quinta-feira, 3 de setembro de 2009

As cumplicidades de uma cidade grande como Luanda...


A noite de Luanda, em 1974 (foto de Henrique Oliveira) e Residencial
Katekero, no Largo Serpa Pinto (em cima)

Luanda era verdadeiramemte uma surpresa e um feitiço para todos nós, jovens idos do Portugal europeu, a maioria sem qualquer vivência urbana. Tinha resposta para tudo o que desejássemos - desde as praias, a bons restaurantes, dias e noites de sabor e cheiro verdadeiramenmte tropical que nos enchiam de entusiasmos e fôlegos para o que desse, viesse e quiséssemos.
Amigo de longa data e da escola de Águeda, era o Alberto Ferreira - que viria a ser quadro superior da administração fiscal portuguesa, candidato a presidente e vereador da Câmara Municipal em dois mandatos. Faleceu há quatro anos.
Ao tempo, entre os nossos 21 e 22 anos, aceitávamos todas as provocações da cidade grande, pelas noites fora, quando procurávamos diversão. O programa era certo; ficava eu pelo Katekero, chegava-me à Base Aéra, no aeroporto de Luanda - onde ele era cabo-especialista da Força Aérea - e era certo: um frango de churrasco no Floresta e uns pares da canecas de cerveja na baixa de Luanda e uma volta pelo mundo nocturno da cidade - onde fizemos muitas cumplicidades.
Há uma razão particular para aqui chamar esta estória de tropa: nas nossas deambulações, fazíamos-nos passar por irmãos gémeos, filhos de casal fazendeiro do norte. Eu, garboso furriel miliciano de Operações Especiais, os Ranger´s, em missão no Quitexe; ele, na Força Aérea, em Luanda, onde cuidava das nossas irmãs mais novas, que lá estudavam.
Vocês podem imaginar as conquistas que esta mentirazinha gerou, entre um copo bem bebido e as longas conversas e intimidades que as noites de Luanda provocavam. Uma delas, quis vir connosco para Portugal.
Quando em Outubro voltei ao Quitexe, tinha o apartado dos Correios cheios de manifestações de desejos e disponibilidades para «bem servir»! Guerra, mas qual guerra?!

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