quarta-feira, 9 de junho de 2010

A missão de bem!...

Avenida principal do Quitexe. A casa da esquerda era a do Comando do BCAV.8423. Foto de Cesar


ACÁCIO LUZ
Texto

A nossa «missão de bem», em terras do Uíge e para que fique claro, deve ser entendida num contexto militar e não no civil ou político, como é óbvio.
Tal expressão foi por mim parafraseada nas palavras que dirigi aos Cavaleiros do Norte em Ferreira do Zêzere, a 29 de Maio de 2010.
Assim, devo repeti-las, textualmente: “Fomos numa missão de bem, como disse o nosso querido amigo alferes José Alberto Alegria, que hoje não está aqui presente”. Só que o alferes Alegria escreveu no blogue “causa de bem”, mas penso que tudo está muito próximo.
De facto, nunca ninguém nos disse que nós íamos para Angola (neste caso, para o Quitexe) para “matar ou esfolar”, mas, antes, enquadrados militarmente, com vista a manter a segurança das populações nativas e até, quando possível, promover o seu desenvolvimento e outros afins.
Claro que estivemos colocados em situações de risco e de uma vida, por vezes muito dura, que rondava o sacrifício de muitas coisas. Pelo resultado da missão, bom ou menos bom, não somos responsáveis.
Intuito político, todos sabemos que existia mas, enquanto militares, colocámos acima de tudo os valores do serviço, da honra, da camaradagem, da lealdade e de tantas outras virtudes, próprias da vida militar e que muito dignificam a pessoa humana.
Finalmente, a satisfação do dever cumprido.
É neste contexto que se cimentam amizades e, neste caso, bem patenteadas não só nos encontros/convívios dos Cavaleiros do Norte, mas também porque frutificaram com bons amigos que se fizeram.
ACÁCIO LUZ
- LUZ. Acácio Carreira da Luz, tenente do SGE no Quitexe e Carmona. Agora, capitão aposentado, reside na Marinha Grande. A foto é da época.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Carmona, 1 de Junho de 1975...

Rotunda de Carmona, para a RIMAGA (esquerda), zona industrial (em frente) e Negage (à direita)

A madrugada de 1 de Junho de 1975, em Carmona foi de muitos medos. O susto ganho na viagem da messe para o BC12 «avisou-nos» do que poderíamos esperar desse domingo de dores e de sangue.
O silvo das rajadas, o estrondo dos morteiros e dos obuses ouviam-se como se rebentassem na parada do quartel. Chegou a supor-se que iríamos ser atacados, aperfeiçoando-se rapidamente a defesa da unidade.
Todos nós, os mais operacionais do BCAV. 8423, tínhamos missões pré-destinadas. Ao PELREC, por exemplo, coube alternadamente a defesa rotativa de pontos essenciais da cidade: o aeroporto, o hospital, a central eléctrico, o abastecimento de água, a estação de rádio, a recolha de feridos e de refugiados.
A foto mostra uma área próxima da zona industrial, onde assistimos a pertinaz e feroz caça ao inimigo. O militante de um partido fugia pela estrada fora, escapando entre as balas de sucessivas rajadas, sem que fosse atingido. Acabou por cair, extenuado e já dento de um capinzal, onde foi abatido à catanada, pontapé e tiros de pistola, à queima-roupa.  
Dito isto assim de forma quase crua, parece até uma «brincadeira» de desenhos animados. Mas era assim, na prática, que angolanos se puseram contra angolanos. Matando-se, regando o chão vermelho da sua terra com o seu próprio sangue, empastando-o no pó da tragédia que medrava diante dos nossos olhos.
O cheiro da pólvora e da morte sentia-se a cada momento que passava. Civis amedrontados, ontem cuspindo para o chão onde passavam militares, socorriam-se da tropa que passava. A nenhum foi dito «não».
Os combates, alguns quase corpo a corpo, entrincheiraram ódios e semearam lutos. Carmona, a 1 de Junho de 1975, cheirava a pólvora, a morte, a tragédia!

Um cavaleiro do 8423 é sempre um Cavaleiro do Norte...

J. A. Monteiro e J. Gomes (organizadores do Encontro de 2011) e R. Tomaz

Foi bonito vermos a família dos Cavaleiros do Norte no Encontro de Ferreira do Zêzere, reencontrando companheiros que já não víamos há quase 35 anos.
E dizia o (furriel) Cruz: «É pá e já lá vão 36 anos, não posso acreditar... como o tempo passa. Mas estamos "quase" todos aqui...».
Alguns, jamais voltámos a ver e outros, pelo contrário, continuam os mesmos de sempre. O Gaiteiro, o Domingos (estofador), o Celestino e tantos outros. Espero que para o ano não falte o Calçada, por exemplo, assim como o Machado (Beduíno), o ex-alferes Alegria, o Dias (vago-mestre) e tantos outros.
Para o Ribeiro, o Aurélio, o Vicente, parabéns, pois tudo decorreu muito bem. O local era muito lindo mas, com gente assim, qualquer local é bom para dar um abraço.
Até para o ano e felicidades para o Monteiro e o Gomes, desejo um bom trabalho, sempre. Para o Carlos Silva, da 3ª. CCAV., acho que é sempre bem-vindo, pois um Cavaleiro do 8423 tem sempre entrada garantida e sem conotações de A ou B ou C, é sempre um Cavaleiro do Norte, digo eu.

RODOLFO TOMÁS
- TOMÁS. Rodolfo Hernâni Tavares Tomaz, 1º. cabo
rádio-montador, residente em Lousada (Porto).

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Perguntai ao inimigo quem são as mulheres dos Cavaleiros do Norte

Abertura do power-point do Encontro dos Cavaleiros do Norte de Ferreira do Zêzere



José A. Monteiro
Texto

Hoje, ao recordar o nosso encontro/convívio de 29 de Maio, senti a necessidade de dizer o que me vai no coração. Mais um encontro, mais algumas emoções fortes sentidas e vividas juntamente com aqueles que comigo estiveram em terras de Angola, onde, durante 16 meses, fomos suportando saudades, criando amizades e, fundamentalmente, como dizia o nosso Tenente Luz, "estávamos numa missão de bem".
Foi um dia maravilhoso, passado num ambiente onde se notava a alegria estampada no rosto de cada cavaleiro da CCS.
A beleza natural que nos envolvia também ajudava a criar um ambiente de grande felicidade.
Quero aqui e agora expressar a minha admiração pelas nossas "amazonas". São muitas as que acompanham os seus maridos e companheiros. Penso que elas são a grande força para continuarmos nesta luta da vida, são elas que dão o apoio e a coragem para que muitos de nós não falte à chamada.
Apetece-me dizer que lema do BCAV. 8423 também lhes ficaria bem: «Perguntai ao inimigo quem são as mulheres dos cavaleiros da CCS". Os do Norte, do BCAV. 8423.
Foi um dia em que experimentei emoções fortes. A alegria contagiava. Estes 36 anos passados desde a nossa partida para Angola levam-me a dizer que dificilmente esqueceremos aqueles 16 meses vividos a 10.000 kms. de distância. Somos agora como que uma verdadeira família! Quando nos encontramos, sentimos uma alegria que nos contagia a todos nós.
2011 é já ali.
Vamos começar a trabalhar para um novo encontro. Ainda não há data, nem local. Sabemos que vai ser no Norte. Sabemos que vai ser no distrito do Porto.
As saudades do encontro já começaram.
Parabéns à organização de Ferreira do Zêzere. Os Cavaleiros da CCS - o Ribeiro, o Aurélio e o Vicente - trabalharam bem para que o evento tivesse o êxito que teve. PARABÉNS!
E para ti, meu caro Viegas, continua com o blogue, pois ele é, para mim, uma forte ligação a todos vós. Para o meu amigo Neto, obrigado por teres sido o meu azimute até Condeixa.
Abraços,
José Monteiro


- MONTEIRO. José Augusto Guedes Monteiro, furriel miliciano de Operações Especiais (Rangers). Aposentado dos STCP (Porto) e empresário. Natural de Vila Boa de Quires (Marco de Canaveses) e residente em Paredes (Porto).

domingo, 6 de junho de 2010

Saudades nossas da jornada de África...

Morais, Pires (Montijo) e Cruz, furriéis do Quitexe e Carmona (1974/75)

Há 35/36 anos, quando jornadeei pelo Quitexe e por Carmona, depois por Luanda, não havia pedra no rim que m´incomodasse. Houve agora, em Ferreira do Zêzere. A 27 e 28 de Maio, dias de véspera do festim dos cavaleiros, tive de me sujeitar aos bons cuidados do Hospital de Águeda. E parti com o Neto, com o medo entalado na garganta: o de me ir abaixo. Lá m´aguentei.
A sorte era que o meu papel por lá, se limitado já era - por razão da eficiente organização do Ribeiro, do Aurélio e do Vicente... - mais ficou, mesmo com os cuidados tidos com o power-point que mostrou cerca da meio milhar de fotos da nossa jornada de África.
Coube-me a leitura das três mensagens, aqui mostradas em dias anteriores, e cuidei-me bem de «avisar» amazonas e cavaleiros, quanto à minha provável emoção na leitura. Nem sei como m´aguentei, até porque, segundos antes, o desgraçado do pedregulho «emboscara-me» a resistência física. Filho da mãe!!!... Mas como um verdadeiro «ranger», não me deixei ir abaixo.
E foi bonito, e emotivo!, ver e sentir como cada palavra lida foi ouvida com o silêncio a apertar os corações e o sentimento a levedar na alma! Coisas de rapazes da tropa, que só eles entendem bem!
Queria aqui dizer - com o gosto e a emoção de quem se reencontrou uma vez mais com tantos rapazes que deram o seu melhor, para que Angola fosse melhor... - dizer do gosto muito particular de ter «reachado» quatro «pelrec´s», quatro companheiros de tantas e tantas horas, as boas e as más das terras d´África: os dois Ferreira´s (Carlos e Albino), o Florêncio e o António.
E, fora do PELREC, o sempre inesquecível Pires do Montijo! O Morais e o Cruz! O Mosteias, o Monteiro, furriéis do meu dia-a-dia. O tenente (capitão) Luz, os alferes Ribeiro e Cruz, os cabos e soldados da nossa família militar. Todos!!! Quantas histórias se lembraram naquele dia da Estalagem do Lago!!! E o dr. Capela, ao tempo titular da missão do Quitexe! Todos, todos, todos!!! Até a pedra do rim «desinflamou» aos bocadinhos.

sábado, 5 de junho de 2010

O 1 de Junho de 1975 em Carmona

Refugiados de Carmona na parada do BC12, a 1 de Junho de 1975

Madrugou Carmona, ao 1 de Junho de 1975, com o rebentamemto de morteiros, obus e granadas nos céus da cidade. O alvor citadino encharcava-se de sangue e de morte, irmãos contra irmãos - como se o país a construir não estivesse nas mãos deles. Lhes fugisse da alma.
Fui acordado na messe do Montanha Pinto, ainda era noite, e a notícia era mais ou menos esperada, mais dia menos noite: rebentaram as macas. Havia fogo cruzado por todo o lado e mesmo ali perto de nós, por trás da capela do Montanha Pinto.
Eu era sempre dos primeiros a acordar e nessa madrugada de 1 de Junho de 1975, saltei da cama a acordar o Neto, que sonhava a metro e meio de mim: «Ha porrada, pá!!! Prepara-te!!!...». 
Levantou-se o Neto, apressando o atavio e fui eu a correr, ainda descalço, a acordar os resto dos furriéis. Dormia em frente o Monteiro, que acordei aos berros!!! E fui corredor fora, alvoraçado, afoitando rapidez na preparação para sair.
De perto, muito de perto, ouviam-se repetidos rebentamentos de material de guerra. E gritos, muito gritos!!! Alguém, do BC12 e pelo telefone civil, apressou a nossa saída. Uma berliet vinha a caminho!!!
Mal eu fora acordado, dissera para o Cabrita para chamar o cozinheiro: que «apresse o pequeno almoço!!...». Mas ninguém matabichou.
Era para aí umas seis horas da manhã, já galgávamos as ruas da cidade, a caminho do BC12. De G3 aperradas e granadas prontas a deflagrar. Tinham começado as macas de Carmona e cada um de nós sabia que missões lhe competiam! Chegara a hora de provar quanto valíamos. A caminho do BC12, na zona do liceu, quase fomos alvejados e chegámos a pensar o pior. A rajada assobiou-nos as orelhas!!! As próximas iam ser de dor e de sangue... Milhares de civis foram recebidos no BC12!
Ver AQUI.

Mensagem da filha do alferes António Manuel Garcia

Alferes Garcia no Natal de 1974. Falecido a 2 de Novembro de 1979.
Filha Marta e neto João (em baixo, foto de 2010)


Marta Garcia Tracana, professora universitária e filha do alferes Garcia, enviou uma mensagem para o Encontro dos Cavaleiros do Norte, de 29 de Maio de 2010. Foi lida pelo (ex-furriel) Viegas e emotiva e largamente aplaudida. Esta:


Hoje poderia ser um dia completo, mas quando deixamos de ser a filha de alguém e começamos a ser a mãe, a mulher e a profissional, temos que fazer escolhas que nem sempre são as que mais queremos.
Mas não me rendo e nunca desisto!
No passado dia 28 de Março, pela primeira vez na minha vida, comecei a sentir que a parte que me faltava para conhecer de meu pai estava a bater-me à porta! A Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães tinha-me reenviado um e-mail que tinha recebido. Quando me ligaram para o telemóvel, a contar-me, nem queria acreditar! Os amigos do meu pai tinham-nos encontrado (à Associação e, por acréscimo, a mim!). Nesse dia fiquei até às tantas da madrugada a ler e reler todos os textos que continham referências ao Garcia e ainda hoje não me canso de ler esses textos - tão sentidos e tão íntimos, de assuntos que só vocês sabem do que se trata.
Saber que existe um enorme grupo que ainda hoje, passados 31 anos, se lembra do Garcia, com muita saudade e carinho, é um grande orgulho para mim.
Que ele era um “gajo porreiro”, já me tinham dito, mas que o coração dele conseguia tocar tanta gente, surpreendeu-me. Ele devia ser mesmo muito especial.
Quanto a mim… bem, adoro uma boa farra como ele, as artes estão-me incutidas na alma (música, essencialmente), gosto de fazer amigos e de cultivar amizades, caem-me as lágrimas quando estou a rir às gargalhadas (como ele) e choro quando o coração me aperta (assim como ele fez no Natal 1974, quando ficou sozinho num canto a relembrar a família).
Meus queridos novos amigos:
É uma enorme alegria saber que vocês não se esqueceram do Garcia que, por ironias do destino ou por influências sabe Deus de quem, foi o primeiro a abandonar o grupo, e uma honra conhecer-vos… mesmo que à distância.
Para todos vós, um muito obrigada por não se terem esquecido dele e um muitíssimo obrigada por me permitirem “entrar” no vosso grupo.
A todos um bem-hajam
Um abraço da filha do Garcia,
Marta


- GARCIA, António Manuel Garcia, alferes miliciano de Operações Especiais (Ranger´s), comandante do Pelotão de Reconhecimento, Serviços e Informação (PELREC). Nasceu a 1 de Maio de 1952 e faleceu a 2 de Novembro de 1979, num acidente de viação entre Viseu e Mangualde, era agente da Polícia Judiciária.
Foi fundador e sócio nº. 1 da Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães (ARCPA), terra da sua naturalidade, em Carrazeda de Ansiães.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Mensagem de Angola para os Cavaleiros do Norte

Rua da cidade de Carmona, actual Uíge e capital da província


Um cidadão da Carmona de 1975, enviou a
seguinte mensagem para o Encontro de 29/05/2010


Ainda hoje me recordo do grande apoio que vocês deram a numerosas famílias, incluindo a minha, ao receberem-nos no então BC12, que era o vosso quartel.
Nós não nos sentíamos em segurança, após as escaramuças que tiveram lugar na então cidade de Carmona, entre o MPLA e a FNLA, a 1 de Junho de 1975, e vocês, não obstante terem já o BC12 abarrotado de gente, mesmo assim não hesitaram em receber mais gente.
Lembro-me também que alimentavam todo o “mundo” com as três refeições diárias.
Eu desejo a todos vós, boa saúde e êxitos na vida.
Abraço,
NN


- NOTA 1. A mensagem foi emotivamete aplaudida.
- NOTA 2. Meu caro, o que lhe podemos dizer é que
tudo o foi feito foi obrigação nossa, que nos orgulha.
Felicidades para o povo uígense e para toda a Angola.
CV

quinta-feira, 3 de junho de 2010

3ª. Companhia dos Cavaleiros do Norte tem festim em Coruche

O comandante Almeida e Brito (à direita) em Santa Isabel


A 3ª. Companhia do BCAV. 8423 reúne a 5 de Junho, em Coruche, no Restaurante O Farnel.
A organização é do José Manuel Friezas - que por Santa Isabel foi auxiliar de cozinheiro e agora preparou a ementa para o festim dos companheiros que connosco jornadearam por Angola, no Uíge.
Os contactos podem ainda ser feitos, justamente para o Friezas, através dos telefones 938971836 e 243106334.
A 3ª. CCAV. era comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes.

Mensagem do 2º. Comandante, capitão José Diogo Themudo

Alferes Garcia e capitães Falcão e Themudo, no BC12, em Carmona (1975)



O 2º. comandante do BCAV. 8423 não esteve
no Encontro de Ferreira do Zêzere, mas
mandou uma mensagem, lida pelo (furriel) Viegas:


Caros Cavaleiros
do BCAV. 8423:
Passados que foram 35 anos, é reconfortante voltar a encontrar-me convosco "em espírito". Só quem viveu momentos como os que nós vivemos naquelas paragens distantes, compreende a alegria, a satisfação e a emoção que sentimos quando, cada ano que passa, nos juntamos, agora já com filhos e netos, para recordar o passado. Tenho pena de não estar hoje físicamente convosco. Outro almoço do meu primeiro Batalhão, também de Angola, de 1970/72, já havia marcado o almoço de 2010 no mesmo dia. Mas agora que já nos encontrámos, não mais nos perderemos de vista. Espero estar convosco quando marcarem outro convívio.
Apesar de já não vos ver desde 1975, penso e falo muitas vezes aos meus amigos de todos vós. Conto-lhes como cheguei a Carmona, em Fevereiro de 1975, para desempenhar as funções de 2º. Comandante, embora fosse ainda Capitão, e como vivi alguns dos momentos mais complicados da minha carreira militar.
Os Movimentos e as guerras entre eles deram-nos água pela barba.
Tudo acabou.
Foi uma época.
Todos nós nos entregámos da melhor forma que sabíamos e podíamos às nossas missões e tarefas. Ainda hoje penso, muitas vezes, se valeu a pena o esforço, o sacrifício e as dificuldades por que passámos. Terá sido a melhor solução? Teria havido outra solução naquela altura? Não sei. Não podemos voltar atrás.
Hoje, dia 12 de Maio, dia em que vos escrevo estas linhas, o Papa visita Portugal e deixou-nos palavras de Esperança. Pediu que fosse respeitada a diferença. Pediu também que fossemos alegres. É, portanto, com palavras de Saudade, Alegria e Esperança que desejo a todos os Militares Cavaleiros do BCav. 8423 e às suas famílias, as maiores felicidades.
Bom almoço.
Um grande abraço para todos.
José Diogo Themudo
Coronel de Cavalaria Reformado

quarta-feira, 2 de junho de 2010

As histórias do Buraquinho...

J.
Miguel (escriturário), J. Celestino (condutor) e Buraquinho (analista de águas)

O Buraquinho é rapaz de palavra fácil. Solta! Solta em demais.!!! Fala, fala, fala... , explode em mirambolâncias e conta histórias inacreditáveis e insólitas, como aquela de ter fugido duas vezes de avião e de noutra ter saltado da carlinga de uns cinco metros de altura. E sem morrer, nem sofrer uma arranhadura!!!! Por milagre de Deus, ou do diabo, sabe-se lá!
Não fosse o Buraquinho e certamente nem teríamos «ganho a  guerra». Nem os morteiros estourariam, nem as balas silvariam nas madrugadas de Carmona, nem as rajadadas nos assobiariam as orelhas!!! O Buraquinho, por ele só, fez a «guerra» toda, limpou as armas todas, pôs os foguetes todos e ainda desfraldou a bandeira branca da paz.
«Fui preso três vezes!!! Três vezes!!!...», disse ele, arregalando os olhos para os Cavaleiros do Norte que, em Ferreira do Zêzere, ouviam placidamente a sua exibição de troféus, como se ir parar à cadeia fosse honra para atirar aos ventos.
Mas o Buraquinho é assim!!! Endeusa, mitifica, palavreia... como se fosse o nosso D. Quixote, a batalhar contar os moinhos da sua fértil imaginação. E todos o ouvem, glorificando-lhe as charlas.

Assim aconteceu no sábado, em Ferreira do Zêzere. Até à exaustão!
Preso uma vez, foi o Buraquinho e por participação minha, sargento de dia no Quitexe, na tarde de um domingo que lhe deu para o torto. Não tenho que  me absolver do que fiz (fiz o que tinha de fazer...), mas ainda hoje não me orgulho disso. Pois, como se nada fosse (e ainda bem!...), aí amostrou o Buraquinho este mais um seu troféu de guerra. É inimitável!!! Ainda nos dias de hoje!!! É rapaz que não pode faltar aos Encontros dos Cavaleiros do Norte! Nunca!!!
Ver AQUI.

terça-feira, 1 de junho de 2010

O bom ambiente, a ordem e a disciplina dos Cavaleiros do Norte

R. Malheiro, A. A. Cruz (alferes), D. Teixeira (estofador), J. Celestino,
A. Gaiteiro e H. Esgueira (condutores)


António Albano Cruz engenheirou pelo Quitexe as suas competências na área da mecânica. Era o oficial do parque-auto, o sítio da «ferrugem», onde debutaram jovens de entusiasmo sempre generoso e capazes de todos os milagres para que não falhassem os transportes, não escaldasem as colaças dos motores, ou falhassem os calços a travar; para que fossem feitas as revisões, as mudanças de óleo, e reparadas todas as avarias e mais uma.
Sábado, dia 29 de Maio de 2010, lá se deixou embargar na voz, num fiozinho mal disfarçado de emoção, para falar da nossa jornada de África, que nos fez debutantes do Quitexe e de Carmona, depois já veteranos de guerra nos escaldantes dias de Luanda. Evocou, no Encontro de Ferreira do Zêzere, «a disciplina e a ordem» naturalmente impostas pelo Comandante Almeida e Brito e referiu-se ao tenente (agora capitão) Luz como «uma referência para todos nós...», pela, assim disse António Albano Cruz, pela «sua serenidade e franqueza...». E, sublinhando o que assino por abaixo, pelo «muito, muito, muito, que devemos ao tenente Luz...».
Os Cavaleiros do Norte embebeceram-se e arrepiraram respirações, depois, com a oratória de António Albano Cruz, quando recordou «os nossos amigos que já partiram» e lembrou o alferes Garcia - com quem acamaradou na messe de oficiais, em cumplicidades e afectos que são história da unidade.
As palmas de amazonas e cavaleiros do Qutexe «abafaram» o que António Albano Cruz ia a dizer da jornada angolana: «A nossa sorte - sublinhou ele -, a nossa sorte foi a disciplina e a ordem do nosso comandante». E também, deixem-me agora e aqui enfatizar as palavras do então jovem oficial miliciano, «o bom ambiente que reinou entre nós!!».
Palavras certas!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A véspera dos macas...

Avenida de Portugal, na cidade Carmona. Dois homens armados 
foram detidos neste cruzamento, faz hoje 35 anos. Foto de Jorge Oliveira

Carmona, 31 de Maio de 1975. São para aí umas quatro horas da madrugada. É sábado. Os bares nocturnos da cidade começam a escoar clientes e «profissionais». A PM faz a volta «solitária» passando por locais tidos como suspeitos. Não se vêem situações anormais. «Têm medo de nós...», brincalhou o Marcos, que é homem de estatura baixa, mas alma forte.
Estava na hora do regresso ao BC12.
O jipe conduzido pelo Breda galga sossegadamente o alcatrão da cidade. Vagarosamente, quase displiscentemente! Só se ouve o barulho do motor a gasóleo. A cidade está morta e os poucos neons não dão muita graça ao bréu mal disfarçado pela parca iluminação pública! Nem se ouvem os tiros que costumavam fazer pasto da noite.
Passámos ao liceu, virámos para o bairro industrial e olhámos a luz da Rádio Clube do Uíge. Seguimos para o ventre da cidade que dormitava!! Não se vê ninguém! «Vamos embora, dê a volta pela Rua do Comércio...», foi dito ao Breda.
O jipe avançou entre as sombras das ruas citadinas. «O que é aquilo?!», perguntou o Marcos. 
Dois homens escondiam-se na entrada de um prédio e pareciam armados! Pffffff..., faltava esta! Um Toyota com metralhadoras adaptadas passou a poucos metros, era de outra força. E sumiu-se na noite! Os dois homens armados continuavam por ali. Estavam e fugiram, correndo para a Avenida Portugal. Mas foram agarrados, justamente no cruzamento da foto, detidos e levados para o BC12. Ao passarmos na estrada para o BC12, na zona do liceu, soaram tiros escondidos do capinzal. Ainda hoje muitos de nós não entendemos como, sem medos ou um passo atrás, corríamos perigos que eram de morte, desafiando as traições que se tapavam no bréu das noites enluadas da cidade.
Um dia depois, pouco mais de 24 horas depois..., a1 de Junho de 1975, rebentaram as «macas» de Carmona. O meu sábado foi de folga e comi bife com ovo a cavalo no Escape.

Lá foram os bravos, os do Quitexe!!!

Alferes A. Cruz e J. Ribeiro, A.  Buraquinho e António Capela

António Capela foi contemporâneo do BCAV. 8423 no Quitexe - onde sacerdotou na Missão Católica e foi mestre e companheiro de algumas cumplicidades. E é um dos Cavaleiros do Norte.
Esteve em Ferreira do Zézere, no Encontro de 29 de Maio de 2010, e botou palavra, no púlpito que se fez sítio da palavra de todos. «Sou um de vós, embora não fosse militar!!!...».
Há meses, no encontro de Águeda, já se emocionara na narrativa histórica da sua relação com a CCS do BCAV. 8423. Agora, sem esquecer «o que o batalhão foi para aquela gente...», testemunhou o (algo inesperado...) afecto da gente do Quitexe pelos Cavaleiros do Norte, na hora da nossa partida, a 2 de Março de 1975.
«Lá vão os bravos!!...», disseram-lhe quitexenses que foram nossos contemporâneos de Junho de 1974 a Março de 1975, virtualmente constrangidos, lamentosos... - como que se queixando da nossa ausência do seu futuro.
António Capela deu-nos esta notícia da reacção das gentes do Quitexe, ao nosso adeus à vila, orando de voz embargada e olhado com a expectativa de quem (os Cavaleiros do Norte) se sentiu surpreendido. «Afinal, aquela gente gostava de nós...».
Mais tarde, já em Carmona e na madrugada de 4 de Agosto de 1975, António Capela testemunhou o nosso adeus à cidade e ao Uíge, prantado que estava na Missão Católica: «Recordo-me muito bem! Vi-vos sair à rotunda do Negage e as lágrimas caíram-me pelos olhos abaixo».
Foram dias muito difíceis, os passados nos últimos meses do Uíge - dias dramáticos, perigosos, regados de sangue e polvilhados do cheiro da pólvora e da morte... -  e muita gente chorou depois da nossa saída.
O testemunho de António Capela, agora relatando o afecto das gentes do Quitexe, foi como um pingo de mel no festivo e sentido Encontro de Ferreira do Zêzere. É um dos nossos maiores!

domingo, 30 de maio de 2010

Era uma missão de bem!...



O agora capitão Luz secretariou o comando do BCAV. 8423, do alto da sua competência, rigor e «pontos e cedilhas». Era tenente no Quitexe e ontem, dia da CCS dos Cavaleiros do Norte, tinha um encontro de oficiais do seu curso, em Águeda, mas optou por Ferreira do Zêzere.
«Gosto de estar aqui, deste convívio... Ver-vos, significa muito para mim...», disse, na oração de abertura do Encontro de 2010.
O dia era muito especial para todos nós: exactamente ontem, completavam-se 36 anos da nossa partida para Angola e o «pormaior» foi sublinhado. «Partimos de Portugal para viajar 10 000 quilómetros e não era para uma missão de mal, era para uma missão de bem...», enfatizou Acácio Luz, atentamente escutado pelos  cavaleiros e amazonas que se juntaram em festa na Estalagem do Lago.
«Uma missão de bem!!!...», assim disse e redisse, da nossa passagem por Angola, aquele que, de nós, maior capital de experiência e conhecimento tem da que foi a última presença militar portuguesa em Terras do Uíge. Por lá, e retomo as palavras do tenente/capitão Luz, «partilhámos amizades, alegrias, riscos, diferenças e dúvidas». Sem esquecer «a generosidade de todos e a ordem e disciplina impostas pelo comandante Almeida e Brito».
«O 8423 marcou a minha vida. Também por isso fiz agulha para aqui, não podia faltar...», disse o tenente/capitão Luz. E disse, e fez, muito bem. Só podia ser! O 8423 marcou-nos a todos.
- LUZ. Acácio Carreira da Luz, tenente do SGE, responsável pela secretaria do BCVA. 8423. É capitão aposentado e tem «80 e picos anos...».
- Ver aqui: http://cavaleirosdonorte.blogspot.com/2009/09/o-tenente-luz-da-secretaria-do-comando.html
- E aqui: http://cavaleirosdonorte.blogspot.com/2010/02/os-atiradores-da-secretaria-da-ccs-e.html
|||***|||
CHEGADA A ANGOLA, HÁ 36 ANOS,
FAZ HOJE, DIA 30 DE MAIO DE 2010.
VER AQUI: http://cavaleirosdonorte.blogspot.com/2009/04/partida-e-chegada-angola.html

sábado, 29 de maio de 2010

O Encontro dos Cavaleiros do Norte em Ferreira do Zêzere


Ribeiro, Luz, Aurélio e Sra. Luz a assoprar o bolo do Encontro
Albino Ferreira, C. Viegas, F. Neto, F. António e A. Florêncio

As fotos que mostramos são simbólicas, embora de má qualidade. Defeito meu, que me apetrechei mal para a missão. Aí estão, na de cima, o alferes Ribeiro, o capitão Luz  (com a esposa) e o Aurélio (barbeiro), de careca desfocada, a assoprar as velas do Encontro de Cavaleiros do Norte.
A malta «cavalgou» estradas fora, de norte e sul para o centro, em Ferreira do Zêzere, e aí se encontrou a perder-se de horas, desfiando saudades e momentos dos mais empolgantes da nossa comissão angolana. E quantas emoções embargaram vozes?!!! Foram recordados os companheiros que já enlutararam a família quitexana. Falou-se de mensagens que chegaram pelo telefone (Almeida, Madaleno, Lopes, Cabrita, Pires...) e lidas outras de quem não pôde estar - do 2º.Comandante José Diogo Themudo, da filha do saudoso alferes Garcia, de um cidadão angolano que foi refugiado no BC12. «Vocês salvaram muitas vidas», disse ele. Delas falaremos em dias próximos.
Por mim, e por hoje, deixem-me mostrar (foto de baixo) os rostos de três bravos «pelrec´s» que eu já não via desde 8 de Setembro de 1975: o Albino Anjos Ferreira (de fato), o António e o Florêncio - os dois da esquerda. Foram homens de nunca virar a cara, de nunca camuflarem medos, de sempre assumirem de corpo inteiro a missão que nos levou a Angola. O gosto que me deu foi maior por todos nos termos reconhecido.

«E daquela vez, ó Viegas?!!!!...» sorriu-se, de malancrice quase envergonhada, o bom do António, sempre valente e forte, ante cada perigo que nos espreitasse - para nos falar de uma cena no Diamante Negro, fazíamos nós de Polícia Militar em Carmona. Um dia aqui contaremos a história.
Deixem-me agora dizer, só!!!!, que o encontro de hoje foi um hino de companheirismo e de festa. E já com data marcada para 2011!!! E 2012!!!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Dias de Maio de 1975, agitados na cidade e no Uíge


Rua do Comércio, em 2009, foto de Alexandre Correia. Foi palco, em 1975, de muitos incidentes

Os últimos dias de Maio de 1975, em Carmona, foram muito agitados e de duvidosa contra-informação. Os boatos semeavam-se e colhiam-se com inverosível velocidade e era latente a diferença entre os que, do MPLA e da FNLA, discutiam direitos e posições de que eram árbitro as Forças Armadas Portuguesas.
Casos houve em que a tropa portuguesa - a única autoridade militar constituída e válida - era questionada pelos dirigentes dos movimentos. E pela população civil europeia. Sentiram-se momentos dramáticos e de impertinências injustificadas e injustificáveis.
A tropa, acusada de partidária - ora vejam lá... - teve algumas vezes de usar a força para impor ordem e segurança na cidade - nomeadamente quando se sentia desautorizada e alvo de atropelos. Ou quando civis eram  molestados pelos militantes partidários, muito violentos e nalguns casos sanguinários. Porém - valeu-nos isso, sempre!!! -, a coesão das Forças Armadas Portuguesas galgou todas essas dificuldades - mesmo quando nos eram atribuídas culpas que não tínhamos.
Sucediam-se os patrulhamementos, na cidade e nos itinerários principai da província do Uíge - para que se prevenissem atropelos e banditismos. Sem um esmorecimento, sempre disciplinada e corajosamente. Embora com imensos sacrifícios da guarnição - que era pequena. Mas não houve, que eu saiba, um momento de desânimo, uma desistência, um instante em que alguém, da sociedade civil, ficasse privado da sua liberdade. Mas adivinhava-se que andava transmontana no ar.
Duas notas:
1- Faz hoje 36 anos,era véspera da nossa partida para Angola, adiada do dia 27 de Maio.
2 - Amanhã, em Ferreira do Zêzere, é dia de reencontro dos Cavaleiros do Norte. Exactamente 36 anos depois da nossa viagem aérea para Luanda. Como o tempo passa!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Partida para Angola adiada por dois dias!

Santa Margarida, Regimento de Cavalaria nº. 4, manhã de 27 de Maio de 1974. Há horas que, uns em grande algazarra, outros mais comedidos, chegam os cavaleiros da  CCS do 8423, da malas aviadas, prontos para seguir para Lisboa e, daqui, para Luanda, num voo dos TAM.
A meio da manhã, chega a informação que a viagem fôra adiada para quarta-feira seguinte, dia 29! Há reacções diferentes. Perto de mim, o Francisco Neto decide desde logo voltar a casa, em Águeda, e «desafiou-me» para tomarmos o comboio. O Benício, empregado da empresa do pai, nos traria na quarta-feira. Decidi não voltar a casa, veio ele - certamente já saudoso do colo da família e dos braços da Eunice.
O meu resto de dia, com o Pires de Bragança, o Rocha, o Farinhas e outros, foi passado pelo quartel e S. Miguel de Rio Torto - onde fomos ao restaurante por onde passáramos durante o IAO.
À noite, fomos jantar a Abrantes. De volta, já no quarto do RC4, no bloco onde estiveram detidos alguns oficiais do 16 de Março (Revolta das Caldas), li e escrevi anotações do dia, num bloco A4 de cartas. E dormi tranquilamente! Angola ficava para 29 de Maio!
-TAM. Transportes Aéreos Militares.
- IAO. Instrução de Aperferçoamento Operacional. Ou Instrução Altamente Operacional, como preferíamos dizer.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A véspera da anunciada partida para Angola...

 
Entrada do Campo Militar de Santa Margarida, onde se situava o RC4

A 26 de Maio de 1974, era domingo! Foi um dia muito sossegado para mim, por aqui vivido na tranquilidade da aldeia onde ainda hoje vivo! Pelo adro da igreja, distraídamente,fui-me despedindo dos amigos que por lá me desejavam sorte na jornada de África.
A mala estava feita, com fardas e a pouca roupa civil que levei para Angola. E alguns artigos de higiene pessoal. No saco da TAP, vermelho e que ainda ali tenho no sotão,levava coisas mais aligeiradas.
Minha mãe caprichou no caldo do almoço e comemos rojões na velha cozinha de nossa casa. E acertámos que, de maneira nenhuma, faria ela promessa de ir a Fátima a pé, como era vulgar ao tempo - pelas graças de regressar são e salvo. Não por questões de fé (que tenho), mas por outras!
Pela tarde, dei uma volta apeada pela aldeia. Pelos locais da minha meninice, saudando este e aquele com quem me cruzava. Atirei falhas nas águas da pateira e, uma a uma, passei pelos cabeceiros das nossas poucas propriedades.
Pouco comi à noite, do escoado tradicional - despedindo-me de minha irmã Dulce e cunhado Zé, com a minha sobrinha e afilhada Susana ao colo - hoje também minha comadre e professora.
«Queres que te acorde?!...», perguntou-me minha mãe, na hora da deita. Que não, eu me levantaria. Ainda dei um salto ao café da Celeste, aqui ao lado, e embrulhei-me em lençóis, enquanto ouvia as badaladas da meia noite. Ia acordar às 5 horas da manhã e buscar-me vinha o pai do Neto. Os dois, íamos para Santa Margarida (foto) e daí para Lisboa. Para Angola! A viagem estava marcada para 27 de Maio, mas foi adiada dois dias!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Os dois batalhões de Almeida e Brito - o 1917 e o 8423!



Avenida principal do Quitexe e edifício do comando (com bandeira). Aqui à direita,
entrada para a parada, oficinas e casernas. Em baixo, o comandante Almeida e Brito


Hoje, que estamos a quatro dias do Encontro 2010 dos quietexanos Cavaleiros do Norte, vem o José Oliveira (César) contar-me que o BCAV. 1917 também reúne a 29 de Maio e aqui mesmo nas minhas barbas - no Furadouro.
E o que temos nós, os garbosos e Cavaleiros do Norte, a ver como isso?! Pois temos!!! Ai temos, temos!!!... Para além de ser nosso antecessor no Quitexe, por onde jornadeou entre 1967 e 1969, o BCAV. 1917 teve o Comandante Almeida e Brito como oficial de operações - de 24 de Janeiro a 17 de Dezembro de 1968.
Bem que nós, na agora saudosa terra do Quitexe, sabíamos que o então tenente-coronel conhecia de cor e salteado o chão que nos mandava pisar, de cada vez que, nas encaloradas madrugadas uigenses, galgávamos pelas picadas e trilhos da  mata. E bem nos lembramos das lendas que sobre ele se contavam, Cavaleiro Branco lhe chamaria o IN - por ser de cabelo alvo e cavanhaque da mesma cor, tal qual o conhecemos.
Os dois batalhões são, pois, afins e/ou irmãos, da mesma arma e com oficial comum. Dois amores de Almeida e Brito!
Sobre sábado, na Estalagem do Lago, lá estaremos - para recordar histórias da nossa jornada angolana, reviver emoções, afectos e cumplicidades que se criaram e multiplicaram e, seguramente, esquecer por horas que já não temos a vitalidade dos nossos tenros 22 para 23 anos.
Lá estaremos!
Foto do Quitexe, do Blogue de César