terça-feira, 19 de abril de 2011

Os primeiros incidentes militares em Nova Lisboa...

Escola de Aplicação Militar de Angola, em Nova Lisboa (anos 60). Em baixo, furriel Viegas de férias nesta cidade (em 1975), com madrinha Isolina Neves




A 19 de Abril de 1975, andava eu por Nova Lisboa em angolanas férias, desfrutando (com o Cruz, o furriel) do cosmopolitismo de uma cidade que Norton de Matos quis fazer capital de Portugal, e, pelos uíges da nossa tropa, repetiam-se incidentes entre militantes armados do MPLA e da FNLA.
Lá pelo planalto huambino, tudo, porém, parecia um paraíso e por um destes dias avantajei-me em petiscadela que meteu moelas e moambas, no bar-restaurante que o Lando tinha nas imediações do da Escola de Aplicação Militar de Angola e do RI21, ao Bairro de Santo António. E falou-se do movimento revolucionário que incendiava Portugal, das consequências da próxima independência de Angola e de como, nesse quadro, seria a vida dos portugueses - os brancos! Estranhamente, para mim, toda a gente tinha uma enorme confiança e nada de cultivar preocupações quanto ao futuro.
O sul de Angola, na verdade, estava livre de problemas, não havia guerra, que era «coisa lá dos gajos do norte» - da zona do café, do Uíge, nos Dembos, no  Leste, embora o sangue já há muito regasse as ruas de Luanda e outras cidades. Eu mesmo vivi esse clima de paz sulista, nas viagens de milhares de quilómetros que se faziam sem necessidade de qualquer segurança  - de Luanda à Gabela, a Nova Lisboa, ao Lobito, a Benguela, a Novo Redondo, Sá da Bandeira e Moçâmedes. Ou a Carmona, a Salazar. 
Mas num destes meus dias de Nova Lisboa registaram-se os primeiros primeiros incidentes e uma turba de angolanos armou escaramuça na avenida da República, pertíssimo do Ruacaná - onde eu fui ao Cinema, com minha madrinha Isolina.E no bairro de Santo António, perto do RI 21 e da Escola Prática Militar de Nova Lisboa. Foram um «aviso» para o que se seguiria nos meses seguintes, pelos julhos e agostos fora, setembros e outubros de muitas dores, na guerra civil que arrasou a cidade e muitas outras.
- LANDO. Orlando Tavares Rino, conterrâneo que era comerciante em Nova Lisboa -no Bairro de Santo António. Reside e trabalha em Rio Grande (Brasil).
- ISOLINA. Maria Isolina Pinheiro das Neves, já falecida e ao tempo viúva de meu padrinho Arménio Pires Tavares, vítima de acidente no Dondo e sepultado no cemitério de Gabela (Angola).

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Memória do Alferes Garcia em Pombal de Ansiães


 
Cruz, o nosso alferes das mecânicas e dos autos, foi este fim de semana  em romaria de saudades até Pombal de Ansiães e por lá buscou memórias de Garcia. Não lhe era difícil, por lá andou a «mais que tudo» dele, no último quartel dos anos 70, em medicina de periferia, e por lá conheceram ambos gente do sangue e da alma do (nosso alferes) Garcia.
Garcia, o alferes Ranger, de resto, por lá lhe arranjara (nesse tempo) acomodação em casa de gente amiga e por lá andou Margarida, flor de primavera do coração de Cruz, a medicinar o povo de Ansiães.
Cruz estivera, de resto, com (o alferes) Almeida) no dia de amores maiores de Garcia, embriagado em banhos de amor com a sua Olga - no dia do casamento - e não lhe seria difícil por lá achar gente do seu sangue. A terra não é grande, Pombal de Ansiães! A família é conhecida. Gente agarciada apareceria. E apareceu!
E não é que o destino, ai o destino!!..., não é que o destino por lá cruzou e aproximou emoções e afectos e  juntou Olga, de férias pascais e precisamente no fim de semana de ontem? Pois assim foi!

O dia de ontem, de resto, era de festa na ARCPA, que o nosso Garcia fundou - com prova de vinhos a que se juntaram (o alferes) Cruz e Margarida (sua «mais que tudo»), degustando os néctares afrutados e adamados dos produtores da terra. Orfeonistas da Universidade de Bragança animaram a prova e, por isso ou por aquilo, toda a gente de Pombal se encontrava reunida na associação. E por lá se achou Olga Garcia.
Conta (o alferes) Cruz:
«Falei com ela e com familiares e amigos e foi muito grato para mim ver como ele deixou boas recordações e como a sua falta continua a ser muito sentida».

Um dia, já depois do inesperado desaparecimento de Garcia, nos anos 80, por lá passei eu, por casa dos pais (com eles conversando) e pela frente da associação - dele nos falando as pessoas como se ele por ali estivesse a ouvir a conversa e a rasgar aquele infinito sorriso juvenil que lhe embebecia o rosto atransmontado. E daquela gente ouvi, em conversa de rua, a melhor homenagem que pode ter quem parte: a palavra de saudade, o elogio da memória,  a alegria de o ter e lembrar como amigo e homem bom.
Diz-me (o alferes) Cruz que, por todos nós, por todos os Cavaleiros do Norte que dele fomos amigos e companheiros em Angola, deixou um ramo de flores no seu jazigo do cemitério de Pombal de Ansiães.
Até um destes dias, amigo!
- GARCIA. António Manuel Garcia, alferes miliciano de Operações Especiais (Rangers), comandante do PELREC. Natural de Pombal de Ansiães (Carrazeda de Ansiães), era inspector da Polícia Judiciária quando faleceu, vítima de acidente de viação, a 2 de Novembro de 1979.
- CRUZ. António Albano Araújo de Sousa Cruz, alferes miliciano Mecânico-Auto, comandante do respectivo pelotão. Engenheiro, natural e residente em Santo Tirso.
- ARCPA. Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães, fundada por António Manuel Garcia. A foto de acima foi ontem tirada por António Albano Cruz, na sede da ARCPA - que, com ela, homenageou o seu sócio-fundador nº. 1.

domingo, 17 de abril de 2011

O Pelotão de Morteiros 4281partiu há 37 anos

Valdemar e Pagaimo (em cima) e alferes Leite, comandante
do Pelotão de Morteiros 4281 



O Pelotão de Morteiros 4281 foi nosso companheiro da jornada quitexana e chegou a Luanda a 17 de Abril de 1974 - hoje se fazem 37 anos!  Era comandado pelo alferes Leite, açoreano que agora faz a vida pelos Estados Unidos. Com os furriéis Pires e Costa. O inimitável Costa! O pelotão «acampou» uma semana no Campo Militar do Grafanil, nos arredores de Luanda, antes de galgar os 320 quilíometros que, em estrada de asfalto, os levou até ao Quitexe - onde encontraram o Batalhão de Cavalaria 4211 como anfitrião. E anfitrião seria do Batalhão de Cavalaria 8423, que o rendeu a 6 de Junho do mesmo ano de 1974.
O Pelotão de Morteiros acamaradou com os Cavaleiros do Norte na guarnição do Quitexe - onde partilhou espaços, dividiu serviços e multiplicou companheirismo. Abandonou a vila a 20 de Dezembro de 1974, indo para Carmona - onde cumpriu comissão até Março seguinte, qundo partiu para Luanda e se voltou a instalar no Grafanil, antes de regressar a Lisboa.
Registe-se o favor, agradabilíssimo, de o Pelotão de Morteiros 4281 tão ter registado quaisquer feridos ou mortos na sua campanhaha angolana.
Ver AQUI.
E AQUI.

sábado, 16 de abril de 2011

Palestras sobre as eleições para a Assembleia Constituinte de 1975


A 16 e 23 de Abril de 1975 realizaram-se, em Carmona e no BC12, palestras sobre as primeiras eleições pós-revolução de 1974. As eleições para a Assembleia Constituinte. A ideia era preparar o pessoal militar para o acto de voto, no qual naturalmente, todos se iam estrear. De Portugal, pelo correio pessoal e pela leitura do Jornal de Notícias e do Expresso, chegavam informações que nos confundiam.
«Como é que correu isso por aí?», perguntei eu ao Neto, em telefonema combinado - feito a partir de Nova Lisboa e para a messe de sargentos do Montanha Pinto (anteriormente de oficiais), que dispunha de telefone da rede civil. 
«Ó pá, estiveram para aí uns gajos a matraquear, foi só paleio, democracia, liberdade, não sei mais o quê... acho que a malta não ligou muito», disse-me o Neto, mais preocupado, isso sim, com o aumento de patrulhamentos mistos na cidade e nas vias de acesso. «Anda malta por aí a dar o berro!!!...». 
A campanha eleitoral começara no dia 2 de Abril e, por Angola, vinha de dias antes (8 de Abril) um novo acordo de cessar fogo, entre os três movimentos nacionalistas angolanos, que, a exemplo de outros - antes e depois... -  também não foi respeitado. O Alto Comissário acusou o MPLA de ser o principal responsável por entregar indiscriminadamente armas a civis. O MPLA pediu a demissão do Alto Comissário. Era o almirante António Silva Cardoso, que tomara posse a 28 de Janeiro de 1975 e cessou o mandato a 2 de Agosto do mesmo ano. Sucedera António Alva Rosa Coutinho e foi interinamente sucedido por Ernesto Ferreira de Macedo. Este, por sua vez e logo no dia 26, foi sucedido por Leonel Cardoso - o último.

Em Lisboa, a 16 de Abril desse 1975 que lá vai, o Conselho de Ministros decidiu «expropriar, no sul do país, as propriedades de sequeiro de área superior a 500 hectares e as propriedades rústicas de área superior a 50 hectares». Começava a reforma agrária.
Por Nova Lisboa, onde passeava férias com familiares e amigos, o meu «aviso» aumentava: «Vão-se embora!...». Não fui ouvido pelos  Neves Polido. Nem por qualquer dos conterrâneos que por lá faziam pela vida.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Alguma malta dos furriéis da Companhia de Zalala



Pinto, Velez e Rodrigues (furriéis), 1º. sargento Panasco e  (furriéis) Queirós, Vitor Costa (em pé), Aldeagas e Nascimento (sentados)


ZALALA, Bar dos Sargentos, tempo de alaguma folia nos meados de guerras.
O Pinto foi meu companheiro em Lamego, depois em Santa Margarida e Angola, eu na CCS, ele na 1ª. Companhia. Um bom camarada, sempre pronto a participar nas horas difíceis e de perigo, ou num convívio no bar, sempre da mesma forma. O Rodrigues fala-nos aqui destes Cavaleiros de zalala.
- VELEZ: Chegou mais tarde à 1ª. Companhia, cheias de ideias e autoridade. Ficou no quarto do Pinto - que tratou de o «adaptar» ao ambiente zalaliano. Deu-lhe a volta e reparem no que o transformou: um bom camarada como o ele (o Pinto, tipo pirata) mas sempre com respeito com os mais velhos.
- RODRIGUES:  É evidente que eu não sabia tocar viola, mas naquela Zalala toda a gente tocava e, em cada reabastecimento, os  furriéis sabiam que tinham que trazer cordas para a viola. Um dia, morreu (a viola) numa briga, neste bar e na cabeça de furriel. Nunca mais foram precisas as cordas e nunca mais tivemos viola na Companhia.
- PANASCO: 1º. Sargento Alexandre Panasco. Fomos muito impertinentes com ele. A diferença de idade era muita e não sabíamos o que era ter filhos e, por isso, não reconhecíamos os seus sentimentos. Mas sempre o tratámos com o maior respeito. Hoje, percebemos bem o seu ar ausente e de sofrimento, por estar afastado da família.
- QUEIRÓS: O homem da cantina e de Braga, meu camarada de quarto.
- COSTA: Foi um professor, em Zalala, à noite e na cantina, para os soldados poderem fazer a 4ª. classe, porque eram muitos que não tinham essas habilitações.
- ALDEAGAS: Forcado de touros alentejanos, um potencial de força física e bom camarada.
- NASCIMENTO: Vago-mestre, o «sempre complicado» a fazer contas ao "rancho". Quase nos matou com a ementa persistente de arroz de tomate e carapau pôdre.


- PINTO: Manuel Moreira Pinto, furriel-miliciano de Operações Especiais (Ranger´s). Natural de Penafiel e residente em Paredes, onde é empresário do sector automóvel. Ver AQUI.
- VELEZ. Vitor Manuel da Conceição Gregório Velez, furriel miliciano atirador de cavalaria, empresário em Lisboa. Ver
AQUI
- RODRIGUES. Furriel miliciano atirador de cavalaria, natural e residente em Famalicão.
- PANASCO. Alexandre Joaquim Fialho Panasco. 1º. sargento de cavalaria, responsável pela secretaria da 1ª. CCAV. 8423.
- QUEIRÓS. Furriel miliciano atirador de cavalaria, natural e residente em Braga, aposentado. Ver AQUI.
- COSTA. Vitor Moreira Gomes da Costa, furriel miliciano atirador de cavalaria, natural e residente em Lisboa.
- ALDEAGAS. João Matias Mota Aldeagas, furriel miliciano atirador de cavalaria, residente em Estremoz.
- NASCIMENTO. José António Moreira do Nascimento, furriel miliciano de alimentação.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Cavaleiros do Norte reforçados com Caçadores do 5015


Avenida Portugal, em Carmona (em cima) e guião do BACÇ. 5015 (em baixo) 


A 13 de Abril de 1975, andava eu por terras do Huambo, laureando-me em férias com o Cruz, e por Carmona as coisas conflituavam-se. Os incidentes que se multiplicavam por Luanda e Salazar chegaram em resssaca à capital do Uíge e neste dia 13, que não era 6ª.-feira de azar, mas um domingo, a FNLA e o MPLA puseram-se a fazer contas de arma em riste e a disparar para cima de tudo o que se mexesse e lhe cheirasse a inimigo. E os inimigos eram eles próprios, angolanos contra angolanos.
Interveio a tropa, para fazer parar uma acção de fogo entre militantes armados dos dois movimentos e as coisas serenaram. Mas, para o desse e viesse - e por causa dos patrulhamentos mistos que então já se faziam e tantos arrepios nos pregaram... - entendeu o comando da ZMN reforçar temporariamente a guarnição do BCAV. 8423. Assim, a 14 de Abril de 1975 - hoje se completam 36 anos!!! - chegou ao BC12 um grupo de combate do Batalhão de Caçadores 5015. A 16, um outro, da 3ª. CCAV. 8423, a que estava no Quitexe e já antes jornadeara por Santa Isabel.

Outra razão operacional se juntara, por esta altura, ao serviço dos Cavaleiros do Norte: os patrulhamentos de longo curso, protegendo o tráfego rodoviário da estrada do café (para Luanda) e para o Songo e Negage - onde se localizava a base aérea.  A actividade era intensa e levedavam preocupações aos comandos militares portugueses. Não se podia evitar «apagar estes fogos» reais (e mortais, em muitos casos) e, ao mesmo tempo, fazer patrulhamentos e garantir a segurança pública de Carmona. Porque a guarnição era curta.
«Não se podia deixar a cidade inactiva», lê-se no Livro da Unidade. Mesmo assim, lá se ia consegindo «alguma situação de calma fictícia é certo», mas, como sublinha o LU, uma calma que permitia «um dia a dia mais ou menos estável». 
- ZMN. Zona Militar Norte.
- BCAÇ 5015. Batalhão de Caçadores 5015. Tinha CCS na Damba e aquartelamentos no Chimacombo (1ª. Companhia), Mucaba (2ª.) e Quivuenga e Cachalondo (3ª.). Por esta altura, ja parte do batalhão estava em Luanda, no Grafanil, para regressar a Portugal.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A visita de António Albano Cruz à terra de Garcia


O alferes Garcia, no BC12, em Carmona (BC12), com Ricardo,
filho de alferes Cruz ao colo

O próximo fim de semana vai ser muito especial e é com alguma emoção que o vejo aproximar-se, pelo que não resisto à tentação de vos falar sobre ele. Será passado em Carrazeda de Ansiães e, porque não arranjei onde dormir em Pombal de Ansiães, vou ficar num turismo rural bem perto.
Foi em Carrazeda que a Margarida fez o serviço médico à periferia e onde, por esse motivo, passei alguns fins de semana bem agradáveis. Mas o que nos leva lá não é recordar apenas as gentes e a terra daqueles tempos e alguns dos bons momentos que lá passámos. É, sobretudo, recordar e prestar uma pequena homenagem ao nosso companheiro e amigo António Manuel Garcia (alferes do PELREC).
Vou levar comigo algumas fotografias, sendo uma delas do seu casamento em Pombal de Ansiães, para o qual tive a honra de ser convidado, com o também nosso companheiro alferes José Alberto Almeida. Com certeza que alguém se lembrará dele e dele me poderá falar.
Soube pelo nosso blogue que deixou uma filha e que esta já lhe deu um neto. Espero vir um dia, na melhor oportunidade, a transmitir-lhes pessoalmente quanto o apreciávamos e a amizade que sempre cultivou com todos nós.
ANTÓNIO ALBANO CRUZ
Alferes miliciano do BCAV. 8423
- MARGARIDA. Margarida Cruz, médica,
esposa do alferes Cruz e contemporânea
no Quitexe e Carmona.
- POMBAL DE ANSIÃES. Terra de naturalidade do
alferes Garcia, município de Carrazeda de Ansiães.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Andarilhanças e afectos familiares por Nova Lisboa...


A 12 de Abril de 1975 já eu andarilhava por Nova Lisboa (foto), com o Cruz - instalados no familiar Hotel Bimbe, da prima Cecília e do Rafael. Voarámos num avião da TAAG e lá chegámos em menos da duas horas.
Eu já fizera a viagem para a Gabela (em Setembro e em trânsito para o Huambo), em boleia num Toyota de amigo do Albano Resende e já não estava pelos ajustes de uma viagem de mais de 500 quilómetros, num machimbombo da EVA. Lá fomos de avião.
Ao meu jeito, não me fiz anunciar e como na altura usava barba crescida (por lá posta abaixo, em barbeiro perto do Ruacaná), não me conheceu o Rafael, quando chegámos de táxi, e fez-nos anunciar como dois clientes, para a «madame» Cecília.
Olha que dois clientes!!!
O projecto era, e foi, por lá veranear uma semana e depois, de comboio, seguir para Benguela - onde o Cruz tinha família. E assim foi.
Nova Lisboa era a segunda maior cidade angolana e para ela chegou Norton de Matos a projectar a capital de Portugal. Era uma cidade cosmopolita, bem desenhada, desenvolvida, bonita, atraente, cheia de vida e de amigos meus. Por lá faziam pela vida, além de Cecília e Rafael (com os quatro filhos e minha madrinha Isolina,a avó materna da casa), também os primos (de meu pai) Manuel, Aníbal e José (Mau), dois dos três filhos do tio Joaquim Viegas (Sérgio e Ivone), os conterrâneos Orlando e Paula (com os filhos) e os pais desta (Figueiredo e Leontina). Também Zulmira e o marido (Miranda), com os filhos Óscar e Nelson. Uma filha de Manuel Costa e outra de Óscar Matos. Não os cheguei a visitar a todos. Não deu tempo!
O Bimbe já fora de Armando Reis, outro conterrâneo. E por lá fazia pela vida  muita outra gente de terras de Águeda!
Foram gratificantes os dias de Nova Lisboa, no embalo do afecto e conforto familiares e de amigos. Dias de conhecer um mundo que ia muito para além do que sabia ou imaginava um miúdo, como eu, que ia de uma aldeia como a minha. As duas vezes que estive em Nova Lisboa davam para muitas histórias. Com saltadas a Silva Porto (onde morava a prima Ondina), à Caala, ao Alto Hama. Nova Lisboa era um  mundo, em grande!
- EVA. Empresa de Viação de Angola.
- MACHIMBOMBO. Autocarro, em Angola.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O companheirismo solidário da guarnição de Zalala


ZALALA ficava para lá de alguns mistérios e perigos, à distância da saudade e do companheirismo que se levedava entre os Cavaleiros do Norte. Era assim a vida de um militar. A de todos os militares,  de todas as guarnições.
A solidão da Zalala era «combatida», no dia-a-dia, pela solidária camaradagem que o capitão Castro Dias por lá semeava e empolgava. Ele, professor e futuro sindicalista, que era homem de lutas e de combates, um miliciano militar que assumia na alma as dores e os sacrifícios dos seus homens - que eram filhos de tantas mães e gente de tantos génios.
A camaradagem fomentava-se por Zalala e a foto do (furriel) Rodrigues vem aqui recordar alguns dos elementos do 1º. Pelotão (ou Grupo de Combate) da 1ª. Companhia, do qual ele fazia parte e que operava segundo as ordens e instruções transmitidas pelo comando, nas mais variadas missões.
Nomes?...
«Ó pá, eu gostaria imenso de os recordar, mas olho-lhe a cara e conheço-lha, mas tá quieto quanto a nomes. Só com uma consulta minuciosa a alguns parcos registos que possuo, isso seria possível», disse-me o Rodrigues, através destas modernidades que são os correios elctrónicos de hoje.
O rosto de alguns, não lhe escapa: «O furriel Louro, o enfermeiro, o radiotelegrafista, o Bigodes, o Bolinhas, o Barbeiro, o 1º. Cabo Maria, que era natural de Angola», recorda o Rodrigues,  todos considerando «bons e corajosos camaradas».
«Mando-lhes um forte e grande abraço.Para todos, para todos...», diz o Rodrigues, furriel de Zalala.
Hoje, mas há 36 anos, o comandante Almeida e Brito visitou a CCAÇ. 4741 - estacionada no Negage. Preparava-se nova rotação de tropas, na província do Uíge e eu, em Luanda, preparava malas para viajar até Nova Lisboa. 

domingo, 10 de abril de 2011

Os dias de Luanda e a procura de Benedita e Mário



Os meus dias de Luanda, na primeira semana de Abril de 1975, foram vividos entre a folia de quem chegava a uma grande metrópole e, de férias, nela levedava entusiasmos e satisfazia apetites. E, no caso, também a ansiedade de não encontrar um casal conterrâneo: Mário e Benedita, pais da Fernanda, rapariga do meu ano, família civil que morava em Luanda.
Há dias, aqui falei de um telefonema feito em 2ª. feira de Páscoa, de Luanda para a vizinha Celeste (que já se foi deste mundo), a querer falar com minha mãe. Mas não disse do pedido dela (Celeste), para tentar encontrar a encontrar a irmã Benedita - de quem não tinha notícias, já fazia tempo - andando os pais muito preocupados. Não foi fácil tarefa, nem agradável. Eu sabia onde eles moravam, já lá tinha estado e na casa deles me tinha estreado no sabor do caril. Só que quando os procurei, não os encontrei e o bairro tinha sido alvo de alguns bombardeamentos, na fraticida guerra entre os movimentos. Era muito tensa a relação entre eles, discutida a tiro, à morteirada, à bazocada.
Fiquei alarmado. A casa tinha ar de ter sido assaltada, nada de os localizar, nem vizinhos que por ali apareceram me souberam dizer alguma coisa sobre a família.
Procurei o Mário na Sacor, mas também nada soube dele. E deles eu sabia, que não era intenção voltar à metrópole. O que se passaria? Poderia procurar a Fernanda, a filha. Mas onde é que ela morava? A sorte foi nesse dia ter encontrado o Albano Resende, que me deu nota do pouso deles e, para me anestesiar a ansiedade, me levou à fala com o Mário.
Mais tarde, em Agosto, bem mais dramática seria a minha procura do paradeiro do mesmo casal - que hoje, e desde 1975/76, aqui mora a uns 400 metros de minha casa. Já na casa dos 80 e tal anos.
Ver AQUI

sábado, 9 de abril de 2011

Cavaleiros do Norte, 2 anos!, 826 postagens!, 203 360 visitantes!

A 9 de Abril de 1975, laureava eu o queijo por Luanda - em angolanas férias, com o Cruz. Um ano antes, jornadeava pelo Campo Militar de Santa Margarida e em 1973 estava a duas semanas da incorporação militar que me levaria por Santarém (recruta na Escola Prática de Cavalaria) e Lamego (Centro de Instrução de Operações Especiais, onde me fizeram Ranger, para  o que desse e viesse da guerra), antes de chegar ao RC4 santa-margaridense, a unidade mobilizadora, e de partir para Angola.
Há dois anos, em 2009, fiz «nascer» este blogue - com o post que reproduzo na imagem.
Se me perguntassem nesse dia se a este chegaria, o de hoje, com actualizações diárias, garantiria que não! Não teria quaisquer dúvidas!
Mas, afinal, é o que tem acontecido. Todos os dias.
Este post é o nº. 826. Post 826 e outras tantas histórias. Nalguns casos, mais de uma por dia!
Hoje, que faz dois anos e até este momento, o blogue já teve cerca de 250 entradas.
De países tão diferentes como Portugal (131), Brasil (13), França (15), Macau (2), Estados Unidos (2), Espanha (2), Ucrânia (1), Eslovénia (4), África do Sul (2), Dinamarca (2), Alemanha (8), Holanda (6), Canadá (7), Suíça (22), Angola (27), entre outros. Suponho que serão, para além de Cavaleiros do Norte, muitos quitexanos - militares ou civis, por uma qualquer razão.
O Cavaleiros do Norte foi visto 203 360 vezes.
Obrigado aos que têm colaborado: ao tenente Luz (agora capitão aposentado), aos amigos Cruz, Almeida, Ribeiro e Machado (alferes), Neto, Monteiro e Pires (Bragança), Belo, Dias, Rodrigues, Reina e Fernandes (furriéis), ao Tomás e ao Buraquinho (1ºs. cabos). E ao dr. Albino Capela. A quitexanos de campanhas anteriores: Fonseca (Casal), Patriarca, Lapa e César. E a todos quantos, de uma ou outra formas, me tem feito chegar elementos de memória da nossa jornada de Angola. Sem querer, mas podendo esquecer algum, a todos um grande, grande obrigado quitexano.
O Cavaleiros do Norte é de todos!
Um abraço para todos!
C. Viegas
Ver AQUI

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A casa do capitão a arder...

Bandeira Portuguesa hasteada no Quitexe, na porta d´armas. O edifício, à direita, era o do comando e para trás ficavam as casernas, as oficinas e a parada


O içar da bandeira era, naturalmente e como nos restantes aquartelamentos, um acto diário lá para os lados do Comando militar do Quitexe. Ali, muitas tarefas já devidamente delineadas, eram transmitidas a todos os grupos e secções que compunham a CCS.
Não o digo com perfeito conhecimento de causa, até porque, valha a verdade, não terei constado das formaturas no Quitexe mais de duas ou três vezes. E só fui quando obrigado, como todo o pessoal das transmissões. Dizia-se que eram quase sempre momentos de alguma tensão, cada um a perguntar aos seus botões o que iria ser transmitido naquele dia. Além da saga de avisos, reparos e ameaças do nosso saudoso capitão e Comandante da CCS, temia-se sempre que mais alguma má novidade houvesse para transmitir – e más novidades não nos “faltavam” ultimamente.

Numa das últimas vezes que se reuniu toda a Companhia, não assisti por me encontrar de serviço, no posto de rádio. Estávamos quase em vésperas de partir para outras paragens, quando o Comandante de Batalhão entendeu fazer um balanço do que tinha sido a nossa prestação, mas também avisar-nos do que nos esperava na zona do Ambrizete. O discurso de quem tinha o leme do Batalhão terá sido muito emotivo, principalmente quando falou nas dificuldades que tínhamos encontrado no terreno, salientando o querer férreo dos seus homens.
Como disse, eu não estava lá, mas estava o capitão Franco, o oficial de operações do batalhão, hoje coronel reformado. Com ele cavaqueei demoradamente na passada semana, sobre peripécias do dia a dia no Quitexe, algumas até hilariantes. Outras, seguir-se-ão dentro de dias, como ficou apalavrado.
No dia do discurso de que dou conta, e que terá durado cerca de meia hora, logo que a Companhia “destroçou” abeirou-se dele, muito ansioso, o «Menino Jesus», atirador do «pelrec»: «Meu capitão, meu capitão, dá licença… a sua casa está a arder”! Intrigado ficou o capitão por este só lhe dizer quando a Companhia “destroçou”! E lá correu Quitexe acima, aflito, porque na casa moravam mulher e filha. A rápida intervenção de alguns civis que por ali andavam já tinha posto fim ao incêndio, que felizmente não passou de um susto.
E como é que o “Menino Jesus” sabia?! Sabia porque um civil lhe deu o recado mas o Comandante da CCS não o deixou transmitir, proibindo a sua entrada no gabinete de operações, área reservada, ordenando-lhe que seguisse imediatamente para a formatura!
«E sem conversa...», gritou, apontando-a com o pauzinho de que não se separava!
E quando aquele homem dizia «sem conversa»… ai de quem se atrevesse a mais uma palavra! Ainda hoje, apenas meia dúzia sabe que Amadeu era a sua graça, e todos se referem a ele como o «sem conversa». Era o RDM em pessoa, mas nós até temos saudades dele! Temosm, sim senhor! E até da idade que tínhamos quando nos aplicava o Regulamento Militar!
ANTÓNIO FONSECA

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Zalala, a mais rude escola de guerra !!!


ZALALA. Entrada do aquartelamento, pela altura da entrada da 1ª. CCAV. 8423, a 7 Junho de 1974. «Fomos recebidos por uma mensagem de boas vindas, escrita no muro da entrada», conta o (furriel) Rodrigues.
E o que se lia na mensagem? Pois bem, lia-se isto: «Zalala - a mais rude escola de guerra».
A mensagem já há muitos anos lá estava escrita e muitos receios e constrangimentos terá criado a muitos dos que por lá jornadearam em missão militar. «O que me lembro, desse dia de chegada, depois de pela primeira vez termos passado pela picada do Quitexe a Zalala e de contarmos as cruzes das pessoas mortas no seu percurso, de termos tido o nosso primeiro contacto com aquela famosa Baixa do Mungage, foi de olharmos com frieza para a mensagem», agora nos disse o Rodrigues, espraiando a memória pelas «quantas histórias que posteriormente se passaran na picada».
Naquele 7 de Junho de 1974, dia de chegada a Zalala, "maçaricos" e sem qualquer experiência, os homens da 1ª. CCAV. 8423 ficaram apreensivos com tal recepção. «Apreensivos e a imaginar um futuro pouco promissor naquela terra do ninguém», conta o Rodrigues.
Pouco tempo mais tarde, o capitão Castro Dias mandou apagar a inscrição e pintar um cravo vermelho, à entrada do aquartelamento (como se vê na foto) e em todas as viaturas, tentando desse modo «retirar» o ar sinistro que Zalala transmitia. «Assim levantou o moral de quem lá teria de ficar em cumprimento das suas missões e por tempo indeterminado», sublinhou (o furriel) Américo Rodrigues.
 

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Férias em Luanda e a vida a andar no batalhão...


A 6 de Abril de 1975, foliava eu com o Cruz pelas noites e cios de Luanda, em abertura de férias bem vivas e vividas, quando por lá se registavam incidentes repetidos, entre os movimentos emancipalistas que, armados, se instalavam na cidade.
A ressaca chegou a Carmona e, como se lê no Livro da Unidade, deram «origem a que houvessem conflitos diversos» - e até acções de fogo, entre militantes armados da FNLA e o MPLA.
A este dia, há 36 anos - todos nós muito mais novos e menos carunchosos - foi o comandante Almeida e Brito de visita a Vista Alegre, onde se guarnecia a 1ª. CCAV. do capitão Castro Dias.
Almeida e Brito regressara dias antes à liderança do BCAV. 8423 (a 4 de Abril) depois de, interinamente, ter comandado a Zona Militar Norte (ZMN) e fez-se acompanhar dos capitães José Diogo Themudo (2º. comandante) e José Paulo Falcão (oficial adjunto, o de operações).
O intuito, não era surpreendente: preparar a remodelação do dispositivo militar dos Cavaleiros do Norte - que, ao tempo, já agrupava outras Companhias. Por exemplo, a CCAÇ. 4741. E outras.
Por Luanda, entre as mariscadas do Amazonas e da Portugália, uns saltos ao bacalhau do Vilela e bons almoços e jantares no Mutamba, Pólo Norte (foto) ou Paris Versailles, entre outros, a dupla de furriéis que fôra de Carmona, folgava em férias e a saciar apetites. E não faltaram cortesias dos amigos e conterrâneos que moravam na capital! A guerra urbana não matava a folia das férias, ou os calores das noites africanas.

terça-feira, 5 de abril de 2011

O Congresso da Oposição Democrática em vésperas de assentar praça

O 3º. Congresso da Oposição Democrática decorreu no Cinema Avenida, em Aveiro (1973)


Aos idos primeiros dias de Abril de 1973, em vésperas de eu assentar praça, realizou-se em Aveiro o 3º. Congresso da Oposição Democrática - entre os dias 4 e 8 e acontecimento, ao tempo, verdadeiramente surpreendente e que foi, e as palavras são minhas, um desafio à autoridade governamental de Marcelo Caetano.
O Congresso, sobre mim, exercia uma atracção notável, semeada pelo entusiasmo militante do Mário Rodrigues (aguedense da Aguieira), que era da minha idade e membro da Comissão Executiva. O Mário já estivera preso em Caxias, era nosso companheiro de lides jornalísticas e com ele partilhávamos (eu e outros) muitas ideias - muito oposicionistas, da parte dele, que foi militante e panfletário do combate ao regime de então.
A atracção era fermentada no material de propaganda que ele mesmo nos entregava e, depois, clandestinamente, distribuía por destinos que ele sabia. E eram fartas e bem vermelhas as suas homílias, em longas tardes na sede do Orfeão de Águeda, ou nas serras do Préstimo - como quando, por Janeiro desse ano de 1973, por lá andei a ouvir o povo que reclamava justiça, contestava a prepotência e injustiça dos serviços florestais, ou a falta da água, da luz, da estrada arranjada, do caminho sem buracos e lama, do telefone, de uma escola. E ele por lá me achou.
O Mário, na linguagem do tempo, era um revolucionário e isso pagou bem caro. Mas foi quem me atraiu (e ao Fernando Almeida) para a Aveiro irmos na  manhã de domingo de 8 de Abril de 1973. Daqui fomos de comboio, manhã cedo, e, avenida Lourenço abaixo, fomos sentindo o cheiro do congresso. Ainda chegámos à fala com o Mário e mal nos apercebemos do que iria acontecer - por o Governo Civil ter impedido a romagem a Mário Sacramento. Que a organização insistiu em realizar. 
Não vou aqui fazer a história do dia, mas é conhecida a carga policial que evitou a romagem. E que eu vi com os meus olhos.
Duas semanas depois, 23 de Abril de 1973, assentei praça!
O Mário continuou a sua saga revolucionária, caminhando o seu futuro político. Viria a ser candidato nas eleições de 1973 (a 28 de Outubro, já eu era 1º. cabo miliciano em Lamego), na lista da Oposição Democrática e, depois, foi quadro do PCP - qualidade em que dirigiu o jornal A Terra - sem que isso alguma vez melindrasse a nossa relação, ou nos tornasse cúmplices do que quer que fosse. Mais tarde, foi jornalista do Expresso e neste posto faleceu, por doença.
Sempre fomos amigos, em trincheiras diferentes! Ele contra a guerra colonial! Eu, aceitando a convocação, a inspecção, a instrução e a mobilização para Angola. A razão que nos faz luz de ideias neste blogue dos Cavaleiros do Norte.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Aldeagas, Rodrigues e Pinto, furriéis de Zalala em pose fotográfica...

Aldeagas e Rodrigues (de pé) e Pinto (de cócoras), furriéis
de Zalala. Entrada do aquartelamento (em baixo)



Zalala é lá para o meio da mata, por onde 1961 se encheu de sangue e de morte. Um sítio tramado, de violência e de medos, por onde esteve a 1ª. CCAV. 8423, do capitão miliciano Castro Dias. O comandante da guarnição que a Zalala disse adeus, a 24 de  Novembro de 1974.
Por lá me achei algumas vezes, principalmente em escoltas e pelo menos uma vez para uma saída operacional. Sempre por lá respirei franca camaradagem.

Agora, o (furriel) Rodrigues manda-me uma foto com, como ele diz, «os marados de Zalada». Isto não tem ofensa e aqui faço memória destas três caras, minhas fazendo as palavras do Rodrigues:
O Aldeagas, furriel miliciano atirador, à esquerda e em meio de serviço, com o seu ar alentejano e com a calma e experiência de forcado de touros.
O (furriel atirador) Rodrigues, à direita (de serviço, por ordem de serviço).
O furriel Pinto, de operações especiais e que, nesse dia da foto, sem ter nada para fazer, resolveu fumar um cigarro, meter uma faca de mato, calçar botas e, em tronco nu, enrolar o pano da poeira da picada no pescoço, meter o cinturão sem granadas e dar um contributo para a boa relação de camaradagem que se multiplicava em Zalala.
Ver AQUI. E AQUI.
E AQUI. E AQUI. E AQUI.

domingo, 3 de abril de 2011

Os dias de Abril em Luanda de 1975

Vista nocturna da baía de Luanda

Os dias de Carmona ficaram para trás e lá fui eu e o Cruz, de Nordatlas, em voo de Carmona para Luanda - onde chegámos a um fim de tarde de domingo de Páscoa de 1975 - era dia 30 de Março. Levávamos programa feito, com viagens que nos levariam ao sul - eu querendo surpreender familiares e amigos em Nova Lisboa, ele em Benguela. E eu ainda no Lobito, por onde, em quartel de  praia, fazia tropa o Zé Pimenta - de Macinhata do Vouga e meu companheiro de escola comercial.
Os dias de Luanda, antes da partida para o sul, foram um tempo imensamente vivido, laureando o queijo entre o Mussúlo, a ilha e a restinga, a baixa de Luanda, umas valentes cervejolas e saborosos e picantes mariscos, matando a nossa gulodice pela Portugália, a Mutamba, a Paris Versailles, o Pólo Norte e o Amazonas, o(s) Floresta(s), etc., etc., etc. E umas idas ao 8, ao 23 e ao 24! Luanda fervilhava, havia já muitos incidentes militares, e nós por lá quase levianamente andávamos na vadiagem, galgando noites atrás de noites pelos bares americanos e sítios cheios de desejos soltos! Ou por esplanadas, restaurantes e bares, dando satisfação aos outros desejos e fomes, as do estômago!
Noto o meu telefonema para Óis, em 2ª. feira de Páscoa - que era dia de visita pascal na mimha aldeia - querendo achar minha mãe. Ao tempo telefonar era uma autêntica epopeia mas lá consegui ligar para a vizinha Celeste. Com azar: minha mãe tinha saído, para casa da familiares. Não falei com ela.

sábado, 2 de abril de 2011

Os domingos e a farda nº. 1 no aquartelamento de Zalala




               A 1ª. Companhia do BCAV. 8423, em Zalala.
                                Foto tirada a um domingo

ZALALA. Todos os domingos, o pessoal que não estivesse de serviço tinha de vestir a farda nº. 1 e formar antes do almoço. Depois do toque do corneteiro, num arco de ferro. Este ruído sonoro, segundo o nosso código, era para formar.
Dois, três, quatro toques, tinham os seus significados. Este procedimento era assim porque a 1ª. Companhia tinha um corneteiro, mas nunca teve direito a corneta, em que  pudesse demonstrar os seus dotes artísticos. Batia no arco de ferro, mas quando se batia repetidamente por algum graduado (por força de situações de perigo), todos sabíamos e interpretávamos o seu sentido de alarme e perigo iminente, ocupando de imediato os locais, pré-estabelecidos, em defesa do aquartelamento.
Muitas vezes e isso aconteceu durante a noite e a metralhadora Breda, dos postos de vigia, substituiu o som do arco, com repetidas rajadas. O seu som era muito mais eficiente, porque transmitia a mensagem que o perigo estava ao lado do arame farpado do aquartelamento.
Voltemos à farda nº 1. Num sítio como Zalala, onde quando tínhamos dia de descanso (isto é, sem serviço marcado) andávamos em cuecas e chinelos de dedo, se calhasse a um domingo tínhamos de vestir farda nº. 1. O Capitão Castro Dias tinha um calendário, e por acção psicológica que na altura não compreendíamos, fazia-nos lembrar os dias da semana, porque para nós não sabíamos se era segunda-feira, ou domingo. O acto de vestir a farda, muita das vezes contrariados, levava-nos à realidade do calendário, porque a nossa preocupação era só contar os dias. Mas nesse dia sabíamos que correspondia a um domingo.
Grande abraço, Capitão Castro Dias.
AMÉRICO RODRIGUES
Furriel miliciano da 1ª. CCAV.
8423, em Zalala

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A família da CCS dos Cavaleiros do Norte

Tomás, Pais e Silva, no jardim público do Quitexe (1974)

Estávamos em finais de Março de 1974, quando terminámos o período de estágio, em Paço de Arcos, na Escola Militar de Eletromecânica (EMEL).

Mais três elementos, três rádio-montadores, juntaram-se ao grupo da CCS do BCAV. 8423. Foi algo complicado. Não foi nada fácil começarmos, de repente, a lidar com malta vinda de todos os pontos do país e de várias especialidades e profissões. Sem dúvida, que foi uma altura muito enriquecedora e a prova é que, passado pouco tempo, todos nós fizemos grandes amigos. Amigos que ainda hoje nos marcam e procuramos. 
Lembro alguns, por exemplo o Marques (carpinteiro), o Emanuel (escriturário, o eletricista do Casal Ventoso, o Pires (escriturário) e tantos outros. Por onde é que vocês andam?
Já aquí foi relatado que este grupo nem sempre se manteve unido. È verdade, não descansaram enquanto não nos separaram, mas na hora do desenrasque lá estava a equipa compacta, para fazer o que era devido. Cada um no seu trabalho!
O que a tropa fazia!
RODOLFO TOMÁS
1º. cabo rádio-montador
CCS do BCAV. 9423

quinta-feira, 31 de março de 2011

Dias de Carmona, antes de ir para férias angolanas

Furriéis Cruz e Viegas na avenida principal do Quitexe (em
cima) e guião do ECAV. 401 (em baixo)

A 31 de Março de 1975, em vésperas da minha saída de Carmona para férias por Angola, com o Cruz (foto), o BCAV. 8423 prosseguia a sua política da aproximação com os dirigentes dos movimentos - estratégia que vinha dando bons frutos e se espalhava pelas áreas próximas de Carmona.
Neste dia, em Salazar, Quibaxe e Úcua começaram igualmente os patrulhamentos mistos - neste último caso, com a participação da 2ª. CCAV. 8423 (comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz) e  do ECAV. 401. Os contactos com os dirigentes dos movimentos - o MPLA, a FNLA e a UNITA - vinham a realizar-se habitualmente em todas as quartas-feiras, desde a chegada dos Cavaleiros do Norte  Carmona - a 2 de Março. 
Os últimos dias deste mês, foram também tempo para as visitas do 2º. comandante do BCAV. 8423, capitão José Diogo Themudo, a sub-unidades: ao Quitexe, onde estava a 3ª. CCAV. 8423, comandada pelo capitão José Paulo Fernandes (a 27) e a Vista Alegre e Ponte do Dange, onde jornadeava a 1ª. CCAV., a do capitão Davide Castro Dias (28), ida de Zalala.
O capitão José Diogo Themudo, a 24 de Março, assumira o comando interino do BCAV. 8423, dado o tenente-coronel Almeida e Brito ter sido deslocado para o comando da ZMN.
Por mim, com patrulhamentos e PM na cidade e serviços internos no BC12, fazia malas para 30 dias de férias - que, com o Cruz, se iriam estender por boa parte de Angola.
- CRUZ. António José Dias Cruz, furriel miliciano mecânico
rádio-montador. Natural de Cardigos e residente em Lisboa.
- ECAV. 401. Esquadrão de Cavalaria 401, os Dragões, em Luanda,
de 1973 a 1975. Contacto de e-mail: manuelaraujocosta@aeiou.pt

quarta-feira, 30 de março de 2011

O alferes Sousa, que era contra a guerra colonial

Avenida do Quitexe. Ao fundo, ao lado esquerdo da casa do telhado triangular, a enfermaria militar



ANTÓNIO FONSECA
Texto

Já um dia aqui falei do alferes Sousa, de Operações Especiais, e da razão que o levou a ameaçar-me com uma participação, em plena operação militar. Com ele, e salvaguardando sempre as devidas distâncias, passei muitas horas em amenas conversas. Algumas bem interessantes, outras nem por isso e porque visavam apenas matar horas sem sono em noites quitexanas.
Era uma pessoa de contrastes e tanto lhe dava para gargalhar como para se entregar a uma tristeza que não se entendia e até preocupava os mais sensíveis e atentos. Inteligente, e muitas vezes com tom crítico, recorria a frases carregadas de ironia, provocando algum mal-estar em alguns oficiais. Com o alferes Serpa, oficial de transmissões do Batalhão, teve momentos pouco amistosos sempre que se falava de política ultramarina. Mas só discutiam em “campo aberto”, afim de que ninguém testemunhasse o teor das conversas, avisado que estava, por este, de as suas convicções ideológicas poderem muito bem chegar às altas patentes militares. Mas não era o único na corda bamba! Havia mais, e até com bastante peso na hierarquia militar, que só viriam a respirar fundo após 25 de Abril de 1974.
Filho de engenheiro e médica, família de convicções antagónicas à legitimidade da guerra de África e que ele também interiorizou, nunca deixou de exprimir o que lhe ia na alma, como o fizera em lutas estudantis, assumindo riscos que lhe iam ficando muito caros. As muitas operações e escoltas em que participou, sempre de forma bem activa, contrastavam muito com os seus ideais. Mas, segundo ele, era a única e melhor forma de defender os seus homens, numa luta onde não havia lugar para perguntas, “ses ou “mas”!
No dia a dia do Quitexe, ocorriam episódios, a nível de Comando, que nem sequer eram sonhados, porque não podiam ser transpirados, mas que tinham uma ligação muito directa com a maneira de ser e agir de cada um, principalmente no que aos alferes milicianos respeitava. As muitas reuniões no Quitexe com os comandantes das companhias de Zalala, Aldeia Viçosa e Santa Isabel, mas principalmente as constantes deslocações do comandante de Batalhão a Luanda, seriam indicações de que alguma coisa estaria para acontecer, embora sempre se procurasse esconder essa “mensagem”.
Muitos destes pormenores, vim a conhecer esta semana, em conversa com o ex-alferes Sousa, quando este me achou, literalmente, a almoçar numa esplanada na rua de Santa Catarina, no Porto, cidade onde reside e goza a sua aposentação. Por coincidência, alguns dias antes tinha eu estado a 100 metros de sua casa, numa cerimónia com parte lúdica, a que não assistiu apenas por impedimento, face a compromissos familiares, mas que até era parte interessada, pois a obra de engenharia tinha também o seu dedo. Pois é, ele há coisas!...
Trinta e sete anos depois, garante, não se esqueceu de ninguém e recorda Quitexe de uma maneira muito especial. A Companhia também não o esqueceu, e por isso mesmo quase fui incumbido de o achar para o almoço de 2011. Não fui suficientemente perspicaz…e o “achado” fui eu!
ANTÓNIO FONSECA
1º. Cabo de Transmissões do
Batalhão de Caçadores 3879,
no Quitexe em 1972/73

terça-feira, 29 de março de 2011

O Campo Militar do Grafanil na hora do regresso a Portugal...


O Campo Militar do Grafanil, uma entrada, numa foto de 1974, igual ao que era em 1975


AMÉRICO  RODRIGUES
Texto

O tempo de estadia no Grafanil, por Agosto de 1975 fora, na espera do regresso a Lisboa, foi tempo de muitos e variados episódios.
Por exemplo, sermos requisitados para muitas missões em Luanda, fazermos protecção às casa dos governantes - a de Jonas Savimbi, entre outros -, andar aos tiros com elementos do MPLA, nossos vizinhos na altura (por cedência de quartéis), ir recuperar a Berliet do nosso condutor - o “Mamarracho”, de Montalegre -,que tinha o cravo pintado e tinha sido entregue ao MPLA, mas que ninguém sabia. Ou despejar carregadores no zinco do telhado das casernas, passar noites a detonar granadas, coleccionar mais de uma dúzia de tipo de armas diferentes que iamos encontrando nessas acções, trocar “uzis” por um automóvel, comer os pobres peixes (pimpões) que estavam no lago, fazer explodir o dito automóvel quando a PM nos interpelou.
E não esqueço sermos apanhados no meio de tiroteios, entre o MPLA e a FNLA.
Muitos destes episódios não eram do conhecimento do comando, sendo da iniciativa de soldados e furriéis, em defesa dos camaradas, porque, nessa altura - Agosto de 1975!!! - o Grafanil não oferecia o mínimo de segurança e cada um tinha de cuidar da sua defesa e dos outros.
 As balas tracejantes, de noite, eram para nós a lembrança do fogo de artifício das festas das nossas terras.
Tivemos de descarregar navios para podermos regressar, porque tínhamos sempre data marcada, ora de avião ora de barco, mas nunca mais se concretizava.
Dávamos dinheiro angolano (angolares), porque não havia nada para comprar. Fazíamos bancadas num campo de futebol de salão com as urnas, que estavam lá de reserva, mas que ninguém queria.
Sempre que era marcado a data do regresso, era bebedeira para festejar! E foram tantas, porque a data era sempre adiada. E muitas vezes foram, até que chegasse uma definitiva.
AMÉRICO RODRIGUES
- ANGOLARES. Escudos angolanos. O Estado
de Angola tinha moeda própria, no tempo
da colonização.

segunda-feira, 28 de março de 2011

A chegada a Angola e o campo militar do Grafanil

Furriel A. Rodrigues, da 1ª. CCAV.. 8423, no dia da
chegada ao Grafanil, 1 de Junho de 1974


As estadias no campo militar do Grafanil deixaram várias recordações, as da chegada e as da partida.
As baldas permanentes para a Luanda, tentando conhecer a cidade e os seus prazeres de vida, foram peripécias da chegada. Até nas vacinas me baldei, como na contra o sono da mosca tsé-tsé, e não sei se hoje estou a pagar a factura, pois tenho problemas em dormir demasiado.
Nestes 4 ou 5 dias, na ilha de Luanda, pude comer lagosta, coisa que fazia pela primeira vez na vida, e beber canhângulos (cerveja em grandes jarros) e marisco com fartura! Foram o alento para a partida para Zalala.
O Grafanil e cidade de Luanda tinham quase tudo para que se pudesse levar uma rica vida de serviço militar.Todavia, o meu destino não era esse e lá fui parar a Zalala. No regresso ao Grafanil, em Agosto de 1975, a realidade era muito diferente, passados os 14 meses que estivemos no norte de Angola. Para pior.
Quando chegámos ao aquartelamento que nos estava destinado, encontrámos um autêntico caos. Como na altura tinha como missão a parte alimentar da companhia, vim para Luanda de avião (DC6 ) da Força Aérea, para preparar (com a restante equipa) a chegada da última coluna de tropa portuguesa, que incluía a minha companhia e tinha partido de Carmona. Nem imaginam a porcaria e lixeira que os últimos soldados lá deixaram. Fizeram a última refeição e deixaram tudo como acabaram a mesma, pratos e panelas com comida e todo o resto,até já germinavam plantas nos restos. O bolor era patente em todos os utensílios.
Passámos dois dias só para fazer uma ligeira e razoável limpeza ao refeitório e cozinha.
AMÉRICO RODRIGUES
Furriel miliciano atirador de cavalaria,
da 1ª. CCAV. 8423 (Zalala). Residente em
Vila Nova de Famalicão

domingo, 27 de março de 2011

O futuro exército de Angola e os patrulhamentos mistos

Avenida de Portugal (?) em Carmona. Também por ela passaram os primeiros patrulhamentos mistos,  26 para 27 de Março de 1975


O processo de independência de Angola - sem que agora valha a pena caracterizá-lo, ou questioná-lo, valorizando-o ou desvalorizando-o, ... galopou por Março de 1975 adentro, regado de incidentes e de sangue, um pouco por toda a Angola. Principalmente em Luanda! E também em Salazar! À nossa volta! E quanto sangue de gente inocente foi derramado na terra de Angola!
Carmona e a província do Uíge, porém, com os defeitos e virtudes das suas guarnições militares, serenidades e alguns celerados desassossegos, continuavam na paz dos anjos. Não é que não se registassem pequenos incidentes. Registavam. Mas nada que se afigurasse com o que se passava naquelas duas cidades e regiões.
Iniciaram-se as primeiras actividades de Exército integrado, envolvendo as Forças Armadas Portuguesas e elementos dos movimentos emancipalistas. Ao alferes Garcia, ao furriel Neto e a mim (todos atiradores, da Operações Especiais), por exemplo, calhou-nos dar instrução de tiro, aplicação militar e ordem unida.  
A experiência não viria a ser concluída - por força da evolução política e militar... -,  mas indubitavelmente foi muito proveitosa, tendo sido muito bem recebida pelos angolanos indicados pela FNLA, MPLA e UNITA - que iriam formar o futuro exército angolano.
Os Operações Especiais «ensinavam» ordem unida, aplicação militar e tiro, mas todas as especialidades transmitiam os seus conhecimentos aos mancebos angolanos indicados pelos movimentos. Houve «certa expectativa inicial», como refere o Livro da Unidade, mas «sem problemas de execução».
De ontem para hoje, há 36 anos, iniciaram-se os patrulhamentos mistos, envolvendo a tropa portuguesa e os militares dos movimentos. Ver AQUI.
- FNLA. Frente Nacional de Libertação de Angola, liderada por Holden Roberto.
- MOLA. Movimento Popular de Libertação de Angola, presidida por Agostinho Neto.
- UNITA. União Nacional para a Independência Total de Angola, liderada por Jonas Savimbi.

sábado, 26 de março de 2011

O luto do Quitexe que chegou à minha aldeia...

O Quitexe, em 1961 (vista aérea), no tempo em que por lá passou Neca Taipeiro


Os lutos do Quitexe de 1961 chegaram hoje ao cemitério da minha aldeia: foi a enterrar o Neca Taipeiro, um dos dois primeiros militares que, daqui, marcharam para a «Angola é nossa» que Salazar decretou como emergência nacional. Foi o Neca e foi o Lito, depois recebidos na aldeia como heróis.
O Neca ia fazer 72 anos em Julho e era meu vizinho. Muitas vezes, ali sentados no café ou no muro do adro, ou aqui à porta de casa, falámos das duas Angolas que conhecemos em tempos diferentes. Ele, nos tempos trágicos de 1961 e 1962, integrando os primeiros Batalhões de Caçadores que, Dembos adentro, foram conquistando posições, lutando quase corpo a corpo, galgando trilhos e picadas, matas afora, por sítios de dor e que cheiravam a sangue e a morte.
Eu, já em 1974 e 1975, fazendo o «espólio», digo eu, da presença portuguesa na terra angolana.
Por lá o encontrei, em 1974 e 1975, já ele civil e fazendo pela vida. Primeiro, num bar de Úcua, marchava eu para o Quitexe, a 6 de Junho de 1974. E mais tarde, por 1975 adentro, em Luanda.
Voltou, como retornado, e por cá refez a vida. Quarta-feira, vizinho comum me disse que a saúde lhe fugia, já internado em Coimbra. Faleceu ontem e hoje foi a enterrar, um dos primeiros  militares portugueses que jornadeou na Angola de 1961 e 1962. Pelo Piri, Nambuangongo, Aldeia Viçosa, Quipedro, Quitexe, Carmona e Negage, Sanza Pombo. «Corremos aquilo tudo, nunca chegámos a estar em sítio certo», disse-me ele, há algum pouco tempo.
Infelizmente, não chegámos a tirar a foto que tínhamos combinado, para postar aqui: a do primeiro e do último ribeirense que passou pelo Quitexe.
- NECA TAIPEIRO. Manuel Ferreira Simões dos Reis, soldado
atirador das primeiras campanhas da zona do Quitexe, em
1961/62. Meu vizinho, agora falecido. Deixa viúva. filha e neto.
Ver AQUI
E AQUI.