua unidade de origem. As duas companhias estavam associadas ao BCAV. 8423 desde Junho desse ano, quando chegou ao Quitexe.
O Neto, meu conterrâneo de Águeda, contemporâneo de escola e companheiro «Ranger» de quarto, de companhia e de batalhão, preparava a mala de saudades para as férias do Portugal Europeu - onde o esperavam a família e a «mais que tudo» Ni Santos.
A 23 de Outubro de 1974, hoje se completam 37 anos, exibiu-se no Clube Recreativo do Quitexe (CRQ) o filme sobre a vida de Eusébio - que rodara em toda a zona de acção do batalhão, desde o dia 10 e no âmbito das actividades de acção psicológica junto das tropas. A 29, foi exibido para a população civil. Os cuidados técnicos da passagem da fita estavam ao cuidado do 1º. cabo Rodolfo Tomás - que também apoiava o CRQ, sempre que era preciso.

sábado, 22 de outubro de 2011

1 042 - Sem disparos de armas mas com rajadas de palavras

Praia da Ilha de Luanda, em Setembro de 1974

A guerra angolana não me «fez» disparar tiros, para além dos de treino. Ou os de instrução, na carreira de dito do BC12, ao que era para ser (e nunca foi) o Exército de Angola, que seria formado por elementos dos  movimentos independentistas: MPLA, FNLA e UNITA.
Operações militares, escoltas, patrulhas apeadas ou motorizadas, em nenhuma situação disparei - embora tal fosse iminente, por mais de uma vez. Mas nem sequer tal aconteceu nos dramáticos primeiros dias de Junho de 1975, em Carmona.
Disparei, isso sim, foram muitas palavras, às rajadas e em centenas e centenas de cartas e aerogramas, ora no meu ofício pessoal, ora dando mão (e letra) a companheiros que tal queriam. E mantive um registo pessoal regular, que não diário, sobre as minhas «aventuras» angolanas. Algumas delas, até no requinte da dactilografia, em papel de cera (um luxo!!!,...), como o nº. 4 de uma série que chamei de "Sou Apenas Um Homem», na qual ia narrando algumas coisas provocadas pelos desejos da idade, ou pela vontade de debitar emoções no papel.
A 20 de Outubro de 1974 (como se vê no final deste dizer de hoje), no por mim pomposamente denominado Solar dos Rangers, no Quitexe, escrevia eu (entre outros preparos de que vou dispensar o leitor) que tinha andado a laurear o queijo por Luanda, onde me sentira «sozinho na cidade grande».
Há na história uma Salomé («sempre faminta de jogos lúbricos!!!...») e uma Mariluz (de «corpo esguio e moreno, de olhos grandes, que abria apetites e suscitava sonhos...») e conto eu (em «Sou apenas Um Homem» - parte 4) que se esquivou esta aos meus desejos, mesmo já quando «entre nós nascera uma doce intimidade».
Por outras palavras, levei com os pés. Até quando «andámos alguns dias, como duas crianças, brincando na Praia do Bispo ou na ilha, e mirando o mar calmo, por onde navegavam traineiras e se se confundia o infinito do firmamento com o beijar das águas azuis da costa do Mussúlo».
Quanto ao resto, fico por aqui. Estava em vésperas de fazer 22 anos.
- ASSINATURA. A minha letra da altura, no
final do texto de 4 páginas, do nº. 4 da Série
"Sou Apenas Um Homem». A narração refere-se
às minhas férias de Setembro anterior.
- SOLAR DOS RANGER´S. O quarto dos furriéis
Neto e Viegas, de Operações Especiais (Rangers).
- NOMES. São fictícios, mesmo no original.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

1 041 - Os regedores e o desarmamento dos milícias do Quitexe

Regedores do município Quitexe (foto da net)

O desarmamento dos milícias foi um dos pontos mais delicados da actividade do Batalhão de Cavalaria 8423, em Outubro de 1974. E começou faz hoje precisamente 37 anos.
A questão já AQUI foi falada. Mas, ao tempo, foi necessária a intervenção dos regedores das aldeias (sanzalas) nas quais houve mais renitência ao desarmamento.
Ocorre-me uma convocação, apressada, do regedor de uma sanzala perto da vila do Quitexe (porventura o Tabi), onde o regedor local teve enormes dificuldades em convencer os milícias para entregarem as armas. A «coisa» pôs-se preta  - o que motivou a intervenção militar, de resto muito aligeirada e discreta, já que os milícias acabaram por compreender a situação, embora, e com legitimidade, tivessem receio de represálias, da parte dos elementos dos movimentos de libertação. 
Não consta, porém, que tivesse acontecido qualquer retaliação, pelo menos na zona de acção do BCAV. 8423.
A 26 de Outubro, no Quitexe, realizou-se uma reunião com todos os regedores, no sentido de os sensibilizar para a necessidade de entrega do armamento dos milícias - o que veio a acontecer, a partir de 28 de Outubro desse ano de 1974. Entregas voluntárias.
- REGEDORES. Representantes da autoridade
administrativa civil, nas sanzalas. Tinham
autoridade policial e até judicial.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

1 040 - O incidente disciplinar e o castigo do Buraquinho...

1º. Cabo Coelho (Buraquinho) em pose fotográfica. Ao fundo, vê-se a messe e bar de sargentos do Quitexe, onde ocorreu o incidente de faz hoje 37 anos



O inimitável Buraquinho, sempre exuberante no verbo e farto nas estórias que tanto gosta de contar, vai saborear com um sorriso o post de hoje: o que vem contar a participação que o levou a castigo e despromoção. O incidente ocorreu faz hoje precisamente 37 anos.
Era domingo, 18 horas do Quitexe, os furriéis faziam tempo para o jantar e eu, de serviço, chegava da cantina e da refeição dos praças. Tagarelava no bar e messe de sargentos, quando, estridente como sempre, o 1º. cabo Coelho (o Buraquinho) entrou por lá dentro. E não podia. Assim determinavam as normas. E parlapeou, parlapeou quanto pôde e quis..., empatando o cumprimento da ordem para sair.
Ora, ordens são ordens!
Estando eu de serviço, a mim cabia fazê-las cumprir. Coisa que o Buraquinho teimosamente se recusou a fazer. «De tal maneira levando a sua má educação, que até obsecenidades proferiu», escrevi eu na participação, na qual acrescentava que «continuou com insolências» e, descrevi mais adiante, «recusando-se a cumprir a ordem».
Ora a coisa complicou-se: um furriel de serviço a ser desobedecido e ofendido, como todos os outros, e, como se continuou a recusar a sair, tive de agir: Participei eu: «Novamente instado para se retirar do local, continuou a recusar-se, altura em que, para o obrigar ao cumprimento da ordem, tive de utilizar meios coercivos, não sem que o citado militar opusesse resistência, mas acabando por sair».
Sair, ele saiu. Mas voltou a entrar, aproveitando a altura em que me sentava. «O desrespeito por uma ordem, obrigou-me novamente à aplicação de meios coercivos, para que se retirasse definitivamente, o que aconteceu», escrevi eu na participação.
A história foi toda provada em tramitação processual e tem pormenores mais recambolescos e voos por cima de cadeiras e varandins, mas poupo-os neste dia em que se passam 37 anos sobre o incidente - que foi testemunhado pelos furriéis milicianos António José Dias Cruz, José dos Santos Pires, Manuel Afonso Machado e Miguel Peres dos Santos, entre outros.
O resto já se sabe: o Buraquinho foi castigado e despromovido e continuámos amigos, como sempre e até hoje.
- COELHO. Alfredo Rodrigo Ferreira Coelho, 1º. cabo
analista de águas, o Buraquinho. Empresário do ramo
da restauração em Custóias (Matosinhos).
- PARTICIPAÇÃO. Cópia, na imagem. Podem clicar, para
a ampliar. A participação tornou-se obrigatória, por se tratar
de um incidente público. De outro modo, eu não teria participado. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

1 039 - Os alferes milicianos de Operações Especiais (Rangers)

Quartel do CIOE, em Lamego. Distintivos das Operações Especiais (Rangers)


Os Cavaleiros do Norte tinham quatro alferes milicianos de Operações Especiais (os Rangers), do mesmo curso (o segundo de 1973) de todos os furriéis, menos um - o Reina, da companhia de Santa Isabel (que era do terceiro). Os outros, eram o Monteiro, o Viegas e o Neto (da CCS, no Quitexe), o Pinto (da 1ª. CCAV., em Santa Isabel) e o Letras (da 3ª. CCAV., a de Aldeia Viçosa).
Alferes milicianos eram o Garcia (CCS), o Sousa (1ª. CCAV.), o Machado (2ª. CCAV.) e o Rodrigues (3ª. CCAV.). E são aqui chamados, hoje, por uma curiosidade: classificaram-se todos seguidos, no 2º. curso do CIOE de 1973 - que decorreu entre Julho e finais de Setembro. Por esta ordem: 23º.-Rodrigues (média final de 14,78), 24º.-Machado (14,75); 25º.-Sousa (14,73); 26º.-Garcia (14,78). Separados por décimas. E tudo gente boa.
O curso não foi pêra doce, bem pelo contrário! E foi ensombrado pela morte, em plena instrução nocturna, de um cadete - atingido por um disparo, na carreira de tiro, quando fazia a prova de rastejamento. Era já madrugada (umas 3 para 4 horas da madrugada), eu já tinha concluído a minha prova (que foi muito dura, muito violenta, metendo também petardos e agressões físicas, diziam-nos que era para estimular a agressividade e capacidade de defesa (pois que fosse!!!) e saí da caserna, com outros companheiros,  atraídos pela passagem inopinada de uma ambulância militar. Logo soubemos o que se passara, mas nada havia a fazer. O companheiro soldado cadete (futuro alferes miliciano) faria 21 anos nesse dia e nessa madrugada faleceu.
Cada um de nós se lembrou, e emocionou, a pensar que tínhamos passado o mesmo obstáculo, escapando ao luto da morte!
Saudades desse companheiro, de quem não lembro o rosto, mas por quem não esqueci a aquela noite trágica.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

1 038 - Louvor ao Matos, o decorador de números mecanográficos

Viegas e Matos, em Santa Margarida (1974)

O Matos é de Anadia e foi Cavaleiro do Norte na 2ª. CCAV. 8423, a de Vila Viçosa, ajudando o 1º. sargento Norte na secretaria, sendo embora atirador de cavalaria. Refere o louvor público que «sempre demonstrou as melhores qualidades militares, no desempenho de todas as missões que lhe foram deeterminadas».
O Matos não poderia ser outra coisa. Humilde, arguto, inteligente, disciplinado, sem nunca se lhe ouvir um ai de protesto que não fosse justo, «sempre se mostrou militar disciplinado e disciplinador». Razões sobremaneira para se «saber impôr aos subordinados, merecendo também a estima dos seus superiores, bem merecendo a distinção que ora lhe é conferida», como se lê no louvor publicado na Ordem de Serviço nº. 174.
O Matos é daqui de pertinho, de Anadia, e foi «boleia» permanente do carro do Neto, nas viagens de e para Santa Margarida. Ficámos amigos, desde então - cruzando os ares para e de Angola, por lá sentindo os cheiros da terra e os medos da guerra, depois na vida que nos amadureceu desde 1975, aos dias de hoje.
Um característica notável do Matos era fixar números. Acreditam que sabia de cor e salteado, de trás para a frente, todos os números mecanográficos dos mais de 120 companheiros da 2ª. CCAV.?! Pois a verdade é que sabia. Para terem uma ideia de um só, aqui fica o dele: 06218173. Todos os outros tinham seis algarismos.
Era obra, ó Matos!
- MATOS. Mário Augusto da Silva Matos, furriel miliciano atirador de cavalaria. Natural de Avelãs de Caminho e residente em Anadia.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

1 037 - Caos económico e ameaças de coação e morte

Contratados para a apanha do café (foto da net)


Os meados de Outubro de 1974, pela grande zona produtora cafeeira do Uíge angolano, foram tempo de medos, da parte dos trabalhadores rurais, constantemente ameaçados por gente que se fazia novo dono do poder.
Ou deixavam de colaborar com os fazendeiros (europeus), ou sofriam represálias.
O Livro da Unidade, reportando este mês, dá conta da «grande preocupação dos fazendeiros» e à fuga do pessoal dirigente das fazendas, por «julgar que a sua presença não tem justificação e até não será aceite no futuro». O livro diz mais: diz que «há provas absolutas que é a FNLA que impõe a saída dos trabalhadores rurrais, sob coação de morte, se tal não fizerem».
A maioria dos trabalhadores eram da raça bailunda, oriundos da zona central de Angola, gente humilde  trabalhadora, pacífica, diria que fiel á soberania portuguesa. «O exôdo ds trabalhadores rurais teve elevando incremento no período, provocando o fecho de algumas fazendas, nomeadamente nas cordas de Zalala e do Canzundo, e bem assim na zona de Vista Alegre e, em muitas outras, provocando a paragem da laboração», sublinha o LIvro da Unidade.
A situação não era ainda tão dramática, por ser a partir de Janeiro a época das colheitas, o que poderia vir a constrangir, seriamente, a economia local. Assim viria a ser, salvo muito poucas excepções. Muitos dos bailundos que regressaram às suas terras, não voltaram - e a perspectiva de caos económico regional estender-se-ia a Angola, «em elevado grau», como se lê no Livro de Unidade.

domingo, 16 de outubro de 2011

1 036 - O alferes de Aldeia Viçosa sempre sem tempo...


ANTÓNIO CASAL FONSECA
Texto


“Ó pá, preciso de falar contigo, aguenta aí um minuto”, gritei eu para o Domingos!
Falou ele:
«Pronto, já sei que me vais dizer para eu enviar uns textos para o blog do Viegas! Eu bem sei que devia, e até gostava muito, mas diz-me cá onde é que eu vou arranjar tempo para isso!?... Não consigo, pá, mesmo que eu queira! E até me custa, tás a ver…, tanto mais que o Viegas até é um gajo porreiro e merecia que eu colaborasse com ele! Mas quê, o dia só tem 24 horas, eu trabalho 26 e precisava de 30!!! E quem me trata das vinhas, quem vindima, quem faz o vinho?! E ainda por cima, vê lá tu, o melhor vinho da região…, do puro, do lavrador! E tudo sai das minhas mãos… estás a vê-las ?…, calejadas?! Eu não paro, sabes como é…, fui criado assim! Ah, tás para aí a rir…, tás?!..., então passa lá à minha adega que vais ver se não é assim como eu digo!
Ai se eu tivesse tempo!... Se eu tivesse tempo enviava textos e fotos lá para o Viegas, para toda aquela malta do 8423 ler. E olha que eu tinha, e tenho, cada história daqueles tempos, com malta fixe, malta do caraças, que nem calculas! Um dia até tive uma história com uns dentes de marfim que eram para o Jonas Savimbi! Atenção, dentes de elefante…, não eram para ele fazer implantes!... Um dia, quando tiver tempo, hei-de contar!
Tinha lá malta muito porreira, fossem oficiais, sargentos ou praças! Era uma família, mas atenção que eu era muito exigente…, sempre fui…, e comigo não havia baldas e irresponsabilidades! Ainda hoje sou assim! Eles podiam sempre contar comigo, mas em contrapartida eu também podia contar sempre com eles! Aí, deixa que te diga, tive sempre rapaziada à altura dos acontecimentos! Depois tivemos aquela passagem da zona de mato para a urbana, que não foi nada fácil. Mas o pessoal esteve sempre à altura, embora com momentos muito tensos. Tantas histórias haveria para contar dos tempos de Carmona! E olha que em algumas situações tivemos que ter um domínio do caraças!... E para falar de Carmona teria de falar do Menezes, que também era alferes…, aquele ali das Cortes que tem um restaurante!...aquele que descarregou uma vaca na Av. Principal de Leiria. Queria entrar com ela no café Soraya, lembraste do episódio?! Achava que ela tinha os mesmos direitos que as outras! Grande maluco!
Agora, nos conflitos internos, comigo qualquer tensão era desanuviada! Em segundos pá…, e á minha maneira…com uma graçola no momento! Como hoje…, sabes como é!
No almoço deste ano, ali no casarão, que até foi cinco estrelas, a malta fartou-se de desfiar episódios daqueles tempos! Lembro-me de tudo, esta cabecinha não falha nada…é um computador!
Olha pá, se eu me reformasse entretanto – vamos ver como param as modas neste país -, dedicava-me mais à internet para mandar uns bitaites e escrever umas coisas. A minha Companhia tem malta fixe, que até podia colaborar com o blog! Olha que seria bem interessante!
Quando contactares o Viegas, diz-lhe que a minha vida é assim! Aliás, ele sabe bem que eu sou um moiro de trabalho!…, encontrei-me muitas vezes com ele em Águeda quando eu andava por lá! Ainda sou dos que fazem alguma coisa por este país!!!... Diz -lhe que mando um abraço! Olha pá, tenho que me ir embora, porque é quase uma da manhã e ainda tenho que ir engarrafar vinho! Ah pois…estás ar admirado ?..., não tenho a tua vida…daqui a pouco estou a pé! Até amanhã!!!»
E lá foi o Domingos, ex-alferes de Aldeia Viçosa, um ícone na terra que o viu nascer, passo acelerado e ainda cheio de energia, como se o dia estivesse a raiar! E nem me deixou espaço para lhe dizer ao que ia, e que nada tinha a ver com a tropa nem com o blog. Ele é assim mesmo!
E sempre com um sorriso que dá gosto ver!!!
ANTÓNIO CASAL FONSECA
- DOMINGOS. Domingos Carvalho de Sousa, alferes miliciano atirador de cavalaria, da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa. Técnico comercial e empresário agrícola, em Marrazes (Leiria).