sexta-feira, 25 de março de 2011

O furriel Oliveira da Companhia do Liberato

O Liberato, ali ao lado esquerdo (no mapa) e visita do comandante Almeida e Brito (à direita, na foto), quando era oficial de operações operações do B/Cav 1917, em 1968


Ao sair esta tarde de uma assembleia geral, reconfortava-me numa esplanada de Águeda, com um parceiro da reunião, quando, em passo aligeirado e com a filha pelo lado, m´apareceu o Zé Marques, velho amigo de escola. E o que tem que ver o Zé Marques com os Cavaleiros do Norte?
Bom, o Zé Marques era o furriel Oliveira, da companhia do Liberato - essa mesmo que se revoltou por volta de Outubro de 1974, e quis avançar sobre Carmona. A companhia de militares angolanos que a CCS do BCAV. 8423 foi chamada a parar no asfalto da terra do café - entre Quitexe e Aldeia Viçosa.
A companhia era de militares angolanos, de todas as raças e cores, mas com quadros na sua maioria europeus. Era o caso do Zé Marques, furriel miliciano de alimentação - que chegou ao Liberato em rendição individual, por lá esteve dois meses com uma companhia formada no RI 21, de Nova Lisboa. E depois outra, a que se viria a revoltar, a CCAÇ. 209 - também do RI 21.
A CCAÇ. 209 dependia orgânicamente do BCAV. 8423 e, por isso, pelo menos duas vezes lá estive - em escoltas a delegações militares. Sem nunca encontrar o Zé Marques, por razão simples: ele era lá o furriel miliciano Oliveira e por ser natural do Caramulo, nunca ninguém o associou a Águeda - quando por gente de Águeda eu perguntava.
O desgosto da nossa conversa associou-se hoje ao insólito de termos concluído termos estado, numa visita do comandante Almeida e Brito (que o PELREC escoltava), a poucos metros um do outro, sem por nós darmos.
Como foi possível, Ó Zé Marques?!
A CCAÇ. 209 viria a ser a última do Liberato e«o nosso furriel» regressou a Portugal e ao seu Caramulo nas vésperas do Natal de 1974.
- ZÉ MARQUES. José Marques de Oliveira, furriel
miliciano de alimentação. Natural do Caramulo e
residente em Águeda.Aposentado da Caixa
Geral de Depósitos.

Ver AQUI.
AQUI

quinta-feira, 24 de março de 2011

O furriel que era... Capitão



Já viram o que é ser furriel e Capitão, ao mesmo tempo?! E como é que pode? Pois pode, sim senhor! Era o caso de Luís Ribeiro Capitão, de nome de baptismo e furriel miliciano de formação militar. Companheiro nosso, garboso Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel.
Já por aqui falámos dele e hoje aqui vem, de novo, para citar a Ordem de Serviço nº. 164, onde um louvor lhe sublinha «alto espírito de querer e inabalável vontade de cumprir». E também o «bom trato social, altamente disciplinado e exigente disciplinador», que se «mostrou sempre como exemplo a camaradas e subordinados».
O Capitão foi nosso companheiro diário no Quitexe - desde quando para ali se mudou a companhia de Santa Isabel, em Dezembro de 1974. O louvor faz referência ao tempo em que colaborou na secretaria da sub-unidade, tempo em que «confirmou em pleno toda a confiança já nele depositada, sendo incansável de trabalho, mesmo nas situações mais delicadas e difíceis que a sua companhia  viveu».
O documento, que respigo do Livro da Unidade, ainda salienta o facto de «sempre se oferecer, voluntariamente, para qualquer missão, por mais espinhosa que esta se apresentasse, merecendo, por tal, ver reconhecida a sua actuação». 
Grande e valente furriel Capitão!
- CAPITÃO. Luís Ribeiro Capitão, furriel miliciano atirador de
cavalaria, faleceu a 5 de Janeiro de 2010. Natural de Vila
Nova de Ourém, integrou a 3ª. CCAV. 8423, de Santa isabel.
Ver AQUI.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O comandante Carlos Almeida e Brito


A 36 anos de distância e amadurecidos pelos anos que nos foram formando, pelas glórias e tragédias da vida, pelas alegrias e saudades da nossa juventude, lembrar Angola e a jornada que por lá nos levou em missão, implica, necessariamente, citar Almeida e Brito, o nosso comandante. E o papel que teve na segurança de pessoas e bens do Uíge.
Nem sempre o entendemos!
Nem sempre aceitámos, de bom grado, a disciplina que exigentemente nos impôs. E quantas recalcitrâncias eu mesmo, então muito irreverente e jovem, lhe afrontei - quando os nossos sentidos de justiça se diferenciaram, em fronteiras que, todavia, nunca se extremaram. Sempre de cara aberta. Frontalmente. 
Almeida e Brito vem hoje a este espaço para lembrar os tempos de Carmona - onde e quando as graves confrontações militares entre MPLA e FNLA molharam o chão da cidade com o sangue de muitos mortos e muitos feridos. E com a tropa portuguesa na primeira frente, em defesa de civis indefesos e segurança dos pontos nucleares da cidade. Sob o seu comando.
Carmona, ao tempo, «escapava» aos incidentes que se multiplicavam por Angola fora e, em algum tempo, era mesmo a única capital de província em que não se tinham registado «batalhas» ou confrontações, mais ou menos graves.
Almeida e Brito foi o grande responsável pela gestão estratégica e militar da cidade. A Março de 1975, diariamente, contactava os dirigentes dos movimentos. Às quartas-feiras, reunia o Estado Maior Conjunto. E dessa estratégia, cito do Livro da Unidade, «tem-se verificado uma boa aceitação das medidas militares tomadas», o que, como naturalmente se conclui, originou «um clima de paz», que, de resto, «foi exemplo para terceiros».
Foi o grande comandante, no momento mais trágico, com a serenidade dos competentes, a coragem dos que não temem o perigo - antes o enfrentam em qualquer trincheira.
Por alguma razão, a 9 de Setembro de 1995, no 1º. Encontro dos Cavaleiros do Norte, foi citado como «o comandante maior».
A nossa continência, comandante Almeida e Brito!
- ALMEIDA E BRITO. Carlos José Saraiva de Lima Almeida e
Brito, tenente-coronel e comandante do Batalhão de Cavalaria
8423. Atingiu a patente de general e, depois da jornada de
Angola, foi, entre outros cargos, 2º. comandante da Região
Militar Centro, 2º. comandante geral da GNR e comandante
da Região Militar Sul. Faleceu a 20 de Junho de 2003,
subitamente e durante um passeio em Espanha. 

terça-feira, 22 de março de 2011

O bom, competente e comunicador furriel Lino



O Lino, lembram-se do Lino?!
Era mecânico-auto e dele, da sua competência e capacidade de desenrascanço, muitas vezes dependia a operacionalidade das viaturas. E ai do burro de mato, ai da berliet, ai de qualquer viatura militar que não estivesse afinada na hora, quando a hora fosse de arrancar para qualquer missão.
O Lino jornadeou por Santa Isabel e foi parar ao Quitexe, quando a 3ª. Companhia por ali assentou praça. Era gajo de muitas palavras, de muitos feitos, um enorme contador de lendas e mercador de coisas africanas. Era um camaradão, sempre com uma qualquer solução para um qualquer problema ou dilema que surgissse. E regava-os, como às conversas, com a fluidez de quem sabia engenheirar as palavras, para explicar o que quer que fosse.
Era, assim, pois, um grande comunicador.
O capitão José Paulo Fernandes, seu comandante de Santa Isabel, levou-lhe o nome a louvor público, testemunhando-o como «exemplo a destacar».
A Ordem de Serviço 174 publicou o louvor e nele se lê que foi «grandemente responsável pela alta percentagem de operacionalidade das viaturas da sua sub-unidade, facto reconhecido superiormente pela sua inesgotável actividade e pelo seu alto auto-espírito de missão».
Mais dele dizia o louvor: «Bom condutor de homens, disciplinado, possuindo raros dons de convivência, de camaradagem, de trato e de comunicabilidade, soube disso tirar partido para conseguir processos de trabalho ímpares».
Que mais dizer do bom do Lino?
- LINO. José Rodrigues Lino. Furriel miliciano mecânico-auto, da
3ª. CCAV. de Cavalaria 8423. Empresário do sector das madeiras, no Fundão.
- BURRO DE MATO. Unimog, viatura de transporte de militares, de
banco corrido ao centro e ao longo da carroçaria.

segunda-feira, 21 de março de 2011

A mulher que pediu ajuda aos Cavaleiros do Norte

A foto mostra-nos a Avenida Portugal, em Carmona - uma das principais. E vem aqui a propósito do sinaleiro e do jeep que se vêem. Mais ou menos neste local, nos dias dramáticos de Junho de 1975, uma mulher pediu apoio à Berliet que passava e recolhia civis, levando-os dos perigos da cidade que se metralhava e bombardeava, para a segurança que lhes dava a parada do BC12.
Ia na Berliet um grupo de militares do PELREC e a missão era essa: recolher civis que pedissem protecção. Assim fazíamos, ajudando-os até a subir e a carregar alguma mala ou saco que trouxessem.
Ali, ao final de uma manhã metralhada pela fúria de fnla´s e mpla´s, fúria que não respeitava civil de militar, uma mulher, branca e com três ou quatro crianças na roda da saia, pediu protecção à tropa. Pois assim seria.
Estranhamente, o sempre solícito e generoso Marcos reagiu, negando-se a apoiá-la. Foram momentos menos bons. «Mas  que se passa, Marcos?", perguntei eu, empoleirado na Berliet.
«Esta, não!...», respondeu-me ele, a manear a cabeça e a bater com as botas no passeio, enquanto passava a faca de mato na coxa direita do camuflado e na mão esquerda segurava a G3.
Aquilo deixou-me intrigado e violento.
O Marcos não era rapaz de evitar uma ajuda, de recusar uma mão, de dar um pé atrás ao perigo. Que mosca lhe mordera? "Ajude a mulher, pá!... Ó Francisco, ajude também, pá...», gritei eu, de teimoso e exigente.
As rajadas e o estiouro de morteiros continuavam a ouvir-se de longe, fazendo eco pela avenida, e o Marcos ajudou, encavalitou as crianças na caixa da Berliet, ajudou a mulher a subir e ela lá se juntou, com as crianças, aos outros civis que já levávamos.
No BC12, veio o Marcos à fala comigo: «O furriel foi injusto!..., não me devia ter obrigado», acusou-me.
«Porquê?!», perguntei eu.
«Aquela gaja ainda há dias nos insultou naquele sítio, mesmo naquele sítio...», lembrou-me o Marcos.
Justamente naquele mesmo passeio, na verdade, ia eu, ele e o António, de PM e no jeep conduzido pelo Breda,  quando parámos à ordem do sinaleiro. A civil encharcou-nos de nomes e cuspiu para o chão, endemonizou-nos. Já na altura, o Marcos - que era rapaz de baixa estatura mas de coragem enorme - quisera reagir às ofensas. Não o fez.
Agora, ter de a ajudar, ter de «salvá-la», era demais.
Soube que, dias depois e na parada do BC12, o Marcos pediu satisfações à mulher. E que a perdoou.
- MARCOS. João Manuel Lopes Marcos, soldado atirador. Reside no Pêgo (Abrantes).
- FRANCISCO. Vitor José Ferreira Francisco, soldado atirador de cavalaria. Reside na Marinha Grande.
- ANTÓNIO. Francisco Fernando Maria António, soldado atirador de cavalaria.  Residente em Mação.
- BREDA. Joaquim Rama Breda, 1º. cabo condutor, de Leiria.

domingo, 20 de março de 2011

Os camuflados, as dores e os lutos de quem ia para a guerra




Aos idos tempos de 1974, não era comum verem-se militares de camuflado nas ruas de Portugal. Eram sinal de guerra, de morte, de viuvez, de orfandades, de dor! Julgo mesmo que tal era proibido aos militares.
Os camuflados - salvo casos muito específicos - só eram vestidos na chamada metrópole por forças especiais (e muito, muito raramente). E nem sequer os mobilizados para as várias frentes da guerra ultramarina os usavam, mesmo em vésperas de partida.
Vestiam-se normalmente as fardas de trabalho, nos aquartelamentos, ou a nº. 2, nas saídas.
As famílias dos militares, elas mesmas de alguma forma recatavam as fardas da guerra - quiçá imaginando o sofrimento que iriam ter quem os ia vestir - os filhos, os maridos, os namorados, os irmãos. Foi o que aconteceu quando a minha casa cheguei com calças, camisas e dolmans camuflados, comprados no Casão Militar do Porto e a que minha mãe tinha de dar mão de costureira, para os ajustar ao corpo.
- «Então é esta a roupa da guerra?!!!», perguntou-me ela, por estes dias de Março de 1974 - enquanto alinhavava a altura das baínhas das calças e a largura das camisas, ajustando-as à cinta.
Que era, lhe disse eu.
«Tá bem!!!..», retorquiu-me, de olhos tristes e quando já reforçava os botões, pregando-os com mais linha, mais forte, mais segura, com o cuidado de a usar de cor verde - assim que sumariamente lhe expliquei porque daquelas cores eram os camuflados.
Ainda ali os tenho (são os meus despojos de guerra!!!) e ainda de vez em quando ela me pergunta por eles, em brincadeira de mãe: «Agora, nem te servem...». E risse.
Pois não!
Já lá vão 37 anos e 20 e tal quilos depois!  

sábado, 19 de março de 2011

A compra do fardamento no Casão Militar do Porto




A 19 de Março de 1974 fui tio pela segunda vez e, com o Chico Neto, fui ao Casão Militar do Porto comprar o fardamento que tínhamos de levar para o ultramar. Recebíamos um abono cujo valor não recordo e a nosso cargo (dos 1º.s cabos milicianos e aspirantes a oficiais milicianos) ficava a aquisição.
O BCAV. 8423 estava desde a véspera em gozo da chamada Licença de Normas - 10 dias de férias!!!... - e eu e o Neto, com o apetite dele em ir ver o Rally de Portugal que passava nas serras do Préstimo (Águeda), por lá passámos na minha estreia nesta matéria desportiva, ainda ajudámos a mudar uma roda a um piloto estrangeiro e fomos almoçar ao Porto, depois comprando os camuflados, as botas e outros artefactos.
O à-parte desta nota tem a ver com a minha ignorância em matéria de ralis e, depois, o entusiasmo que me levedou a alma por ver um português a lutar pelos primeiros lugares - era Francisco Romãozinho, em Citroen GS, que acabaria a prova no oitavo.
O rali decorria numa época complicada pela crise petrolífera, mas a conhecida capacidade de César Torres resolveu a questão. Estou certo se lembrar que a gasolina veio da Venezuela, negociada por ele, que ao tempo era o presidente do Automóvel Clube de Portugal? Não estou seguro.
As compras no Casão Militar do Porto foram rápidas e poupadas. Era «moda» não gastar todo o abono que nos era dado e assim fiz eu e o Neto - e faziam todos... - sobrando-nos alguns trocos para guardar no bolso para Angola. Eram magros, muito magros, os dinheiros de então.

- CASÃO MILITAR. Organismo estatal que, ao tempo, dava apoio comercial, com custos mais baixos, a todas os familiares das forças armadas - a nível alimentar e de vestuário, sendo conhecido por Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento. O do Porto, ficava na Rua da Boavista.
- SOBRINHO. José Fernando Morais Moreno, 37 anos, (ex)remador internacional do Náutico de Viana (do Castelo), campeão nacional e ibérico. Por duas vezes, atleta pré-olímpico - numa delas ficando a dois centésimos do apuramento para os Jogos de Montreal. Treinador da modalidade e professor, meu sobrinho e afilhado.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Os dias e as noites à procura de conhecer a cidade de Carmona

Rua do Comércio nos anos 70. Residencial Apolo, ao fundo


Os primeiros dias de Carmona, em Março de 1975, foram de natural curiosidade em conhecer a urbe, para muitos dos Cavaleiros do Norte. A esmagadora maioria nunca tinha vivido em cidade, alguns de nós praticamente nunca tínhamos saído das aldeias (era o meu caso...), razão porque se imagina o que era a aventura de lhe conhecer os ventres e os sítios de desejo. Escuso, aqui, de falar em nomes, mas eram conhecidos os mais tórridos sítios onde se animava a alma e satisfazia o corpo dos jovens Cavaleiros do Norte.
Sítios mui frequentados. E de noites e vícios mui vividas e desejados. 
Outro vício, passou a ser o de ouvir relatos de futebol português - que já se ouvia rádio na cidade. E ir jantar aos restaurantes carmonianos, assim tal permitissem as algibeiras. Passou a ser moda ir ao Escape, dar uma saltada ao Xenú, ao Leão d´Ouro, ao aeroporto, ou ao Peixoto, as piscinas ou até o bar do Eugénio. E porque não lembrar o Diamante Negro, onde tantas noites se engravidaram de prazeres, lá para os lados do campo de Recreativo do Uíge?! Lembro-me bem?

quinta-feira, 17 de março de 2011

Cavaleiros do Norte «admitem» 2 Companhias de Caçadores





A 17 de Março de 1975, há precisamente 36 anos, o Batalhão de Cavalaria 8423 assumiu o controlo operacional da Companhia de Caçadores 4741, estacionada no Negage, e da 1ª. CCAÇ. 4911, do BCAÇ. 491, em Sanza Pombo.
Ao tempo, operavam-se mudanças no dispositivo militar da RMA e estas, na área da província do Uíge, tendiam a aproximar as guarnições da capital (Carmona), concertando acções - na dependência directa da ZMN, que a partir de 24 de Março passou a ter Almeida e Brito como comandante interino.
Os Cavaleiros do Norte, esses, instalados no aquartelamento do (entretanto extinto) Batalhão de Caçadores 12, na saída para o Songo, adaptavam-se à vida e postura de cidade.
A alguma displiscência de atavio, tolerada em guarnições não urbanas, passou a ser mais «fiscalizada» pela entretanto criada Polícia Militar - com efectivos do próprio Batalhão e com a missão de olhar o aprumo dos militares na cidade e, em casos mais delicados, intervir para que se serenassem ânimos. E lembremos que, ao tempo, já era visível a animosidade da população civil, relativanente à comunidade militar.
- ZMN. Zona Militar Norte.
- CCAÇ. 4741. Companhia de Caçadores 4741/72. Esteve em Angola de 1972 a 1974. Contactos: João Maria Marques Celorico, telefones 966643705 e 969642502; e M. Santos, 224835548.
. BCAÇ. 4911. Batalhão de Caçadores 4911. Esteve em Angola de 1973 a 1975. Contacto: Duarte, telefone 933643769.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A revolta das Caldas e os futuros Cavaleiros do Norte

Pavilhão do RC4 onde estiveram detidos os sargentos e alguns oficiais da Revolta das Caldas e foi «casa» dos furriéis milicianos do BCAV. 8423 (foto de 26 de Agosto de 2010). Em baixo, 1ª. página do Diário de Notícias a noticiar o levantamento militar abortado a 16 de Março de 1974. Há 37 anos!


O chamado Levantamento das Caldas, Intentona das Caldas ou Revolta das Caldas aconteceu na madrugada de 16 de Março de 1974. Faz hoje 37 anos! Era um sábado e nós, os futuros Cavaleiros do Norte, tínhamos entrado, na véspera, no gozo da chamadas Licença das Normas - que, na prática começavam a 18, 2ª.-feira seguinte, e iriam até 28.
A tentativa de golpe de Estado é tida por muita gente como o pronúncio do 25 de Abril e muitas vezes é citada como o catalisador que aglutinou o oficialato em torno do MFA.

Nós, por Santa Margarida, de nada disso sabíamos e, em casa e no dia um de férias, devem imaginar a estupefacção ao ver, na RTP do tempo, a notícia da revolta abortada. 
Soube-se, mais tarde, que  estava prevista a participação de outras unidades militares, mas só o Regimento de Infantaria 5 das Caldas da Rainha avançou para Lisboa, sob o comando do capitão Armando Marques Ramos. Isolado na «aventura», foi travado por unidades leais ao regime, já às portas de Lisboa e sem derramamento de sangue.
As consequências não se fizeram esperar e foram presos cerca de 200 homens, entre oficiais, sargentos e praças. O que viemos a saber, após o nosso regresso ao RC4, é que os (ou alguns) sargentos e oficiais milicianos da revolta estiveram detidos no pavilhão que, no RC4, nos «hospedava» como mobilizados para Angola.
Seria nele que, a 25 de Abril, de 1974, eu mesmo iria saber notícias do dia quando, madrugador como sempre, desfazia a barba e ouvi o comunicado: «Aqui, posto de comando do Movimento das Forças Armadas...». Fui a correr acordar a malta, que ainda dormia o último sono.

terça-feira, 15 de março de 2011

O primeiro patrulhamento misto na cidade de Carmona


Vista aérea do BC12, em Carmona, de onde saíram os patrulhamentos mistos.
Em cima, a estrada para o Songo

A 15 de Março de 1975, em Carmona, realizou-se o primeiro patrulhamento misto - envolvendo militares portugueses e forças da ELNA, das FAPLA e das FALA.
Fomos «avisados» de véspera, chamados ao Gabinete de Operações do BC 12, com indicações precisas sobre como agir. Tivemos alguns receios, uma mão-cheia de dúvidas! Como vai ser e não vai? Quem comanda quem? Que armamento? De Luanda, continuavam a chegar-nos notícias preocupantes sobre a (não) aproximação pacífica dos elementos dos três movimentos emancipalistas e muito embora em Carmona se vivesse na paz dos anjos, não seria de espantar que, a um qualquer  momento, pudessem rebentar problemas. Bem prevenidos andávamos para tal.
De mais perto - mais perto que Luanda, já quase nas nossas barbas... -, havia também notícias de incidentes em Salazar. E não eram as melhores.
«Verificou-se o deteriorar da situação», anota o Livro de Unidade.
E nas nossas memórias estavan frescos os incidentes de Aldeia Viçosa, a 2 de Fevereiro - onde a 2ª. Companhia (do capitão Cruz) teve de puxar dos galões (e das armas e da coragem da guarnição) para sanar as diferenças que FNLA e MPLA queriam resolver a tiro e à bomba.
A experiência do patrulhamento misto, felizmente, veio a decorrer sem quaisquer problemas. A FNLA comemorou o seu aniversário nos locais da cidade que entendeu e às forças mistas coube fazer a respectiva segurança. 
Ver AQUI.
E AQUI.
- ELNA. Exército de Libertação Nacional de Angola, força armada da UNITA.
- FAPLA. Forças Armadas Populares de Libertação de Angola, forma armada do MPLA.
- FALA. Forças Armadas de Libertação de Angola, força armada da FNLA.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A preparação militar de há 37 anos, em Santa Margarida

Marco geodésico da Mata do Soares. Por aqui andou
o BCAV. 8423 a fazer a sua preparação militar

A 15 de Março de 1974, o Batalhão de Cavalaria 8423 teve a primeira inspecção de Instrução Operacional, depois de uns vários dias de «guerra» na Mata do Soares. Preparação militar intensa, quase «real» - durante a qual, de forma muito aproximada, se recreava o ambiente de guerra. 
O dia de hoje (dia 14, uma quinta-feira) de há 37 anos, era assim aguardado com expectativa. É que, assim fosse feita a inspecção de sexta, iríamos de imediato ter as chamadas Licenças de Normas: 10 dias de férias.
Mal sabíamos nós o que se preparava para o dia 16, a chamada revolta das Caldas. Nem imaginávamos!
Por nós, de malas e sacos feitos, o importante era que a inspecção corresse bem (e correu!...) e, sobre operacionalidade e pontualidade, firmeza, competência, coragem, atavio, aprumo e disciplina, etc., etc., nos mandava recados o comandante Almeida e Brito - por quem, ao tempo, tínhamos respeito medido em distância física. Nada de grandes intimidades. Por ele, nos falavam os aspirantes a oficiais milicianos (futuros alferes), gente da nossa escola e idades. Ou, menos vezes mas sempre mais austeros e exigentes, os sempre inspectivos 1º.s sargentos. Que não eram posto de muitas empatias com os futuros furriéis milicianos.
A noite de hoje, de Março de 1974, foi tenpo para, no SIMCA 1100 do Neto, «voarmos» Tramagal fora, a caminho de Abrantes - para refeiçoar em restaurante já nosso conhecido e por cuja portas e arredores se passeavam meninas que nos aguçavam os olhos e despertavam apetites. Tínhamos nós, futuros Cavaleiros do Norte, então, uns graciosos e esfomeados 21 para 22 anos de desejos.

domingo, 13 de março de 2011

O 2º. Comandante do Batalhão de Cavalaria 8423





A um dia de meados de Março de 1975 chegou a Carmona o capitão José Diogo Themudo, que viria a ser o 2º. Comandante do Batalhão de Cavalaria 8423.
O oficial inicialmente nomeado para a função, o major Ornelas Monteiro, apresentara-se a  4 de Fevereiro de 1974, ainda no Campo Miliar de Santa Magarida, mas fôra desmobilizado em vésperas do embarque para Luanda - por solicitação do Movimento das Forças Armadas (MFA). Esteve, assim, o Batalhão de Cavalaria 8423 sem 2º. Comandante nada mais nada menos que cerca de 10 meses - entre Portugal e Angola.
José Diogo Themudo veio a ter papel determinante na história dos Cavaleiros do Norte, que interinamente comandou a partir de 24 de Março - quando o tenente-coronel Almeida e Brito passou a comandar a Zona Militar Norte. Também interinamente.
Era oficial discreto, eficaz, competente, dos que não precisam de exigir palada para serem respeitados. Ele próprio contou a este blog a forma como chegou a Carmona e aos Cavaleiros do Norte, depois de uma mobilização que não teve destino, de umas «férias» passadas nas praias e apetites de Luanda, à espera de ser colocado, e até que o destino o pôs à fala com Almeida e Brito - que no aeroporto de Luanda o convidou para 2º. comandante do BCAV. 8423.
Ver AQUI. 

sábado, 12 de março de 2011

O ADEUS DA 2ª. CCAV. À VILA DE ALDEIA VIÇOSA



Aldeia Viçosa, alguns anos antes da passagem da 2ª. CCAV. 8423


A 11 de Março de 1975, completou-se a rotação da 2ª. CCAV. 8423 de Aldeia Viçosa para Carmona. Somava-se uma nova etapa da jornada angolana dos comandados do capitão miliciano Cruz.
Um primeiro grupo de combate desta companhia já estava na cidade, deslocado aquando da rotação da CCS, a 2 de Março. Reforçava-se, assim, a guarnição citadina - que estava muito reduzida. Pouco mais era, mesmo a partir desta data, que a CCS e a própria 2ª. CCAV. 8423. E a verdade é que era uma garnição manifestamente insuficiente para «garantir os serviços solicitados ao batalhão». Que eram muitos.
Sem precisar o período, ocorre-me que os militares operacionais estavam de serviço dia-sim-dia-não - e apenas para garantir a segurança do BC12, do Comando da Zona Militar Norte (e do Sector), numa altura em que já se murmuravam prováveis retaliações dos militantes dos movimentos emancipalistas, nomeadamente dos chegados do mato e em relação a alguns civis. A sobrecarga de serviços levou mesmo, por esse tempo, a que alguns especialistas passassem a fazer serviço de escala, no interior das unidades, para, de alguma maneira, folgar os que repetidamente tinham de sair - para patrulhamentos, escoltas, policiamentos e outras acções no exterior.
O companheiros da 2ª. CCAV. 8423, naturalmente, folgaram com esta transferência: a cidade oferecia-lhes um mundo civil que inexistia em Aldeia Viçosa. E a chegada a Carmona era, também, a sua primeira etapa no caminho para Lisboa. Que aconteceria a 10 de Setembro. Não se sabia, a esse tempo, mas ainda faltava meio ano.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O aquartelamento da 1ª. CCAV. 8423 na fazenda de Zalala


Aquartelamento de Zalala, onde estacionou a 1ª. CCAV. 8423


O Dias jornadeou por Zalala, depois por Vista Alegre e Carmona, antes de Luanda e de voltar a Lisboa, nos primeiros dias de Setembro de 1975.
Mandou-nos uma foto do aquartelamento e com uma definição claríssima de posições. Foto, faz dele questão de frisar, «
obtida de ângulo com visionamento total» das instalações militares da subunidade comandada pelo capitão miliciano Castro Dias.
Diz o Dias, o furriel:
«As instalações mais à direita, estavam fora do arame farpado e eram, as do primeiro plano, destinadas a militares que quisessem ter lá a família. Creio que nunca foram utilizadas para esse fim, pelo menos pelo nosso pessoal. Recordo-me de uma situação de punição, do foro disciplinar, em que foi uma das dependências utilizada como cela.
Atrás destas, era o campo de futebol e depois, uma serração de madeiras. Dizia-se que neste local, em 1961, foram mutilados corpos de cidadãos brancos.

Na parte do centro esquerda, temos então o aquartelamento. A vista da entrada é impedida por pavilhões de café, contíguos ao parque de viaturas e refeitório. A seguir, as casernas - à esquerda e á direita. Do lado esquerdo, ficavam também a cantina, as transmissões e o material de guerra. Mais à esquerda, o edifício mais pequeno, eram as instalações sanitárias e de higiene, com o posto de sentinela no "primeiro andar". Ao fundo, uma torre com depósito de àgua e um outro posto de vigia. Antes desta, um pouco à direita, o edifício de comando e a messe de oficiais e, mais à direita, o edifício que, na cave, albergava a enfermaria e, no rés do chão, a secretaria, o bar, a messe e aposentos de sargentos.
- DIAS. João Custódio Dias, furriel miliciano
de transmissões de infantaria. Aposentado da
Polícia Judiciária e residente em Tomar.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Capitão José Paulo Fernandes, comandante da 3ª. CCAV. 8423

Capitão miliciano José Paulo Fernandes, comandante
da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel


A 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes, ficou no Quitexe - quando, a 2 de Março de 1975, a CCS rodou para o BC12. Muitas dores de cabeça por lá iria ter.
O comandante do Batalhão, tenente-coronel Almeida e Brito, prestou-lhe louvor, ao capitão Fernandes, na Ordem de Serviço nº. 174, sublinhando-lhe «a acção desenvolvida no comando da subunidade», funções em que «soube tirar partido das possibilidades logísticas» e, assim, «garantindo o verdadeiro cumprimento da mossão que lhe foi determinada».
O destaque do louvor vai, em particular, para o período da «eclosão dos braves acontecimentos de confronto armado entre os movimentos de libertação, na área do Quitexe».
Ao tempo, «o desequilíbrio» de forças era notório, mas os bravos cavaleiros de Santa Isabel, sob comando do capitão miliciano José Paulo Fernandes, «garantiram o cabal cumprimento da missão» que lhe estava atribuída. 
É o organizador do Encontro da 3ª. CCAV. 8423 de 2011, em Torres Vedras, a 4 de Junho. Pode ser contactado pelo telemóvel 917588737.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Os garbosos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa



A 2ª. CCAV. 8423 estava aquartelada em Aldeia Viçosa, a uns 40 quilómetros do Quitexe, sempre em piso de asfalto. Na chamada Estrada do Café, entre Carmona e Luanda.
Era comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz, que a memória do batalhão veio a fixar como oficial que «aquando da eclosão do grave conflito armado entre os movimentos de libertação, na cidade de Carmona» liderou pessoal que «deu verdadeiros exemplos de dedicação, desembaraço e espírito de sacrifício» - como se lê no louvor publicado na Ordem de Serviço nº. 174.

Tinha este quadro de oficiais e sargentos:

COMANDANTE
- CRUZ. José Manuel Romeira Pinto da Cruz, capitão miliciano, professor do ensino secundário, aposentado. Residente m Esmoriz.

ALFERES MILICIANOS
- CAPELA. Jorge Manuel de Jesus Capela, atirador de cavalaria. Empresário do sector da contabilidade e informática, residente em Oeiras.
- CARVALHO. Domingos Carvalho de Sousa, atirador de cavalaria. Técnico de vendas, residente em Marrazes (Leiria).
- MACHADO. João Francisco Pereira Machado, operações especiais. Aposentado da administração fiscal, residente na Amadora.
- MENESES. Manuel Meneses Alves, atirador de cavalaria. Chegou em Fevereiro de 1975. Reside em Leiria.
- PERIQUITO. João Carlos Lopes Periquito, atirador de Cavalaria.
- RAMOS. Fernando António Morgado Ramos, atirador de cavalaria. Colocado na 2ª. CCAV. 8423 em Maio de 1975 (além do QO).

SARGENTOS
- EIRA. Manuel Alcides da Costa Eira, 2º. sargento miliciano de enfermagem. Residente em Vila Real. Chegou à 2ª. CCAV. em Abril de 1975
- NORTE. Fernando Mendes Pereira Norte, 1º. sargento. Falecido. Residia na Cova da Piedade.


FURRIÉIS MILICIANOS
- BREJO: João António Piteira Brejo, atirador de cavalaria. Aposentado, residente em Palmela.
- CHITAS. António Milheiras Courinhas Chitas, armamento pesado. Residente no Sobralinho (Vila Franca de Xira).
- COSTA. José Manuel Cerqueira da Costa, atirador de cavalaria. Residente em Santa Cruz do Bispo (Matosinhos).
- CRUZ. António Oliveira da Cruz, atirador de cavalaria. Residente em Figueiró (Vieira do Minho). 
- FERREIRA. José Maria Freitas Ferreira, atirador de cavalaria. Foi reclassificado como amanuense e colocado em Luanda, na CCS do QG, a 1 de Novembro de 1974.
- GOMES. José da Silva Gomes, atirador de cavalaria. Residente em Vila Nova do Prado (Vila Verde).
- GUEDES. António Artur César Monteiro Guedes, atirador de cavalaria. Aposentado da GNR, residente em Foros de Salvaterra (Salvaterra de Magos).
- LETRAS. António Carlos Dias Letras, operações especiais. Empresário da área do mobiliário metálico, residente em Palmela.
- MARTINS. Amorim António Barrelas Martins, atirador de cavalaria. Residente em Pegões (Gare).
- MATOS. Mário Augusto da Silva Matos, atirador de cavalaria. Quadro de empresa, residente em Anadia. 
- MELO. José Fernando Nôro Dias de Melo, atirador de cavalaria. Agente da GNR, aposentado. Reside em Leiria.
- MOURATO. Abel Maria Ribeiro Mourato, vagomestre. Residente em Vila Viçosa.
- PINTO. Jesuíno Fernandes Pinto, atirador de cavalaria. Residente em Parada de Gatim (Vila Verde).Chegou à 2ª. CCAV. em Agosto de 1974.
- RAMALHO. Rafael António Pimenta Ramalho, atirador de cavalaria. Funcionário público aposentado, reside em S. Bartolomeu (Vila Viçosa).
- REBELO. António Augusto Faria Novais Rebelo, transmissões de infantaria. Funcionário camarário em Guimarães.
- Nota: Estes dados poderão ~
ter uma ou outra desactualizações.

terça-feira, 8 de março de 2011

Os valorosos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel


Fazenda Santa Isabel, onde esteve aquartelada
a 3ª. CCAV. do BCAV. 8423


A 3ª. CCAV. do BCAV. 8423 aquartelou-se em Santa Isabel, até aos primeiros dias de Dezembro de 1974. Era comandada pelo capitão  miliciano José Paulo Fernandes.Juntou-se à CCS, no Quitexe, e com os nossos companheiros acamaradámos por três meses, partilhando os mesmos espaços, as mesmas glórias e tragédias, até a mesma mesa.
O grupo de valorosos e garbosos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel tinha os seguintes quadros, da respectiva cadeia de comando:

COMANDANTE
- FERNANDES. José Paulo Oliveira Fernandes, capitão miliciano. Engenheiro, empresário do sector da informática, residente em Torres Vedras.

ALFERES MILICIANOS
- PEDROSA. Luís António Pedrosa de Oliveira, atirador de cavalaria. Reside em Marrazes (Leiria).
- RODRIGUES. Augusto Rodrigues, operações especiais. Quadro do Instituto de Metereologia, no aeroporto de Lisboa.
- SILVA. Carlos Almeida e Silva, atirador de cavalaria. Trabalha na área da contabilidade, residente no Entroncamento.
- SIMÕES. Mário José Barros Simões, atirador de cavalaria. Bancário, residente nas Caldas da Raínha.


1º. SARGENTO
- MARCHÃ. Francisco António Gouveia Marchã.

FURRIÉIS MILICIANOS
- BELO. Agostinho Pires Belo, alimentação. Aposentado da administração fiscal, residente no Retaxo (Castelo Branco).
- CAPITÃO. Luís Ribeiro Capitão, atirador de cavalaria. Já falecido. Foi motorista da CP e residia em Vila Nova de Ourém.
- CARDOSO. João Augusto Martins Cardoso, transmissões. Aposentado da administração fiscal, residente em Coimbra.
- CARVALHO. José Fernando da Costa Carvalho, atirador de cavalaria. Aposentado da PSP, reside no Entroncamento.
- FERNANDES. António da Costa Fernandes, atirador de cavalaria. Professor, residente em Braga.
- FLORA. António da Silva Flora, atirador de cavalaria. Quadro da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa. Residente em Odivelas.
- GORDO. António Luís Barradas Mendes Gordo, atirador de cavalaria. Funcionário municipal, em Alter do Chão.
- GRACIANO. Graciano Correia da Silva, atirador de cavalaria. Empresário do sector agrícola, residente em  Souto (Lamego).
- GUEDES. Vitor Mateus Ribeiro Guedes, atirador de cavalaria. Já falecido. 
- LINO. José Rodrigues Lino, mecânico-auto. Empresário do sector de madeiras, residente no Fundão. 
- LOPES. José Avelino Grenha Lopes, atirador de cavalaria. Empresário do sector têxtil, residente em Lisboa.
- QUERIDO. José Adelino Borges Querido, atirador de cavalaria. Empresário comercial, residente em Odivelas.
- RABIÇO. Ângelo Tuna Rabiço, enfermeiro. Professor aposentado, residente em Guimarães.
- REINO. Armindo Henriques Reino, operações especiais. Aposentado da GNR, residente no Sabugal.
- RICARDO. Alcides dos Santos da Fonseca Ricardo, atirador de cavalaria. Residente em Loures.
- RIBEIRO. Delmiro da Silva Ribeiro, atirador de cavalaria. Engenheiro aposentado da PT, residente em Vila Real.
- NOTA: um ou outro destes dados poderão não estar actualizados.
Ver AQUI.
E AQUI.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Os Cavaleiros do Norte de Zalala

Aquartelamento da 1ª. CCAV. 8423

Zalala foi o primeiro aquartelamento da 1ª. Companhia de Cavalaria 8423, comandada pelo capitão miliciano Castro Dias. Não era sítio fácil, antes de muitos desafios e medos - que por lá se viveram muitas tragédias, desde os tempos dramáticos de 1961. Até que de lá levantou a última guarnição militar portuguesa, a 25 de Novembro de 1974.
Agora, aqui me foi perguntada a composição da Companhia.
Aqui deixo a relação de oficiais e sargentos, com as respectivas especialidades:

Comandante
-  CASTRO DIAS. Capitão Miliciano Davide de Oliveira Castro Dias, professor aposentado e dirigente sindical. Residente em Rio Tinto (Porto).

Alferes milicianos
- SOUSA, Mário Jorge de Sousa Correia de Sousa, operações especiais.
- ROSA: Pedro Marques da Silva Rosa, atirador de cavalaria. Residente no Laranjeiro (Almada). 
- SAMPAIO: Carlos Joao da Costa Sampaio, atirador de cavalaria. Residente em Lisboa.
- LAINS. José Manuel Lains dos Santos, atirador de cavalaria, residente em Cadafais (Alenquer).

1º. Sargento
- PANASCO. Alexande Jaquim Fialho Panasco, 1º. sargento de cavalaria. Residente em Carnaxide (Lisboa).

Furriéis Milicianos
- ALDEAGAS. João Matias Mota Aldeagas, atirador de cavalaria. Residente em Estremoz.
- BARATA. Jorge António Eanes Barata, atirador de cavalaria.
- BARRETO. Jorge Manuel Mesquita Barreto, enfermeiro. Aposentado da função pública, residente em Rio Tinto.
- COSTA. Vitor Moreira Gomes da Costa. Residente em Famões (Odivelas).
- DIAS. João Custódio Dias. Transmissões de Infantaria. Aposentado da Polícia Judiciária, residente em Tomar.
- DIAS. Manuel Dinis Dias, mecânico-auto. Residente em Lisboa.
- EUSÉBIO. Eusébio Manuel Martins, atirador de cavalaria. Funcionário público em Belmonte.
- LOURO. José dos Santos Louro, atirador de cavalaria. Residente em Évora.
- NASCIMENTO. João António Moreira do Nascimento, alimentação.
- PINTO. Manuel Moreira Pinto, operações especiais. Residente em Paredes.
- QUEIRÓS. Plácido Jorge Oliveira Guimarães Queirós, atirador de cavalaria. Aposentado, residente em Braga.
- RODRIGES. Américo Joaquim da Silva Rodrigues, atirador de cavalaria. Residente em Vila Nova de Famalicão.
- VELEZ. Vitor Manuel Conceição Gregório Velez, atirador de cavalaria. Residente na Amadora.
- VIANA. Fernando Manuel da Mota Viana, atirador de cavalaria. Residente em Braga.
Um dia, aqui poremos a relação dos praças.
Ver AQUI.
E AQUI.

domingo, 6 de março de 2011

A chegada dos especialistas do BCAV. 8423 a Santa Margarida

Entrada do Campo Militar de Santa Margarida


A 4 de Março de 1974, já lá vão 37 anos, e após o breve interregno que se sucedeu aos exercícios finais da Escola de Recrutas (ER), os especialistas do BCAV. 8423 começaram a  fazer as suas apresentações no RC4 - a unidade mobilizadora, no Campo Militar de Santa Margarida.
Os especialistas - enfermeiros, mecânicos, condutores, operadores de transmissões, rádios-montadores, administrativos e amanuense, entre outros - tinham recebido formação específica em outras unidades, de um pouco por todo o país, e apresentavam-se mobilizados para formar a grande família - a que viria a ser a dos Cavaleiros do Norte.
Foi, na verdade, por estes dias que se completou o efectivo do BCAV. 8423 - numa altura em que se efectuou a mudança de aquartelamento, para um Destacamento do RC4. Onde se instalaram todos os praças. Oficiais e sargentos continuaram no RC4, os 1ºs. cabos milicianos num dos pavilhões ao lado do Regimento de Engenharia - para onde, a 16 de Março (estávamos nós de férias), foram deslocados alguns detidos do Golpe das Caldas da Rainha desse dia.

sábado, 5 de março de 2011

O cosmopolitismo que Carmona já «oferecia»...

D. Francisco Mata Mourisca, Bispo de Carmona (em
cima, à direita) e general Altino Magalhães



A 5 de Março de 1975, o comandante do BCAV. 8423, tenente-coronel Almeida e Brito, teve contactos protocolares com o Governador do Distrito (penso que o general Altino de Magalhães, foto, a esse tempo), o Bispo da Diocese (D. Francisco da Mata Mourisca) e os Juízes do Tribunal do Uíge.
Almeida e Brito, se era (e era mesmo!...) um grande comandante e um óptimo estratega militar, era igualmente um excelente relações públicas e  saberia, ao tempo, da importância de semear cordialidade e multiplicar empatias com as figuras maiores da sociedade uigense. Que, quero acreditar, seriam bons portadores da mensagem de companheirismo e segurança que as forças armadas queriam (digo bem!) passar à comunidade civil.
Tenho pena de, agora, não o  poder questionar sobre isso. Faleceu a 20 de Junho de 2003, deixando-nos uma imensa saudade. Nem nunca, nas conversas posteriores, já em Portugal, alguma vez calhou falar sobre isso
A integração dos militares no ambiente urbano foi-se desenvolvendo, nos primeiros dias com pequenos incidentes com os residentes - «coisa» que se foi resolvendo de forma mais ou menos pacífica. 
Recordo, dos primeiros dias de Março de 1975, em Carmona, o deslumbramento de muitos dos nossos companheiros de jornada, enchendo os olhos com o trânsito e a altura dos prédios da cidade, os bares e restaurantes, as lojas comerciais e a corrida para as escolas de condução - para «tirar» a carta. Eram, na sua maioria, rapazes que (como eu) tinham partido de um Portugal rural que nada tinham a ver com o cosmopolitismo e o ambiente social que Carmona já oferecia.

sexta-feira, 4 de março de 2011

A chegada à cidade de Carmona e a criação da PM

Parada do BC12, em Carmona, na estrada para o Songo


A chegada da CCS. do BCAV. 8423 ao BC12, em Carmona, foi acompanhada por um Grupo de Combate da 2ª. CCAV., a de Aldeia Viçosa - comandada pelo capitão José Manuel Cruz. O resto da  subunidade chegaria a 11 de Março e,  para o Songo, seguiria mais tarde a 1ª. CCAV., do capitão Castro Dias, ao tempo em Vista Alegre e Ponte do Dange. Pelo Quitexe, ficou a 3ª. CCAV., do capitão José Paulo Fernandes.
A chegada à cidade e a sequente mudança de hábitos, levou à promulgação de novas NEP´s, adequando-as à nova vivência e relação com a sociedade local.
Ao tempo, medrava já pela cidade de Carmona alguma animosidade da população civil, relativamente aos militares - acusados de traidores e outros mimos irrepetíveis, aqui! Importava, pois, que a apresentação dos militares fosse cuidada, os contactos com civis esmerassem em cortesia, nunca em desaforo, nunca fossem quezilentos.
O comando militar decidiu criar um serviço de PM. Uma das três equipas, calhou-me em rifa, com o António e o Marcos; ou o Almeida e o Francisco. Há histórias a contar, desta missão urbana -que se faria bem espinhosa.
- PM. Polícia Militar. Efectivo militar que exerce
o poder de polícia, no âmbito das forças armadas.
- NEP. Normas de Execução Permanente, instrumento
disciplinar no âmbito de uma unidade militar.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A boa qualidade da Messe de Sargentos do Montanha Pinto

A messe de Sargentos da CCS do BCAV. 8423, em
Carmona (assinalada a amarelo, em cima) e aspecto
da sala do bar, no 1º. piso (em baixo)



A satisfação dos praças do BCAV. 8423, quanto às instalações do BC12, em Carmona, foi superada pela que sentiram furriéis e sargentos, na até aí messe de oficiais do Bairro Montanha Pinto: um luxo!
Um prédio era de dois pisos, de boa construção e equipamentos de primeira linha. Bons quartos, mobília de madeira, cozinha de sala de jantar de bom nível. Bar de convívio e sala de jogos! Um jardim arrelvado nas traseiras. Em frente, passada a rua, um magnífico jardim público. Ali iríamos viver 5 meses, com qualidade de vida, condições de lazer e boa alimentação.
Neste ponto, foi mestre o Francisco Neto, como gerente de messe. Ao tempo, numa estranha deliberação revolucionária do Governo de Lisboa, houve até um período em que tivemos de pagar a nossa alimentação. Vejam  lá!! A servir o país, a dar o corpo ao manifesto e ainda a termos de pagar para comer. 
A gestão da messe, por decisão do grupo, seria assumida rotativamente por alguns furriéis. Mas tão competente foi a do «Cavaleiro Ranger» Neto, que, ao chegar a minha vez, o "contrato" lhe foi renovado. E sucessivamente!

quarta-feira, 2 de março de 2011

A chegada dos Cavaleiros do Norte ao BC12 de Carmona

Quartel do BC12, visto do lado de Carmona (em cima)
e da estrada para o Songo (em baixo)



A 2 de Março de 1975, há 36 anos!!!..., literalmente de armas e bagagens, partiu a CCS do BCAV. 8423 da (saudosa) vila do Quitexe para a cidade Carmona, onde se instalou no BC12. A rotação estava prevista desde dias antes - depois de dúvidas que se tinham posto entre este destino e o de Luanda.
Carmona era metrópole gigantesca. Gigantesca, bem entendido, para os olhos da maioria da guarnição - uma cidade desenvolvida, moderna, atraente, cheia de respostas para a gulodice de jovens que, aos 22 para 23 anos, ali conheciam mundos novos, sendo saídos, a maior parte deles, da província pouco desenvolvida do Portugal metropolitano.
E o quartel!! O quartel pouca tinha a ver - nada, mesmo!!!... - com as modestas instalações do Quitexe. Embora, digamos por verdade, sendo estas muito melhores que quaisquer umas das subunidades que «acampavam» em aquartelamentos de mato.
Recordo os olhares de espanto de alguns de nós, a galgar a cidade por entre prédios de cinco ou seis andares, ou dez!..., que nunca teriam visto na vida. E  alegria de se verem em casernas modernas e bem equipadas. E o olhar ansioso e de espanto, medindo a área da imensa parada do BC12.
A chegada ao BC12 foi mesmo em tempo do almoço, mal havendo tempo de pousar malas e mochilas. A guarnição sentiu-se bem e feliz no seu novo destino.
- BC12. Batalhão de Caçadores 12, em Carmona.
- CARMONA. Cidade capital da Província do Uíge.
Actualmente, denomina-se Uíge (nome original).

terça-feira, 1 de março de 2011

O furriel atirador que se «fez» vagomestre de Zalala

Barreto e Rodrigues, furriéis da guarnição de Zalala,
da 1ª. CCAV. 8423 (foto de 1995)


O Rodrigues foi furriel miliciano atirador de cavalaria, mas a vida de Zalala levou-o para vagomestre, com funções de gestão no sector de alimentação no aquartelamento. Para as quais, obviamente, não tinha sido preparado, mas das quais se saiu lindamente, assumindo-as de «maneira eficiente e dedicada», como se lê no louvor publicado na Ordem de Serviço 165.
O Rodrigues «impôs-se à consideração da sub-unidade», sendo «apreciado pela colaboração prestada aos seus superiores» e de igual modo vendo «os seus serviços sempre desejados e compreendidos pelos seus subordinados».
Dele, lembro eu o ar distinto e a linhagem serena, o porte elegante e cavalheiro, de gente que pensa e diz sem rodeios ou desrespeito, e da sua relação connosco, sempre que ao Quitexe ia ao serviço e por lá nos debitávamos em horas de «fazer tempo».
- RODRIGUES. Américo Joaquim da Silva Rodrigues, furriel miliciano
atirador de cavalaria, da 1ª. Companhia. Natural e residente em Vila Nova de Famalicão.
- BARRETO. Jorge Manuel Mesquita Barreto, furriel miliciano enfermeiro,
da 1ª. Companhia. Aposentado do Centro Hospitalar do Porto, residente em Rio Tinto.