As relações entre os militantes dos movimentos emancipalistas azedaram logo que se instalaram nas vilas e cidades de Angola. A zona de acção do BCAV. 8423, a norte, a partir da vila-mártir do Quitexe, estendia-se, por Janeiro de 1975, ao longo da chamada Estrada do Café, em asfalto - ligando Carmona (Uíge) a Luanda.
A presença dos Cavaleiros do Norte assentava guarnições em Vista Alegre, com a 1ª. Companhia, ida de Zalala, comandada pelo capitão Castro Dias. Por Aldeia Viçosa, onde continuava a 2ª. CCAV. do capitão José Manuel Cruz. E pelo Quitexe, onde estava a CCS, o comando de Batalhão e, agora, parte substantiva da 3ª. Companhia - a de Santa Isabel, comandada pelo capitão José Paulo Fernandes.
A 26 de Janeiro de 1975, faz hoje 35 anos, registaram-se acidentes com alguma gravidade em Aldeia Viçosa - onde a FNLA abria uma delegação, nesse dia. Os dois movimentos (FNLA e MPLA) não se entenderam quanto à realização de um comício conjunto - depois de nela acordarem - e houve mosquitos por cordas, dando aso a uma situação de atrito considerada grave pelas Forças Armadas Portuguesas. Que intervieram. Intervieram em situação apaziguadora, de risco, mas que foi alcançada.
O momento foi vivido com fundamentados temores e grávido de interrogações, entre a guarnição portuguesa: o que vai acontecer amanhã, se eles não se entenderem? Vai haver paz? As NT vão passar à guerra urbana, depois da guerrilha de mata? A descolonização vai correr bem? Perguntas para as quais não havia resposta e nos constrangia o dia-a-dia.
- MPLA. Movimento Popular de Libertação de Angola, liderado por Agostinho Neto.
- FNLA. Frente Nacional de Libertação de Angola, presidida por Holden Roberto.
- NT. Nossas Tropas, sigla convencionalmente atribuída às Forças Armadas Portuguesas.
BATALHÃO DE CAVALARIA 8423. Os Cavaleiros do Norte!!! Um espaço para informalmente falar de pessoas e estórias de um tempo em que se fez história. Aqui contando, de forma avulsa, algumas histórias de grupo de militares que foi a Angola fazer Abril e semear solidariedade e companheirismo! A partir do Quitexe, por Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange e Songo! E outras terras do Uíge angolano, pátria de que todos ficámos apaixonados!
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Atritos graves, em Aldeia Viçosa, entre o MPLA e a FNLA
domingo, 24 de janeiro de 2010
O (não) arame de tropeçar da instrução de Santa Margarida
Uma coisa que nos palestraram em Santa Margarida, foi a forma e o objectivo de conhecermos (e praticarmos) os princípios e hábitos que teriam de nortear a vida do BCAV. 8423 - que se formava - durante o tempo em que, como unidade constituída, vivesse no RC4 e em Angola.
O princípio era básico: íamos todos para a guerra, pois que nos preparássemos para ela. Os exercícios repetiam-se, no Destacamento Militar e nas redondezas, com simulações de patrulhamentos, operações militares, emboscadas, ordem unida..., socorro, admionistração, essas coisas todas.
A 23 de Janeiro de 1974 registou-se uma inspecção do Coronel de Cavalaria Magalhães Corrêa, da DAC, e do dia recordo um acontecimento «singular»: ia o PELREC em progressão, num trilho da Mata do Soares (era este o nome?), quando eu e o Neto, com as petulâncias e exageros típicos da idade e a vantagem do conhecimento capitalizado em Lamego (nas Operações Especiais), resolvemos simular um arame de tropeçar, para dar a ideia da atenção com que a progressão devia ser feita.
Então, eu e ele, a certa altura - e num ponto que achámos melhor - galgámos o arame (que não existia) com todos os cuidados, não fosse que o tropeçássemos e rebentasse alguma bomba, muito cautelosamente e sempre em posição de defesa. Um a um, todos os «pelrec´s» o passaram, levantando o pé direito na frente e de olhos fixos no arame. Tudo certinho.
Ao fim do dia, no regresso ao Destacamento, felicitámos a rapaziada pelo êxito da missão - mas sem aparentemente enganarmos o Botelho, que passava por ser um bom guarda-redes de futebol e, se calhar por isso, por ser de olho vivo, desconfiara que não havia arame nenhum - embora também ele «o» passasse. Ao outro dia, explicámos à malta e foi uma risada. Mas desconfio que ainda hoje a maioria do pessoal acredita que o arame estava mesmo lá.
sábado, 23 de janeiro de 2010
O quejo comido na caserna no Destacamento de Santa Margarida
Santa Margarida, 7 para 8 de Janeiro de 1974. Os militares do BCAV. 8423 chegam ao Destacamento do RC4 desde a véspera e vão-se instalando numa das casernas. Havia a natural curiosidade de se conhecerem: de onde és, de onde não és, as habituais trocas de informação e a curiosidade (satisfeita) de se saber com quem se vai para uma missão que se adivinhava não ser fácil.«Você vai resolver isto bem, convida-se a malta e você dá um queijo...», disse-lhe eu, meio a brincar. Que sim, «se o senhor diz...». Gritei ao pessoal para irem desencantar cervejas e sumos, que logo apareceram. O cenário seguinte, podem imaginá-lo!
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Os primeiros dias do Batalhão de Cavalaria 8423

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Espectáculo do MFA no pavilhão de Carmona

A 21 de Janeiro de 1975 e no âmbito das actividades de acção psicológica do MFA, realizou-se em Carmona um espectáculo recreativo e cultural, participado por militares de todas as sub-unidades do BCAV. 8423.
Socorro-me do Livro da Unidade, não tenho grande memória do acontecimento e baralho-me, provavelmente, com um outro - realizado, salvo erro, no pavilhão do Futebol Clube do Uíge (foto), já os Cavaleiros do Norte estavam em Carmona, no BC12 - este com farta participação de militares do batalhão. Recordo-me de um conjunto musical que, se a memória não me falha, tinha alguma coisa a ver com a 3ª. CCAV. comandada pelo capitão José Paulo Fernandes - para além de várias participações avulsas.
O pavilhão estava cheio, com militares e civis, mas para não ferir a história, vou ficar-me por aqui. Alguém que por aqui nos lê consegue «recuperar» o que na verdade aconteceu a 21 de Janeiro de 1975? Digam alguma coisa, quem souber.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
O dia de anos de minha mãe!...
A 20 de Janeiro de 1975, a senhora minha mãe fazia 54... anos. Hoje faz 89! Há 35 anos, com as vésperas necessárias, lá lhe mandei notícias do Quitexe, a condizer com a data - trazidas em mão pelo Monteiro. Reli agora o que então lhe escrevi e o correio que (dela) lá me chegou por estes dias e não deixei de ter uma emoçãozinha a varrer-me a alma, ao olhar o papel amarelado do aerograma assinado por «Tua Mãe»!terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Por onde anda(rá) o Emanuel do SPM?
Os 1º.s Cabos Pais e Emanuel, com o furriel Viegas ao centro, no Bar do Rochasegunda-feira, 18 de janeiro de 2010
O incêndio na arrecadação e quartos dos alferes milicianos do Quitexe

domingo, 17 de janeiro de 2010
Banco BIC com delegação no Quitexe

Vice-Governador visitou obras das residências dos administradores
Uíge - O vice-governador provincial do Uíge para a organização e serviços técnicos, Pedro Vilhena Nazário Bomba, visitou as obras de reabilitação da administração municipal, assim como as residências dos administradores municipal e adjunto do Quitexe.Notícia da ANGOP, de 16 de Janeiro.
Foto de arquivo.
Vce-Goverador do Uíge exige cumprimento da lei aos madeireiros
16-01-2010 12:23 Uíge - O vice-governador provincial do Uíge para a organização e serviços técnicos, Pedro Vilhena Nazario Bomba, exigiu sexta-feira, no município de Quitexe, aos exploradores de madeira a respeitar a lei vigente no país.
O governante disse ainda que o governo espera que os exploradores de madeira desempenhem um papel que visa o desenvolvimento das comunidades das áreas onde este recurso é explorado.
Para Pedro Vilhena Bomba, a exploração deste recurso deve trazer benefício para as comunidades onde a madeira é explorada, no quadro das obrigações sociais.
O bacalhau do Natal de 1974 em Aldeia Viçosa

sábado, 16 de janeiro de 2010
A malta da 2ª.Companhia de Cavalaria

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Sinal da televisão pública no Quitexe e arredores
O sinal da Televisão Pública de Angola chegou ao Quitexe a 9 de Outubro de 2009, inaugurado pelo ministro da Comunicação Social, Manuel Rabelais, no quadro da política do Governo de Angola de expansão e modernização dos órgãos públicos em todo o território nacional.Além de Quitexe, também os vizinhos municípios da Damba, Púri, Bungo e Bembe receberam igualmente o sinal da TPA (Televisão Pública de Angola). Como aquela gente se deve agora colar aos ecrãs, para ver os jogos da selecção de Angola, no CAN 10!!!
Há 35 anos, era impensável ver televisão no Quitexe e, em Portugal, ainda era a preto e branco. O nosso consolo era ouvir, através da rádio, os relatos de futebol dos benficas, dos sporting´s e dos portos. E como sabiam tão bem!!!
Notícia recolhida DAQUI.
Os desenfianços para os prazeres e desafios da cidade...
Entrada da cidade de Carmona (Uíge), do lado do Quitexe e Luanda
Sendo o Quitexe uma Vila pequena, qualquer boa oportunidade era aproveitada para uma “fuga” até Carmona. Não era muito fácil, diga-se, principalmente porque o capitão tentava controlar todas as saídas não autorizadas! A verdade seja dita, teve o cuidado de nos avisar logo à chegada, dando mesmo a entender que, por parte dele, não haveria espaço para manobras habilidosas ou espertezas saloias!
Porque alguém me lembrou estas fugas para a cidade, resolvi consultar os meus “catrapázios” ! E lá estava escarrapachado o dia 27 Outubro de 1972!
Era uma sexta-feira, dia ideal para uma “fuga” que, segundo os meus planos, se prolongaria até à noite do dia seguinte. Por lá me esperava um amigo dos bons tempos de escola que, semanas antes, comigo se tinha cruzado em férias no “puto”! Era o alferes Cravo, companheiro de muitas noitadas e que tranquilamente passeava o seu “galão” por Carmona!
Por volta das três da tarde, lá arranquei com um civil, o Pimenta. Tendo este que regressar no mesmo dia com um familiar, ficou a promessa de que me traria de volta no seguinte, ao fim da tarde! O negócio do pai obrigava-o a essa deslocação, o que vinha a calhar, porque eu só entrava de serviço no domingo de manhã! Sempre dava para matar algumas saudades da cidade! E também de um pequeno restaurante, muito bom e que, apesar de discreto, tinha um atendimento cinco estrelas e também muito “personalizado!”
Então, e não é que o amigo Pimenta me pregou a partida?! Qual sábado, qual quê!..., deixou-me pendurado, o que me surpreendeu, e lá voltei à pensão para passar mais uma noite! Os negócios do pai tinham-no, inesperadamente, retido na vila. Perdido por cem, perdido por mil, havia era que aproveitar o tempo e todo o resto… antes que azedasse!
Apareceu só no domingo, à hora do almoço e desenfiado do talho, onde o pai não lhe dava tréguas nem ao fim de semana! E fê-lo por mim, preocupado com a minha ausência do Quitexe e possíveis consequências! Parece que estou a vê-lo, a correr para a porta da pensão, de pernas arqueadas, que suportavam o seu metro e sessenta mal medido!
Com o meu serviço, confesso, não estava minimamente preocupado! Tinha já um pacto com um companheiro, de modo a que nenhum ficasse descalço. Desenfiávamo-nos à vez, cada um para seu lado!
Confiei na sorte e lá nos enterrámos de novo na noite carmoniana, já com camisa emprestada. O asseio é a porta de entrada da elegância – dizia-se!
O regresso, esse foi só às seis da madrugada de segunda-feira! A viagem foi atribulada, com o Pimenta a jurar, e eu a confirmar, que viu três negros armados a descer para a estrada, o que o levou a carregar no acelerador do velho Peugeot 404, até avistarmos o quartel do Voluntários! Foi ali que se dissipou o meu medo, e foi também ali que o Pimenta recuperou a voz - tinha-a perdido 20 quilómetros antes!
Às oito entrei de serviço e tive de aguentar uma directa, para não pedir ajuda a quem não queria, ou a quem não confiava! E lá me caiu o capitão no posto de rádio, castigando-me com um interrogatório, ao qual escapava como podia, simulando uma transmissão para Zalala!
«Por acaso, você é alérgico ao colchão da tropa?!...», perguntava-me, quase a espumar-se por não me ter apanhado em flagrante! Justiça lhe seja feita, só recorria a punições, em situações flagrantes, o que sempre dava para respirar um pouco, ou montar alguma estratégia.
Na noite que terminara, ainda de oficial dia, tinha passado todos os quartos e camaratas a pente fino, às três da manhã! Á entrada do Quitexe, na estrada para Carmona, ficou de “castigo” o sargento dia, mais de duas horas! Contam, ainda hoje, porque eu não vi, que foi uma noite de doidos! Falam até em noite de “vingança” e de tentativa de ajuste de contas, por um episódio que terá ocorrido uns dias antes, e que teve como protagonista a Joana, de quem falei no texto de 17/7/2009! (ver AQUI) Verdade ou não, não sei, mas era o boato que corria lá para os lados do Comando! Mas acredito!...
Com alguma razão, ele dizia saber dos “desenfianços”, mas em circunstâncias normais não fazia muito alarido e chegava mesmo a ser discreto! No fundo, talvez tivesse a noção de que nós também estávamos a par das suas “fugas”, por vezes recambolescas! A vila do Quitexe era muito pequena!...
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Assim se vão reencontrando os Cavaleiros do Norte


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
A cassete, os repeniques e os toques de finados da torre da igreja...

Quando fui de Portugal para Angola, levei muito pouca bagagem: uma mala com a roupa militar e alguma civil, artigos de higiene pessoal (muito poucos), livros e uma cassete. E uns embrulhos de amigos de cá, para familiares civis de lá!
Era o tenente Mora: «O que é isso»!...».
Isso, eram os repeniques que eu mesmo badalara e que ouvia repetidamente na cassette. Lá expliquei.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Incidente com um camionista europeu perto de Dambi Angola
A actividade operacional por estes dias de Janeiro de 1975 era muito reduzida, na área do Quitexe. Estava praticamente limitada a patrulhamentos em estradas de asfalto, embora com alguns incidentes. O mais grave, aconteceu com um camionista que levava armamento escondido na carga da viatura.
As Forças Armadas Portuguesas faziam repetidos patrulhamentos, apeados e transportados, em troços que iam de meio caminho de Carmona (Uíge) até à Ponte do Dange - procurando e garantindo a liberdade de tráfego do itinerário. Montavam-se uma espécie de postos de controle, do tipo policial, e agíamos aleatoriamente, ou quando se suscitava alguma suspeita.
Um dia, por esta altura e ao final de uma manhã, na zona próxima do Dambi Angola, ao aproximar-se um camião entendemos fazer stop. Mas reagiu mal o camionista, insultando "a tropa fandanga", como ele chamava, e, de forma (in)consciente, até a ameaçar-nos com arma. Chegou a haver contacto físico entre ele e um militar e a situação não foi nada agradável.
Acusava-nos de «proteger os pretos» e abandonar os colonos europeus - o que não era verdade. O malote com as armas ficou às nossas ordens e ele seguiu viagem, depois de, via rádio, termos consultado o aquartelamento. Nunca mais soubemos dele. Já por volta de Maio e à entrada de Carmona, outro incidente idêntico aconteceu. Até mais grave e complicado. Na verdade, boa parte da população branca europeia não «via» a tropa com bons olhos. Antes pelo contrário.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
A mobilização militar para Angola...
O tempo faz-nos esquecer momentos relevantes da nossa vida, mesmo quando são marcantes - por qualquer razão. A minha mobilização para Angola foi publicada na Ordem de Serviço nº. 286 do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego, a 7 de Dezembro de 1973. Já lá vão mais de 36 anos!
Sabia ter sido em Dezembro desse ano, não me lembrava o dia mas dele não esquecia o telefonema feito dos Correios de Lamego, para a minha vizinha de Ois da Ribeira (minha residência, perto de Águeda), com recado para minha mãe, ao tempo recentemente viúva: «Vou para Angola!...».
Ir para Angola, para o nosso ego (ainda) era a mobilização que melhor nos poderia acontecer. Haveria «menos porrada». Pior seria em Moçambique e Guiné! De modos que, entusiasmado, fiz saber à Cinda, a vizinha, dessa sorte que me calhara na mobilização e para dela dar a nova a minha mãe. «Já não vens a casa?...», perguntou-me ela. Claro que fui. Pela frente ainda tinha o RC4, em Santa Margarida. E a partida, a 29 de Maio de 1974.
Ontem, encontrei cópia da Ordem de Serviço, verifiquei o dia e aqui a deixo em imagem, na parte que me indica mobilizado para Angola - assim como o Neto e o Monteiro, os três de Operações Especiais. A mobilização propriamente dita já fôra publicada na Nota 47000 - Pº. 33.007, de 17 de Novembro de 1973, da RSP/DSP/ME.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Correio, política, guerra civil e as «adolescentes» noites de Luanda

sábado, 9 de janeiro de 2010
A independência de Angola e a Cimeira de Mombaça
Ao Quitexe chegavam, por estes dias de Janeiro de 1975, notícias do Encontro de Mombaça, no Quénia, nos dias 3 a 5, que reuniu os representantes dos três movimentos emancipalistas de Angola. O objectivo era definir os termos da independência.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
O último dia do Pelotão de Morteiros 4281 no Quitexe
A 4 de Janeiro de 1975 completou-se a transferência do Pelotão de Morteiros 4281, do Quitexe para a cidade de Carmona - iniciada a 20 de Dezembro de 1974. E pela vila do Quitexe começava a segredar-se a eventual instalação do BCAV. 8423 no BC12, na capital provincial do Uíge
O BC12 estava localizado na cidade desde 1961 e ia ser extinto. Nada melhor que ir para lá - o que para nós significava, também, ir para zona urbana mais qualificada e galgar mais uma etapa do nosso regresso a Portugal e às nossas casas. De Portugal, pelo Jornal de Notícias e Expresso, chegavam notícias sobre as negociações do Governo Português com os dirigentes do MPLA, FNLA e UNITA e as mensagens de familiares e amigos apontavam todos na mesma direcção: no continente cada vez mais se murmurava o iminente regresso das tropas das frentes ultramarinas.
A frente norte angolana, essa, registava por esta altura alguns incidentes entre militantes dos movimentos - até aí de combatentes e agora dirigentes políticos.
O Pelotão de Morteiros 4281 era comandado pelo alferes Leite, açoriano (à direita, na foto) e, no Quitexe, era um dos que reforçava a guarnição da CCS. Já lá estava, quando chegámos - a 6 de Junho de 1974.
Voltaríamos a encontrar-nos no BC12.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
O(s) morto(s) entre os Cavaleiros do Norte

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Os garbosos soldados da CCS do Batalhão de Cavalaria 8423
Alguns militares do PELREC. Em cima, da esquerda para a direita: Cordeiro, Messejana, Pinto, Soares, António (?), Ezequiel, Marcos, Dionísio, Caixarias e Florindo (enfermeiro). Em baixo, pela mesma ordem, Vicente, Viegas, Francisco, Leal, Mendes (?, transmissões), Hipólito, Aurélio, Madaleno e Neto. A foto é de 16 de Outubro de 1974. Clicar na imagem, para a ampliar. Aqui mostrámos, nos últimos dias, os rostos de oficiais e sargentos do Comando e da CCS do Batalhão de Cavalaria 8423. Gostaríamos de aqui editar todos os nossos amigos cabos e soldados que, garbosamente, integraram este grupo que, a África, foi fazer história num momento muito especial de Portugal e de Angola.
Tal é, porém, impossível.
Na verdade, não temos - antes longe, mas mesmo muito longe disso - espólio fotográfico que tal permitisse. Como gostaríamos. Alguns deles, todavia, aparecem neste espaço, na coluna da direita do blogue e, tanto quanto pudermos, por aqui os iremos identificando. Outros aparecem, também, nos muitos postes já publicados.
Simbolicamente, aqui editamos uma foto do Pelotão de Reconhecimento, Serviço e Informação - o PELREC - e nem este está completo, como homenagem a todos quantos, sendo Cavaleiros do Norte, foram homens que, sem fugir a responsabilidades mas antes com coragem, determinação e honra, ficaram na história que este blogue vem registando.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Ós três furriéis Ranger´s e Cavaleiros do Quitexe
Os furriéis milicianos da CCS eram 15 e... faltavam estes três, no rol de imagens fotográficas que aqui temos vindo a estender. O Neto, o Viegas e o Monteiro, três «Operações Especiais» formados no terceiro curso de Rangers de Lamego, de 1973. Há quase 36 anos.
Ora vejam:
- NETO. José Francisco Rodrigues Neto, empresário industrial. Natural e residente em Águeda. Apanhou alguns «sustos» por causa do apelido - o mesmo do então presidente do MPLA, estando o BCAV. 8423 instalado em zona maioritariamente da FNLA.
- VIEGAS. Celestino José Pinheiro Morais Viegas, jornalista e gestor. Natural e residente em Ois da Ribeira (Águeda).
- MONTEIRO. José Augusto Guedes Monteiro, aposentado dos STCP e empresário, natural de Vila Boa de Quires (Marco de Canaveses) e residente em Paredes (Porto).
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Os furriéis de alimentação e informações e operações
domingo, 3 de janeiro de 2010
Militar de Aldeia Viçosa e Vista Alegre procura companheiros do BART. 1854

Furriéis de serviços da CCS do BCAV. 8423 do Quitexe

Os furriéis milicianos da CCS do BCAV. 8423, no Quitexe, eram, com as excepções que fazem a regra, um grupo solidário e unido, nas suas diferenças. Diferenças culturais sociais, de formação cultural e profissional.
sábado, 2 de janeiro de 2010
Reencontro com Mário Matos, o memorizador de números mecanográficos
Hoje «achei» o Matos, furriel da 2ª. Companhia de Cavalaria do BCAV. 8423, instalada em Aldeia Viçosa. Furriel miliciano atirador de cavalaria, fez comissão na secretaria - depois de umas semanas de mato... - e já aqui falei dele para fazer história da sua extraordinária memória: capaz de decorar todos os números mecanográficos da companhia.
Houvesse dúvidas e hoje as teria desfeito: lá me citou ele, de cor e salteado e sem lhe perguntar, o nome completo do capitão Cruz e... o número mecanográfico. Sem tirar ou pôr algarismo. Ou letra. José Manuel Romeira Pinto da Cruz, nº. ... tal!
Eu vinha de Coimbra, onde a vida me levou por algumas horas, e, no regresso, nem é tarde nem é cedo, aí fui eu à cata do Matos, em Anadia. Podem imaginar o desfiar de recordações feito ali no correr da memória - desde quando nos batemos nas operações especiais, em Lamego, nos reencontrámos em Santa Margarida (já mobilizados) e fazíamos as longas horas de viagens de ida e volta, no «velho» SIMCA 1100 do Neto. Até ao Uíge angolano!
Fiquei a saber que a 2ª. Companhia se reúne todos os últimos sábados de Setembro - foi em Évora, em 2009; e Gaia, em 2008 - e que este ano será em Penafiel. A CCS é que andou a perder, estes anos todos, desde 1997 até 2009!
O Matos prometeu histórias e fotos para o blogue e com ele e o Ferreira (que era enfermeiro da 2ª. CCAV.) irei palrear de hoje a duas semanas.
Ver mais do Matos em http://cavaleirosdonorte.blogspot.com/2009/06/matos-o-furriel-memorizador-de-numeros.html e ainda em http://cavaleirosdonorte.blogspot.com/2009/12/o-matos-e-o-letras-da-companhia-de.html
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
A noite de passagem de ano da 1974 para 1975
A passagem de ano de 1974 para 1975, lá porque eu estava de serviço, não me inibiu de a festejar à... maneira!!! As formalidades de sargento de dia, com as habituais formaturas e rancho melhorado ao almoço e jantar, passaram-se e viveram-se serenamente, na paz dos anjos!
Por mim, combinado com o Neto e suportanto ambos os custos, tínhamos arranjado umas grades de cerveja no Grácio e, postas no frio da cozinha, foram para o PELREC. Fresquinhas, ao almoço e ao jantar. E, nessa noite, «exigimos» do capitão Oliveira (comandante da CCS) que cumprisse as NEP que sempre nos atirava à cara. Na prática, teve de nos arranjar bagaço e as minudências a que tinha direito o pessoal de reforço, nos postos de sentinela, durante a noite, e que distribuímos nas rondas. Já o mesmo tinha acontecido na noite de Natal, então a «benesse» entendida como por ser nessa noite especial. Bem sabemos que o capitão comandante da CCS não gostou nada da história, mas lá teve de ser. Tanto nos ameaçava com as NEP, que teve de as... cumprir!
O meu dia passei-o assim, entre a parada, o quarto e o bar de sargentos. Já por lá estava aquartelada a 3ª. CCAV (Santa Isabel) e não faltava gente para um bom par de conversas. O ritual de correspondência foi cumprido: era quase sempre depois do almoço, a hora da escrita; era a da leitura antes do jantar, quando chegava o Correio, de Carmona...
A foto dessa noite mostra um grupo naturalmente bem disposto, aquartelando as suas saudades da terra, mas naufragando-as em bebidas bem bebidas pela noite adentro. Dessa noite e sem conseguir recordar o nome, lembro-me de encontrar, perto do Topete, um soldado já bem entrado e a cair das pernas. Coisa que imediatamente teria de ser «remediada», pois a tropa não podia andar a fazer aquelas (tristes) figuras na rua. Foi o António, soldado do PELREC e meu companheiro nessa noite de rondas, quem o carrregou às costas, para a caserna.
O 1975 nasceu comigo a conversar, na frente da messe de oficiais - quero crer que com o alferes Pedrosa, nesse dia/noite de oficial de dia. Era da 3ª. CCAV., a de Santa Isabel. Logo a seguir, tínhamos de ir ligar o gerador. A noite foi calmíssima.
- NEP: Normas de Execução Permanente.
Os furriéis sapadores da CCS dos Cavaleiros do Norte

O Pelotão de Sapadores da Companhia de Comando e Serviços (CCS) do Batalhão de Cavalaria 8423 era comandado pelo alferes miliciano Ribeiro e incluía três furriéis - todos eles bem diferentes, mas seguramente bons amigos. quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Os furriéis milicianos da CCS dos Cavaleiros do Norte (1)

A guarnição da CCS do BCAV. 8423 tinha 15 furriéis milicianos. Hoje, apresentamos quatro deles.- LOPES. António Maria Verdelho da Silva Lopes, enfermeiro, natural e residente em Vendas Novas, onde é funcionário de Finanças.
A (não) vitória do Buraquinho na S. Silvestre do Quitexe....
Eis a divinal narrativa, na primeira pessoa:
«Eu, Alfredo Coelho (Buraquinho), vou contar a história da corrida de S. Silvestre, na noite de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro de 1975, de uma terça para a quarta-feira, às 00,00 horas. A corrida começou na entrada da picada de Zalala até à messe dos oficiais, no Quitexe.
Eu também participei e tinha que fazer das minhas, para ser o vencedor. E, então, o que é que eu fiz? Como os enfermeiros tinham que acompanhar a corrida, na ambulância, combinei com o 1º. cabo enfermeiro Gomes e o soldado maqueiro Moreira (o Penafiel) que quando a corrida começasse, eu isolar-me-ia e entrarria na ambulância, sem que fosse detectado pelo resto dos atletas.
A ambulância vinha à frente, com outras viaturas militares a fazer escolta e a iluminar a estrada até ao Quitexe, porque não havia luz eléctrica. Ao chegar próximo da casa do administrador, onde estavam oficiais e o administrador a ver a corrida, eu então saltei da ambulância e comecei a correr, e quem me via só dizia «força Buraquinho, és o primeiro!!!...».
O problema é que cometi um erro, que foi virar na segunda rua do Quitexe quando deveria virar na terceira, onde ficava o bar do Rocha. Mas cheguei à meta em primeiro lugar e o capitão Oliveira começou logo a bater palmas e a gritar: “É o Buraquinho, é da CCS!...».
Só que tudo ficou em águas de bacalhau, após a chegada do segundo que, naturalmente, denunciou a minha chegada forjada e o capitão Oliveira ficou desanimado por ser um militar da 2ª. companhia e não da CCS, como ele pensava.
Sabem quem foi o 1º. classificado? Foi o Fernando, conhecido por Spínola, que era da 2ª. Companhia de Cavalaria».
O Buraquinho contou, está contado. Ele era assim e agora, ao lê-lo, senti-me voado na ampulheta do tempo e estou a «ouvir» os comentários feitos à pitoresca bravata desportiva do inimitável Buraquinho!!! Só mesmo ele! E a cara zombeteira do Buraquinho, a passear-se no final da (não) corrida.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Antevéspera da passagem de ano de 1974 para 1975
Dezembro, dia 30 de 1974, véspera da passagem de ano de 1974 para 1975. A ordem de serviço lá me aprontou para sargento de dia ao batalhão na noite dita especial. Era uma inevitabilidade! Esperadíssima.
Tornou-se demasiado previsível a nomeação, numa altura em que o relacionamento entre os pares da classe de sargentos andava esfriada. É desse tempo uma «revolta» dos milicianos, descontentes com alguns tratamentos recebidos e tornou-se famoso o grito de guerra do furriel Machado: «Beduínos!!!...». Um grito de raiva, contra a discriminação a que os milicianos se sentiam sujeitos, com a cumplicidade de alguns iguais.
Acreditam que a maioria dos furriéis se recusaram a comer ao mesmo tempo, na mesma mesa, com alguns comensais da messe de sargentos? Pois foi! E acusados ao capitão Oliveira, lá foi o trio de ferro: Neto, Viegas e Machado. Fazer a defesa da justiça!
A 31 de Dezembro de 1974, lá me apresentei a serviço para a noite de passagem de ano. Não sei porquê, ainda hoje penso que alguém acreditava, ao tempo, que eu iria infringir os regulamentos e faltar ao serviço. Só se eu fosse tolo!
A classe de sargentos da CCS dos Cavaleiros do Norte
O grupo de sargentos do quadro da CCS do BCAV. 8423 era formado por quatro profissionais. A relação dos furriéis milicianos com eles era de respeito, mas às vezes menos ortodoxas. Até tumultuosas. Tivemos as nossas coisas e algumas não foram boas de assoar. Talvez uma questão de filosofias de vida, de formação militar, de diferença de idades, sei lá!

















