A Igreja do Quitexe em 2008ALBINO CAPELA
Texto
Recordo bem os motivos que me levaram de Luanda para o Quitexe. Seria uma espécie de degredo, mas não o foi. Desde logo, fiquei encarregado da Missão Católica do Quitexe, que compreendia a área do Quitexe, Aldeia Viçosa e Vista Alegre.
Perante área tão grande, procurei organizar a minha actuação, do ponto de vista religioso. Celebraria sempre no Quitexe e depois iria a Aldeia Viçosa e Vista Alegre. Aqui começou o bom e o bonito. Para ir a Vista Alegre, era preciso escolta militar e eu desconhecia tal coisa. Cheguei ao controlo, em Aldeia Viçosa, e o soldado que estava de serviço disse-me que não podia passar e eu..., cheio de pena porque tinha trabalho em Vista Alegre, fui falar com o Comandante da Companhia e ele dispensou-me imediatamente um Unimog, ou dois, com muitos soldados. Ia no meu carro e pensava: "Sou uma pessoa importante, até vou com escolta"...
Depois aprendi a mentir (um padre a mentir!!!!...), como qualquer outro camionista, e lá passava livremente até Vista Alegre. Qual era a mentira? "Vou para a Fazenda Madeira e Marques...». Mas como todos os camionistas diziam que iam para lá, os soldados comentavam: "Madeira e Marques deve ser uma grande cidade".
Devo esclarecer que Madeira e Marques era (ainda é?) uma fazenda de café muito bem organizada e orientada pelo seu gerente, o Zé da Madeira e Marques. E agora as recordações vêm-me em atropelo: este Zé, grande amigo, bem como a família, veio a morrer em Luanda, em circunstâncias muito difíceis de esclarecer. Mais tarde, soube que a sua esposa estava em Alijó, funcionária dos CTT. Para ela, se me está a ler, um grande beijo do Padre Albino. Era assim que eu era conhecido.
Gostava imenso das pessoas do Quitexe e, quando digo Quitexe, quero dizer Quitexe, Aldeia Viçosa, Vista Alegre e Cambamba. Sempre fui muito bem recebido por toda a gente. Quando ia celebrar missa a uma sanzala, os nativos faziam uma festa: cantavam, dançavam, tocavam batuque. E nesse dia sabia-se que havia churrasco na casa do soba.
No Quitexe propriamente dito, na Vila do Quitexe, falava com toda a gente (era tão pouca!...) e mantenho ainda contactos com algumas pessoas que de lá vieram. Gostava imenso de receber na minha casa "os tropas" e lá falávamos de tudo. Era bons momentos, que não se podem esquecer. A todos estes momentos - contacto com as gentes, com os fazendeiros, como pessoal das fazendas, com os nativos das sanzalas, etc... - voltarei, se Deus quiser nos "próximos capítulos".
ALBINO CAPELA
ALBINO CAPELA. Padre do Quitexe
no tempo do BCAV 8423
Algumas vezes assisti às missas do padre Albino que eram muito reconfortantes para mim, que era e sou católico e quando entrava na capela me sentia em casa, gostava de ouvir as palavras do padre Albino, uma coisa que me impressionava era a devoção dos negros...
ResponderEliminarcavaleiros do norte,que o dia 12-09-09 seja um convivio alegre e muito participativo.
ResponderEliminarbem hajam.
césar b/cav 1917
O encongtro foi magnífico, o Viegas não deixa as coisas a correr, põe-as ele a correr!
ResponderEliminarLuís
Gostei de rever o padre Albino.São
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