
Os dias de Abril de 1975, em Carmona, foram assombrados por repetidos incidentes entre militantes dos movimentos emancipalistas - a que a tropa portuguesa ia dando «resposta», procurando conciliar forças. Mas o destempero de alguns dos (ex)combatentes exorbitava-se muitas vezes e começou a não ser invulgar ter de intervir em «força».
Luanda multiplicava-se em incidentes inter-movimentos e Carmona sentia-se minimamente segura, mas a guarnição via, aos poucos, confirmarem-se as sábias e experientes palavras de «aviso» do comandante Almeida e Brito: «Os problemas vão cá chegar...».
À boca pequena, e normalmente nas noites de serviço, sussurravam-se «coisas» entre a tropa miliciana graduada, furriéis e alferes - estes, por ouvirem nas messes o que a parada desconhecia. Os patrulhamentos mistos, normalmente sem problemas, começaram a ser pasto de pequenas escaramuças e os Cavaleiros do Norte muitas vezes eram maltratados e ofendidos nas ruas da cidade, por europeus que nos apontavam dedos em riste e acusavam de traidores. Repetiam-se pequenos tumultos, cada vez mais graves e entre os movimentos!
Reporto o Livro da Unidade, sobre a intervenção das Forças Armadas Portuguesas: «Houve que fazer intervenção a conflitos diversos, o mais grave deles a 13 de Abril, na própria cidade, aquando uma acção de fogo entre o MPLA e a FNLA, através de elementos das duas forças militares». Fez ontem, 35 anos!
E de tal monta se foram repetindo os incidentes que a guarnição foi de imediato reforçada, para «obstar tais inconvenientes e para cumprir uma intensa actividade de patrulhamentos mistos». A 14 de Abril (faz hoje 35 anos), chegou um grupo de combate do BCAÇ. 5015 e, na noite de 15 para 16, um outro - este da 3ª. CCAV., ao tempo ainda no Quitexe.
A sul, eu e o Cruz vagabundeávamos por Nova Lisboa e cidades limítrofes, em gozo de férias que ainda hoje nos deixam adoçar a boca. Sempre atentos à Emissora Oficial de Angola, para saber notícias do país que estava a nascer em berço de alguns tumultos.
- BCAÇ. 5015. Batalhão de Caçadores 5015, cumpriu comissão em Angola entre 1974 e 1975, com instalações na Damba (CCS), Chimacongo (1ª. CCAÇ.), Mucaba (2ª. CCAÇ.) e Quivuenga (3ª. CCAÇ.). Desconheço a que companhia pertencia o grupo de combate.

























