segunda-feira, 2 de abril de 2012

1 242 - Os heróis, os desertores e os refractários...


Alferes Machado (2ª. CCAV) e capitão Castro Dias 
(1ª. CCAV.) no Escape, em Carmona (1975)

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JOÃO MACHADO
Texto


Há muita gente que diz que a nossa ida para Angola, principalmente depois do 25 de Abril, foi para beber uns copos e pentear macacos. É verdade, amigos!!! E para prová-lo junto fotografias “a beber uns copos” e a pentear macacos (com rabo, como podem ver na foto). 
Porque não? 
Nunca devemos é deixar de dizer alto e em bom som “EU CUMPRI O MEU SERVIÇO MILITAR “ e quem conhecer este bocadinho de espaço – Cavaleiros do Norte – onde vamos recordando algumas “traquinices” daqueles tempos, deverá ficar no mínimo na dúvida “Mas quem são (ou quem foram) aqueles putos? ”. 
Sim, éramos miúdos, na maioria com 22/23 anos, com uma G3 nas “unhas”, com 100 munições 7,62 mm (20 na arma e 80 à cintura), mais duas granadas defensivas, e duas ofensivas, e alguns ainda traziam uma no dilagrama, e uma faca de mato. Não esquecendo os 3 ou 4 soldados que levavam as HK21, duas em regra com morteiros 60 I e um lança granadas. Tudo com as respectivas munições, é claro. Assim equipados andamos por terras do Norte de Angola. 
Era moda na altura e nós andávamos na moda, porque não? Mas tudo isto era verdadeiro, não eram espingardas, balas e granadas de plástico, que se compram nas feiras. 
A nossa actuação até foi motivo para conversa entre algumas patentes militares e políticas quando abordavam o tema, na altura também na moda, DESCOLONIZAÇÂO. Tudo o que andamos a fazer foi só por um motivo. Sabem qual foi? “JURAMOS A BANDEIRA PORTUGUIESA” e como Portugueses, comprometemo-nos a cumprir até ao fim esta brincadeira.
Mas, amigos e camaradas, não podemos é continuar a encobrir e a esquecer os heróis que fugiram, com o rabo entre as pernas, para fora do país. Onde estão os chamados então de refractários e desertores? Alguns até podemos saber quem são, outros andam encobertos, mas seria óptimo publicar esses nomes para os portugueses conhecerem. Escrevê-los mesmo num monumento, perto da Torre de Belém (em Lisboa), com os nomes dos que morreram em combate. 
Aproveitava-se, assim, a guarda de honra de um, para guardar o outro. Como é que alguém pode desempenhar altos cargos de uma Nação quando, justa ou injustamente, virou a cara ao juramento da bandeira, mais alto símbolo dessa Nação? 
Pode ser que as referidas palavras – refractário e desertor – com o novo acordo ortográfico, já tivessem sido abolidas dos dicionários de Língua Portuguesa, quem sabe? Mas a Bandeira ainda é a mesma.
Um abraço.
João Machado

1 comentário:

A-Verdadeira disse...

Ora nem mais!

Conforme há o Monumento ao Combatente, deveria haver o monumento ao desertor e a todos aqueles militares que deixaram limpar o cú à bandeira portuguesa.

Não calcula o gozo que me dava poder lá ir fazer um xi-xi em cima, ou quiça mais qualquer coisa.

Adorava!