BATALHÃO DE CAVALARIA 8423. Os Cavaleiros do Norte!!! Um espaço para informalmente falar de pessoas e estórias de um tempo em que se fez história. Aqui contando, de forma avulsa, algumas histórias de grupo de militares que foi a Angola fazer Abril e semear solidariedade e companheirismo! A partir do Quitexe, por Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange e Songo! E outras terras do Uíge angolano, pátria de que todos ficámos apaixonados!
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Quem são vocês? Quem somos nós, homens do PELREC do BCAV. 9423?
Ontem, há 36 anos, foi dia último dos exercícios finais da escola de recrutas dos atiradores de cavalaria do BCAV. 8423. O PELREC jornadeou pela Mata do Soares e aprontou-se para uns dias de férias. Uma semana. Eu e o Neto, cabos milicianos do pelotão, resolvemos fazer uma espécie de inquérito: quem são vocês, os soldados? Quem somos nós, o PELREC?
A ideia, parecendo peregrina, tinha um obectivo nuclear: conhecer as debilidades emocionais de homens que, aos 21 para 22 anos, iam abandonar as suas famílias, amigos e namoradas, alguns deles até as mulheres, e partiam para uma guerra a milhares de quilómetros. Como reagir à solidão e à saudade? Às virtuais tragédias, aos medos, à psicose dos combates, aos arrepios dos trilhos das matas?
Lembro-me bem da cara de espanto com que nos ouviram? Afinal, o que acontecia é que parecíamos estar a querer entrar na vida deles, nas suas intimidades, nos seus segredos. Algum deles perguntou o que tinham a fazer. Peçam às vossas mães, irmãos, namoradas, amigos, para que escrevam no papel o que nós podemos fazer para que vos possamos ajudar?
Poucos isso fizeram, é verdade. Mas ainda guardo a carta, cheia de erros gramaticais, de medos e de fé que me entregou um deles, escrita pela mãe. E como, mais tarde, no Quitexe, eu vim a perceber a solidão e o isolamento, a dor e amargura daquele filho, em alguns momentos que o faziam nostálgico e infeliz!
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
A equipa de saúde dos Cavaleiros do Quitexe

A equipa de saúde foi liderada pelo capitão miliciano médico Manuel Soares Cipriano LEAL e dele já falámos AQUI. Concluiu a comissão em Novembro de 1974 e foi substituído pelo alferes médico António Honório de Campos, mais tarde chegando o também o alferes médico Carlos Augusto Monteiro da Silva Ferreira (já em Carmona).
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Os «atiradores» da secretaria da CCS e comando dos Cavaleiros do Norte

sábado, 20 de fevereiro de 2010
A bem-aventurada e prestimosíssima malta da alimentação...
A cozinha era essencial. Os cozinheiros, a malta toda da alimentação, a dos reabastecimentos, dos depósitos de géneros alimentícios e de bebidas...
O furriel de alimentação era Francisco José Brogueira DIAS, do Porto - que diariamente trabalhava na secretaria, para preparar as ementas, não fosse faltar um grama de arroz, um decilitro de azeite; ou o peso na carne!
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Bairro Mbemba Nhango é tetra-vencedor do Carnaval de Carmona
Uíge, 19/Fev./2010 - O grupo carnavalesco "Segue-me" na classe A, do bairro Mbemba Ngango, classificou-se pela quarta vez consecutiva na primeira posição, ao vencer, com 182 pontos, a edição 2010 do Carnaval na província do Uíge, com direito a 400 mil kwanzas de prémio.O segundo lugar da mesma classe coube ao grupo "União do Kimbele (136 pontos e 300 mil kwanzas) e o Zombo Kanda (62 pontos) teve vai ter direito a 200 mil kwanzas.
A primeira posição na classe B, infantil, 300 mil de prémio, coube ao grupo carnavalesco Triunfo, também do bairro Mbemba Ngango, vencedor dos anos 2008 e 2009, que somou 82 pontos.
A boa malta das Transmissões da CCS do BCAV. 8423 do Quitexe
O alferes Hermida (agora morador na Figueira da Foz) saiu em Março de 1975, sendo substituído por João Carlos Lima Curral, também alferes miliciano. O pelotão incluía os furriéis milicianos António José Dias CRUZ, residente em Lisboa (rádio-montador), José dos Santos PIRES, em Brangança; e Nélson dos Remédios da Silva ROCHA, em Vila Nova de Gaia (transmissões). E também:
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
A rapaziada do parque-auto, os mecânicos, os condutores e outros que tais...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Há 35 anos, em viagem de Águeda até Santa Margarida
Cabos Milicianos Neto e Viegas no RC4 de Santa Margarida (1974)Os sapadores dos Cavaleiros do Norte do Quitexe
Alguns militares do Pelotão de Sapadores (em cima) e alferes Ribeiro (em baixo).
O pelotão incluía também os seguintes militares:
- 1º.s CABOS: João de Almeida RODRIGUES, Gabriel Alves MENDES, SILVÉRIO Teixeira Cardoso, José Adriano Nunes LOURO (falecido), Fernando Martinho GRÁCIO e ALBINO Jorge de Oliveira Pires.
- SOLDADOS: Manuel Augusto Nunes (AMARANTE), Francisco Simões CARLOS, Joaquim Castro SOUSA, António Gomes CALÇADA, José Gomes COELHO, AFONSO HENRIQUES de Sousa, António José da Silva AMARAL, Américo da Silva OLIVEIRA, Albino Marques DIAS, Mário da Silva MOREIRA, BALTAZAR Serafim Brites e JERÓNIMO de Oliveira Sousa.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Os cabos e soldados Cavaleiros do Norte do Quitexe
O PELREC da CCS do BCAV. 8423, antes de sair para mais umaoperação. Clicar na imagem, para a ampliar
Um companheiro e amigo Cavaleiro do Norte, do Quitexe, pede para aqui relembrar a composição dos pelotões da CCS do BCAV. 8423. «Se já apresentou os oficiais e os sargentos, porque não apresenta também os praças?», perguntou Cabrita.
Pois não custa nada e, no mais que puder, farei aqui a memória da malta. Bem merece. Podendo, obviamente, faltar um ou outro - que passe na peneira do Livro da Unidade. E se me dão licença, aqui começo com o «meu» PELREC, não levem a mal.
- OFICIAL: Alferes miliciano de Operações Especiais (Ranger´s) António Manuel GARCIA (já falecido). O último de pé, à direita.
- SARGENTOS: Furriéis milicianos de Operações Especiais (Ranger´s), José Augusto Guedes MONTEIRO, Celestino José Pinheiro Morais VIEGAS (sexto em pé, a contar da esquerda) e José Francisco Rodrigues NETO (primeiro à direita, em baixo).
- 1º.s CABOS: Jorge Luís Domingues VICENTE (já falecido), Fernando Manuel SOARES, João Augusto Rei PINTO, Augusto Sousa HIPÓLITO, Ezequiel Maria SILVESTRE, ALBINO dos Anjos Ferreira, José Manuel de Jesus CORDEIRO e Joaquim Figueiredo de ALMEIDA (falecido),
- SOLDADOS: Francisco José Matos MADALENO, Raúl Henriques CAIXARIAS, João Manuel Lopes MARCOS, Francisco Fernando Maria ANTÓNIO, Carlos Alberto Aguiar LAJES, Jorge António Pinto BOTELHO, Vitor José Ferreira FRANCISCO, Alberto Santos FERREIRA, José Coutinho das NEVES, Armando Domingues GOMES, Manuel LEAL da Silva (já falecido), Augusto FLORÊNCIO, DIONÍSIO Cândido Marques Baptista, Aurélio da Conceição Godinho Júnior (BARBEIRO) e João Manuel Pires MESSEJANA.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Instrução militar à... Ranger no Destacamento do RC4!
Hoje, se estivéssemos em 1974, seria sexta-feira e dia em que almoçávamos na messe de sargentos do RC4 e, de rota batida, abríamos alas para Águeda - no SIMCA 1100 do Neto, azul escuro, a papar quilómetros atrás de quilómetros, com a gasolina 4$50 o litro. Ou 6$50?! Qualquer coisa como €0,0225, ou 0,0325.
Vínhamos por aí acima, a dar à língua sobre as incidências da semana e não nos dispensando de algum comentário mais apimentado, satirizando uma qualquer passagem mais divertida com os (nossos) soldados do pelotão. E havia sempre um qualquer situação mais pitoresca para comentar.
Ao tempo, acabava a Escola de Recrutas e, na segunda-feira seguinte, ia começar o chamado IAO - instrução especial que nos «preparava» para a guerra, já mesmo a sério!
«O que é que achas, pá?...», perguntava o Chico Neto, sobre o que nos esperava.
Ora eu não achava nada. Tínhamos que fazer o tal IAO, pois faríamos. Tínhamos gosto no nosso pelotão, que se engravidava de orgulho por ter «ranger´s» na sua frente e tornaram-se lendárias, até, as marchas do pelotão, à... Ranger, na parada do Destacamento. De joelho para cima e palada de mão direita a tremular em força. Faziam gosto nisso, assumindo-se diferentes dos outros pelotões, nisso se espelhando a sua (deles) vaidade de ser «pelrec». Tínhamos essa impressão... como certa!
«Eu acho que não vamos ter problemas...», respondia-se o Neto, sempre muito mais optimista que eu. «Vamos ter um pelotão à Lamego...», e gritava «Yáááááá!!!!!........», enquanto acelerava pelas estradas de Abrantes a Tomar, até Condeixa - onde endireitávamos rota para Coimbra e Águeda.
Esse fim de semana, de alguma maneira, foi especial, pela nossa ansiedade relativamente ao IAO. Como se iriam comportar os nossos companheiros do «pelrec», em situações mais próximas da realidade? Até com bala real? Por nós, meses antes saídos da dura instrução de Penude, estávamos à vontade. Ia começar o primeiro grande teste, a partir de 18 de Fevereiro, na Mata Soares. Teste ganho pelos sempre leais e bravos «pelrec´s". A instrução «à Lamego...» tornou-os donos de mais garbo e militarmente muito bem preparados!
- IAO. Instrução Altamente Operacional, realizada imediatamente antes da partida para os teatros de guerra.
- PENUDE. Localidade nos arredores de Lamego, onde estava instalado o Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), os Ranger´s.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Malária na Damba afectou 5 229 pessoas
Uíge - O hospital Municipal da Damba registou 5229 casos de malária em 2009.
Damba fica a 197 quilómetros a norte da cidade do Uíge (Carmona) e a notícia foi divulgada pela ANGOP, que ouviu Maria Mutu Kuka, a directora do hospital - que, em 2009, atendeu 2769 crianças de ambos os sexos na pediatria, 3769 adultos, na medicina, e 1654 pacientes consultadas na maternidade local, onde nesceram 606 bebés, entre rapazes e raparigas. Faleceram 47 crianças na pediatria, 40 na medicina, três na cirurgia e um na tisiologia.
A pediatria teve 1296 internamentos, para além de1020 na medicina, 1834 gestantes na maternidade, 86 na cirurgia e 12 na tisiologia.
A malária, as doenças diarreicas e respiratórias agudas e a gastrites são mais frequentes no município - que registou 1229 casos de malária, 185 de DDA, 326 de diarreias agudas e 471 de gastrite.
Poesias...

Vou partir para a metralha, amor!
E a professora enchendo de apetites
E os olhos doidos de manhãs claras,
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Os tempos de Santa Margarida, gente e orçamentos de 1974

Santa Margarida foi campo da nossa preparação militar para Angola. O PELREC crescia e o que se «lia» nos olhares e se sentia na alma dos nossos companheiros era um grande sentimento de confiança. A instrução, no Destacamento do RC4 e terrenos adjacentes, decorria «a bom nível», como refere o Livro da Unidade.
A esta altura de Fevereiro de 1974, o presidente da Câmara Municipal de Águeda, Horácio Marçal (de quem eu viria a ser colaborador durante cerca de 30 anos, em funções que nada tem a ver com política), foi nomeado Governador Civil de Aveiro. E Manuel José Homem de Mello, Conde de Águeda, hoje director honorário da empresa onde trabalho, deixava a direcção do jornal «A Capital». Fôra delegado de Portugal na ONU (1971/72) e deputado da Assembleia Nacional, em 1956/61, 1969/73 e 1973/74.
A notícia de Marçal como Governador Civil foi-me dada por ele próprio, em cartão que me enviou para o RC4, e lembro-me de comentar o facto com o Neto. «O dr. vai longe na política. Não lhe meteste uma cunha?...», perguntou-me. Referia-se o Neto ao facto de eu (não) ter tentado não ser mobilizado (meu pai tinha falecido ano e meio antes) e de Horácio Marçal ser, ao tempo, um político em ascensão. Eu próprio, em Setembro de 1972, na Quinta da Aguieira (do Conde de Águeda), tinha assistido à atenção que lhe dera Marcelo Caetano - o Presidente do Conselho. Só que não fiz isso e, para se fazer história, Horácio Marçal saíria de Governador Civil de Aveiro logo depois do 25 de Abril.
Outra curiosidade da época era o orçamento da Câmara Municipal de Águeda, para 1974: 44 mil contos. Qualquer coisa como 220 mil euros. Para que possamos comparar com os dias de hoje, o administrador da PT que pediu a providência cautelar para o jornal Sol não publicar documentação das chamadas «escutas», ganha(rá) 500 mil euros por ano - 100 mil contos, quase 2,3 vezes mais que o orçamento de CMA em 1974.
O Campo Militar de Santa Margarida continuava a ser a nossa casa operacional , torneando-se as dificuldades existentes e agilizando-se a capacidade física e mental dos bravos soldados e cabos que formavam o PELREC - ao tempo comandados pelo aspirante miliciano Garcia, com os cabos milicianos Neto e eu (Viegas). O Monteiro já se fixara na secretaria.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
A extinção do Comando de Sector do Uíge
Por estes dias de Fevereiro de 1975, soube-se da data de extinção do Comando de Sector do Uíge, em Carmona. Seria a 13, o que implicava, em termos organizacionais da estrutura militar, a dependência do BCAV. 8423 passar a ser directamente da Zona Militar Norte.
Para dizer verdade, era coisa que nada que nos incomodava, ou preocupava. Bem ao contrário. O que nós realmente queríamos mesmo era ir para Carmona, depois para Luanda, depois para Lisboa e para as nossas casas.
O que se sabia - o que se ia subentendendo... - era que iriam ser formadas as chamadas tropas de integração, o que nos oferecia algumas dúvidas e temores. Alguns constrangimentos. Mas quem éramos nós para tal coisa questionar? Forças de integração, a grosso modo, corresponderiam à formação do (então) futuro Exército de Angola - que integraria militantes dos três movimentos emancipalistas: FNLA, MPLA e UNITA. E a tropa portuguesa, que lhes daria instrução nas múltiplas especialidades militares. E com eles, integrados, se registaram alguns incidentes, já em Carmona. Aqui falaremos deles, em tempo próprio.
Por esta altura, reaparecerem pelo Quitexe alguns ex-GE´s, que se iam integrando nos movimentos - não sabendo eu dizer se, entre eles, houve algum ajuste de contas, pois continuar(v)am a ser considerados traidores da pátria angolana - por terem servido o exército português.
Histórias de vinganças, ouvimos muitas. Mas não testemunhei nenhuma.
- ZMN: Zona Militar Norte, com sede em Luanda. Dela, dependia o Comando de Sector do Uíge.
- MPLA. Movimento Popular de Libertação de Angola, liderado por Agostinho Neto. Tinha pouca expressão no Uíge.
- FNLA. Frente Nacional de Libertação de Angola, liderada por Holden Roberto. Estava muito implantado no Uíge.- UNITA. União Nacional para a Independência Total de Angola, liderada por Jonas Savimbi. Não tinha expressão no Uíge.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
O guião e emblema do Batalhão de Cavalaria 8423

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Os Cavaleiros do Norte das Transmissões...
A malta das Transmissões era fixe!! Solidária e competente! Dela, ou deles..., dependia muitas vezes o êxito de uma operação. E de uma me recordo muito bem - quando, com 32 GE´s, galgámos as matas da Baixa do Mungage, por três dias e duas noites, ficando sem contacto com o aquartelamento logo ao fim da manhã do primeiro, lá pelos Julhos/Agostos de 1974.
Foram horas amargas, que se fizeram dias de angústias, e abençoei-me muitas vezes pelo rigor dos conhecimentos capitalizados no CIOE, em Lamego, em matéria de comunicações. Azimute em punho e plano de operação dobrado em dois (ou quatro), lá caminhámos nós pelos trilhos de perigos que não conhecíamos e nos levariam, como levaram, até à Fazenda Vamba, creio eu.
Só ao terceiro dia, pelo nascer da manhã, conseguimos a ligação com o Quitexe, através do pesado Racal (TR 28?), depois de montar antenas numa clareira, e ainda sinto na alma a frustração de o operador de rádio na vila não nos «aceitar», tendo mesmo eu de falar em claro - sem os códigos de segurança militar, para que nos identificasse e aceitasse a mensagem.
A foto foi-me facultada pelo (furriel) Pires, o de Transmissões, de Bragança, e que pena tenho eu de não poder identificar todos estes Cavaleiros do Norte!!! Alguém nos pode ajudar nesta homenagem?! Dizendo-nos os nomes dos não identificados?
- CIOE. Centro de Instrução de Operações Especiais, em Lamego,
- NOTA: O João Dias, furriel de transmissões da 1ª. CCAV, a de Zalala, veio identificar o 1º. cabo Jorge Silva - que era daquela compamhia, comandada pelo capitão miliciano Castro Dias. Curiosamente, trabalha (o Silva) na messe de sargentos, na Rua Luciano Cordeiro, em Lisboa, e mora no Cacém. Estava lá em Setembro de 2008. Ele há... curiosidades!
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Campo de Férias Universitário no Uíge

Ver AQUI.
O fim das escoltas na Estrada do Café
A 7 de Fevereiro de 1975, fez agora 35 anos, deixou de ser feita a escolta à chamada Estrada do Café - a que liga(va) Carmona (actual Uíge) a Luanda.
A tarefa era desgastante e até perigosa, porque não dizê-lo? Galgavam-se quilómetros atrás de quilometros entre matas cerradas, intervaladas de uma ou outra povoação, e para... nada! E sem nunca se saber o que nos esperava.
Para nada, ou para sofrermos a angústia de quem parte para uma missão, armado até aos dentes, e sabe que pode «cair» emboscado por algum atirador que obviamente não dava a cara. E eram muitos frequentes, e nem sempre fáceis, os incidentes com civis europeus - nomeadamente motoristas de longo curso. Já por aqui relatámos alguns.
A novidade foi muito bem recebida na guarnição, principalmente entre os militares que asseguravam as escoltas e se desgastavam em horas diárias de tráfego tenso: os bravos e garbosos «pelrec´s» e os corajosos companheiros da 3ª. Companhia, que semanas antes tinham chegado de Santa Isabel.
O serviço de escolta era, e socorro-me do Livro da Unidade para o definir, «assaz desgastante para o pessoal e viaturas e que não conduzia a qualquer finalidade prática». Nunca nós, jovens Cavaleiros do Quitexe, concordámos tanto com o Comando. Sem perdermos de vista outras obrigações que nos cabiam em ordem de serviço. E uma escapadelas a Carmona, a cidade que, a 40 quilómetros, nos acenava com desafios e satisfazia apetites da idade.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Comício da FNLA em Quitexe...
Aldeia do Talabanza, à saída do Quitexe para Carmona (esquerda)Seis dias antes, um domingo, em Aldeia Viçosa, a 2ª. CCAV. 8423 tivera de intervir para sanar incidentes entre o MPLA e a FNLA. A rapidez da acção operacional dos comandados do capitão José Manuel Cruz, fôra decisiva. A situação, no Quitexe, apresentava-se com muitas dúvidas, mesmo grave, e foram tomadas medidas operacionais preventivas: patrulhamentos e postos de sentinela reforçados, o piquete de prevenção em alerta! Não fosse o diabo tecê-las, a tropa passou ao fim de tarde e já noite adentro, pelas aldeias do Talabanza, Canzenza e Aldeia. Mostrando-se!
A guarda detectou, pela madrugada do dia 8, movimentos e ruídos estranhos para lá do capinzal. Temeu-se o pior e rastejaram, em espreita atenta, com olhos de ver, o Marcos e o Francisco - dois bravos pelrec´s. Homens sem medos. O cabo Vicente, fez a ligação com o pelotão, todo ele armado de G3 e com bala na câmara. O Neto, preparou o dilagrama! Suávamos todos, na madrugada que crescia - enquanto, via rádio, comunicávamos e recebíamos instruções do alferes Garcia, com um outro grupo em guarda para os lados do Posto 5. Foi despistada a evolução de uma pequena coluna de meia dúzia de homens armados. Avançou o Neto. Um de nós tinha de ir, outro de ficar. São momentos que, 35 anos depois, parecemos estar a sentir no som do teclado, pausado como o bater do coração daquela madrugada. As instruções chegaram: controlar o grupo, não interferir. Por momentos, intervalados, a meia dúzia de homens esteve debaixo da mira do fogo das G3. O Neto, se tivesse de atirar, não falharia o dilagrama, a granada defensiva esfacelaria os homens. Mas nada disso foi preciso.
O comício do fim de tarde de 8 de Fevereiro de 1975 decorreu sem problemas. Felizmente!
domingo, 7 de fevereiro de 2010
A pacaça que, afinal, era um boi do Pimenta...
Pacaça, espécie de vaca selvagem e peça de caça habitual na zona do Quitexesábado, 6 de fevereiro de 2010
Cavaleiros do Norte da CCS do Quitexe vão reunir a 29 de Maio
O Comando e a CCS do Batalhão de Cavalaria embarcaram para Angola a 29 de Maio de 1974. A 29 de Maio de 2010, 36 anos depois, os Cavaleiros do Norte do Quitexe vão reunir-se na zona da Abrantes. Vai ser um dia de festa e de emoções. Como as de 12 de Setembro de 2009, na Estalagem da Pateira em Fermentelos (Águeda).
A organização já está no terreno: o (alferes) Ribeiro, o atirador Aurélio (Barbeiro) e o condutor Vicente. Foram «nomeados» em ordem de serviço e estão eles a cumprir a missão. Um Cavaleiro de Norte não falha um serviço. Cumpre-o! Garboso, serenamente, sem dúvidas!!! Hoje, já estiveram no terreno, em «busca» da parada para o«desfile» de 29 de Maio.
A ideia é que sejamos mais que os que, em Setembro de 2009, confraternizaram por Águeda, matando saudades e revivendo partilhas e afectos que nos fizeram mais irmãos, nos já distantes anos de 1974 e 1975. A máquina está em andamento e cada um de nós deve tentar localizar mais um companheiros da nossa jornada de África, onde fomos ver um país novo a nascer e de lá voltámos seguros de uma missão cumprida que nos honrou. E aqui sublinhamos no altar do nosso orgulho.
A malta pode contactar, desde já, o trio organizador: Ribeiro (241897377 e 912670944), Aurélio «Barbeiro» (917299292 e 249391337) e Vicente (968555090 e 274898456).
- Partida para Angola: Ver AQUI.
- Ver relatos do enconto de Águeda, a 12 de Setembro de 2009: http://cavaleirosdonorte.blogspot.com/2009/09/o-encontro-da-ccs-do-bcab-8423-em.html, http://cavaleirosdonorte.blogspot.com/2009/09/um-encontro-que-me-deixou-saudadese.html e dias seguintes.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
11 480 moscas tsé-tsé capturadas, em 2009, no Uíge

Uíge: 11480 moscas tsé-tsé foram capturadas de Janeiro a 31 de Dezembro de 2009, na província do Uíge, no âmbito da campanha do Departamento de Controlo da Tripanossomíase do Uíge.Segundo o responsável provincial da instituição, José Tito Baxe, foram montadas 344 armadilhas, das 1200 recebidas da Direcção Central do Controlo da Tripanossomíasse. Foram prospectadas 33 519 pessoas, das quais 25 000 na prospecção activa (ida do médico ao encontro do doente) e as restantes na passiva, nos municípios do Uíge, Songo, Quitexe e Maquela do Zombo.
Incidentes em Aldeia Viçosa e os passeios da «cavalaria»...
Feriado oficial do MPLA, 4 de Fevereiro de 1975. O movimento de Agostinho Neto não tinha grande expressão na área do Quitexe e a data passou quase despercebida. Mas dois dias antes, em Aldeia Viçosa, tinham-se registado incidentes de alguma gravidade - durante um comício da FNLA e justamente entre militantes dos dois movimentos. Coisa parecida acontecera a 26 de Janeiro. Ver AQUI.A pronta intervenção das NT, as da 2ª. CCAV. 8413 (comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz), agora, e de novo, evitou males maiores, mas ficaram (ou multiplicaram-se) cicatrizes que o tempo não viria a sanar. E nem foi, obviamente, por estes incidentes - absolutamente irrelevantes na história do país que então nascia.
Era domingo e alguns cavaleiros do Norte andaram em passeio pelas redondezas, onde havia a mítica e célebre Lagoa do Feitiço, na área do Dambi Angola - justamente para os lados de Aldeia Viçosa. Lagoa que era (é) referência obrigatória em qualquer viagem ao Uíge.
Dizia-se por lá .... - e obviamente acreditava quem queria - que tocar nas águas da lagoa era desafiar a morte, quem lhes tocasse morreria. Era esse o feitiço, na crendice popular, mas a verdade é que a tropa não se atemorizava com tal e por lá passeava algumas das suas folgas domingueiras.
Soube-se depois dos incidentes em Aldeia Viçosa.
- CRUZ. José Manuel Romeira Pinto da Cruz, capitão miliciano de infantaria. Natural e residente em Esmoriz, onde é professor da Escola EB 2,3 Florbela Espanca.
- NT. Nossas Tropas. Gíria atribuída às Forças Armadas Portuguesas.
Post sobre um passeio dos
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Descobrir Angola sem o peso das G3 nos braços...

O mês de Fevereiro de 1975 teve muitos momentos de dúvidas (já aqui se falou disso) e de alguns... passeios. A carga operacional ia gradualmente diminuindo e aumentou a possibilidade de se fazer turismo, nomeadamente aos fins de semana. Turismo aberto aos militares do BCAV. 8423 instalados no Quitexe.
Há memórias vivas de visitas Malanje e às Quedas do Duque de Bragança. A imagem mostra o (furriel miliciano) Pires, curiosamente o de Bragança, deixando-se confundir com as quedas de água do dito Duque. Realmente majestosas! Chamava-nos nós «psico» a estas iniciativas - que aliviavam as cargas emocionais que nos constrangiam os dias de expectativa e insegurança que se viviam em relação à saída para Carmona, para o BC12. E depois para Luanda e... Lisboa.
«Psico» era um paliativo de acção psicológica, que era uma das preocupações dos comandos, a par da assistência espiritual (pelo capelão militar, a quem muitos recorriam) e de "programas de rádio" atamancados em cassetes de hora e meia, grávidas de palavras de partilha e de música de saudade que enchia as casernas de emoções. Mas não havia melhor «psico» que um bom "desenfianço" para Carmona, ou mais remotamente para Luanda. Ou deitar os olhos em cima das cachopas que se passeavam nas ruas do Quitexe e/ou, vindas da missa, mostravam vestidos de baínha alta, lá para cima do joelho. Era um regalo...
Visitas passeadas, em datas diferentes, fizeram-se também por Cacuso e Salazar (agora chamada N´dalatando), Lucala, Samba Caju e Calandula. Era bom descobrir Angola, como civis... Sem as sombras dos quicos, a "psicose" dos camuflados vestidos ou o peso das G3 nos braços da nossa juventude. Há 35 anos!
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
O 2º. Comandante dos Cavaleiros do Norte «desviado» pelo MFA

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
A produção de café....
Por estes dias de Fevereiro de 1975, chegaram-me notícias da santa terrinha. esta Ois da Ribeira da margem direita da pateira: que um grupo de jovens se preparava para cultivar um campo de cenouras, nas Areias - sítio de cultivo junto ao rio Águeda. O que é que eu pensava disso?
Bom, eu não pensava nada.
O que me chegava era que o grupo, com acompanhamento técnico, se propusera semear um campo de cenouras, num sítio para mim de todo imprevisível. Mas se os técnicos diziam! Recordo a mensagem que me chegou e que agora reli: «Um grupo de jovens, integrados no plano revolucionário em que nos encontramos, resolveu abordar o proprietário do terreno, para que este consentisse no seu aproveitamento». Ele consentiu e então o nosso correspondente deixou a sua pitadinha de ironia: «Parece-nos que estes jovens vão iniciar uma campanha que consiste em produzir todas as terras que estão a pousio...». E adivinhei-lhe, a 800 etal quilómetros, um largo sorriso de ironia.
E o que tem a ver isto com o Quitexe?
Bom, é que se começava a falar, com muita e preocupante insistência, no mais que provável abandono das fazendas, por parte dos europeus brancos. O que, inevitavelmente, iria provocar menos riqueza. Sem produção não há lucros... Os bailundos contratados para a apanha do café, eram ameaçados e agredidos, fugiam para sul.
Os repetidos incidentes entre os militantes dos movimentos, algumas ameaças dos locais aos ditos colonizadores, perseguições pessoais mais ou menos evidentes, instabilidade social, o mar de incertezas que se espraiava entre a população branca, tudo isso gerava medos entre todos. Era a Angola de Fevereiro de 1975, a «beber» do entusiasmo do Acordo do Alvor. Com este lateral contra-senso: a produção descia, em Angola, e em Ois da Ribeira o processo revolucionário propunha-se fazer sementeira de cenouras. O tempo viria a dizer que foi sementeira e tempo perdidos.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Os dias de Fevereiro de 1975...
Fevereiro de 1975 nasceu para os Cavaleiros do Norte com muitas dúvidas, sendo já certo que iríamos abandonar o Quitexe. A dúvida principal estava entre a saída ser para Luanda, ou para Carmona. O dispostivo militar tinha sido alterado nas semanas anteriores mas outras mudanças se preparavam.
A guarnição andava ansiosa e não tinha respostas. O alferes Garcia, comandante do PELREC, era, entre nós, quam mais saberia de tal... - mas se sabia, não dizia. Porventura por questões de segurança. «Vamos cumprir a nosa missão...», era o que ele nos dizia, muito convicto e sério, sempre que era por tal perguntado, quando saíamos para os patrulhamentos da estrada do café - praticamente o único serviço que fazíamos no exterior. Salvo alguma visita a alguma fazenda ou aldeia dos arredores da vila.
As mesmas perguntas nos faziam os companheiros de Aldeia Viçosa (2ª. CCAV.) e Vista Alegre (1ª. CCAV.) - irmãos na ansiedade dos tempos que corriam. De Portugal, voavam especulações e gritava-se por Lisboa: «Nem mais um soldado para as colónias!». Vasco Gonçalves era o 1º. Ministro - de 18 de Julho de 1974 a 19 de Setembro de 1975 - e, negociado o acordo do Alvor, entre os movimentos de libertação e os representantes do MFA local, a expectativa era a de um regresso rápido a nossas casas. Mas...
Muita gente se concentrava nas ruas de Lisboa e criticava a descolonização, aos berros: «Nem mais um soldado para Angola, nem mais um soldado para Moçambique, nem mais um soldado para o ultramar».
O correio que nos chegava de Portugal invariavelmente falava do regresso: a família e os amigos não nos dispensavam a pergunta. Numa breve incursão a Luanda, encontrei um militar amigo, dias antes chegado de Lisboa. O Monteiro voltara de férias e nada sabia dizer sobre o assunto. Patrulhávamos, escoltávamos, dormíamos e acordávamos, sempre com a mesma dúvida: voltar, quando?domingo, 31 de janeiro de 2010
Sete acidentes, dois mortos e 39 detidos no Uíge

Oos crimes ocorreram nos municípios do Uíge (o maior número), Negage, Songo, Sanza Pombo, Quitexe (Fange, no mapa) e Maquela do Zombo.
Notícia DAQUI.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Por onde anda o Manuel Augusto, o Carpinteiro?

Alguém sabe do que é feito do Carpinteiro? Manuel Augusto da Silva Marques, o homem da boa disposição e de piada sempre solta na língua, do vernáculo que não era praguejo, do caminhar lento e até meio cómico, feito de pernas «tortas» a que chamavam calcantes?! Esse msmo, o homem a que não faltava o gosto de uma boa anedota, muitas vezes cantarolada, e do contar de estórias que ajudavam a morte do tempo e das saudades!!!
Carpinteiro, assim o baptizaram, por exercer essa função na CCS, entre duas pregadelas e um encaixe do aro de uma janela ou de uma porta. Não havia ferramenta que o atrapalhasse na arte de mercenar - a polaina, ou a inchó, o serrote ou o martelo de orelhas. Tudo lhe assentava como uma luva, se as calçasse.
Fazia de tudo e até jogava a bola, defendendo as cores da Secção Auto, a da Ferrugem, nos sempre apetitosos e disputadíssimos prélios do campo pelado do Quitexe. Foi de uma foto de um desses jogos, que tirámos a cara do Carpinteiro, para aqui o lembrar e dele perguntar.
Activo, muito activo, e ao serviço do comandante da CCS, foi mestre a fazer caixotes - para encher com «encomendas» que viriam a caminho de Lisboa.
O Carpinteiro era de Esmoriz e tive o contacto dele. Postal e telefónico, mas agora ambos desactualizados. Alguém sabe do Carpinteiro?
- CARPINTEIRO. Manuel Augusto da Silva Marques, 1º. cabo carpinteiro, natural de Esmoriz (Ovar).
O «golpe de mão» nas matas de Santa Margarida
O Inspector Geral de Educação Física do Exército (IGEFE), coronel Paixão (infantaria), fez uma visita inspectiva ao Batalhão de Cavalaria 8423 - que, por estes dias de Janeiro de 1974, se preparava nas matas à volta do Campo Militar de Santa Margarida.
O PELREC, ao tempo ainda fase de formação e auto-(re)conhecimento, crescia em garbo militar - que lhe era infundido pela infinita competência do aspirante miliciano Garcia, «acolitado» em forma e feitio, pelo que eu e o Neto sabíamos «ajudar». Nós, os cabos milicianos...
Não havia exercício técnico, táctico e físico que tivessemos aprendido na dura formação militar de Lamego, que não quisessemos - e conseguissemos... - incutir no espírito dos bravos soldados que se preparavam para a guerra. A Mata do Soares é disso testemunha...
A 31 de Janeiro, estávamos avisados da inspecção e, naturalmente, não queríamos passar por constrangimentos. E muito menos envergonhar o nosso comando, tínhamos de fazer figura. Muito excepcionalmemte, alguns de nós estávamos autorizados a usar bala real. Não me perguntem como ou porquê. E aquilo - a bala real... - impunha respeito e matava medos. Tã, tã, tã tã, tã, tã!!!.... quem ouvisse uma rajada, um tiro, dois, seis tiros de bala real, «sentias-as» bem.
Ora vamos lá ao que conta: estando a inspecção lá em cima, no cimo do monte, a ver não sei o quê nem quem, passou pela cabeça de alguém (não me lembro quem, mas foi entre o Garcia, ou o Neto ou eu...) fazer um golpe de mão ao grupo. Seria o máximo! E poderíamos? E conseguiríamos? E não levaríamos uma porrada? O Garcia, qe era o comandante do pelotão decidiu que sim e os «PELREC´s», pé ante pé, a rastejar por entre matos e árvores, silenciosos, como serpentes e se estivesse em teatro de guerra, subiram o monte a esconder-se dos binóculos inspectivos. Subindo como clandestinos..., rápidos como gamos na escalada até ao poiso dos inspectores!
O motorista e outros não graduados do grupo foram apanhados de surpresa e os oficiais conversavam e riam-se da alguma piada, quando, a poucos metros, soaram tiros de G3: balas reais!!! Disparados por alguém do PELREC. O golpe de mão estava consumado: oficiais e ordenanças estavam nas nossas mãos. Foi a «brincar» mas até pareceu a sério!













