segunda-feira, 13 de junho de 2011

Os ensaios para a festa que não chegou a ser...


Rádio Clube do Uíge (em cima) e 1º. cabo Mendes (em baixo)


O tempo voa e já passaram 36 anos desde que, no edifício do Rádio Clube de Uíge alguns elementos da CCS e da 2ª. companhia começaram a ensaiar para fazer e apresentar um espectáculo de variedades.
O grupo era alargado e dele faziam parte o 1º. cabo Mendes (bate-chapas, na foto ao lado), que era um bom baterista. Havia também um viola baixo, um viola solo e um organista. Ali cheguei a passar algumas noites, tentando dar assistência técnica onde faltava só... tudo, tentando disfarçar falhas e ruídos e combatendo alguma ferrugem nas fichas de ligações.
Tudo não passou de um sonho, pois no dia 1 de Junho acordámos por volta das cinco da manhã, ao som dos rebentamentos de morteiros na cidade de Carmona (Uige). Quem também fazia parte do elenco era o 1º. cabo operador-cripto Medeiros. Muitos coisas aconteceram por estes dias e nestes ensaios, mas, ao recordar esse tempo, fui até onde a minha memória se apaga.
Em frente ao Rádio Clube do Uíge, ficava o Cine Moreno, que ficou tambem danificado com as balas perdidas dos tiroteiros entre os partidos em conflito.
RODOLFO TOMÁS 
- MENDES. Carlos Alberto Serra Mendes, 1º. cabo bate-chapas.
- MEDEIROS. António Carlos Fernandes Medeiros, 1º.- cabo operador-cripto, falecido a 10 de Abril de 2003.

domingo, 12 de junho de 2011

Artilheiros do Quitexe no encontro de 2011

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A CCS do Batalhão de Artilharia 786 antecedeu-nos no Quitexe, na comissão que a teve por Angola deJunho de 1965 a Junho de 1967. Esteve reunida a 4 de Junho de 2011, em Pedras Rubras, no Porto
Aqui estão eles, os Artilheiros do Quitexe, em pé, da esquerda para a direita: Raúl (1º. cabo correeiro), Óscar  (soldado clarim), NN, Gouveia (furriel miliciano de operações especiais), Ribeiro (soldado condutor), António (soldado condutor), Quim (soldado condutor), Leite (furriel miliciano IOR), João Lopes (soldado condutor), José Lapa, José Henrique (1º. cabo escriturário), Ribeiro da Cunha (alferes miliciano IOR), Gasolinas (1º. cabo de reabastecimemtos), Miranda (1º, cabo IOR), NN, Domingos Costa (furriel miliciano vagomestre) e Figueiredo(soldado IOR).
Em baixo: Rodrigues Pereira (alferes miliciano sapador), Jacinto (furriel miliaciano sapador), Meireles (1º. cabo de armamento), Alcino (1º. cabo mecânico), Santos (soldado condutor), Jacinto (1º. cabo transmissões) e Silva (soldado maqueiro).

sábado, 11 de junho de 2011

A família dos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel


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A 3ª. CCAV. do BCAV. 8423 chegou a Santa Isabel no dia 11 de Junho de 1974 - há precisamente 37 anos. Ida de Luanda, do Grafanil. Era comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes - o organizador do encontro desde ano, em Torres Vedras.
A foto mostra a «família» que comemorou o evento, juntando antigos militares, mulheres e até netos - na hora da chegada ao restaurante Sol Oásis. Ali se vêem  o capitão Fernandes, os alferes Carlos Silva e Simões, o 1º. sargento Marchã, os furriéis Belo, Carvalho, Fernandes, Flora, Querido e Ribeiro e os praças Caixaria (da CCS), Carrilho, Coelho, Cunha, Deus, Eusébio, Feliciano, Ferreira, Francisco, Friezas, Gonçalves, Moço, Arlindo Novo, José Novo, Pavanito, Ramos, Santos, Silva, Soares e Teixeira.
Pavanito (na foto, à frente, com uma bengala) será o organizador do encontro de 2012, com uma ajuda do Moço. São amigos e vizinhos de há imensos anos, lá pelas bandas de Azeitão. O convívio será, por certo, lá por perto, por Palmela ou Setúbal.
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sexta-feira, 10 de junho de 2011

O 1º. Sargento Francisco Marchã


Marchã. 1º. sargento Marchã, do secretariado da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel. Dele, recordo o porte sereno, a afabilidade e a discrição, a imponência física, o ar tranquilo e sorridente com se «passeava» na nossa frente, nas ruas do Quitexe - primeiro esporadicamente (quando ainda jornadeava na fazenda), depois no dia a dia da guarnição - quando a sua Companhia comungou  espaço e tempo com a CCS.
Esteve no encontro de Torres Vedras, em ano particular da sua vida pessoal - o das bodas de ouro matrimoniais.«Contou-me do agrado da cerimónia, da missa e dos cânticos. Deveria ter sido bonito, de facto!...», narrou o (capitão) engº. José Paulo Fernandes, seu comandante e confidente em muitas horas amargas de Santa Isabel e Quitexe, nos idos anos de 1974 e 1975.
O 1º. Marchã era o antípoda da maioria dos sargentos, que com os furriéis milicianos cultivavam uma relação sempre irascível, autoritária e até prepotente, nalguns casos. «Sempre esteve pronto a servir, em benefíco dos seus subordinados, sem que se contrariassem as determinações recebidas», sublinha o louvor que lhe foi atribuído pelo Comando Territorial de Carmona, em Julho de 1975.
O louvor frisa o «empenho, zelo e lealdade nas situações de serviço a que foi chamado» e também «o elevado espírito de sacrifício e de missão» com que «dedicado ao máximo, atravessou difíceis períodos da vida da subunidade, em condições particularmente melindrosas».
Não privei muito com o 1º. sargento Marchã, muito pouco mesmo, mas, em ano das suas bodas de ouro matrimoniais, aqui  lhe deixo a minha continência de respeito e cortesia pelo porte que lhe admirei nos tempos em que, em funções e responsabilidades diferentes, ambos servimos os Cavaleiros do Norte.
- MARCHÃ. Francisco António Gouveia Marchã, 1º. sargento de Cavalaria, chefe da secretaria da 3ª. CCAV. 8423. Reside em Campo Maior - onde vai agrcultando em tempos livres, quando lhe apetece (e a expressão é dele).

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O encontro dos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel

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A 3ª. CCAV. 8423 desembarcou em Luanda da 5 de Junho de 1974, há dias se completaram 37anos, e festejou a data com o encontro de 2011, em Torres Vedras, no Sol Oásis - organizado pelo (capitão) engº. Paulo Fernandes, no dia 4 (sábado passado).
Não custa adivinhar: foi um encontro de grandes saudades e fartas emoções, como só poderia ser, entre companheiros de jornada.
Os Cavaleiros de Santa Isabel comungaram espaço e tempo com a CCS, no Quitexe - entre 10 de Dezembro de 1974 e 2 de Março de 1975. Há por isso - e não só por isso!... - enormes afinidades entre a malta das duas companhias. Na foto, sem dificuldade, reconheço facilmente o capitão Fernandes (fila de trás, de amarelo), os alferes Silva (camiseta azul, às riscas, círculo roxo) e Simões (de óculos, à direita, amarelo), o 1º. sargento Marchã (rodeado a verde) e os furriéis Ribeiro (entre o 1º. Marchã e o engº. Fernandes) e, em baixo, da esquerda para a direita, Fernandes (roxo), Belo (amarelo, com a criança), Flora (azul) e Carvalho (no quadrado, a roxo). E o Querido, ó pá, onde está tu que te não reconheço?
Quem ali vejo, também, é o Caxarias (o primeiro, à direita, de camiseta avermelhada), que é dali das bandas de Torres Vedras e foi brioso soldado do PELREC - o meu glorioso pelotão de atiradores da CCS. O Buraquinho, vejam lá... o Buraquinho (à direita do alferes Simões, de bigode, encostado à criança) Quem me vai identificar todos os outros Cavaleiros de Santa Isabel?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Primeiros dias do Quitexe e a Maria Turra...

Aquartelamento do Quitexe: Comando e secretaria do BCAV. 8423 (amarelo), porta de armas (rôxo), casernas dos sapadores (verde) e dos atiradores (vermelho). Foto tirada do lado da capela. Na foto de cima, a porta de armas (para a avenida) e o interior da parada

Os primeiros dias do Quitexe foram de acomodação do pessoal,  distribuição de equipamentos e serviços. A principal preocupação era fazer uma instalação tranquila e o mais possível ao encontro dos interesses da guarnição - na medida do que era possível, até porque o comodato era (ainda) com os homens do BCCÇ. 4211, que nós rendíamos.
Logo ouvimos histórias deles: os terrores das picadas, os perigos dos trilhos, os sustos das noites de cacimbo, a rádio do IN - na qual se ouviriam ameaças sanguinárias de uma tal Maria Turra, que seria a voz da FNLA, a partir de um qualquer sítio do vizinho Zaire e a falar pela noite dentro. Era tanta  convicção com que nos falavam de Maria Turra, que chegámos a pensar tudo ser verdade.
Gente houve que a terá ouvido, a vaticinar desgraças para ao nosso destino e «convidando» a tropa a desertar. Nunca ouvi!
A passagem de missões foi-se fazendo gradualmente. Almeida e Brito, o tenente-coronel que era o nosso comandante, já por lá jornadeara, conhecia a zona e o que nos dizia inspirava-nos confiança. Fomos conhecendo a comunidade civil, os bares, os restaurantes, a administração civil, o hospital.
A adaptação foi serena e fácil. Afinal, nem estávamos na mata! O Quitexe era uma vila, pequena mas atraente! Rodeada de sanzalas e atravessada por uam estrada de asfalto, que nos levava à civilização - a Carmona, a Luanda! 

terça-feira, 7 de junho de 2011

O segundo dia da CCS na vila do Quitexe

Vista aérea do Quitexe, nos anos 70. A capela, em primeiro plano, a rua de baixo (avenida) e a de cima (estrada do café, de Carmona a Luanda)

A 7 de Junho de 1974 já a CCS era «veterana» de guerra no Quitexe, depois de uma chegada (na véspera) cheia de curiosidade e de uma  primeira noite com mosquiteiro na janela do quarto de cimento que ia ser meu pouso (e do Neto) pelos meses seguintes.
A noite foi dormida em sono tranquilo, depois de já ter dado a volta à vila - o que não era difícil: duas ruas principais, a de cima (a estrada do café) e a avenida de baixo, por onde se instalavam os serviços militares. Passei pela capela e lá vi as placas de mármore com nomes de mortos da carnificina de 1961.
A primeira manhã foi de conversa com a rapaziada do BCAÇ. 4211, que nós íamos render e se preparava para viajar para Ambrizete, no litoral angolano. Eles, a quererem saber novidades do novo Portugal europeu; nós, mortinhos por saber como lidar com o nosso novo chão militar. Avisou-me o Casares: «Quando ouvires linguagem que não entendas, age logo!...». Agir contra os nativos.
Foi dia, o 7 de Junho de 1974, de passagem da 1ª. CCAV. 8423, do comando do capitão Castro Dias, para Zalala - outro sítio mítico da guerrilha do norte de Angola.
Lá passaram eles, menos afortunados que a CCS - que estava numa vila e iam eles para o mato. Nós, ainda a instalar as malas e a acomodar toda a companhia, em comunhão de espaço com os «caçadores» da 4211. 
- CASARES. Furriel miliciano do BCAÇ. 4211. Natural de Chaves, onde foi guarda-redes da equupa de futebol, nos anos 70.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Há 37 anos, eis o Quitexe...

Quitexe, entrada do lado de Luanda (em cima). Localidades da Estrada do Café, por onde passou a CCS a 6 de Junho de 1974, desde o Grafanil (quadrado a vermelho, ao lado de Luanda) 

Faz hoje 37 anos que chegámos ao Quitexe, terra do nosso destino da jornada de África que nos fez irmãos dos angolanos. Saímos do Grafanil, ainda de madrugada, vimos a Luanda imensa fugir aos nossos olhos e lá fomos, em estrada de asfalto, galgando quilómetros atrás de quilómetros. Logo à frente, o Cacuaco, depois o Caxito (com breve stop, sem sair das viaturas) e depois novo paragem em Úcua - onde o destino me fez encontrar com um conterrâneo, o Neca Taipeiro.
E lá continuámos nós, em marcha incómoda de camião, a espreitar a paisagem quente que nos enchia os olhos, a descobrir a terra vermelha que iria ser chão dos nossos passos no norte angolano. A ver a espuma dos nossos dias militares a fazer-se e desfazer-se na alma.
Quitexe? Como seria, nestes dias portugueses do pós-25 de Abril, a vila-mártir de 1961 e anos seguintes? Quem lá encontraríamos, como nos receberiam, como os adapataríamos? Eram perguntas a que a nossa marcha de camião não respondia, por mais quilómetros de asfalto que galgássemos. Sempre asfalto. O que era uma surpresa. Não se via as picadas que tanto ouvíramos falar e que tanto nos levedavam os medos. Teríamos de chegar lá!
Úcua, terra dos Dembos, Ponte do Dange, aí estávamos nós em terra do Uíge! Depois, Vista Alegre, Aldeia Viçosa e... Quitexe!
Faz hoje 37 anos! E chegámos!
A foto de cima mostra a nossa primeira imagem do Quitexe!
Aí estávamos nós, recebidos pelo Batalhão de Caçadores 4211, que íamos render.
Bem recebidos! Muito bem recebidos!
- TAIPEIRO. Manuel Ferreira dos Reis, um dos dois primeros mlitares da mimha aldeia combater em Angola. Passou pelo Quitexe em 1961 e, em Junho de 1974, como civil, trabalhava num bar de Úcua, onde o encontrei. Faleceu em Março deste ano de 2011, vítima de doença.  
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domingo, 5 de junho de 2011

As horas de véspera da partida de Luanda para o Quitexe

Campo Militar do Grafanil (em cima) e baía de Luanda (foto de Jorge Oliveira)

A 5 de Junho de 1974, uma 4ª.-feira, estava a CCS de viagem marcada para o Quitexe. Seria na madrugada seguinte, em viaturas militares e civis.
Tínhamos já recebido o armamento que nos calhava (a indispensável G3!!!), as malas estavam preparadas e a meio da manhã foi dada dispensa ao pessoal. Desde que estivessemos no Grafanil às duas da manhã. O resto do dia foi, então, de borga e já com almoço na cidade!
A cidade enchia-nos os olhos, era moderna, arejada, limpa, bonita! Era metrópole evoluída, socialmente avançada - relativamente ao Portugal europeu! E, como aqui já foi dito, não se notava ar algum de guerra! Nós é que iríamos para as zonas operacionais. Horas depois!!
O Albano Resende, civil que era (e é) conterrâneo e governava a vida por Luanda, ciceroneou as nossas últimas horas. Recordo-me ir à fortaleza e desfrutar da imensa beleza da cidade, que se espraiava pela baía dentro, até ao mar! Ele teve de ir à vida dele e almoçava eu com o Neto e o Pires de Bragança - creio que também com o Rocha - na esplanada do Amazonas, quando nos apareceu o Garcia, com um conterrâneo de Pombal de Ansiães, que vim a saber estar casado com uma senhora de Águeda. Andavam a passeio, a conhecer a cidade! Como nós!
«Logo, às 2!!!....», recordou-nos o Garcia. Claro, lá estivemos, para seguir para o enigmático e lendário Quitexe.
Jantámos na Portugália e, lá para a meia noite, voltámos ao Grafanil!
- GARCIA. António Manuel Garcia, alferes miliciano de Operações Especiais (Rangers), comandante do PELREC (atiradores). Natural de Pombal de Ansiães, Carrazeda de Ansiães. Faleceu a 2 de Novembro de 1979, de acidente de viação, quando era agente da Polícia Judiciária.
- NETO. José Francisco Rodrigues Neto, furriel miliciano de Operações Especiais, do PELREC. Empresário industrial, natural e residente em Águeda.
- PIRES. José dos Santos Pires, furriel miliciano de transmissões. Aposentado da GNR, residente em Bragança.
- ROCHA. Nelson dos Remédios da Silva Rocha, furriel miliciano de transmissões. Técnico comercial, residente em Vila Nova de Gaia.
- ALBANO. Albano Ferreira dos Santos Resende, civil, conterrâneo e (ex)vizinho meu, ao tempo residente em Luanda. Empresário comercial em Lisboa.

sábado, 4 de junho de 2011

O Batalhão de Cavalaria 8423 em voos seguidos para Luanda

Aldeia Viçosa, no Uíge. Onde estacionou a 2ª. CCAV. 8423

A 4 de Junho de 1974, chegou a 2ª. CCAV. 8423 (a de Aldeia Viçosa) a Luanda, logo seguindo para o Grafanil - onde já estavam a CCS (Quitexe) e a 1ª. CCAV. (Zalala). Dia 5, amanhã se fazem 37 anos, chegou a 3ª. CCAV. (Santa Isabel), que hoje se encontra na zona de Torres Vedras.
Companhia a companhia, o Batalhão de Cavalaria 8423 rodava (em voos de Lisboa, nos TAM) e instalava-se em Angola, antes de jornadear para o Uíge-mártir de 1961 e anos seguintes.
As companhias operacionais eram completadas no Grafanil com os chamados Grupos de Mesclagem - militares angolanos, formados e instruídos em Angola, no Regimento de Infantaria 20, em Luanda. Cada grupo, tinha 36/37 homens - que se integravam na guarnição europeia. Eram soldados, na esmagadora maioria, e alguns deles 1º.s cabos. Todos atiradores.
Os CCS´s já iam na «veterania» de seis dias em Angola e, tanto quanto podiam, espraiavam sonhos e apetites pela cidade de Luanda, conhecendo-a nos pontos mais turísticos.
Por mim, com a mobilidade de transporte facilitada pelo Albano Resende, não perdi pitada do (que se dizia ser) melhor da cidade, das praias aos templos do prazer, dos cinemas aos belíssimos restaurantes e esplanadas da capital angolana.
As (poucas ou nenhumas) obrigações militares davam tempo para tudo, com a (minha) sorte de, pela maioridade militar (devida ao curso de OE) nem sequer ter chegado a fazer serviços no Grafanil.
A única impertinência destes seis dias de Luanda foi criada pelo tenente Mora, num dos seus habituais excessos de zelo, numa história algo puéril e até anedótica, que talvez um dia aqui contemos. O que interessava, nestes dias, era viver... Luanda!!!
- MORA. João Elói Borges da Cunha e Mora, tenente do SGE, adjunto do comandante da CCS. Faleceu a 21 de Abril de 1993, com 67 anos.
- OE. Operações Especiais (Rangers).

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Encontro dos que foram quitexanos antes dos Cavaleiros do Norte..


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ANTÓNIO FONSECA
Texto

Ainda não eram dez da manhã e já parte da rapaziada estava pronta para a “formatura”. Alguns, já tinham galgado centenas de quilómetros, depois de desafiarem o sono e a madrugada. Mas ninguém se queixou do cansaço, tal era a vontade de estar presente, para rever e abraçar os amigos que, por terras quitexanas e ambrizetanas fizeram parte da sua família.
Foi bonito ver aqueles abraços fortes e sentidos, sempre acompanhados de sorrisos francos que nos enchem a alma. E também dos sorrisos cúmplices dos amores das nossa vidas que, já verdadeiramente integradas, não só entendem bem o porquê da velha amizade, como ainda deixam escapar uma lágrima de emoção.
É assim a nossa família da CCS do BCAÇ. 3879, com uma amizade enraizada e que se prolonga para lá dos encontros anuais. É bom saber que há amigos em todos os pontos do país. É reconfortante!

Em memória aos que partiram, celebrou-se uma missa, solenizada pelo Coral Cantábilis, que fez questão de nos presentear com a ante estreia de uma peça em latim, ensaiada para orquestração. De olhos e ouvidos colados, no final não pouparam mimos e elogios aos elementos do Coral. E eu, emocionei-me…claro…, era o “meu” coral!
Mas os estômagos vazios não perdoavam e eram horas do tacho! “Calma aí, pessoal, têm um minuto para formar para as fotos!..., e as senhoras ficam já de piquete porque serão a seguir!...”, ordenei” eu, puxando da minha divisa de 1º. cabo! Fotos tiradas, agora, sim, iríamos reconfortar os estômagos, porque vazios certamente não iriam longe!
O almoço, esse foi bem comido e bem regado, mas com muita atenção e regra no que respeitou ao álcool, não fosse algum carregar demais nos “cavalos”!
O resto da tarde foi testemunha de um convívio extraordinário, de uma alegria bem patente, que denotou, em cada palavra e em cada olhar, um sentimento franco de amizade. Eu, que até tinha um discurso num papel, para não me perder, dobrei-o e mandei-o às urtigas. Foi de improviso, como eu sempre gosto, de coração aberto e olhos nos olhos, um a um. É que assim, se alguém adormecer, damos logo por ela e elevamos a voz!..., mas não foi o caso, felizmente!
E a festa continuou, sempre com a mesma animação mas já a dar mostras de alguma saudade, imaginem, porque as horas passavam e só nos voltaríamos a ver para o ano! O que é uma verdade, para a maioria!
Mas as horas não perdoaram e lá demos por terminado o encontro de 2011, porque havia muitos quilómetros para percorrer.
Para trás, ficou um dia fantástico e inesquecível, como fizeram questão de referir na despedida, apenas lamentando o rápido passar do tempo.
Não posso deixar de falar do/para o Costa (condutor), que não víamos há 40 anos: o teu coraçãozito estava ao rubro, meu amigo!..., acho que te faltou tempo para dizeres tudo o que te ia na alma!!!
Malta, para o ano há mais! Será em Mangualde e fica ao cuidado do nosso amigo Rodrigues. E olhem que o tempo passa muito depressa!
- FONSECA. Organizador do evento e autor do texto. O terceiro, de pé, da direita para a esquerda. Bancário aposentado, natural e residente em Marrazes (Leiria).
- COSTA. Condutor, empresário de restauração em Águeda. O quinto, da direita para a esquerda, de pé (camisa roxa).

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Os dias de Junho de 1974 em Luanda


Os dias de Luanda, por Junho de 1974, foram vividos em grande movimentação. A enorme metrópole respirava segurança, se havia guerra seria lá para o norte, na mata... A cidade aguçava e «matava» a nossa curiosidade, a baía enchia os olhos e a descoberta da enorme urbe era caldeada pelas emoções de por lá achar alguns conterrâneos.
O primeiro que procurei foi o Custódio, que por lá era militar sapador. Não o achei no Grafanil, onde aquartelava, mas na casa de José Martinho (da PSP), no Bairro da Cuca. Procurei os irmãos Resende, aqui vizinhos do lado, mas dos quais apenas conhecia o Albano - para quem levava encomenda da mãe. Irmãos dele, eram o José Bernardino e o Manuel. E encontrei a Cândida, o Mário e a Benedita.  E ficámos a saber que íamos para o Quitexe.
Almeida e Brito, o nosso comandante (soubemos depois), já lá estivera como oficial de operações/adjunto do Batalhão de Cavalaria 1917, em 1968 (à esquerda, na foto). E agora (1974), já a 27 de Maio lá tinha  ido - e também a Zalala (1ª.), Aldeia Viçosa (2ª.) e Santa Isabel (3ª.), onde se iriam instalar as três companhias operacionais. Passara por Carmona, na Zona Militar Norte e Comando do Sector do Uíge e lá foi, à nossa futura zona de acção, fazer o necessário reconhecimento e estabelecer os necessários contactos com a guarnição que íamos substituir - o Batalhão de Caçadores 4211.
A nossa jornada africana estava em marcha.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Batalhão de Cavalaria 1917, os antes de nós no Quitexe

A CCS do Batalhão de Cavalaria 1917 esteve reunida no sábado, em S. Pedro de Moel. Esteve no Quitexe entre Maio de 1967 e Junho de 1969. E pronto. A foto foi-nos enviada por Luís Patriarca, com este comentário: «Mais um ano mais um convívio do BCAV 1917 com a tendência já acentuada de cada vez menos presença».
O grupo é de malta agora com 68/69 anos. Malta fixe, que jornadeou pelas terras que foram nosso berço de 6 de Junho de 1974 a 2 de Março de 1975. O Quitexe!

terça-feira, 31 de maio de 2011

As duas despedidas de Tomás para Angola...



Nem sempre é bom recordar, mas no caso da minha despedida paa Angola, em Maio de 1974, a minha mãe e meu irmão (que já partiram!), foram comigo até à estação de Campanhã, no Porto. Meu irmão, encorajou-me, pois tinha vindo da Guiné e de uma zona 100% operacional (Farim e Cuntima). E disse-me: «Vai descansado que tudo vai correr bem, vais ver...».
Deu-me um abraço, abracei a minha mãe - que me disse, com os olhos em lágrimas: «Deus queira que não tenhas pior sorte do que o teu irmão, que Deus te proteja...».
 Despedi-me e com uma coragem vinda não sei de onde, disse-lhe: «Vai ver que dentro de pouco tempo estou aquí». E assim saí de um café, em direção à estação de Campanhã, com os dois sacos com as fardas às costas e dizendo-lhes adeus. Passado cerca de 24 horas estava eu a entrar pela porta dentro: «Olá, cá estou eu novamente, cheguei...».
Depois, já custou menos, a segunda despedida, sempre na esperança de haver outra surpresa e... voltar. O que equivaleria a já não ir para Angola. Mas o tal regresso, o definitivo, só viria a acontecer 15 meses depois.
RODOLFO TOMÁS

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O dia da chegada a Luanda e ao Grafanil...

Baía de Luanda e capela do Campo Militar do Grafanil (1974)

O alvoroço da chegada a Luanda, hoje se completam 37 anos, foi agitado pela curiosidade natural, a de saber como lidar com os naturais e residentes; a adaptação do clima, conhecer o lendário campo militar do Grafanil, saber para onde iriam os nossos juvenis ossos parar. Viemos a saber que seria a vila do Quitexe.
O Grafanil era imenso, como nos tinham dito. Uma mini-cidade militar, com dezenas de unidade e uma população (residente e flutuante) que poderia passar das 20 000 pessoas! Talvez!
A viagem do areroporto, pela cidade e estrada de Catete, até ao Grafanil encheu-nos os olhos e matou-nos algumas curiosidades: os prédios enormes, a circulação automóvel e de peões, brancos e negros misturados, as ruas cheias de gente. Se havia guerra em Angola, não era ali que a conhecíamos. Não se via!
Arrumadas as malas no destacamento que nos estava destinado e acomodado o pessoal, foi dada ordem de saída: à cidade de Luanda se poderia ir! E cada qual que se desencassse para o almoço. Assim foi!! O táxi levou-nos à baixa, deslumbrando-se os olhos com a beleza da baía. Eu levava chouriços e rojões para malta amiga e logo procurei, após almoço, a residência de Mário Neves - parente com apartamento na rua do estádio dos Coqueiros. Não o achei (só viria a encontrá-lo em Setembro, na Gabela), mas lá deixei a encomenda. E fui à descoberta da cidade! Que nos embriagava a curiosidade com o seu cosmopolitismo e a vida social que viríamos a descobrir! Aí, e então, começaram a nascer as saudades de hoje! 
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domingo, 29 de maio de 2011

A noite do embarque para Angola, há 37 anos!!!

Monteiro, Neto e Viegas no refeitório dos cabos milicianos do RC4, em Santa Margarida (1974), dias antes do embarque para Angola. Em baixo, avião Boeing 707 dos Trannsportes Aéreos Militares (TAM)


Ao fim da tarde de 29 de Maio de 1974, hoje se completam 37 anos, subimos os degraus dos autocarros que nos levaram de Santa Margarida (do RC4) até Lisboa. Aí começou a nossa jornada africana.
Foi um dia de estreias: andar numa auto-estrada, conhecer uma portagem e um aeroporto. «Coisas» que eu nunca tinha visto. Como quase todos! E fazer o baptismo de voo num avião. Eu já tinha andado de helicóptero, na instrução dos Rangers, em Lamego. Aí ia a CCS do BCAV. 8423!!!
Choveu a bom chover, no percurso de auto-estrada (que era apenas até Vila Franca de Xira) e pelo tempo em que, já no aeroporto (o AB9), fizemos tempo de espera para o embarque. Íamos viajar de noite - diziam-no que era  por questões de segurança!... - e, do avião, olhar a noite de Lisboa foi um encanto! A cidade era bonita, esmagadoramente deslumbrante, abria apetites para a rasgar até à madrugada!!! Mas nós íamos para a guerra!
Correu bem a viagem! Por mim, recordo-me de ter dormido e, a certa altura, alguém me acordar a dizer que as luzes que se viam na noite já africana eram as da cidade de Bissau, capital da Guiné Portuguesa. E dormi! E comi! Comida de avião? Julgo que sim!
O voo foi de 9 horas! Alvoreceu e nós a ver África do ar, furando os céus que descobríamos estranhamente avermelhados. A ver as tropicalíssimas paisagens africanas. E lá se espreitou Luanda, durante os largos minutos em que o avião de fez à pista do aeroporto internacional! Já era a manhã de 30 de Maio. E que manhã de calor! Que logo nos levou a tirar o blusão e a experimentar o sabor da cerveja angolana.
O comandante Almeida e Brito, o oficial adjunto (capitão Falcão) e o oficial de transmissões (alferes Hermida) tinham viajado uma semana antes e lá estavam à nossa espera. A 1ª. companhia chegou no dia 1 de Junho; a 2ª. CCAV. desembarcou a 4; a 3ª. CCAV. a 5! Assim o Batalhão ficou completo para a jornada angolana - que se iria estender até Setembro de 1975.

sábado, 28 de maio de 2011

Desporto, recreio e espectáculo, antes da guerra...



Pavilhão do Clube Recreativo do Uíge, em Carmona 

A tensão cresceu nos últimos dias de Maio de 1975, em Carmona. Pressentia-se e sentia-se!  Os patrulhamentos eram constantes, na cidade e acessos. As NT, assoberbadas e sempre atentas, protegiam os pontos vitais da cidade - ainda que de forma camuflada, digamos. O aeroporto, as comunicações, o hospital, o abastecimento de água. A guarnição não tinha parança.
Os pequenos conflitos com os movimentos armados também se repetiam. Queriam eles controlar os itinerários - ao que opôs a tropa portuguesa - «a única autoridade militar constituída», como refere o Livro da Unidade. 
O mês de Maio de 1975, sublinha o mesmo livro, «foi o período onde, franca e verdadeiramente, se verificou a viragem das nossas possibilidades de uma ordem que se deseja e quer se impõe seja conseguida».
Carmona, agora Uíge, era a capital da província e, naturalmente, o seu ponto fulcral. Eram permanentes as  quezílias entre o MPLA e a FNLA (que «não aceitava muito bem qualquer outra opção política», numa terra que achava sua). Foram crescendo, tendendo sempre a aumentar, levedando ódios e suscitando instabilidades. A pequena guarnição militar tinha enorme dificuldade em fazer o seu papel de árbitro.
Por estes dias, um grupo de militares ensaiava um espectáculo que iria (mas não chegou) ser apresentado no pavilhão do Clube Recreativo do Uíge. E equipas militares, no  mesmo pavilhão, participavam em torneios de futebol de salão e basquetebol. Sem sabermos, fazíamos cultura, recreio e desporto, em vésperas da iminente guerra.
Assim foi na quarta-feira, dia 28 de Maio de 1975.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O dia em que a partida para Angola foi adiada

Viegas e Ferreira (Pimenta) na messe de cabos milicianos do RC4

A 27 de Maio de 1974, bem de madrugada, acompanhou-me minha mãe até ali abaixo, ao agora chamado Largo do Centro Social da ARCOR - até há pouco tempo baptizado de Cruzeiro. Foi de silêncios a nossa viagem, apeada, da casa ao largo, uns longos 150... metros - onde esperámos o carro do Neto, conduzido pelo Benigno, para com ele irmos de viagem até Santa Margarida. Era o dia da partida para Angola!
A despedida foi rápida: «Pronto, mãe!... Adeus, adeus... quando menos contar, cá estarei de volta!...», disse-lhe eu, cheio de nove horas, feito forte de alma e de coração.
«Adeus, rapaz!...», disse ela. Sem um ai, ou um qualquer sinal de amargura!
Lá fomos, pela estrada fora, a ver abrir a alvorada, até Santa Margarida. Pouco depois, soubemos que a partida fôra adiada para 4ª. feira, dia 29. E estávamos autorizados a voltar para casa. O Neto voltou e fiquei eu por lá, roubando-me a mais uma despedida. A ler, a parlapear com a tropa que por lá ficou e a dar uma volta pela Mata do Soares - por onde fizeramos o IAO! Por lá fui companheiro do Zé Ferreira (o Pimenta, na foto), outro aguedense e companheiro de escola, Ranger do curso seguinte (o terceiro) ao meu (o segundo).
Sabe bem, passados estes 37 anos, recordar estes momentos e, com uma vida entretanto feita, perceber e concluir como era generosa a nossa comunhão com o que a Pátria nos pedia. E pediu-nos a mobilização para Angola - para onde fomos pela razão que este blogue anda a contar.
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quinta-feira, 26 de maio de 2011

O domingo de véspera da minha partida para Angola



A 26 de Maio de 1974, um domingo, gravei o sinal de chamada para a missa. Já tinha a cassete com o dobrar de sinos do funeral do Quim, que se enterrara no dia 12, e eu próprio tocara um repenique de trindades, que fiz de aleluias na torre sineira da igreja.
O dia e a véspera foram passados a vadiar pela aldeia, olhando campos por onde até aí ajudava minha mãe no amanho minguado de terras - o subalo, a pontepedrinha, a codiceira, o serrado, a travessa, o vale do serrano, a longa, a arroteia, a tapadinha..., o valbom, o gramal!!! -, mandando falhas nas águas amoliçadas da pateira e a dar dois dedos de conversa com quem me cruzava nestas minhas horas do «adeus, que vou para... Angola!!!».
Foram dias descontraídos! Muito serenos! Minha mãe, ao tempo recém-viúva, lá me almofadou a mala e o saco que levava de viagem, com conselhos que ainda hoje guardo. «Lembra-se do que me disse faz hoje 37 anos?!...».
Não se lembrava a autora dos meus dias, hoje repousada no Jardim Social aqui do lado, quando há bocado lhe falei e até que lhe disse: « Foi quando fui para Angola!!!...».
«Ah, prá guerra!...», exclamou-se ela, agora a caminho dos 91 anos e de sorriso aberto, a tocar-me no ombro direito com uma espécie de soco, certamente a esconder-me a recordação das dores que ao tempo sentiu.  
Assim dito, logo desfiámos longa conversa, até que lhe chegou a hora da janta. Fui eu de seguida, e de carro, dar a volta por aqueles sítios de há 37 anos, fazendo «reconhecimento» dessas memórias e aqui estou, agora, a editar o post 880 deste blogue dos Cavaleiros do Norte. O tempo passa depressa!
- QUIM. Joaquim Augusto Tavares Pires, 36 anos, conterrâneo então falecido. Irmão de Porfírio, Lurdes, José e Fernando, o actual presidente da Junta de Freguesia de Ois da Ribeira, a minha aldeia natal e de residência. 
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O enconto dos Caçadores do Quitexe da CCS do 3879

A CCS do BCAÇ. 3879 no encontro de 15 de Maio de 2010, na Lourinhã

O encontro da CCS do Batalhão de Caçadores 3879 está marcado para o próximo dia 28 de Maio de 2011, às 10,30 horas, na Azóia, em Leiria.
Junta companheiros que pelo Quitexe jornadearam entre 1972 e 1973, antes de partirem para Ambrizete - onde concluíram a comissão que os levou a Angola.
O organizador é o 1º. cabo Casal, filho da avó do cantor David Fonseca e que, aqui no Cavaleiros do Norte, assina crónicas como António Fonseca. E que belas crónicas, de memórias e de saudades quitexanas!

A almoçarada será no restaurante O Casarão e a concentração no parque do dito cujo. Os Caçadores do Quitexe partilharão logo depois (11,30 horas) a celebração de missa na igreja local - antes do almoço (13).
«O resto...será conversa! Da boa!!!», diz-nos António Fonseca, o Casal da 3879.
Bom encontro, ó malta!!!