A dada altura, estava eu a comandar o Batalhão, pois o tenente-coronel Almeida e Brito tinha entrado de férias, começámos a entregar algumas infraestruturas aos três movimentos : MPLA, FNLA e UNITA.
Para tirarmos a salvo esses refugiados, organizamos um transporte aéreo e uma coluna com destino a Luanda. No transporte aéreo, seguiram os mais "perigosos", assim como alguns civis - nomeadamente mulheres e crianças. Do aeroporto, tinham-me dito que no avião só cabiam 100 pessoas incluindo nesses 100, algumas crianças. Só que, na hora de embarcar as pessoas nas viaturas de transporte para o aeroporto, foi completamente impossível controlar quem ia e quem ficava. Uns diziam que só queriam ir despedir-se dos seus familiares e outros, de facto, queriam era fugir. Assim embarcaram no avião mais de 150.
A coluna terrestre "encalhou" no Negage, porque a FNLA não nos queria deixar passar. Dizia que aquela gente ia para Luanda e que, depois de se armar, regressaria a Carmona para se vingar da derrota sofrida. Depois de termos informado o Comando de Sector da situação e para que não houvesse mais derramamento de sangue, este forjou uma mensagem assinada por Ngola Kabango, que era Ministro em Luanda e era dos quadros da FNLA , que autorizava a nossa passagem. E assim a coluna lá seguiu o seu destino sem mais quaisquer problemas. Que será feito dessa gente? Uns terão ficado sempre por Luanda, outros talvez tenham regressado mais tarde.
Pequenas histórias passadas há 35 anos.
Um abraço para todos
JOSÉ DIOGO THEMUDO














































