quarta-feira, 16 de março de 2011

A revolta das Caldas e os futuros Cavaleiros do Norte

Pavilhão do RC4 onde estiveram detidos os sargentos e alguns oficiais da Revolta das Caldas e foi «casa» dos furriéis milicianos do BCAV. 8423 (foto de 26 de Agosto de 2010). Em baixo, 1ª. página do Diário de Notícias a noticiar o levantamento militar abortado a 16 de Março de 1974. Há 37 anos!


O chamado Levantamento das Caldas, Intentona das Caldas ou Revolta das Caldas aconteceu na madrugada de 16 de Março de 1974. Faz hoje 37 anos! Era um sábado e nós, os futuros Cavaleiros do Norte, tínhamos entrado, na véspera, no gozo da chamadas Licença das Normas - que, na prática começavam a 18, 2ª.-feira seguinte, e iriam até 28.
A tentativa de golpe de Estado é tida por muita gente como o pronúncio do 25 de Abril e muitas vezes é citada como o catalisador que aglutinou o oficialato em torno do MFA.

Nós, por Santa Margarida, de nada disso sabíamos e, em casa e no dia um de férias, devem imaginar a estupefacção ao ver, na RTP do tempo, a notícia da revolta abortada. 
Soube-se, mais tarde, que  estava prevista a participação de outras unidades militares, mas só o Regimento de Infantaria 5 das Caldas da Rainha avançou para Lisboa, sob o comando do capitão Armando Marques Ramos. Isolado na «aventura», foi travado por unidades leais ao regime, já às portas de Lisboa e sem derramamento de sangue.
As consequências não se fizeram esperar e foram presos cerca de 200 homens, entre oficiais, sargentos e praças. O que viemos a saber, após o nosso regresso ao RC4, é que os (ou alguns) sargentos e oficiais milicianos da revolta estiveram detidos no pavilhão que, no RC4, nos «hospedava» como mobilizados para Angola.
Seria nele que, a 25 de Abril, de 1974, eu mesmo iria saber notícias do dia quando, madrugador como sempre, desfazia a barba e ouvi o comunicado: «Aqui, posto de comando do Movimento das Forças Armadas...». Fui a correr acordar a malta, que ainda dormia o último sono.

terça-feira, 15 de março de 2011

O primeiro patrulhamento misto na cidade de Carmona


Vista aérea do BC12, em Carmona, de onde saíram os patrulhamentos mistos.
Em cima, a estrada para o Songo

A 15 de Março de 1975, em Carmona, realizou-se o primeiro patrulhamento misto - envolvendo militares portugueses e forças da ELNA, das FAPLA e das FALA.
Fomos «avisados» de véspera, chamados ao Gabinete de Operações do BC 12, com indicações precisas sobre como agir. Tivemos alguns receios, uma mão-cheia de dúvidas! Como vai ser e não vai? Quem comanda quem? Que armamento? De Luanda, continuavam a chegar-nos notícias preocupantes sobre a (não) aproximação pacífica dos elementos dos três movimentos emancipalistas e muito embora em Carmona se vivesse na paz dos anjos, não seria de espantar que, a um qualquer  momento, pudessem rebentar problemas. Bem prevenidos andávamos para tal.
De mais perto - mais perto que Luanda, já quase nas nossas barbas... -, havia também notícias de incidentes em Salazar. E não eram as melhores.
«Verificou-se o deteriorar da situação», anota o Livro de Unidade.
E nas nossas memórias estavan frescos os incidentes de Aldeia Viçosa, a 2 de Fevereiro - onde a 2ª. Companhia (do capitão Cruz) teve de puxar dos galões (e das armas e da coragem da guarnição) para sanar as diferenças que FNLA e MPLA queriam resolver a tiro e à bomba.
A experiência do patrulhamento misto, felizmente, veio a decorrer sem quaisquer problemas. A FNLA comemorou o seu aniversário nos locais da cidade que entendeu e às forças mistas coube fazer a respectiva segurança. 
Ver AQUI.
E AQUI.
- ELNA. Exército de Libertação Nacional de Angola, força armada da UNITA.
- FAPLA. Forças Armadas Populares de Libertação de Angola, forma armada do MPLA.
- FALA. Forças Armadas de Libertação de Angola, força armada da FNLA.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A preparação militar de há 37 anos, em Santa Margarida

Marco geodésico da Mata do Soares. Por aqui andou
o BCAV. 8423 a fazer a sua preparação militar

A 15 de Março de 1974, o Batalhão de Cavalaria 8423 teve a primeira inspecção de Instrução Operacional, depois de uns vários dias de «guerra» na Mata do Soares. Preparação militar intensa, quase «real» - durante a qual, de forma muito aproximada, se recreava o ambiente de guerra. 
O dia de hoje (dia 14, uma quinta-feira) de há 37 anos, era assim aguardado com expectativa. É que, assim fosse feita a inspecção de sexta, iríamos de imediato ter as chamadas Licenças de Normas: 10 dias de férias.
Mal sabíamos nós o que se preparava para o dia 16, a chamada revolta das Caldas. Nem imaginávamos!
Por nós, de malas e sacos feitos, o importante era que a inspecção corresse bem (e correu!...) e, sobre operacionalidade e pontualidade, firmeza, competência, coragem, atavio, aprumo e disciplina, etc., etc., nos mandava recados o comandante Almeida e Brito - por quem, ao tempo, tínhamos respeito medido em distância física. Nada de grandes intimidades. Por ele, nos falavam os aspirantes a oficiais milicianos (futuros alferes), gente da nossa escola e idades. Ou, menos vezes mas sempre mais austeros e exigentes, os sempre inspectivos 1º.s sargentos. Que não eram posto de muitas empatias com os futuros furriéis milicianos.
A noite de hoje, de Março de 1974, foi tenpo para, no SIMCA 1100 do Neto, «voarmos» Tramagal fora, a caminho de Abrantes - para refeiçoar em restaurante já nosso conhecido e por cuja portas e arredores se passeavam meninas que nos aguçavam os olhos e despertavam apetites. Tínhamos nós, futuros Cavaleiros do Norte, então, uns graciosos e esfomeados 21 para 22 anos de desejos.

domingo, 13 de março de 2011

O 2º. Comandante do Batalhão de Cavalaria 8423





A um dia de meados de Março de 1975 chegou a Carmona o capitão José Diogo Themudo, que viria a ser o 2º. Comandante do Batalhão de Cavalaria 8423.
O oficial inicialmente nomeado para a função, o major Ornelas Monteiro, apresentara-se a  4 de Fevereiro de 1974, ainda no Campo Miliar de Santa Magarida, mas fôra desmobilizado em vésperas do embarque para Luanda - por solicitação do Movimento das Forças Armadas (MFA). Esteve, assim, o Batalhão de Cavalaria 8423 sem 2º. Comandante nada mais nada menos que cerca de 10 meses - entre Portugal e Angola.
José Diogo Themudo veio a ter papel determinante na história dos Cavaleiros do Norte, que interinamente comandou a partir de 24 de Março - quando o tenente-coronel Almeida e Brito passou a comandar a Zona Militar Norte. Também interinamente.
Era oficial discreto, eficaz, competente, dos que não precisam de exigir palada para serem respeitados. Ele próprio contou a este blog a forma como chegou a Carmona e aos Cavaleiros do Norte, depois de uma mobilização que não teve destino, de umas «férias» passadas nas praias e apetites de Luanda, à espera de ser colocado, e até que o destino o pôs à fala com Almeida e Brito - que no aeroporto de Luanda o convidou para 2º. comandante do BCAV. 8423.
Ver AQUI. 

sábado, 12 de março de 2011

O ADEUS DA 2ª. CCAV. À VILA DE ALDEIA VIÇOSA



Aldeia Viçosa, alguns anos antes da passagem da 2ª. CCAV. 8423


A 11 de Março de 1975, completou-se a rotação da 2ª. CCAV. 8423 de Aldeia Viçosa para Carmona. Somava-se uma nova etapa da jornada angolana dos comandados do capitão miliciano Cruz.
Um primeiro grupo de combate desta companhia já estava na cidade, deslocado aquando da rotação da CCS, a 2 de Março. Reforçava-se, assim, a guarnição citadina - que estava muito reduzida. Pouco mais era, mesmo a partir desta data, que a CCS e a própria 2ª. CCAV. 8423. E a verdade é que era uma garnição manifestamente insuficiente para «garantir os serviços solicitados ao batalhão». Que eram muitos.
Sem precisar o período, ocorre-me que os militares operacionais estavam de serviço dia-sim-dia-não - e apenas para garantir a segurança do BC12, do Comando da Zona Militar Norte (e do Sector), numa altura em que já se murmuravam prováveis retaliações dos militantes dos movimentos emancipalistas, nomeadamente dos chegados do mato e em relação a alguns civis. A sobrecarga de serviços levou mesmo, por esse tempo, a que alguns especialistas passassem a fazer serviço de escala, no interior das unidades, para, de alguma maneira, folgar os que repetidamente tinham de sair - para patrulhamentos, escoltas, policiamentos e outras acções no exterior.
O companheiros da 2ª. CCAV. 8423, naturalmente, folgaram com esta transferência: a cidade oferecia-lhes um mundo civil que inexistia em Aldeia Viçosa. E a chegada a Carmona era, também, a sua primeira etapa no caminho para Lisboa. Que aconteceria a 10 de Setembro. Não se sabia, a esse tempo, mas ainda faltava meio ano.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O aquartelamento da 1ª. CCAV. 8423 na fazenda de Zalala


Aquartelamento de Zalala, onde estacionou a 1ª. CCAV. 8423


O Dias jornadeou por Zalala, depois por Vista Alegre e Carmona, antes de Luanda e de voltar a Lisboa, nos primeiros dias de Setembro de 1975.
Mandou-nos uma foto do aquartelamento e com uma definição claríssima de posições. Foto, faz dele questão de frisar, «
obtida de ângulo com visionamento total» das instalações militares da subunidade comandada pelo capitão miliciano Castro Dias.
Diz o Dias, o furriel:
«As instalações mais à direita, estavam fora do arame farpado e eram, as do primeiro plano, destinadas a militares que quisessem ter lá a família. Creio que nunca foram utilizadas para esse fim, pelo menos pelo nosso pessoal. Recordo-me de uma situação de punição, do foro disciplinar, em que foi uma das dependências utilizada como cela.
Atrás destas, era o campo de futebol e depois, uma serração de madeiras. Dizia-se que neste local, em 1961, foram mutilados corpos de cidadãos brancos.

Na parte do centro esquerda, temos então o aquartelamento. A vista da entrada é impedida por pavilhões de café, contíguos ao parque de viaturas e refeitório. A seguir, as casernas - à esquerda e á direita. Do lado esquerdo, ficavam também a cantina, as transmissões e o material de guerra. Mais à esquerda, o edifício mais pequeno, eram as instalações sanitárias e de higiene, com o posto de sentinela no "primeiro andar". Ao fundo, uma torre com depósito de àgua e um outro posto de vigia. Antes desta, um pouco à direita, o edifício de comando e a messe de oficiais e, mais à direita, o edifício que, na cave, albergava a enfermaria e, no rés do chão, a secretaria, o bar, a messe e aposentos de sargentos.
- DIAS. João Custódio Dias, furriel miliciano
de transmissões de infantaria. Aposentado da
Polícia Judiciária e residente em Tomar.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Capitão José Paulo Fernandes, comandante da 3ª. CCAV. 8423

Capitão miliciano José Paulo Fernandes, comandante
da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel


A 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes, ficou no Quitexe - quando, a 2 de Março de 1975, a CCS rodou para o BC12. Muitas dores de cabeça por lá iria ter.
O comandante do Batalhão, tenente-coronel Almeida e Brito, prestou-lhe louvor, ao capitão Fernandes, na Ordem de Serviço nº. 174, sublinhando-lhe «a acção desenvolvida no comando da subunidade», funções em que «soube tirar partido das possibilidades logísticas» e, assim, «garantindo o verdadeiro cumprimento da mossão que lhe foi determinada».
O destaque do louvor vai, em particular, para o período da «eclosão dos braves acontecimentos de confronto armado entre os movimentos de libertação, na área do Quitexe».
Ao tempo, «o desequilíbrio» de forças era notório, mas os bravos cavaleiros de Santa Isabel, sob comando do capitão miliciano José Paulo Fernandes, «garantiram o cabal cumprimento da missão» que lhe estava atribuída. 
É o organizador do Encontro da 3ª. CCAV. 8423 de 2011, em Torres Vedras, a 4 de Junho. Pode ser contactado pelo telemóvel 917588737.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Os garbosos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa



A 2ª. CCAV. 8423 estava aquartelada em Aldeia Viçosa, a uns 40 quilómetros do Quitexe, sempre em piso de asfalto. Na chamada Estrada do Café, entre Carmona e Luanda.
Era comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz, que a memória do batalhão veio a fixar como oficial que «aquando da eclosão do grave conflito armado entre os movimentos de libertação, na cidade de Carmona» liderou pessoal que «deu verdadeiros exemplos de dedicação, desembaraço e espírito de sacrifício» - como se lê no louvor publicado na Ordem de Serviço nº. 174.

Tinha este quadro de oficiais e sargentos:

COMANDANTE
- CRUZ. José Manuel Romeira Pinto da Cruz, capitão miliciano, professor do ensino secundário, aposentado. Residente m Esmoriz.

ALFERES MILICIANOS
- CAPELA. Jorge Manuel de Jesus Capela, atirador de cavalaria. Empresário do sector da contabilidade e informática, residente em Oeiras.
- CARVALHO. Domingos Carvalho de Sousa, atirador de cavalaria. Técnico de vendas, residente em Marrazes (Leiria).
- MACHADO. João Francisco Pereira Machado, operações especiais. Aposentado da administração fiscal, residente na Amadora.
- MENESES. Manuel Meneses Alves, atirador de cavalaria. Chegou em Fevereiro de 1975. Reside em Leiria.
- PERIQUITO. João Carlos Lopes Periquito, atirador de Cavalaria.
- RAMOS. Fernando António Morgado Ramos, atirador de cavalaria. Colocado na 2ª. CCAV. 8423 em Maio de 1975 (além do QO).

SARGENTOS
- EIRA. Manuel Alcides da Costa Eira, 2º. sargento miliciano de enfermagem. Residente em Vila Real. Chegou à 2ª. CCAV. em Abril de 1975
- NORTE. Fernando Mendes Pereira Norte, 1º. sargento. Falecido. Residia na Cova da Piedade.


FURRIÉIS MILICIANOS
- BREJO: João António Piteira Brejo, atirador de cavalaria. Aposentado, residente em Palmela.
- CHITAS. António Milheiras Courinhas Chitas, armamento pesado. Residente no Sobralinho (Vila Franca de Xira).
- COSTA. José Manuel Cerqueira da Costa, atirador de cavalaria. Residente em Santa Cruz do Bispo (Matosinhos).
- CRUZ. António Oliveira da Cruz, atirador de cavalaria. Residente em Figueiró (Vieira do Minho). 
- FERREIRA. José Maria Freitas Ferreira, atirador de cavalaria. Foi reclassificado como amanuense e colocado em Luanda, na CCS do QG, a 1 de Novembro de 1974.
- GOMES. José da Silva Gomes, atirador de cavalaria. Residente em Vila Nova do Prado (Vila Verde).
- GUEDES. António Artur César Monteiro Guedes, atirador de cavalaria. Aposentado da GNR, residente em Foros de Salvaterra (Salvaterra de Magos).
- LETRAS. António Carlos Dias Letras, operações especiais. Empresário da área do mobiliário metálico, residente em Palmela.
- MARTINS. Amorim António Barrelas Martins, atirador de cavalaria. Residente em Pegões (Gare).
- MATOS. Mário Augusto da Silva Matos, atirador de cavalaria. Quadro de empresa, residente em Anadia. 
- MELO. José Fernando Nôro Dias de Melo, atirador de cavalaria. Agente da GNR, aposentado. Reside em Leiria.
- MOURATO. Abel Maria Ribeiro Mourato, vagomestre. Residente em Vila Viçosa.
- PINTO. Jesuíno Fernandes Pinto, atirador de cavalaria. Residente em Parada de Gatim (Vila Verde).Chegou à 2ª. CCAV. em Agosto de 1974.
- RAMALHO. Rafael António Pimenta Ramalho, atirador de cavalaria. Funcionário público aposentado, reside em S. Bartolomeu (Vila Viçosa).
- REBELO. António Augusto Faria Novais Rebelo, transmissões de infantaria. Funcionário camarário em Guimarães.
- Nota: Estes dados poderão ~
ter uma ou outra desactualizações.

terça-feira, 8 de março de 2011

Os valorosos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel


Fazenda Santa Isabel, onde esteve aquartelada
a 3ª. CCAV. do BCAV. 8423


A 3ª. CCAV. do BCAV. 8423 aquartelou-se em Santa Isabel, até aos primeiros dias de Dezembro de 1974. Era comandada pelo capitão  miliciano José Paulo Fernandes.Juntou-se à CCS, no Quitexe, e com os nossos companheiros acamaradámos por três meses, partilhando os mesmos espaços, as mesmas glórias e tragédias, até a mesma mesa.
O grupo de valorosos e garbosos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel tinha os seguintes quadros, da respectiva cadeia de comando:

COMANDANTE
- FERNANDES. José Paulo Oliveira Fernandes, capitão miliciano. Engenheiro, empresário do sector da informática, residente em Torres Vedras.

ALFERES MILICIANOS
- PEDROSA. Luís António Pedrosa de Oliveira, atirador de cavalaria. Reside em Marrazes (Leiria).
- RODRIGUES. Augusto Rodrigues, operações especiais. Quadro do Instituto de Metereologia, no aeroporto de Lisboa.
- SILVA. Carlos Almeida e Silva, atirador de cavalaria. Trabalha na área da contabilidade, residente no Entroncamento.
- SIMÕES. Mário José Barros Simões, atirador de cavalaria. Bancário, residente nas Caldas da Raínha.


1º. SARGENTO
- MARCHÃ. Francisco António Gouveia Marchã.

FURRIÉIS MILICIANOS
- BELO. Agostinho Pires Belo, alimentação. Aposentado da administração fiscal, residente no Retaxo (Castelo Branco).
- CAPITÃO. Luís Ribeiro Capitão, atirador de cavalaria. Já falecido. Foi motorista da CP e residia em Vila Nova de Ourém.
- CARDOSO. João Augusto Martins Cardoso, transmissões. Aposentado da administração fiscal, residente em Coimbra.
- CARVALHO. José Fernando da Costa Carvalho, atirador de cavalaria. Aposentado da PSP, reside no Entroncamento.
- FERNANDES. António da Costa Fernandes, atirador de cavalaria. Professor, residente em Braga.
- FLORA. António da Silva Flora, atirador de cavalaria. Quadro da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa. Residente em Odivelas.
- GORDO. António Luís Barradas Mendes Gordo, atirador de cavalaria. Funcionário municipal, em Alter do Chão.
- GRACIANO. Graciano Correia da Silva, atirador de cavalaria. Empresário do sector agrícola, residente em  Souto (Lamego).
- GUEDES. Vitor Mateus Ribeiro Guedes, atirador de cavalaria. Já falecido. 
- LINO. José Rodrigues Lino, mecânico-auto. Empresário do sector de madeiras, residente no Fundão. 
- LOPES. José Avelino Grenha Lopes, atirador de cavalaria. Empresário do sector têxtil, residente em Lisboa.
- QUERIDO. José Adelino Borges Querido, atirador de cavalaria. Empresário comercial, residente em Odivelas.
- RABIÇO. Ângelo Tuna Rabiço, enfermeiro. Professor aposentado, residente em Guimarães.
- REINO. Armindo Henriques Reino, operações especiais. Aposentado da GNR, residente no Sabugal.
- RICARDO. Alcides dos Santos da Fonseca Ricardo, atirador de cavalaria. Residente em Loures.
- RIBEIRO. Delmiro da Silva Ribeiro, atirador de cavalaria. Engenheiro aposentado da PT, residente em Vila Real.
- NOTA: um ou outro destes dados poderão não estar actualizados.
Ver AQUI.
E AQUI.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Os Cavaleiros do Norte de Zalala

Aquartelamento da 1ª. CCAV. 8423

Zalala foi o primeiro aquartelamento da 1ª. Companhia de Cavalaria 8423, comandada pelo capitão miliciano Castro Dias. Não era sítio fácil, antes de muitos desafios e medos - que por lá se viveram muitas tragédias, desde os tempos dramáticos de 1961. Até que de lá levantou a última guarnição militar portuguesa, a 25 de Novembro de 1974.
Agora, aqui me foi perguntada a composição da Companhia.
Aqui deixo a relação de oficiais e sargentos, com as respectivas especialidades:

Comandante
-  CASTRO DIAS. Capitão Miliciano Davide de Oliveira Castro Dias, professor aposentado e dirigente sindical. Residente em Rio Tinto (Porto).

Alferes milicianos
- SOUSA, Mário Jorge de Sousa Correia de Sousa, operações especiais.
- ROSA: Pedro Marques da Silva Rosa, atirador de cavalaria. Residente no Laranjeiro (Almada). 
- SAMPAIO: Carlos Joao da Costa Sampaio, atirador de cavalaria. Residente em Lisboa.
- LAINS. José Manuel Lains dos Santos, atirador de cavalaria, residente em Cadafais (Alenquer).

1º. Sargento
- PANASCO. Alexande Jaquim Fialho Panasco, 1º. sargento de cavalaria. Residente em Carnaxide (Lisboa).

Furriéis Milicianos
- ALDEAGAS. João Matias Mota Aldeagas, atirador de cavalaria. Residente em Estremoz.
- BARATA. Jorge António Eanes Barata, atirador de cavalaria.
- BARRETO. Jorge Manuel Mesquita Barreto, enfermeiro. Aposentado da função pública, residente em Rio Tinto.
- COSTA. Vitor Moreira Gomes da Costa. Residente em Famões (Odivelas).
- DIAS. João Custódio Dias. Transmissões de Infantaria. Aposentado da Polícia Judiciária, residente em Tomar.
- DIAS. Manuel Dinis Dias, mecânico-auto. Residente em Lisboa.
- EUSÉBIO. Eusébio Manuel Martins, atirador de cavalaria. Funcionário público em Belmonte.
- LOURO. José dos Santos Louro, atirador de cavalaria. Residente em Évora.
- NASCIMENTO. João António Moreira do Nascimento, alimentação.
- PINTO. Manuel Moreira Pinto, operações especiais. Residente em Paredes.
- QUEIRÓS. Plácido Jorge Oliveira Guimarães Queirós, atirador de cavalaria. Aposentado, residente em Braga.
- RODRIGES. Américo Joaquim da Silva Rodrigues, atirador de cavalaria. Residente em Vila Nova de Famalicão.
- VELEZ. Vitor Manuel Conceição Gregório Velez, atirador de cavalaria. Residente na Amadora.
- VIANA. Fernando Manuel da Mota Viana, atirador de cavalaria. Residente em Braga.
Um dia, aqui poremos a relação dos praças.
Ver AQUI.
E AQUI.

domingo, 6 de março de 2011

A chegada dos especialistas do BCAV. 8423 a Santa Margarida

Entrada do Campo Militar de Santa Margarida


A 4 de Março de 1974, já lá vão 37 anos, e após o breve interregno que se sucedeu aos exercícios finais da Escola de Recrutas (ER), os especialistas do BCAV. 8423 começaram a  fazer as suas apresentações no RC4 - a unidade mobilizadora, no Campo Militar de Santa Margarida.
Os especialistas - enfermeiros, mecânicos, condutores, operadores de transmissões, rádios-montadores, administrativos e amanuense, entre outros - tinham recebido formação específica em outras unidades, de um pouco por todo o país, e apresentavam-se mobilizados para formar a grande família - a que viria a ser a dos Cavaleiros do Norte.
Foi, na verdade, por estes dias que se completou o efectivo do BCAV. 8423 - numa altura em que se efectuou a mudança de aquartelamento, para um Destacamento do RC4. Onde se instalaram todos os praças. Oficiais e sargentos continuaram no RC4, os 1ºs. cabos milicianos num dos pavilhões ao lado do Regimento de Engenharia - para onde, a 16 de Março (estávamos nós de férias), foram deslocados alguns detidos do Golpe das Caldas da Rainha desse dia.

sábado, 5 de março de 2011

O cosmopolitismo que Carmona já «oferecia»...

D. Francisco Mata Mourisca, Bispo de Carmona (em
cima, à direita) e general Altino Magalhães



A 5 de Março de 1975, o comandante do BCAV. 8423, tenente-coronel Almeida e Brito, teve contactos protocolares com o Governador do Distrito (penso que o general Altino de Magalhães, foto, a esse tempo), o Bispo da Diocese (D. Francisco da Mata Mourisca) e os Juízes do Tribunal do Uíge.
Almeida e Brito, se era (e era mesmo!...) um grande comandante e um óptimo estratega militar, era igualmente um excelente relações públicas e  saberia, ao tempo, da importância de semear cordialidade e multiplicar empatias com as figuras maiores da sociedade uigense. Que, quero acreditar, seriam bons portadores da mensagem de companheirismo e segurança que as forças armadas queriam (digo bem!) passar à comunidade civil.
Tenho pena de, agora, não o  poder questionar sobre isso. Faleceu a 20 de Junho de 2003, deixando-nos uma imensa saudade. Nem nunca, nas conversas posteriores, já em Portugal, alguma vez calhou falar sobre isso
A integração dos militares no ambiente urbano foi-se desenvolvendo, nos primeiros dias com pequenos incidentes com os residentes - «coisa» que se foi resolvendo de forma mais ou menos pacífica. 
Recordo, dos primeiros dias de Março de 1975, em Carmona, o deslumbramento de muitos dos nossos companheiros de jornada, enchendo os olhos com o trânsito e a altura dos prédios da cidade, os bares e restaurantes, as lojas comerciais e a corrida para as escolas de condução - para «tirar» a carta. Eram, na sua maioria, rapazes que (como eu) tinham partido de um Portugal rural que nada tinham a ver com o cosmopolitismo e o ambiente social que Carmona já oferecia.

sexta-feira, 4 de março de 2011

A chegada à cidade de Carmona e a criação da PM

Parada do BC12, em Carmona, na estrada para o Songo


A chegada da CCS. do BCAV. 8423 ao BC12, em Carmona, foi acompanhada por um Grupo de Combate da 2ª. CCAV., a de Aldeia Viçosa - comandada pelo capitão José Manuel Cruz. O resto da  subunidade chegaria a 11 de Março e,  para o Songo, seguiria mais tarde a 1ª. CCAV., do capitão Castro Dias, ao tempo em Vista Alegre e Ponte do Dange. Pelo Quitexe, ficou a 3ª. CCAV., do capitão José Paulo Fernandes.
A chegada à cidade e a sequente mudança de hábitos, levou à promulgação de novas NEP´s, adequando-as à nova vivência e relação com a sociedade local.
Ao tempo, medrava já pela cidade de Carmona alguma animosidade da população civil, relativamente aos militares - acusados de traidores e outros mimos irrepetíveis, aqui! Importava, pois, que a apresentação dos militares fosse cuidada, os contactos com civis esmerassem em cortesia, nunca em desaforo, nunca fossem quezilentos.
O comando militar decidiu criar um serviço de PM. Uma das três equipas, calhou-me em rifa, com o António e o Marcos; ou o Almeida e o Francisco. Há histórias a contar, desta missão urbana -que se faria bem espinhosa.
- PM. Polícia Militar. Efectivo militar que exerce
o poder de polícia, no âmbito das forças armadas.
- NEP. Normas de Execução Permanente, instrumento
disciplinar no âmbito de uma unidade militar.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A boa qualidade da Messe de Sargentos do Montanha Pinto

A messe de Sargentos da CCS do BCAV. 8423, em
Carmona (assinalada a amarelo, em cima) e aspecto
da sala do bar, no 1º. piso (em baixo)



A satisfação dos praças do BCAV. 8423, quanto às instalações do BC12, em Carmona, foi superada pela que sentiram furriéis e sargentos, na até aí messe de oficiais do Bairro Montanha Pinto: um luxo!
Um prédio era de dois pisos, de boa construção e equipamentos de primeira linha. Bons quartos, mobília de madeira, cozinha de sala de jantar de bom nível. Bar de convívio e sala de jogos! Um jardim arrelvado nas traseiras. Em frente, passada a rua, um magnífico jardim público. Ali iríamos viver 5 meses, com qualidade de vida, condições de lazer e boa alimentação.
Neste ponto, foi mestre o Francisco Neto, como gerente de messe. Ao tempo, numa estranha deliberação revolucionária do Governo de Lisboa, houve até um período em que tivemos de pagar a nossa alimentação. Vejam  lá!! A servir o país, a dar o corpo ao manifesto e ainda a termos de pagar para comer. 
A gestão da messe, por decisão do grupo, seria assumida rotativamente por alguns furriéis. Mas tão competente foi a do «Cavaleiro Ranger» Neto, que, ao chegar a minha vez, o "contrato" lhe foi renovado. E sucessivamente!

quarta-feira, 2 de março de 2011

A chegada dos Cavaleiros do Norte ao BC12 de Carmona

Quartel do BC12, visto do lado de Carmona (em cima)
e da estrada para o Songo (em baixo)



A 2 de Março de 1975, há 36 anos!!!..., literalmente de armas e bagagens, partiu a CCS do BCAV. 8423 da (saudosa) vila do Quitexe para a cidade Carmona, onde se instalou no BC12. A rotação estava prevista desde dias antes - depois de dúvidas que se tinham posto entre este destino e o de Luanda.
Carmona era metrópole gigantesca. Gigantesca, bem entendido, para os olhos da maioria da guarnição - uma cidade desenvolvida, moderna, atraente, cheia de respostas para a gulodice de jovens que, aos 22 para 23 anos, ali conheciam mundos novos, sendo saídos, a maior parte deles, da província pouco desenvolvida do Portugal metropolitano.
E o quartel!! O quartel pouca tinha a ver - nada, mesmo!!!... - com as modestas instalações do Quitexe. Embora, digamos por verdade, sendo estas muito melhores que quaisquer umas das subunidades que «acampavam» em aquartelamentos de mato.
Recordo os olhares de espanto de alguns de nós, a galgar a cidade por entre prédios de cinco ou seis andares, ou dez!..., que nunca teriam visto na vida. E  alegria de se verem em casernas modernas e bem equipadas. E o olhar ansioso e de espanto, medindo a área da imensa parada do BC12.
A chegada ao BC12 foi mesmo em tempo do almoço, mal havendo tempo de pousar malas e mochilas. A guarnição sentiu-se bem e feliz no seu novo destino.
- BC12. Batalhão de Caçadores 12, em Carmona.
- CARMONA. Cidade capital da Província do Uíge.
Actualmente, denomina-se Uíge (nome original).

terça-feira, 1 de março de 2011

O furriel atirador que se «fez» vagomestre de Zalala

Barreto e Rodrigues, furriéis da guarnição de Zalala,
da 1ª. CCAV. 8423 (foto de 1995)


O Rodrigues foi furriel miliciano atirador de cavalaria, mas a vida de Zalala levou-o para vagomestre, com funções de gestão no sector de alimentação no aquartelamento. Para as quais, obviamente, não tinha sido preparado, mas das quais se saiu lindamente, assumindo-as de «maneira eficiente e dedicada», como se lê no louvor publicado na Ordem de Serviço 165.
O Rodrigues «impôs-se à consideração da sub-unidade», sendo «apreciado pela colaboração prestada aos seus superiores» e de igual modo vendo «os seus serviços sempre desejados e compreendidos pelos seus subordinados».
Dele, lembro eu o ar distinto e a linhagem serena, o porte elegante e cavalheiro, de gente que pensa e diz sem rodeios ou desrespeito, e da sua relação connosco, sempre que ao Quitexe ia ao serviço e por lá nos debitávamos em horas de «fazer tempo».
- RODRIGUES. Américo Joaquim da Silva Rodrigues, furriel miliciano
atirador de cavalaria, da 1ª. Companhia. Natural e residente em Vila Nova de Famalicão.
- BARRETO. Jorge Manuel Mesquita Barreto, furriel miliciano enfermeiro,
da 1ª. Companhia. Aposentado do Centro Hospitalar do Porto, residente em Rio Tinto.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O 1º. cabo Joaquim Figueiredo de Almeida

Hipólito, Monteiro, Almeida e Vicente (em cima), Garcia,
Leal, Neto e Auélio (Barbeiro), gente do PELREC da CCS do BCAV. 8423.
Almeida, Vicente, Garcia e Leal já faleceram


A 28 de Fevereiro de 2009, há dois anos, vítima de doença, faleceu Joaquim Figueiredo de Almeida - que foi  garboso e corajoso 1º. cabo atirador de cavalaria e integrou o o PELREC da CCS do BVAV. 8423.  Desde Santa Margarida, até ao Quitexe, por Carmona e Luanda.
Humilde, sempre prestável, disponível, sem medos...., o 1º. cabo Almeida foi mais que um atirador e um amigo. Foi encarregado do refeitório e padeiro - merecendo louvor público do comando do batalhão.
Morreu há dois anos! Que descanse em paz.
Ironia da vida, hoje faz 59 anos o Franciso Neto - que foi companheiro e irmão da minha jornada militar, desde os epopeicos e sacrificados tempos de instrução militar do CIOE, em Lamego - onde nos fizemos melhores soldados!!!... -, também passando por Santa Margarida, Quitexe, Carmona e Luanda. Até aos dias de hoje. Dei-lhe agora o telefonema da praxe! Está bem, matando os lutos da vida, porque sabe desafiar o futuro.
Ver AQUI.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A CCS a fazer malas para o BC12 de Carmona

Aquartelamento do Quitexe, na avenida da vila. 
Entrada para a parada, parque de viaturas, refeitório e casernas


Os últimos dias de Fevereiro de 1975 forma vividos com alguma ansiedade na guarnição do Quitexe. A CCS, já se sabia, ia partir para Carmona - onde iria ocupar o BC12, com a 2ª. Companhia, a de Aldeia Viçosa. Era mais um passo na caminhada para o regresso, que todos cada vez mais desejávamos. Mal sabíamos o que no esperava.
O comandante Almeida e Brito multiplicava-se, por esse tempo, em reuniões na Zona Militar Norte: a 19, 20, 25, 26, 27 e 28 de Fevereiro, normalmente acompanhado pelo oficial adjjunto - o capitão José Paulo Falcão. A rotação do BCAV. 8423 estava em marcha. No Quitexe, iria ficar a 3ª. CCAV., a de Santa Isabel - que de lá viera em Dezembro de 1974.
As Companhias (subunidades), entretanto, «estavam a braços com grandes problemas, respeitantes às suas cargas», pelo que, como se lê no Livro da Unidade, o Comando do BCAV. 8423 «não realizou as visitas que do antecendente se verificavam». Assim se deu «liberdade de actuação» aos respectivos comandantes.
Nós, Cavaleiros do Quitexe, entretanto, fazíamos as malas para mais uma etapa da jornada de Angola: a mudança para o BC12, para Carmona.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O Pelotão de Mecânicos e Condutores Auto-Rodas


O Pelotão do Parque-Auto era comandado pelo alferes Cruz (destacado 
a amarelo), com o 1º. sargento Aires (vermelho) e o furriel Morais (branco).
Clicar na imagem, para a ampliar

O Pelotão de Mecânicos Auto-Rodas era comandado pelo alferes miliciano Cruz, com colaboração do 1º. sargento Aires e o furriel miliciano Morais. E como era vital que não falhasse! Não falhasse (e não falhou) na segurança e manutenção das viaturas que rodavam pelas picadas do Uíge angolano. Não podiam  ter uma avaria, uma falha mecânica, sempre que viajávamos na mais simples escolta, ou na mais perigosa saída operacional.
E como era arriscado o "papel" dos condutores, sempre primeiros alvos das miras inimigas, quando evoluíamos nos troços mais densos da floresta (onde o IN se poderia esconder fora dos nossos olhos), ou na parte mas aberta dos troços que vomitavam poeira quente e vermelha para os nossos olhos e corpos, para o suor dos nossos frios de medo, para as nossas angústias.
O final de comissão foi tempo de louvor a esta equipa de companheiros fantásticos, boa parte deles na foto deste post.
«O conjunto de mecânicos auto-rodas da CCS/BCV constituiu equipa de trabalho, com espírito de entreajuda e sacrifício, procurando tirar o maior rendimento do seu labor, ao mesmo tempo que, torneando dificuldades inerentes ao muito uso das viaturas e às faltas constantes de sobressalentes, conseguiu que as mesmas obtivessem condições de utilização em tempo oportuno e sempre aceitáveis».
Aqui fica o elogio, lavrado pelo comandante Almeida e Brito, que, «não pretendendo distinguir uns, esquecendo outros» deixou vincado, no Livro da Unidade, o «público agradecimento do seu trabalho». 
Assinamos por baixo.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A 3ª. Companhia vai reunir em Torres Vedras

Grupo da 3ª. CCAV. 8423, de Santa Isabel. Encontro de
5 de Junho de 2010, em Coruche.
Clicar na imagem, para a ampliar

A 3ª. Companhia do Batalhão de Cavalaria 8423 vai reunir-se a 4 de Junho, em Torres Vedras. A organização é do engº. José Paulo Fernandes, que, como capitão miliciano, a comandou - nas jornadas que levaram a guarnição por Santa Isabel, Quitexe e Luanda, pelos já algo distantes anos de 1974 e 1975.
O ponto de encontro será no estacionamento da Expotorres e o almoço será no Restaurante Valoásis, algures na estrada entre Torres Vedras e a Lourinhã. Constará de umas entradas, sopa de agrião, bacalhau com broa, fritada de carne e buffet de sobremesas. Terá um custo de 30 euros, para adultos, mas de dez para as crianças com menos de 12 anos. E nada pagarão as que tiverem menos de 6.
Para se chegar a Torres Vedras, deverá utilizar-se a auto-estrada A8. Quem vier de sul, provavelmente entrará em Lisboa pelo nó de Loures, local onde cruza com a CREL. Deverá sair ao quilómetro 36, onde diz Torres Vedras (sul).
Quem viajar de norte, tem várias ligações à A8, desde a A29 (que vem do Porto e liga directamente no nó de Leiria), até à A15, que vem de Santarém e liga no nó de Óbidos. Deverá sair ao quilómetro 43, onde diz Torres Vedras.
«A minha vontade é a de encontrar todos os militares desta companhia com as suas famílias, ou quem os represente. E mais gostaria de ver aqueles que, não tendo pertencido à 3ª. companhia do 8423, nela queira participar», disse o (ex-capitão miliciano) engº. José Paulo Fernandes, pedindo que «seja passada a informação».
Aqui está ela. Passada para todos quantos por aqui passam, pelo blog.
Quem o quiser contactar, aqui tem o telemóvel: 917 588 737.
Ver AQUI.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Sinto orgulho de ter sido militar do Exército Português

Aldeia Viçosa, vila assinalada no mapa, assim como Santa
Isabel e Dange (que é o Quitexe). João Machado (foto em
 baixo), assina depoimento sobre a jornada angolana dos Cavaleiros do Norte 

A G3 foi a primeira amante que tive quando cheguei a Angola. Aquela que davam aos cachopos de 21 anos, que muita gente agora trata por Defensores do Colonialismo. E o que é que as vezes sinto, perante certas conversas a que assisto e até a programas de televisão?! Vergonha ? Não tenho, mas às vezes ponho-me a pensar se irá haver historiadores honestos que contem a verdadeira história da DESCOLONIZAÇÂO. Até penso se não seria uma página negra na nossa história, comparada com a epopeia dos Descobrimentos.
Bem, mas isso foi só quando me cuspiram em cima, fardado, na cidade de Luanda, algures em Julho ou Agosto do ano de 1975 (se a memória não me falha), já não falando do apelidado de Batalhão Cueca, que, segundo ouvi dizer na altura, em Luanda, vinha em coluna de Henrique Carvalho, para Luanda, quando foi assaltado no caminho, suponho que pela UNITA, de tal modo que desde armamento às fardas tudo que quiseram lhe tiraram, tendo chegado a Malange em cuecas.
Ali lhe foram dadas novas (ou usadas) fardas.
Não haverá quem tenha coragem de divulgar esta história, se o foi efectivamente?
Às vezes, sinto orgulho de ter sido militar do Exército Português, de ter jurado a nossa bandeira - que é a mesma, ainda hoje - e defendido, com armas na mão, a nossa Pátria. Mas por vezes penso se não teria sido mais útil ter fugido para França, como tantos fizeram - hipótese que reconheço estar completamente de lado, considerando a educação que os meus pais me deram.
E qual foi a sorte de alguns miúdos da nossa geração, cujos nomes  estão escritos numa parede, ali para os lados de Belém?! Até há pouco tempo era guardada por uma sentinela, mas não sei como irá ser no futuro, com a crise económica.
Vamos ter mui para falar de Angola
JOãO MACHADO
Alferes Miliciano da 2ª. CCAV. 8423

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O leal, camarada e dedicado furriel Queiroz de Zalala

Furriel miliciano Plácido Queiroz e capitão miliciano
Davide Castro Dias, da 1ª. CCAV. 8423


O Queiróz é de Braga e foi Cavaleiro do Norte, servindo como furriel miliciano de Armamento Pesado, na guarnição de Zalala. Por lá jornadeou a 1ª. Companhia, comandada pelo capitão miliciano Castro Dias.
O Queiroz era rapaz de verbo fácil e companheiro dos bons, sempre regando de boa disposição os seus contactos pessoais. A vida fez-nos encontrar várias vezes, em idas minhas a Braga, e com ele tenho falado nos últimos meses, recordando peripécias da vida militar que nos levou ao Uíge angolano.
«Reúne também elevados dotes de camaradagem, lealdade e extrema dedicação, podendo desse modo dizer-se que as suas actividades militares, além de apreciadas por superiores, foram  admiradas pelos seus camaradas e subordinados», revela o louvor do comandante do BCAV. 8423, por proposta de Castro Dias, o comandante da subunidade de Zalala.
O Queiroz, que com a guarnição do Quitexe confraternizava regularmente - nas suas deslocações enquanto gestor da cantina zalalense -, foi também «pronto e eficiente» como auxiliar do 1º. sargento, missão (tal qual a de gestor da cantina) para as quais «não possuía aptidões especiais».
Mas, cito do louvor, superou dificuldades com «esforço e verdadeiro espírito de sacrifício» (...) «sempre dando provas inequívocas do maior interesse pelos serviços que lhe foram solicitados».
- QUEIROZ. Plácido Jorge de Oliveira Guimarães Queiroz, furriel miliciano de Armamento Pesado, aposentado, natural e residente em Braga.
-  CASTRO DIAS. Davide de Oliveira Castro Dias, capitão miliciano, comandante da 1ª. CCAV., a de Zalala. Proefssor aposentado, residente em Rio Tinto (Porto). Ver AQUI.
- SARGENTO. Alexandre Joaquim F. Panasco, 1º. sargento da secretaria da 1ª. CCAV. 8423, de Zalala.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O último dia da instrução especial de Santa Margarida

Alferes Garcia e soldado Leal, dois «pelrec´s» já falecidos. Em baixo,a  entrada do RC4,
em 2010. Ao fundo, a capela do campo Militar de Santa Margarida. 



Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 1974. Os futuros Cavaleiros do Norte concluem, na Mata do Soares, o período da chamada instrução especial. Os homens que ali chegaram primeiros dias de Janeiro, alguns ainda em Dezembro de 1973, já estão aptos a pegar numa GR, pôr bala na câmara, fazer ponto de mira e disparar. Desmontam a arma, limpam as peças, uma a uma, cuidadosamente, e voltam a montá-las. Já  conhecem os perigos de um trilho armadilhado, de uma granada defensiva a explodir, já percebem o cheiro da morte. Ainda não estão prontos, mas estão... quase, para partirem para a guerra.
Os homens do BCAV. 8423 já sabem que o destino é Angola e bendizem-se pela sorte. Angola era, para a geração que se preparava, o melhor teatro de guerra possível. Mais «pacífica» que os perigos da diabolizada Guiné, ou da sacrificada Moçambique - de onde chegavam notícias aterrorizadoras. Que chegavam, com maior ou menor secretismo, mais ou menos escondidas pelos donos da pátria e das armas.
Os agora «cavaleiros» da guarnição de Santa Margarida vão gozar um dias de férias. Mais para os praças, menos para os futuros furriéis e alferes milicianos.
O Neto e eu, falando aos soldados PELREC num sítio da Mata do Soares por onde Cristo não tinha passado, confortamos-lhe a alma e estimulamos-lhes confiança. Aquilo, em Angola, não ia ser nada. Estávamos preparados. Preparadíssimos. Que gozassem os dias de férias, com as famílias, os amigos, as namoradas. É por estes dias que sei da paternidade do Leal, já casado e da criança que lhe crescia em casa, sem o colo do pai. Viria, eu, a ter especial empatia pelo Leal - que sempre a retribuiu.
Hoje, há 37 anos, abandonámos Santa Margarida com conforto de alma e sem dores que nos inquietassem o físico. Na verdade, Lamego dera-nos força física, competência técnica e destemor. Não exagero. E isso procurámos nós, com o futuro alferes Garcia, incutir no espírito dos nossos soldados. Hoje,. temos a certeza que comseguimos.
- GARCIA. António Manuel Garcia, alferes miliciano de Operações Especiais (Ranger´s). Natural de Pombal de Ansiães (Carrazeda de Ansiães». Faleceu a 2 de Novembro de 1979, vítima de acidente de viação.Era agente da Polícia Judiciária.
- LEAL. Manuel Leal da Silva, soldado atirador de Cavalaria. Natural de Pombal, faleceu a 19 de Junho de 2006, vítima de doença súbita.