domingo, 9 de outubro de 2011

1 029 - Santa Isabel até tinha um... Deus!


Um Oliveira (Fernandes) comandava a 3ª. CCAV, 8423, a de Santa Isabel. Era (e é) José Paulo. A companhia era muito nutrida de originais nomes e até abençoada por... Deus (Manuel Ramos Deus).
Outro Oliveira, era alferes (o Pedrosa). E outro Fernandes era furriel (o António de Braga). Ainda nos jovens oficiais milicianos, não esqueçanos o Barro(s) de que somos feitos (o Simões) e o Silva, que era Carlos. Falta o Augusto... Rodrigues. 
Os furriéis tinham nomes por onde se lhes pegar. Até um que era Capitão (Luís Ribeiro). Mas havia um Belo (Agostinho), um Gordo que era Barradas (o António Luís), um Grenha (Lopes) e um Querido (José Adelino). A massa furrielística não se ficava por estas originalidades: havia ainda um Flora (que também era Pires) e um Ribeiro que era Delmiro, um Tuna que era Rabiça e até um Reina, o Armindo. Mais: o Costa era... Carvalho, o Silva de Lamego era Graciano e o Alcides, um Santos(s) da Fonseca Ricardo. E também um Guedes (o Vitor Mateus Ribeiro, já falecido).
A classe tinha um líder, o mais velho: Marchã. Era o 1º. sargento Francisco António, que também se apelidava de Gouveia. E o Lino, furriel que mecanizava as viaturas.
E a malta dos praças, os cabos e os soldados?
Vejamos: um S. Simão, um Malhado, um Carilho, um Floro, um Pimenta, um Rosado, um Mota e um Macário. E o Deus de que já falámos (Manuel Ramos). E também um Trigoso Leiria, um Albino, um Bento que também era Amado, um Santo(s) de Mota e um Bernardo de Pratas.
Simplício Luta Alcobia? Gostava de ter este nome? Era o de um 1º. cabo de Santa Isabel. Onde também havia um Quaresma da Silva (já falecido), um Manuel Barata e um Francisco Gestrudes, um Catarino, um Desidério Bolrinha, dois Feliciano(s) e um Canhoto (o José, irmão do Alípio, condutor da CCS). E um Cristiniano, um Caroço da Silva, um Eusébio e um Guia. O rol mostra outro Graciano: o Letra Castelo (soldado atirador). E um Coelho Galante, um Silva Coelho e um Ferrão (Mário).
Estas coisas precisam de Frieza(s), era o Manuel José das ditas. Santa Isabel tinha também um Elvino Corado Romão, um Rosa da Braça (Raúl), um Tobias e um Grácio, mais conhecido por Spínola - e que, infelizmente, por lá faleceu a 2 de Julho de 1975, vítima de acidente. Era da Vieira de Leiria.
Nomes originais, temos ainda o Pestana Chambelo, o Eurípedes Pavanito, o Manuel Moço, o Bernardino Alcobia e o Parente Novo, um Montês Barreiros e o Teotónio Granches.

sábado, 8 de outubro de 2011

1 028 - A malta de Aldeia Viçosa, nomes e sobrenomes...

Aldeia Viçosa, a estrada do café, de Luanda para Carmona

Romeira Pinto da Cruz, o capitão miliciano José Manuel, comandou Aldeia Viçosa, com um  Machado de adjunto. O alferes João Francisco, também Pereira. Os cavaleiros alferes milicianos tinham ainda um Carvalho (que era Domingos) e um Capela (o Jorge). Não seria pela fé que se perdiam no sertão ou nas matas africanas. E por lá apareceu, em Fevereiro de 1975, o Meneses Alves.
A classe de sargentos também não se perderia, seguramente: tinha o 1º. Norte, na secretaria. E o Letras, para saber ao que se ia, nas cartas militares e outros ares. E agora, vejam: o Letras era... Dias. E havia um Ramalho (com Pimenta), um Piteira que é o Brejo e um Ribeiro... Mourato. Cruz, aí está outro Cruz, o Oliveira de Vieira do  Minho. E um Milheira, que era Courinha e Chitas (o António). E o Barrelas, sabem quem era? Era (e é) o Amorim Martins. E um Noro, o Melo; um Cerqueira da... Costa, um Silva... Gomes; e ainda por lá apareceu um Jesuíno (Pinto) e havia o Matos e o Mário Soares (que lá chegou em Novembro de 1974) e o Alcides da... Eira (já 2º. sargento e enfermeiro). Mais aristocráticos: António Artur César Monteiro Guedes e António Augusto Faria Novais Rebelo.
E o resto da malta?
O Ribas Teodósio, o Encarnação Sebastião, o Salcedas, o Balha, o Pampim da Silva, o Pinho Beato e o Margalha Grave. Grave não seria, também, que alguém se chamasse Jesus Branco, ou Jesus Lopes, ou Jesus Pisco. Ou até Freire, Versos Quaresma, Ramiro Sobreira, Estevão Neto ou Venâncio. E Silvestre? E João Ligeiro? E Herculano Custódio ou Mendes Gameiro? Ou Trigoso Leiria?
A rapaziada de Aldeia Viçosa tinha ainda um Tenreiro, um Batanete Palma, um Magro, um Mesquita Tomás e um Vergas. Um Verde. E um nome próprio de nome... Martins?  Pois, era o Pereira de Oliveira - Martins Pereira de Oliveira. Também nome próprio, era o Vidal. Vidal Chagas!!! E ainda um Patrina, um Santana Palongo e um Domingos Maciel. E não esquecendo o Frade, o Damaia, o Morgucha, o Ascensão, o Baiça Santos, o Cabalcira Tomaz e o Belarmino Botelho.
A Aldeia era mesmo Viçosa, em nomes e apelidos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

1 027 - Nomes e apelidos das gentes de Zalala




O Castro comandava Zalala! O Castro? Exactamente, o capitão Castro Dias, que também era... Oliveira e Davide (com e). E oficial miliciano.
Oficiais milicianos eram também o Costa... Sampaio (nome de santo), um que era mesmo Santos(s), o Lains; um Silva que era... Rosa (o Pedro) e até um que repetia o apelido: Sousa. O Mário Jorge de Sousa Correia de Sousa. 
Por Zalala, proliferavam Dias furriéis (o João Custódio e o Manuel Dinis), um Mota... Viana e outro Mota, o Aldeagas; um Velez que era Vitor e também se chamava por Gregório e um Barreto que era enfermeiro e Mesquita (não era capela nem igreja); havia também um Plácido... Queirós (que também é Guimarães mas é de Braga), um Barata (Jorge Eanes) e um Pinto que é Moreira, um Louro Santos(s), o de Évora; um (da Silva) Rodrigues e, para acabar, um... Rito. Ritual para acabar, não! Tínhamos ainda nomes grandes como Eusébio e Gomes da Costa (o Vitor). E um Belém, o Pereira. Ah, e também havia o Évora... Soares!
Zalala tinha outros nomes e apelidos de luxo.
Vejam só: Dorindo, Conchinho, Novo, um Felizardo e um Felicíssimo, um Ventura, um Temporão e um Leirinha, um Catuna e um Canelas, um Rego e um Feijão, o Vilaça, o Adélio, o Idalmiro Vargas, o Altino Fião, o Tarciso Rebelo, o Afonso da Lica e o Almiro Brasil, o Patrício Parracho, o José Beato, o António Lazo e o Silvestre Raposo.
Havia mais: dois Carmo(s), o Manteigas e o Leal. Um Sacramento Carneiro, um Leiria, o Marques da Eira, o Jesus... Rego, o Delgado... Correia, o Lago e o Casimiro Guerreiro.
- E nomes de árvores e plantas, reparem: Carvalho, Figueira, Silva, Pereira (uns poucos) e Feijão.
- E de animais: Carneiro, Coelho e Raposo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

1 026 - Apelidos, sobrenomes e outras curiosidades...


Nomes, sobrenomes e apelidos de toda as «raças» encheram endereços dos aerogramas



O Batalhão de Cavalaria 8423 era heterogéneo. Bastante e em várias áreas. Por exemplo, nos sobrenomes e apelidos. Tinhamos um oficial Falcão que era Montenegro e um Picão que era Ribeiro, um Lains que era Santos(s), um Romeira (que era Pinto e Cruz) e dois Oliveiras, um Machado e um Periquito. Até um Capela e um Domingos!! E havia ainda o Leite!!! Um Cunha que era Mora e um Aragão que era Hermida!!! E, para acabar, um Luz que andava à Carreira. Para nos alumiar bem!  Ah e um Leal, por acaso médico, assim como Honório, o de Campos. E um Pedro que era da... Rosa.
O comandante era Brito e... Almeida. Como o alferes, o Alegria! Alferes era também o João... Curral
Sargentos, não eram muitos mas bem predicados: havia um Leite que era Machado, um Joaquim que era do Aires, um Claudino que era Luzia, um Unas que era Barata e um Fialho que era Panasco. Chiça! Para que tudo fosse bem orientado, havia um Norte e um Marchã, para o que desse e viesse!
Cruz(es) era o que não faltava: um capitão, um alferes e dois furriéis! E lá nos ajudaram eles no calvário da comissão africana de Angola!
E Dias?! Tão longos dias por lá passámos, a riscá-los no calendário: um capitão e três furriéis de último apelido, porque havia mais.
A furrielada tinha por lá outros apelidos de se lhe tirar o chapéu: Um Carita que era Morais, um Brogueira... Dias, um Dias da... Cruz, um Machado que era Manuel e um Nelson que era dos Remédios (o Rocha). E o Bento? O Bento era Francisco. E o Neto? Tinha avós e era também Francisco, mas José. E o Mosteias? Era Ramalho. Todos na CCS.
Hoje, ficamos pela CCS, companhia que tinha ainda dois Pires que não eram de servir café, mas eram a bonomia em pessoa: um Cândido (o Candinho do Montijo) e um Santo(s) - o de Bragança. Querem mais? Olhem-me um Loio (o Farinhas) e um Verdelho (o Lopes). E nomes de árvores e plantas, para fechar: um Oliveira (o capitão), um Pereira (o Fonseca) e um Pinheiro (o Viegas), um Silva (o Rocha) e até um Ramalho (o Mosteias). Só falta falar no Monteiro, que era Guedes! E do Garcia, que era alferes. Ah e o Carita de Morais ali de Cima, também era Ribeirinho. Para nos secar as mágoas da sauade!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

1 025 - O Zeca Louro, que foi furriel de Zalala!

O Louro, a 23 de Setembro de 2011 (em cima) e num domingo de 1974, em Zalala, na foto de baixo (ao centro)



O Louro fez-se atirador na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, e juntou-se ao BCAV. 8423 em Santa Margarida, já mobilizado para Angola. Viria a integrar o grupo de furriéis da mítica Zalala (a da 1ª. Companhia) e jornadeou por Vista Alegre e Songo, antes da definitiva passagem por Carmona, depois Luanda e... Lisboa!
Era gajo fixe! Dos bons!
A foto do lado mostra-o ao meio, exactamente no meio, de cavaleiros de fartas brincadeira de Zalala. O Rodrigues e o Barata, do lado esquerdo, o Nascimento e o Eusébio - com o camuflado por cima de roupa civil e... vermelha.
Voltado ao seu Alentejo, depois da jornada de África, o Louro fez-se à vida e é quadro da Universidade de Évora: assistente técnico, assim se idêntica profissionalmente o sr. Louro, agora em vésperas de reforma! Já faltou muito mais!
O Louro, sem contar, teve de se haver com a visita (inesperada) de cinco zalalas: o Pinto, o Queirós e o Rodrigues (que foram do Minho) e o Dias (estremenho de Tomar) e, depois, o alentejano Aldeagas. Mas que grande trupe!
Não é difícil imaginar o trauteio de histórias que estes cinco Cavaleiros de Zalala desfiaram na hora do almoço de Évora, E esta? E aquela? E daquela vez? E o capitão Dias? E o sargento Fialho, e o bar, e o campo de futebol, com jogos espreitados pelo inimigo? E a picada? Aquela picada de Zalala, pá!, quantos medos por lá se derrotaram, entre núvens de pó e o roncar pesado dos unimogs e das berliets?!!!!
Aqui te saudamos, Zeca Louro! Tás com muito bom aspecto, mais idade e menos cabelo! E «muito fixe!!!...», garante o Pinto!
-LOURO. José dos Santos Louro, furriel miliciano atirador de cavalaria, da 1ª. CCAV. 8423 (Zalala), Assitente técnico da Universidade de Évora.
- PINTO. Manuel Moreira Pinto, idem. Natural de Penafiel e empresário do ramo automóvel, em Paredes.
- QUEIRÓS. Plácido Jorge de Oliveira Guimarães Queirós, idem. Aposentado, residente em Braga.
- BARATA. Jorge António Eanes Barata, idem. De Alcains, já falecido.
- RODRIGUES. Américo Joaquim da Silva Rodrigues, idem. Natural e  residente em V. N. de Famalicão, aposentado.
-ALDEAGAS: João Matias Mota Aldeagas, idem. Empresário agrícola em Estremoz.
- DIAS. João Custódio Dias, furriel miliciano de transmissões. Aposentado da Polícia Judiciária e residente em Tomar.
- EUSÉBIO. Eusébio Manuel Martins, furriel miliciano mecânico-auto. Funcionário público aposentado, natural e residente em Belmonte.
- NASCIMENTO. José António Moreira do Nascimento, furriel miliciano de alimentação.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

1 024 - A retórica do soldado Zeca, que era um ás nas damas e no bilhar...

António Casal à porta do Café Camabatela


ANTÓNIO CASAL DA FONSECA
Texto

O Café Camabatela era dos irmãos Santiago e local de encontro de muitos militares, principalmente depois do almoço. Aqui se comia, bebia e até jogava bilhar. Seria, penso, o único bar que tinha tal mesa!

Mas também era palco de jogos de “damas” e até de grandes torneios com prémios apetecíveis, disputados por civis e militares.
E assim voltou a acontecer, em Agosto de 72, com a “apresentação” dos jogadores, noite adiantada, num ambiente que se queria lúdico. Mas a coisa não iria ser bem assim, com um elemento civil a querer impor a sua lei e a trilhar um caminho que indignou todos os presentes: «Se este aqui participar, eu não participo!..., era o que mais me faltava… Nem pensem!».
Ora, o “este aqui” era um militar da CCS, o soldado Zeca! Pois, o problema é que ele era soldado, confessou-o - e não se sentava à mesa com soldados! O Zeca, homem sempre extremamente educado, não estava a acreditar no que ouviu! Quando percebeu que o civil não estava a brincar, ficou atónito! Grande de corpo e de alma, a sua indignação era bem visível! Serenamente, os seus olhos pararam na farda que envergava! Sentiu-se deslustrado e injuriado, e enfrentou o civil! Tememos o pior! Eu já “via” o civil agarrado pelos fundilhos, e as graves consequências que tal arrecadaria! Mas não, nada disso! Olhos nos olhos, até mesmo a escassos centímetros, o amigo Zeca passou-lhe uma retórica, forte e feia mas bem incisiva! Um discurso fluente e carregado de emoção, que nos surpreendeu! E orgulhou! Afinal, todos os militares estavam fardados!
O civil, que eu bem conhecia pela sua arrogância e tentativas de desrespeito pelos militares, principalmente pelos praças, viu fugir-lhe a coragem que pensava ter e refugiou o seu olhar na restante comunidade civil branca! Escutou um silêncio sepulcral e, de rabinho entre os membros inferiores, saiu pela porta pequena!
Era uma sexta-feira e já não houve torneio de damas. Passaria para o dia seguinte, pelas 22 horas, com os ânimos mais calmos e a concentração mental que o jogo exigia.

E aqui houve uma surpresa! O civil que no dia anterior causara o mau ambiente, foi dos primeiros a chegar à sala do torneio. Olhado de soslaio, cumprimentou todos os intervenientes, com excepção para o Zeca! Agora, com o apoio de um sargento do quadro, seu amigo de batota, que se inscrevera com a intenção de usar as divisas para correr com o Zeca, julgava-se dono da situação. Já não era a primeira vez que o graduado fomentava divisões entre militares e civis, pelo que, além de outras infracções graves, já tinha sido chamado à razão, pelo Comando!
Poupando eu os detalhes, que seriam muitos e nada dignificantes, o sargento e o comparsa civil acabaram literalmente expulsos da sala de jogo!
Já por volta da meia-noite iniciou-se o torneio e, sem qualquer surpresa, o “ouro” foi para o Zeca. A sua rapidez de raciocínio, que se estendia às cartas e ao dominó, impressionava a silenciosa assistência.
Ainda hoje dá cartas, que é como quem diz…damas, em grandes torneios na sua cidade natal. Apesar de fragilizado e em cadeira de rodas, ainda há dias me disse: «Mesmo sem as pernas que percorreram centenas de quilómetros de mata, continuo feliz!…, a minha vida está agora a recomeçar…ninguém me pára…tu conheces-me»!
Eu sei, Zeca… Se conheço! E também sei que, à boa moda do Quitexe, continuas a “limpar” os torneios!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

1 023 - O furriel Machado foi louvado!!!...

Machado, Cruz e Rocha, três Cavaleiros do Norte em Carmona (1975)

O Machadinho fez anos a 28 de Agosto (foram 59!!!!, eh pá, põe-te a pau!!!...) e eu trazia aqui na moleirinha a ideia de, por essa altura, aqui falar não do irreverente e inteligente e sempre interveniente militar e homem, do sempre reinvindicador e frontal furriel miliiano, ou do lutador e do companheiro sempre solidário e amigo, mas do Machado que foi louvado pelo Comando do Batalhão de Cavalaria 8423!
Nem sei se ele sabe deste louvor!! Ou se, ao menos, se lembra dele! Se calhar, não! E nem me admira que ele, o Machadinho, o Beduíno!!!..., tenha posto para trás das costas tal comenda e agora se core de timidez, ao ler o que aqui «debito», mais de 36 anos depois.
O Machado, este mesmo Machado, o Manel ido das arribas do Gerez para Angola, foi louvado porque «durante a sua comissão de serviço desempenhou com zelo e prontidão as funções da sua especialidade, nunca se poupando a esforços para que o material da Companhia se mantivesse sempre num impecável estado de conservação e limpeza».
Estão a ver? Zelo e prontidão, sempre à mão! E nada de se poupar a esforços!
Mas há mais, meu caro Manuel do Gerez, que aqui me lês. De ti diz o louvor que foste «militar correcto, disciplinado e disciplinador, colaborando em todos os serviços (...) e que grangeaste «a estima dos superiores, camaradas e inferiores». Ponto final.
Eu acrescento-lhe um ponto: ganhaaste, também, muitos amigos de toda uma vida! E agora, sim, ponto final, parágrafo. Mas com três pontos de exclamação!!!
- MACHADO. Manuel Afonso Machado, furriel miiciano mecânico de armamento.
Natural de Covelo do Gerez (Montalegre) e residente em Braga, onde é quadro superior da EDP.

domingo, 2 de outubro de 2011

1 022 - Deserções e disciplina nos Cavaleiros do Norte


Aldeia Viçosa, onde operava a 2ª. Companhia. Também se vê Santa Isabel (2ª. CCAV.) e Dange (que é o Quitexe)


O mês de Outubro de 1974, no Sub-Sector Militar do Quitexe, foi marcado por 5 deserções, todas de militares dos chamados Grupos de Mesclagem do Regimento de Infantaria 20 (RI 10), de Luanda. Recordo os apelidos: Gabriel, Amaro, Bartolomeu, Júnior e Sobrinho. Todos da 2ª. CCAV., a de Aldeia Viçosa.
Ao tempo, vésperas das colheitas do café, era também o de muitos homens que serviam o exército português «passarem» para um dos movimentos de libertação. Ora para a FNLA (o mais influente na zona do Uíge), ora para a FNLA, ora, mais remotamente, para a UNITA - por lá muito pouco implantada. O movimento era encarado com muita naturalidade e não recordo nenhuma situação preocupante que disso resultasse.
Alguns deles, viemos a encontrá-los mais tarde, já servindo os movimentos porque tinham optado - ora logo depois, actuando os movimentos ainda de forma isolada, ora já integrados nas forças mistas (que eram para ser o exército nacional de Angola).
O mês, e por razões que não conheço, foi especialmente marcado, também, por sanções disciplinares na guarnição europeia.
Um furriel miliciano "apanhou" 15 dias de prisão disciplinar agravada, agravada depois para 20 dias (pelo Comando de Sector do Uíge). E há registo de 1ºs. cabos e soldados com punições que variaram entre os 9 e os 20 dias, a detenção, a prisão disciplinar e a prisão disciplinar agravada.
Dispensando os nomes, direi que todas as quatro Companhias tiveram gente punida: a CCS (5 militares), a de Zalala (2), a de Aldeia Viçosa (2) e a de Santa Isabel (3).

sábado, 1 de outubro de 2011

1 021 - Ataque a madeireiros e a morte de Cavaleiros do Norte

Aquartelamento do Liberato, onde esteve a CCAC. 209/RI 21



A 30 de Setembro de 1974, o IN, que até aí e pelo mês fora, "continuara apático", realizou uma acção ofensiva no Sub-Sector do Quitexe, «ao atacar madeireiros na área do Liberato e ao flagelar uma viatura da JAEA, na Quinta das Arcas». 
Por esses dias, foi a minha chegada ao Quitexe, de férias passadas por Angola, e a 27 a revolta dos militares daquele aquartelamento do Liberato, um guarnição composta por uma companhia de angolanos, formada no RI 21, mas com a maior parte dos quadros europeus. Entre eles, o meu amigo e companheiro de curso comercial, em Águeda, o José Marques de Oliveira, do Caramulo - ali furriel miliciano de alimentação.
O 27 de Setembro, para a guarnição do Quitexe, foi seguramente dos mais difíceis e dramáticos dias de toda a jornada africana. Felizmente, sem quaisquer consequências especiais - pelo recuo dos revoltosos do Liberato, quando os esperávamos na estrada de asfalto, entre o Quitexe e a aldeia do Dambi Angola.
O mês, infelizmente, ficou marcado, a nível dos Cavaleiros do Norte, pela morte do soldado atirador Joaquim Manuel Duarte Henriques. Era natural de Odivelas, em cujo cemitério foi enterrado. Faleceu a 21 de Setembro, vítima de doença. Pertencia à 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala - comandada pelo capitão miliciano Castro Dias.
O luto voltou ao batalhão a 2 de Julho de 1975, com a morte do soldado atirador Jorge Custódio Graça, da 3ª. CCAV., comandada pelo capitão José Paulo Fernandes,a da Fazenda Santa Isabel, vítima de acidente. Era do Casal das Raposas, em Vieira de Leiria.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

1 020 - OS CAVALEIROS DO MONTE ALENTEJANO DO ALDEAGAS

J. Dias, Rodrigues, Aldeagas, Pinto e Queirós,
antigos furriéís  milicianos de Zalala


O Dias, o Rodrigues, o Pinto e o Queirós puseram-se a cavalgar Portugal abaixo, de norte para sul e esquecidos das divisas que deles fizeram sargentos milicianos na reserva, há 36 anos regressados da mítica Zalala do norte angolano.
O Rodrigues, o mais seco de carnes, mandou-nos a crónica da «operação»:
« Cinco sem divisas de furriel de Zalala que encontraram-se e conviveram, depois de um período extenso, de 30 anos sem se reverem, num monte do Alentejo, pertença do Aldeagas. Depois de muitas datas marcadas e desmarcadas, contactos e todas as peripécias do marcar datas e horários em que um pode e o outro não, lá se encontrou um consenso, que levou  os cavaleiros do norte - e somos mesmo do norte!!! - , o Pinto, o Rodrigues e o Queirós, a rumarem ao sul, reencontrar o camarada Dias em Torres Novas e partir em direcção a Estremoz  e lá encontrar, como anfitrião, o alentejano  Aldeagas.Aqui se recordaram os tempos passados em Angola e a camaradagem e amizade que perdura nos dias de hoje. Isto foi no dia 22 de Setembro de 2011.
AMÉRICO RODRIGUES

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

1 019 - Cavaleiros de Zalala em jornada alentejana...

Aldeagas, Rodrigues, Queirós e Dias, furriéis de Zalala, 36 anos depois


Olhem-me para estes, 36 anos depois do adeus às armas e da entrega aos seus amores de vida: o Aldeagas, o Rodrigues, o Queirós, o Dias - Cavaleiros do Norte de Zalala! Todos reformados, menos o nosso querido alentejano, que por Estremoz empresaria na terra e no gado e ganha a vida feliz e disponível, sempre com casa aberta para os amigos.
Esta malta, agora a bater-se nas vésperas dos seus bondosos 60 anos, fez escola pelo «degredo» de Zalala e de Zalala fala como se fosse o altar maior da sua devoção. Pudera!!! Por lá passaram emoções e desafios de uma vida, daqueles que fazem história e memória para sempre! E Zalala está-lhes no sangue e no rol das glórias e das tragédias (se as houve) da sua (deles) jornada africana.
O Rodrigues ainda há dias veraneou por Águeda, na Festa do Leitão! Está com corpo de 22 anos, como se os 35 não tivessem passado por ele. Reformou-se e vive em Famalicão. O Queirós «entedia-se» na reforma da vida que fez por Braga, ligado aos automóveis e aos negócios. E a comer bem e do melhor. O Dias «estagia» a pré-velhice por Tomar, depois de anos de investigação na Judiciária, de que foi agente, e entretém-se em agricultura de lazer. Está fortezinho, sim senhor..., mas com bom corpo para a idade. O Aldeagas anfitriou a jornada alentejana dos Cavaleiros de Zalala e, como se vê no retrato, não passa mal de vida, não! Falta o Pinto, que motoriza a vida por Paredes, do Porto. Foi ele a clicar na máquina e ficou de fora da vista de hoje. Aqui estará amanhã.
Abraço, ó malta... Águeda fica aqui, no centro, na terra do leitão e do espumante. Que o digam o Rodrigues e o Pinto e o Monteiro, que por cá passaram a 8 de Setembro! E vocemecês, também, que se devem lembrar do primeiro encontro do Cavaleiros, em 1994.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

1 018 - Os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa em Leiria

Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa! O grupo completo, em cima!  O mesmo grupo, na mesma foto mas «partida» em dois, abaixo. Todos em grande forma!
Aqui está a rapaziada que, ida de um pouco de todo o lado de Portugal, foi a Angola participar no natal de um país novo! Em 1974 e 1975!!! E, agora, a 4 de Setembro de 2011, cavalgou» até Leiria para festejar 36 anos da chegada da jornada africana.
São os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa - os da 2ª. CCAV. 8423, comandados pelo capitão José Manuel Cruz. «Parti» a foto para se verem melhores as caras, saudáveis e frescas, desta malta que também ajudou a fazer Abril! Mas se clicarem nelas, também as ampliarão.
Uma nota: vocemecês, meus caros Cavaleiros de Aldeia Viçosa, estão todos com muito bom aspecto, uns com uns cabelitos brancos e outros já sem ele, mas é a vida!!!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

1 017 - Louvor à equipa de mecânicos dos Cavaleiros do Norte


A equipa de mecânicos auto-rodas do Pelotão de Manutenção-Auto do BCAV. 8423 foi colectivamente louvado, por proposta do capitão António Oliveira (comandante da CCS), tendo em conta que, no decurso da comissão, «constituiu equipa de trabalho com espírito de entreajuda e sacrifício, procurando tirar o maior rendimento do seu labor».
O louvor foi publicado na Ordem de Serviço nº. 181 e enfatiza que «ao mesmo tempo que, torneando dificuldades inerentes ao muito uso das viaturas e às faltas costantes de sobressalentes», mesmo assim «conseguiu que se obtivessem condições de utilização, em tempo oportuno e muito aceitáveis».
«Não se pretendendo distinguir uns, esquecendo outros, aqui fica vincado o público agradecimento do seu trabalho», conclui o louvor oficial.
O pelotão era comandado pelo alferes miliciano Cruz, com o 1º. sargento Aires e o furriel miliciano Morais. Tudo gente do alto!
- OLIVEIRA. António Martins de Oliveira, capitão do SGE e comandante da CCS do BCAV. 8423. Antigiu a patente de major, pelo menos) e residia em Ovar. Já faleceu.
- CRUZ. António Albano Araújo de Sousa Cruz, alferes miliciano. Engenheiro mecânico, natural e residente em Santo Tirso.
- AIRES. Joaquim António de Aires. 1º. sargento mecânico-auto, do SGE. De Évora, já falecido.
- MORAIS. Norberto António Ribeirinho Carita de Morais, furriel miliciano mecânico-auto. Natural de Niza e residente em Elvas, onde é quadro superior da Estação Nacional de Plantas. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

1 016 - Luanda e as vésperas de voltar ao Quitexe...

A 26 de Setembro de 1974, hoje se completam 37 anos, vadiava eu por Luanda, fazendo vésperas do fim de férias e de partida para o Quitexe. Tinha cirandado por Angola fora, de Luanda a Nova Lisboa, pela Gabela, Alta Hama, Silva Porto, Novo Redondo, Lobito e Benguela, Moçâmedes e Sá da Bandeira, lá mais para o fundo do mapa.
Tinha apalpado e sentido o cheiro de Angola, as suas belezas naturais - que tanto nos enfeitiçavam! Tinha deliciado os olhos e comprazido a alma, com o saboreio das paisagens angolanas e confirmava o desenvolvimento de uma terra, um próximo país em parto, uma nacionalidade que ia nascer!  Conhecera melhor a alma negra, alma grande e enorme, cheia de dedicações humildes e de rasgos generosos, que se despertava para uma nova realidade, fazia caminhos para um caminho novo!
Luanda, que eu ia deixar para voltar ao Quitexe, gorgitava de gente, num rodopio social imenso, era uma grande capital! Uma cidade como eu até aí nunca conhecera! Espantava-me!
A 26 de Setembro de 1974, o comando do BCAV. 8423 continuava ao périplo por fazendas e localidades da sua área de acção, na Fazenda Guerra. Já tinha estado em Luísa Maria, Minervina, Santa Isabel, Vamba (em Setembro), ou Liberato, Antoave, Pumbaloge, Zalala, Vista Alegre, Santa Isabel - antes!!! E na mesma Fazenda Guerra estivera a a 16 de Agosto, anterior.

domingo, 25 de setembro de 2011

1 015 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa «galoparam» para Leiria



Os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa (foto) «galoparam» ontem para Leiria, para o «rancho» festivo do encontro de 2011. Mais de meia centena de antigos combatentes - eles e alguns familiares!!!... - fizeram deste dia um mar de recordações. Dizia o Letras, resumindo a festança, que «nunca esteve tão bom!...».
O Letras jornadeou comigo por terras de Lamego, nos Rangers, e em Angola, ficámos amigos pela vida fora, achámo-nos por várias mesas ao longo destes anos e fez-me este retrato do encontro de ontem: «Esteve bestial, pá!!!!... Nunca comemos tão bem!».
Ai como o Letras gosta de uma boa mesa e comensar do que é bom!
O Guedes também lá foi ter, de Salvaterra de Magos, e surpreendeu-se como estado físico dos quase sexagenários Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa: «A malta está muito bem apessoada!!! A malta cuida-se...».
Nomes conhecidos de Aldeia Viçosa - não que os outros não sejam!!, falamos dos companheiros 1ºs. cabos e soldados, todos irmãos da jornada africana - estiveram o (capitão) professor Cruz, o aposentado Machado e o técnico de vendas Carvalho (que é dali ao lado, de Marrazes) - ambos ex-alferes milicianos -, os (ex-furriéis) Martins, Ramalho, Letras, Guedes e Gomes.
Já se sabe onde vai ser a «comunhão» de 2012: em Vila Viçosa, com a «obra»a  cargo do Mourato (que este ano não pôde estar).
Um destes dias, aqui editaremos fotos - que o Nunes (o organizador de ontem) vai enviar para o blogue.
-LETRAS. António Carlos Dias Letras, furriel miliciano de Operações Especiais (Rangers). Empresário do sector do mobiliário, em Palmela.
- GUEDES. António Artur César Monteiro Guedes, furriel miliciano atirador de cavalaria. Aposentado da GNR, como sargento-mor, matural da Régua e morador em Fofros de Salvaterra (Salvaterra de Magos).

sábado, 24 de setembro de 2011

1 014 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa vão estar hoje em Leiria

Soldado condutor José Nunes, organizador do Encontro 2011

A 2ª. Companhia de Cavalaria do BCAV. 8423 reúne-se hoje, dia 24 de Setembro, em Leiria. Não vai, seguramente, faltar entusiasmo e memórias para desfiar.
O organizador é José Nunes (foto), que por lá foi condutor, e a concentração será pelas 10 horas, na fábrica de cimento SECIL, na Maceira (mesmo ao lado da cidade). O programa continuará e culminará com o almoço no restaurante O Casarão.
Grande festa, rapazes!!! E aquele abraço!!!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

1 013 - O Portela e o Morais do Quitexe

O comerciante Morais, civil de Águeda que fazia vida no Quitexe


ANTÓNIO C. FONSECA
Texto

Cheguei ao Quitexe, depois de um estágio de oito dias no Regimento de Transmissões de Luanda. Estávamos a 24 de Abril de 1972, um dia extremamente chuvoso e quente. Cerca de meia hora depois, já estava nas instalações destinadas ao pessoal da minha especialidade, e com o resto do dia para folgar.
«Casal, está lá fora um gajo fardado à tua procura, mas não parece ser do Exército!», gritava-me o Aguiar - já companheiro no RTM do Porto - com o suor a escorrer-lhe dos seus 110 quilos!
Era o Portela, Sub-Chefe nos Voluntários, e aqui meu vizinho a três quilómetros, que eu não conhecia mas que me esperava a pedido de um amigo de Luanda. “É você que é o Casal?!..., venham daí esses ossos grande conterrâneo… Tenho cá a impressão que vamos ser grandes amigos!».
 E fomos, não se enganou!
Mas não tardou uma imposição: “Tem 15 minutos para se despachar, porque a minha Maria pôs umas cervejolas a refrescar!”
E lá estava a D. Maria à minha espera, a cozinhar umas bifanas carregadas de gindungo, ao som da choradeira do pimpolho de meses. Mas com lágrimas que lhe escapavam, quando me perguntava por novidades da sua terra natal. Estranhei a repentina ausência do Portela, e quando dei por ele já trazia consigo o Sr. Morais e a D. Esmeralda, a esposa.
«Seja bem-vindo sr. Casal, vai-se dar bem por aqui! …, pelo menos assim o espero!», dizia-me o patriarca da família Morais, com um sorriso do tamanho do corpo – grande! «Só pode ser boa gente compadre Morais… Até se chama Casal, como a família da minha Maria!...», atalhava o Portela com a mão por cima do meu ombro! Só faltavam as pequenas da família Morais, a São e a Lurdes que estavam na escola e só viriam no fim de semana.
«Compadre, deixe estar as cervejas que eu tenho ali um garrafão de vinho verde já fresco! Era para o jantar, mas sendo assim “vira-se” já!»
E virou! Eu, que raramente bebia vinho, senti-lhe os graus nas pernas, mas disfarcei como pude. A culpa foi do gindungo!
Muitos foram os momentos de convívio, ora na casa do Portela, ora no bar do Topeto, ou outro, com ou sem o Sr. Morais, sempre ocupado com os negócios, que não eram poucos.
Tive o grato prazer de ser convidado para o baptizado do filho do Portela e D. Maria. Apesar da partilha de muitos momentos em família, este gesto sensibilizou-me. Gostei mesmo! O Sacramento do Baptismo foi da responsabilidade do padre Albino, um acto que, passados alguns anos, viria a declarar por minha honra, ter acontecido. É que, com a independência, a ausência de documentos impedia a celebração de outros Sacramentos!
A foto, entre as muitas tiradas já no fim do repasto, iria servir de pretexto para um sem número de piadas caseiras que nos animariam a festa. E que festa! E não faltou o jogo de cartas, para que nunca tive muito jeito mas que os chefes das duas famílias jogavam com destreza.
Posto isto, é fácil perceber que, para mim, o Quitexe não se limitou a serviços no posto de rádio, escoltas, operações ou momentos de saudade e de nostalgia. A outra vertente, esta de que hoje falo, além de outras, foi muito importante para a contagem dos dias que se queriam rápidos. Já por mais de uma vez aqui disse que, comparado com outros, tive (tivemos) a sorte de o Quitexe nos calhar em sorte. E também a sorte de ter grandes amigos, como foi meu caso! Dentro e fora do seio militar! Que não esqueço!
ANTÓNIO C. FONSECA

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

1 012 - Rotação de dois grupos de combate de Santa Isabel

Aquartelamento e Fazenda de Santa Isabel (3ª. CCAV. do BCAV.8423)

A 13, 21 e 22 de Setembro de 1974, o comandante Almeida e Brito visitou a 3ª. CCVAV. 8423, aquartelada na Fazenda Santa Isabel, a uns 30 e poucos quilómetros do Quitexe. O objectivo era estabelecer «contactos necessários ao bom andamento dos trabalhos militares» e o tenente-coronel Almeida e Brito viajou «sempre acompanhado por oficiais da CCS».
Outras unidades, por esse tempo, foram igualmente visitadas: a 3ª. CCAV, em Aldeia Viçosa (dias 13, 18 e 24 de Setembro), e a CCAÇ. 4145, estacionada em Vista Alegre (1 19).
Reuniões, aliás, não faltaram ao tempo - que, militarmente, era minimamente tranquilo: «O IN (...) continuou apático em todo o mês, só se realizando acções ofensivas no dia 30, ao atacar madeireiros na área do Liberato e ao flagelar uma viatura da JAEA, na Quinta das Arcas», lê-se no Livro da Unidade.
Reuniões ocorreram também no BC12, em Carmona (no dia 3), e no Comando de Sector do Uíge, na mesma cidade - a 21, 23, 25 e 27.
A alteração mais substantiva desse tempo foi a rotação de dois grupos de combate da 3ª. CCAV, a de Santa Isabel, para a Fazenda de Além-Lucunga. Tal aconteceu a 23 de Setembro (amanhã se completarão 37 anos).

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

1 011 - O 1º. cabo atirador Adão Morais

O período de Natal era especialmente sensível para os militares em campanha, saudosos da família, das mulheres e dos namorados, dos filhos, dos amigos, dos cheiros das suas aldeias e alcofas, de tudo o que, nos anos para trás, eram dias de festa e de partilha. Saudosos, até, do frio do inverno europeu, das rabanadas e das filhós, do bacalhau ou dos perús que saciavam apetites e faziam da mesa um altar de alegria e comunhão.
O tempo dos Cavaleiros do Norte já não foi desse, mas eram famosas e muito esperadas as mensagens de Natal, nas rádios e na televisão, com os insubstituíveis desejos de «um ano novo cheio de propriedades».
O tempo dos Cavaleiros do Norte foi de postais, com foto e dedicatória.
Hoje trago aqui, querendo homenagear e evocar, o cartão de Natal do 1º. cabo Adão, que fez jornada militar por Zalala e depois por Vista Alegre, Songo e Carmona, antes de chegar a Luanda, como atirador da 1ª. CCAV., a do capitão Castro Dias.
Homenager e evocar, por já não permanecer entre nós, ido a 7 de Agosto de 2009, já passaram 2 anos!
Adão Luís Correia Morais era natural de Fundões, freguesia da Ordem (Lousada). Foi canalizador da Câmara Municipal deste concelho e, em 2008, foi operado ao coração e recebeu implante de quatro by-passes. Dessa se livrou! O destino traiu-o, em 2009, quando lhe foi despistado um tumor na zona abdominal - a que foi tratado, mas ao qual não resistiu. Faleceu a 7 de Agosto de 2009 e deixou viúva (Maria Olívia Neto Morais), 3 filhos (2 rapazes, de 34 e 20 anos, e uma rapariga, de 29) e 3 netos. Assim aqui veio contar o Tomás.
Até qualquer dia...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

1 010 - O 1º. cabo rádio-montador Rodolfo Tomás

Tomaz, Pais e Silva rádio-montadores da CCS, no jardim do Quitexe (1974)

 O Tomaz era homem de muitos ofícios, entre a arte de arranjar rádios, ou assistir aos projectores de cinema, ou carrear para o Quitexe o correio (das saudades) que nos chegava de Portugal.
«Militar muito disciplinado, correcto e inexcedível no zelo e eficiência», é assim que o louvor do comandante do batalhão o define.
Acrescenta-lhe que sendo «militar excepcionalmente educado e bom camarada», o 1º. cabo Tomaz «granjeou a estima dos seus superiores e camaradas», razão que, também este, levou a que fosse «digno de ser enaltecido, em público louvor».
Lembro-me bem do Tomás, do passo curto que o fazia passear nas ruas do Quitexe e, mais tarde, na parada de Carmona; a discrição, o trato delicado, o comportamento simples. E, uma ou outra vezes, lhe ouvi reacções respeitadoras, a um momento (ou outro), em que se lhe impusesse uma qualquer autoridade de circunstância.
Rádio-montador de responsabilidade técnica, dividiu-se por outras: foi servidor da secção de reabastecimentos, fez serviços de escala, empunhou a G3 quando necessário foi e também colaborou em serviços de interesse publico: o cinema e a estação de rádio civil, por exemplo. No Quitexe e em Carmona.
O louvor do batalhão tece elogio à competência do desempenho das suas funções e ao facto de «não se poupar a esforços, nem horários, par solucionar avarias de material».
O Tomaz faz pela vida em Lousada, onde mora, e é regular colaborador deste blogue. É com gosto que lhe ponho a «descoberto», e sublinho, o louvor à sua vida de Cavaleiro do Norte.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

1 009 - Os milagres do dr. Leal....

A enfermaria militar do BCAV. 8423, no Quitexe (em 1974)



ANTÓNIO A. GUEDES
Texto

O soldado-condutor Palma, da 2ª.  Companhia do BCAV. 8423, sofreu, um dia, uma aparatosa queda, dela resultando ter deslocado um ombro, o que lhe causava muita dor. Um grande sofrimento.

A situação levou a que, de urgência e já de noite, viajássemos de Aldeia Viçosa para o Quitexe, a todo o gás e sem quaisquer medo, pelas curvas da estrada do café, para lá levarmos o acidentado - para ser visto pelo médico do batalhão - o capitão médico Leal.
Assim fizemos e, lá chegados, dirigimo-nos à enfermaria, onde, passado pouco tempo, chegou o dr. Leal. Perguntou o que se passava, por apalpação verificou se havia ou não osso fracturado e, mediante o diagnóstico feito, peremptoriamente determinou ao Palma que se deitasse de costas, no chão da enfermaria.
Ficámos a olhar, surpreendidos, mas o Palma contorcia-se com dores e o importante era que melhorasse. Assim, ajudámo-lo a estirar-se no chão e ficámos à espera de ver que tipo de cirurgia iria acontecer.
O dr. Leal, então, segurou-lhe a mão, levantou-lhe o braço, aplicou a sola da bota (ou sapato) contra a axila e, de seguida, puxou-lhe o braço.
Ficámos a olhar e, de repente, claríssimo como a água,  voltou tudo à posição inicial.
Terapia prática e eficaz.
Eh pá!!! Parecia um milagre!! Ou, dir-se-ia de outro modo, era bruxedo!!!
O Palma, como legítimo alentejano que era (e é, é de Vila Viçosa), não vai levar a mal que eu diga que ele berrou, berrou, berrou!!!! Berrou, berrou, é verdade, mas... curou!!! E bem curado!!!
- GUEDES. António Artur César Monteiro Guedes, furriel miiciano atirador de cavalaria, da 2ª. CCAV. do BCAV. 8423. Natural da Régua e residente em Foros de Salvaterra (Salvaterra de Magos). É aposentado da GNR, como sargento-mor. e trabalha numa empresa de segurança.
- PALMA. Joaquim José Batanete Palma, soldado condutor auto-rodas, da 2ª. CCAV. 8423. Residente em Vila Viçosa.  


domingo, 18 de setembro de 2011

1 008 - O 1º. Sargento Barata

1º. cabo Emanuel, 1º. sargento Barata e alferes Garcia (em cima), frente ao Gabinete de Operações do Quitexe (1974). 1º. sargento Barata, em foto recente (em baixo)


O 1º. sargento João Barata foi «militar digno e brioso, disciplinado e disciplinador consciente», como se lê no louvor do comandante do BCAV. 8423, sublinhando «o permanente exemplo com que dignificou a função militar», razão porque «os serviços que prestou à RMA são dignos do melhor realce».
O 1º. Barata, como nós o conhecíamos, trabalhava no Gabinete de Operações, directamente sob comando do capitão Falcão e, abaixo deste, pelo alferes Garcia - que era o comandante do PELREC e apoiava e substituía o oficial de operações, nos impedimentos deste.
«Sempre demonstrou - o 1º. sargento Barata - elevadas qualidade de trabalho, quer nos serviços a seu cargo, quer na orientação dos seus subordinados imediatos, conseguindo, deste modo, manter um verdadeiro espírito de equipa nesse pessoal, o que conduziu a ter o seu serviço sempre pronto e em tempo oportuno».
Regressado de Angola, a 8 de Setembro de 1975, foi colocado no Regimento de Lanceiros de Elvas (CICA 3), até à sua extinção. Passou pelo  Instituto Militar dos Pupilos do Exército (2 anos) e foi colocado em Estremoz (1 ano) e, logo depois, no Regimento de Lanceiros de Lisboa, onde era Comandante o Coronel Almeida Brito. Por lá esteve dois anos, antes de voltar a Estremoz (1 ano) e passar para o Regimento de Cavalaria de Santa Margarida (o ex-RC4), a unidade mobilizadora do BCAV. 8423 (2 anos)
Regressou a Estremoz onde, depois de todos estes anos de casa às costas, terminou a sua carreira militar no posto de Sargento Chefe.

Reside em Elvas e tem três filhos: um Sargento Chefe de Cavalaria, um Sargento Ajudante do Serviço Geral do Exército e um funcionário do Tribunal Judicial de Elvas.
- BARATA. João da Conceição Unas Barata, 1º. sargento de Cavalaria. Trabalhou no Gabinete de Operações do BCAV. 8423, no Quitexe e em Carmona (Uíge).
- GARCIA. António Manuel Garcia, alferes miliciano de Operações Especiais (Ranger´s). Natural de Pombal de Ansiães (Carrazeda de Ansiães). Faleceu a 2 de Novembro de 1979, vítima de acidente de viação, quando era agente da Polícia Judiciária, do Porto.
- FALCÃO. José Paulo Montenegro de Mendonça Falcão, capitão de cavalaria e oficial adjunto do comando do BCAV. 8423. É coronel na reforma e reside em Coimbra.
- EMANUEL. E,anue Miranda dos Santos, 1º. cabo escriturário, natural da Gafanha, de Ílhavo, (supostamente) emigrado nos Estados Unidos.

sábado, 17 de setembro de 2011

1 007 - O Encontro 2011 da CCS dos Cavaleiros do Norte



O encontro anual da CCS dos Cavaleiros do Norte deveria ter-se realizado em Maio, ou Setembro de 2011. A organização seria do (furriel) Monteiro e do (1º. cabo enfermeiro) Gomes. Assim foi decidido no Encontro de 2010, em Ferreira do Zêzere (ver AQUI).
Acontece que o tempo passou, passou, passou... e não surgiram novidades, apesar de insistentemente pedidas. Não fôra em Maio, em Setembro se concretizaria este reencontro de velhos amigos da jornada africana do 8423. Mas também não.
A data mais indicada teria sido 10 de Setembro, pois na antevéspera 36 anos se faziam da nossa chegada a Lisboa. Não foi! Aconteceu, no dia 8, foi o habitual almoço do Neto e do Viegas, ambos de Águeda e na Festa do Leitão (local). Assim ambos costumamos festejar a data. 
O Pinto e o Rodrigues, da 1ª. CCAV. (a de Zalala) juntaram-se, pela primeira vez, e de um contacto telefónico dessa manhãm (e da véspera), juntou-se o Monteiro, a quem «pedimos contas». Mais o Neto que eu, como sempre!!
Explicou o Monteiro que o ano não foi fácil para ele, e entre a «rajada» de palavras do Neto e um dedo apontado por mim, «jurou» que para ano é que é. Será, pois, segundo Monteiro, no mês de Maio de 2012. E, agora digo eu, a 26 - dia de vésperas da nossa partida para Angola (a 29 de Maio de 1974). Ou então, a 2 de Junho - os sábados que mais de aproximam desta memorável data.
Se o Monteiro e o Gomes se «baldarem», serão abatidos ao activo. Deus os livre!!!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

1 006 - O dr. Leal..., médico e capitão do Quitexe


O dr. Leal, no Quitexe, de cigarro na boca (1974), com os alferes Garcia e Ribeiro (è esquerda) e tenente Luz (à direita). Em baixo, o consultório de Fafe (Setembro de 2011)




ANTÓNIO FONSECA
Texto

Já por diversas vezes aqui se escreveu sobre o dr. Leal, distinto médico que por terras do Quitexe, e outras, jornadeou com o 8423. E também com o 3879 e o 4211, que antecederam os Cavaleiros do Norte.
São muitas as histórias sobre os feitos, enquanto médico, do dr. Leal. Outros, talvez porque não chegaram a necessitar dos seus préstimos, realçam-lhe outras qualidades. Defeitos não lhe apontam, embora naturalmente os tenha, mas serão talvez tão inofensivos que não lhes salta à memória.
São muitos os episódios contados pelos ex-enfermeiros, ao tempo colaboradores do dr. Leal e que com ele trabalharam e conviveram durante cerca de um ano. O ex-furriel enfermeiro, desde há muitos anos seu colega de profissão, lembra, com nostalgia e muita saudade, as muitas horas vividas em trabalho e também em momentos lúdicos.
«Excelente médico e com uma capacidade de trabalho que nos impressionava. Muitas vezes nos serviu de motor em horas difíceis, sempre com um sorriso e uma disponibilidade exemplares. Gostava de rever esse homem… O dr. Leal… será vivo?!», comentava comigo o dr. Gouveia, com ar nostálgico e um acenar de cabeça, a deixar adivinhar o respeito que por ele nutre!
“Não só é vivo como, tanto quanto sei, goza de boa saúde e ainda dá consultas!”, informei-o eu, deixando-o um tanto perplexo com a saudável longevidade. Para que melhor nos situemos no tempo, na altura os meus 22 anos corresponderiam aos 45 do Dr. Leal, suponho eu!
Em périplo, por Alto Minho, resolvi dar um saltinho de Viana do Castelo a Fafe, e procurar o dr. Leal, na esperança de uma boa conversa e também de uma boa história para aqui postar. Iria também, porque não, agradecer-lhe os seus cuidados quando o paludismo me pôs mais para lá do que para cá!
Não tive a sorte que procurava e dei de caras com a porta fechada! Tive pena, muita pena, mas ficará para outra altura. Talvez até para breve!
Não conseguindo eu a “entrevista” nem a foto desejada, contentei-me em “trazer” a entrada do gabinete onde ainda dá consultas e, solidariamente, “teima” em isentar os economicamente mais frágeis!
«Excelente pessoa, afável… já não há como ele!», garantiam!
É assim o dr. Leal! Assim mo descreveram pessoas anónimas com quem encetei conversei, enquanto aguardava uma possível chegada a casa, do médico que Fafe bem conhece, respeita e admira! O mesmo homem que todos aprendemos a respeitar em terras Quitexanas. Bem haja, dr. Leal!
ANTÓNO CASAL DA FONSECA

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

1 005 - Um país novo e de si inimigo...

Os meus primeiros dias do Portugal europeu, chegado eu da ultramarina Angola que se preparava em parto para a independência, teve momentos de choque. E de surpresa! E de expectativa!!!
Tudo para mim era novo: o deslumbramento revolucionário, a capacidade reinvindicativa, as manifestações e os plenários, o azimute único para um caminho que eu desconhecia, umas coragens inflaccionadas que me arrefeciam a alma! E eu, por aí apanhado de surpresas, a querer entender as diferenças de um Portugal onde, nas ruas e nas praças, cantavam de raiva algumas G3 roubadas em quartéis, atirando sobre irmãos nossos, sangue nosso.
Eu chegava de Angola, que se violentava de Luanda para o norte - para o nosso Quitexe,a  nossa Carmona; de Luanda para o Cunene e para o Huambo, em guerra fraticida. De uma Angola em torrente abrupta de sangue, que sujava muitas mãos. Uma Angola que, irada ao rubro e violenta, atirava para Lisboa aviões de bojo grávido de gente mártir, que fugia, com uma mão à frente e outra atrás.
E que Portugal eu reencontrava?
Um Portugal diferente! Muito desigual, levedando esperanças de igualdade e liberdade.
Um Portugal já em V Governo, em prolongada e complexa crise de Verão Quente, que despertou fervores revolucionários e amordaçou muita gente - ameaçada com a grilheta das prisões. Otelo e o seu COPCOM a ameaçar, até que Vasco Gonçalves caiu, apesar da muralha de aço de que se rodeou e o segurou. Parecia-me, na minha inocência, que os políticos não eram mais que vendedores ambulantes de sonhos, mercadores de simpatia fácil e votos, exploradores da boa fé dos portugueses. Vinha de um sítio que entremeava esperança com a morte e chegava a outro, ao meu país, que parecia fazer-se de si inimigo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

1 004 - O último combatente, são e salvo e com o juízinho todo...


Viegas, Mosteias e Neto, últimos dias de Carmona (Agosto de 1975)

Os meados de Setembro de 1974, em termos pessoais, foram de visita a aqui e a ali, de cumprimentos e confraternizações com familiares e amigos. Afinal, no dia 9 desse mês chegara eu,o último combatente da aldeia na guerra ultramarina. São e salvo e com o juízinho todo!! E, compreendam, numa aldeia de pouco mais de 700 pessoas, uma chegada dessas era acontecimento festivo e de dar graças a Deus!!!
Não faltaram abraços e perguntas: como é que estás e como é que está Angola? Então, viste lá fulano e cicrano? Sabes se eles vem embora, ou se não? Aquilo lá está mau, não está?
Entre uns bons bacalhaus e saborosos rojões, uns tracanazes de broa (ai a broa da minha mãe, a broa da minha mãe!!!, quantas saudades e quantas fomes eu tinha dela!!!...), lá fui eu dando recado da carta angolana que trazia nas minhas memórias, não me dispensando de algum exagerozito, para dourar as glórias dos meus méritos militares! Daqueles de entrar para a lenda... 
Minha mãe, agora em vésperas de 91 anos mas ao tempo carregada do luto de meu pai e das dores de um filho na guerra, já não falando nos berbicachentos bicos de papagaio que tanto lhe «adormeciam» as cruzes, dispensou-me de exageros «inquisitoriais». Perguntou-me, tão só, se sempre era verdade que «lá na guerra» nos davam comprimidos para nos matar o medo.
Ó mãe!!!! Lá lhe contei que não, que nunca dera por isso, que se dizia sempre muita coisa da guerra, e, a garfar o escoado de couves com bacalhau, na velha cozinha do forno, expliquei-lhe que, sim, tomávamos comprimidos, sim...,mas para prevenir doenças. As doenças tropicais.
«Então é isso!...», concluiu ela, a pegar no copo da água-pé, para empurrar as batatas molhadas de bom azeite - o azeite das nossas oliveiras.
Claro que era!!! E para provar, fui buscar e mostrei-lhe os comprimidos e injecções que eu, bem aprudentado, trouxera na mala de guerra, para me defender desses males sanitários de África. Vim  a ter de, por volta de Janeiro/Fevereiro de 1976, usar umas injecções, justamente por causa de um paludismo chato que me interrompeu uma tardada de domingo.