Jardim principal da vila do Quitexe, frente à administração civil BATALHÃO DE CAVALARIA 8423. Os Cavaleiros do Norte!!! Um espaço para informalmente falar de pessoas e estórias de um tempo em que se fez história. Aqui contando, de forma avulsa, algumas histórias de grupo de militares que foi a Angola fazer Abril e semear solidariedade e companheirismo! A partir do Quitexe, por Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange e Songo! E outras terras do Uíge angolano, pátria de que todos ficámos apaixonados!
sábado, 27 de março de 2010
O soldado que levou cassete com a gravação do jantar de despedida da família
Jardim principal da vila do Quitexe, frente à administração civil sexta-feira, 26 de março de 2010
O primeiro patrulhamento misto da cidade de Carmona

Estátua e rotunda Ricardo Matos Gaspar, fundador de RIMAGA, importante empresade Carmona, um dos sítios por onde passou o patrulhamento misto de faz hoje 35 anos.
Forças mistas no BC12, em cima, fazendo ordem unida
O dia 26 de Março de 1975 foi de rotina civil, até às 17/18 horas - correndo a cidade num jipe militar, para lhe conhecer alguns recantos. Não por acaso. Às 20, tínhamos de estar no BC12 para iniciar os chamados patrulhamentos mistos - com as forças do MPLA (FAPLA´s), UNITA (ELNA) e FNLA (FALA). Os primeiros! Havia alguma ansiedade da nossa parte, muito respeito e nervosismo - até alguns temores. Há dias que alguns angolanos (foto) estavam instalados no BC12, numa das casernas, e eram olhados com alguma desconfiança. Eram, afinal, os nossos «inimigos» de ontem! Ir fazer patrulhamentos conjuntos, que Deus nos acompanhasse!
quinta-feira, 25 de março de 2010
Os dias de Carmona...
Carmona deu-nos o sabor das coisas urbanas e o gosto de nos sentirmos (mais) civis. A cidade, relativamente ao Quitexe, tinha uma incomparável maior oferta de serviços, diversões e entretenimentos. De toda a espécie! Tirando os constrangimentos provocados pela hostilidade de uma parte da sociedade civil, Carmona era um paraíso para a guarnição que ficou na história como a última a lá hastear e arrear a bandeira de Portugal. A cidade deu-nos cosmopolitismo que engravidou muitos entusiasmos e devaneios. Foi pasto para os nossos gostos e gozos, até delírios! Carmona era uma malha urbana de vistas largas, rasgada em espaços amplos, de muitos verdes, atraente e quase volupiosa, por onde se andava e por todo o lado se achava resposta ao que precisávamos e queríamos.
quarta-feira, 24 de março de 2010
A operação miliar ao Vale da Sanda no ano de 1965

terça-feira, 23 de março de 2010
O Bairro Montanha Pinto, casa dos furriéis e sítio de sangue e morte
Capela católica do bairro da messe de sargentos, em Carmona, e Montanha Pinto
segunda-feira, 22 de março de 2010
A popular Casa Transmontana de Carmona...
Fala-se muito na popular Casa Transmontana, na Carmona de há 35 e mais anos, vá lá saber-se porquê. Cada um terá as suas razões, mas dizia-se que era uma espécie de estação de serviço, com exclusivo de «mudança de óleos». O que não explica nada à minha curiosidade. Ou pouco.
Lembro-me, todavia, de, uma vez ou outra, nos sentarmos na esplanada que ali se vê, para saborear alguma nocal frequinha com ginguba..., e vermos entrar e sair gente - sempre com passo apressado e sorrisos de boca larga. E de uma noite, por ali perto - que era perto da PSP, se me lembro bem... - ter havido zaragata da grossa, na rua e metendo gente de várias cores; e nomes que se chamavam em vozearia alta e que eu não entendia.
De ver uma mulher cor de ébano e a abanar a anca, sacudindo as missangas e a falar como se fosse para a lua, aos berros de uma euforia estranha, percebendo-se bem que era para uma madame branca, de cabelos alourados de água oxigenada. De esta chamar nomes feios ao que, suponho eu, seria o seu senhor marido. E que ela, a mulher cor de ébano, zaragateando para a oxigenada e sempre a abanar a anca, saracoteando-se, se fez de gazela a correr rua abaixo, fazendo batuque no peito e a gritar como se fugisse de trovoada.
Que nós, por ali aperaltados de manga curta e civil, nos fartámos de rir. E mudámos de «estação de serviço», para não apanharmos alguma gripalhada nos motores. E ficámos a saber o mesmo.
domingo, 21 de março de 2010
Porque hoje é domingo!... Um domingo quitexano!!
Antes de irmos para Carmona, era preciso mais aprumo e asseio militar. Afinal, íamos para a cidade. Ora uma "faxina" à roupa não ficava nada mal. E qual era o melhor dia? Claro, o domingo.
As traseiras do quarto dos rádio-montadores, no Quitexe, tinham, como se pode ver, uma torneira com água. A casa de banho ficava à direita. Estávamos muito bem acompanhados pelos furriéis Pires e Mosteias, ambos sapadores e da CCS, cujo quarto ficava mesmo por cima da minha cabeça.
Quantas conversas entre sapadores e rádio-montadores por aqui se tiveram! Quantos segredos até hoje e de então ficaram guardados!!! Quantos momentos de grande companheirismo e amizade, que só na tropa se conseguem viver!!!
Por tudo isso, todos nós estamos a aguardar pelo próximo convívio - que será lá para o fim do mês de Maio. A 29 - o dia em que partimos para Angola.
Todos gostam de pôr as memórias em dia.
RODOLFO TOMÁS
sábado, 20 de março de 2010
As danças étnicas que puseram os Cavaleiros do Norte em sentido
A foto faz-me recordar uma noite de sustos na messe de oficiais (que foi a dos sargentos da CCS do BCAV. 8423) do Bairro Montanha Pinto. O plantão nocturno começou a ouvir barulhos e gritos estranhos do lado de uma pequena sanzala, do mesmo de onde foi tirada esta foto. O da estrada que ia para o Quitexe e de um campo de futebol. Já a noite ia alta e bem alta.
Eu e o Neto éramos, digamos, os únicos operacionais por lá «estacionados» na messe, mas eu não estava. Foi ele de imediato chamado, pois sabia-se lá o que seria aquilo?! Poderia ser um qualquer ritual étnico, ou porventura um «ensaio» de ataque à tropa - já havia muitos antigos combatentes na cidade... - e havia avisos sobre a nossa maior atenção para tudo o que fosse anormal.
Aumentavam os barulhos, a batucada galgava o bréu da noite, pareciam guerreiros os gritos que silvavam pelo ar fora e começou a ver-se, ao longo, o clarão de uma fogueira enorme.
«Que m... é esta?!...», interrogou-se o Neto, com os companheiros do reforço.
A malta que dormia foi toda acordada e posta em guarda. Atacada, poderia ser a messe, mas teria defesa. Ai isso teria!
Resolveu o Neto tirar dúvidas e, com dois ou três militares e as precauções devidas, galgou um carreiro que por ali havia até, já na pequena sanzala, descobrir o que era: festejava-se qualquer coisa de famílias e a gritaria e a batucada não passava, afinal, de um qualquer samba tribal, ritmado pelas tradições da etnia e de homenagem a um qualquer Deus.
Muito nos rimos, eu e o Neto, quando cheguei da ronda de PU, sem saber de nada e já depois das 8 da manhã. «Tu sabes lá, pá!!! Tu sabes lá o qu´era aquilo!!!...», explicava-se o Neto. E notava-se no olhar um resto de esgar de ansiedade. «Era festa lá dos gajos, mas a gente sabia lá!... A gente sabia lá, pá...».
O melhor da noite do susto, está visto, foi mesmo ir ver as danças que desnudavam os seios das raparigas mais novas e puseram a tropa em sentido. Em sentido figurado!! E perceber, afinal, que não havia ataque nenhum. O Neto é que não pregou olho nesssa noite, mesmo depois de ter visto o que viu! Ou se calhar por isso mesmo!
sexta-feira, 19 de março de 2010
A malta que ia para a borga e os cinemas de Carmona
O Cinema Moreno, na cidade de Carmona, frente à Rádio Clube do Uíge (1974)A messe de Carmona semeou-nos de sonhos e de lazeres. A foto, mostra o Pires (de Bragança) montado na mini-mota que por lá foi de vários donos e certamente em saída para alguma comezaina na cidade, lá para o Escape, o Xenú ou os pica-paus do Bar do Eugénio. O «menino» vestido de branco é o «imaculado» Francisco Neto, o furriel-irmão de Águeda - que ao tempo andava perdido de amores pela sua Ni, sua mulher de hoje.
Ambos vestidos à civil e pelo ar da carruagem (ou da mota...), duvido que o dia não fosse de borga - quem sabe se alguma saída para o Transmontano, ou uma ida ao cinema - onde, numa qualquer data, vimos o impensável "O Último Tango em Paris», no Cine Moreno, frente ao Rádio Clube do Uíge.
O Pires era mais recatado, mas sempre ansioso por uma boa passeata na cidade, «a ver as grinas...». O Neto, sempre muito mais expressivo e exuberante, às vezes até quase volupioso, fazia-se de mestre-rua aos menos atrevidos nas noites carmonianas, noites que faziam medrar desejos nos olhos e alma dos rapazes da guarnição.
Leio aqui a minha nota deste dia de 1975, como hoje Dia do Pai: «Nasceu o Zé, há um ano». O Zé Fernando é meu sobrinho e ao tempo também já meu afilhado, baptizado semanas antes de eu embarcar para Luanda. Hoje, é também meu compadre e treina o Náutico de Viana, clube que o fez atleta campeão nacional de remo. E internacional. E quase olímpico. A graça é que nesta quarta-feira de Março de 1975, muito provavelmente em algum frágil momento de nostalagia, associei o cinema ao meu sobrinho e afilhado: eram ambos Moreno. Um de nome, o cinema; outro de apelido, o sobrinho. E passaram-se 35 anos!
quinta-feira, 18 de março de 2010
A faca de mato do Marcos num jogo de futebol de Carmona
«O cronista não é dos que fazem do rancor ao futebol - ou do amor... - um estandarte de intelectualidade e pseudo-progressivismo: joga a bola por brincadeira e vai aos campos de futebol, para se distrair. Ontem, porém, foi (fui) polícia num campo de futebol, em Carmona.
E sabe-se, eu sei, que por detrás do futebol é que as coisas são: são como são. Avisado estava eu e os meus companheiros Almeida a e Marcos para o que poderia acontecer no campo do Futebol Clube do Uíge: bocas, agressões verbais, chatices. Para estarmos atentos e seguros. Para não reagirmos a esse tipo de provocações.
Assim foi ontem, num domingo em que o tempo até ameaçou chuva, pelo final da amanhã. Mas desanuviou ao princípio da tarde desse dérbi, com o Sporting do Negage - o Benfica-Sporting do sítio. O jogo decorria no pelado, com as habituais dúvidas nas leis do jogo fora do campo e a PU a circular ao longo das linhas laterais, por onde se viam alguns militares, muito poucos..., mas muitas bocas do público, ofendendo os tropas. Curiosamente, ou talvez não, principalmente vindas de compatriotas europeus.
A sede levou-nos a um pequeno bar, por lá improvisado: três nocais. Não no-las quiseram servir. Afinal serviram, com desdém que nos ofendeu. «Olhe lá, tá a gozar connosco?...», perguntei eu. Se não estavam, parecia. Seguiu-se uma altercação pouco simpática, algumas palavras azedas, um nervosismo evidente. O Marcos era especialista em puxar da faca de mato e, quando reparei, tinha-a encostada a um outro europeu. A situação controlou-se, mas não sem uma posterior queixa no BC12. Contra nós, claro.
Hoje, já fui chamado e dei explicações ao capitão Oliveira, que me espetou um correctivo. Eu tinha, disse-me ele, que «honrar a farda... e não permitir abusos que pusessem em causa a tropa».
O que se lê acima tem data 18 de Março de 1975 e refere-se à tarde da véspera, de um jogo de futebol do campeonato provincial, durante o qual ouvimos as que não queríamos. Hoje, memoriando esse momento futebolístico, recordo umas trocas de piropos, uns empurrões e um maninho de bocas que nos provocavam, de cabr... e car... para cima. E recordo a protecção dada à arbitragem, no final do jogo. Jogo de que não lembro o resultado. E não posso deixar de sublinhar a atenção e agilidade do Marcos que, num ápice de lince, sem hesitar, puxou da faca de mato, neutralizou o fulano que nos ofendia e ameaçava e, com esse gesto, terá evitado uma turbulência de consequências imprevistas. Era assim, aos Marços de 1975, por Carmona... num domingo de ir ao futebol.
quarta-feira, 17 de março de 2010
A cidade onde nos (des)fazíamos em rolos de carne cor de ébano
A messe de oficiais do Bairro Montanha Pinto, a casa azul frente ao Carocha branco, passou para os sargentos e por lá se instalou a rapaziada do Quitexe. Estava a um pulinho do centro da cidade, até lá se ia e de lá se vinha a pé, e era nosso pouso certo de muitas horas de ócio e prazer.
O de escrever, por exemplo! Ou de uma boa partida de cartas ou de dominó e de largas conversas sobre tudo e nada; e fartas mesas de ementas que o Neto, o nosso «eterno» gerente da messe, aprimorava em melhorar a cada refeição. E de muitas leituras.
Reli(a) por esta altura de 1975 o 2º. volume da antologia «Contos Portugueses do Ultramar», de Amândio César, e actualizava diariamente a minha multiplicada correspondência. De Luanda, chegavam recados do Alberto a falar-me do pasto de saias que nos endrominava o juízo e o desejo. De Portugal, muitos recados de saudades! Ele eram aerogramas, ele eram cartas... que eu lia e relia, sôfrego e atento!!!
Aos fins de tarde de Carmona, galgavam-se as sombras que tingiam as casas das cores do pôr-do-sol e nós lá íamos piscar olhos para a Rua do Comércio, palmilhar a avenida Portugal a cheirar cios e encher as esplanadas da nossa sede. E a Transmontana, quem se lembra?!!!
Não era raro, devorararmos um bife com ovo a cavalo no Escape; ou darmos uma saltada ao Shop-shop, ao Chave d´Ouro, ao Safari ou a outro qualquer dos muitos bares e esplanadas da cidade que nos somavam vida! Ou ao Diamante Negro, ali pertinho do Café Arouca e do campo do Recreativo do Uíge, por onde nos (des)fazíamos em rolos de carne cor de ébano! E por hoje aqui me fico!
terça-feira, 16 de março de 2010
O 16 de Março de 1974
Dia 16 de Março de 1974! Era um sábado e nós, os futuros Cavaleiros do Norte, gozávamos o primeiro dos dez dias da Licença de Normas - que anteciparia a viagem para Angola, ainda sem data marcada. Nessa madrugada, um grupo de militares saiu do RI5, nas Caldas da Rainha, e marchou sobre Lisboa, depois de prender o comandante, o segundo comandante e três majores.
Os revoltosos avançaram para derrubar o Governo, mas a subvelação não avançou noutras unidades e foram interceptados à entrada de Lisboa, pela Artilharia 1, pela Cavalaria 7 e pela GNR. Ao chegar perto do local, a coluna rebelde inverteu a marcha e regressou ao quartel das Caldas da Rainha, que foi imediatamente cercado por Unidades da Região Militar de Tomar.
Foi, digamos, o pré-25 de Abril! Que chegaria 40 dias depois!
Por mim, só soube de tal à noite, a ver o telejornal do café Império, aqui ao lado. E fiquei sem perceber grande coisa! Nem por aqui, na minha terra de Ois da Ribeira, alguém poderia ou saberia esclarecer algo que fosse.
Ao outro dia, domingo, apressei-me a ir a Águeda, de comboio, para comprar o jornal e lá vim a saber do que se passaram segundo a visão jornalística do tempo. O que, valha a verdade, não me deu qualquer esperança quanto ao futuro próximo: ir para Angola! Assim como fomos!
Foi há 36 anos!
Passado um ano, fazíamos em Carmona os primeiros «ensaios» para o que seria o (então futuro) exército de Angola. Que nunca chegou a ser!
Mulher com 9 filhos abandonada pelo marido

segunda-feira, 15 de março de 2010
Ir do Quitexe a Carmona, para ver como paravam as modas...
A malta que tinha menos posses, como eu, aproveitava a boleia de uma Mercedes que ia buscar o Correio ao SPM e, assim, sempre passeávamos durante o dia, para conhecermos melhor os cantinhos à casa e ver como paravam as modas pela cidade!
Era muito vulgar vermos os nossos colegas chegar, ou melhor, passar nos Unimogues e Berliet com o taipal nas traseiras (para defesa) e a famosa metralhadora (Breda?). Apesar de não ser operacional, e talvez por isso mesmo, sentia muita pena de os ver passar pela cidade, muito empoeirados.
Valia-lhes a juventude!!!
RODOLFO TOMÁS
domingo, 14 de março de 2010
O dia da segurança mista na festa da FNLA em Carmona
A 14 de Março de 1975, fomos convocados para um serviço muito especial: fazer a segurança das festas do feriado da FNLA, no dia seguinte. Mais: seriam feita com as forças dos três movimentos emancipalistas. O que nos deixou algo preocupados. sábado, 13 de março de 2010
O PELREC QUE ERA "IN" E FOI VER FUTEBOL NA TELEVISÃO
sexta-feira, 12 de março de 2010
A messe de sargentos, que era de oficiais, do Bairro Montanha Pinto
Jardim do Bairro Montanha Pinto, frente a messe que fomos ocupar - que ficava de costas para o autor da foto (Quitexe). A casa da esquerda, com uma carrinha militar em frente, era uma outra messe de sargentos. Na foto de baixo, furriel Viegas sentado na frente da messe da CCS do BCVA. 8423 
A rapaziada da classe de sargentos ficou magnificamente instalada na messe de oficiais de Carmona, no bairro Montanha Pinto. Furriéis com sargentos e uma pequeníssima «guarnição de praças», que ficou alojada no casa de madeira nas traseiras.
As instalações eram magníficas e nós estávamos ali mesmo no «meio» da cidade, sem necessidade de baldas para a conhecer - assim cumpridas fossem as nossas tarefas militares, no BC12: escala de serviços correntes e, no que me tocou, também a chamada PU que tantos amargos nocturnos traria. Por estes dias, foi a estreia e a coisa até nem correu mal. Mas era evidente, sentia-se, vivia-se, cheirava-se... um crescente ressentimento e mau-estar da comunidade europeia relativamente aos militares. Como ainda ontem aqui contámos.
Os meus apontamentos da época referem uma «reunião com o cmdt». Creio ter sido nesta altura que, numa conversa muito informal no seu gabinete do BC12, o comandante Almeida e Brito nos alertou para a iminência de problemas e da possibilidade de passarmos a fazer patrulhamentos mistos, com forças do ELNA, das FAPLA e das FALA.
O alferes Garcia, com a sua proverbial tranquilidade, lá nos disse que «não vai ser nada, andámos a ser preparados para isso...». Como ele gostava de repetir, sempre de sorriso largo e franco, que «foi para isso que nos andámos a preparar». Não nos ajudou em nada, é óbvio, esta serena e sapiente observação, mas consolou-nos. Fiquei a saber, por estes dias, que ia formar uma das três equipas de PU - no meu caso, com o Almeida e o Marcos, dois bravos do PELREC.
- ELNA. Exército de Libertação Nacional de Angola, da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA).
- FAPLA. Forças Armadas Populares de Libertação de Angola, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
- FALA. Forças Armadas de Libertação de Angola, da União Nacional para a Idependência Total de Angola (UNITA).
- PU. Polícia de Unidade, o mesmo que Polícia Militar.
Governador Mawete João Baptista sugere monumento na Baixa do Cassange

quinta-feira, 11 de março de 2010
Cuspidelas aos militares do BCAV. 8423 de Carmona
A Escola de Condução do Uíge (imagem de net)A 11 de Março de 1975 registou-se em Portugal uma tentativa falhada de golpe militar, organizada pelo general António Spínola, ex-Presidente da República, aliado à Força Aérea e ao chamado Exército de Libertação de Portugal (ELP), por oposição ao Comando Operacional do Continente (COPCON) e à Liga de Unidade e Acção Revolucionária (LUAR).
O objectivo, sabe-se agora, apontava na tentativa de pôr fim ao governo do 1º. Ministro Vasco Gonçalves, que, lembremo-nos, era defensor de um regime socialista avançado - coisa que nós nem sequer, ao tempo, conhecíamos bem. Lá sabíamos nós o que era isso!!! A missão foi abortada e o golpe foi dado como falhado.
Carmona, nesse dia e alheia às movimentações militares de Lisboa, recebia a restante 2ª. Companhia da Cavalaria - a de Aldeia Viçosa, comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz. O primeiro Grupo de Combate (pelotão) chegara no dia 2, com toda a CCS, e já se movimentava na cidade - a «receber» desdéns e comentários bem desagradáveis da população civil europeia. Tal qual a malta da CCS...
É "histórica", para nós e por um destes dias, a reacção de uma mãe de família, com filhos e sobrinhos, que se passeava na Rua do Comércio e escarrou ostensivamente para o chão, como se fosse para cima de nós, militares... - um episódio que, ao conhecimento de hoje, seria emblemático da menos boa relação entre a sociedade civil e os militares do BCAV. 8423 - todos os dias industriados para não reagir a provocações.
«Traidores, filhos da p..., cab...», foi o mínimo que nos chamou, ante a raiva do Marcos e do Madaleno, que comigo seguiam para a aula de condução, na Escola de Condução do Uíge - onde eu próprio viria a tirar a minha carta. No mesmo sítio e por ali perto, no cruzamento que dava para a praça da ZMN, viríamos nós a recolher alguns civis a fugir da guerra que lavrava na cidade nos dramáticos dias de Maio e Junho. E, entre eles, vejam lá... a tal família. A vida tem destas coisas!...
quarta-feira, 10 de março de 2010
A inauguração da Missão Católica do Quitexe
Imagem da Missão do Quitexe, no dia da inauguração. Clicar, para ampliar










