O Cinema Moreno, na cidade de Carmona, frente à Rádio Clube do Uíge (1974)A messe de Carmona semeou-nos de sonhos e de lazeres. A foto, mostra o Pires (de Bragança) montado na mini-mota que por lá foi de vários donos e certamente em saída para alguma comezaina na cidade, lá para o Escape, o Xenú ou os pica-paus do Bar do Eugénio. O «menino» vestido de branco é o «imaculado» Francisco Neto, o furriel-irmão de Águeda - que ao tempo andava perdido de amores pela sua Ni, sua mulher de hoje.
Ambos vestidos à civil e pelo ar da carruagem (ou da mota...), duvido que o dia não fosse de borga - quem sabe se alguma saída para o Transmontano, ou uma ida ao cinema - onde, numa qualquer data, vimos o impensável "O Último Tango em Paris», no Cine Moreno, frente ao Rádio Clube do Uíge.
O Pires era mais recatado, mas sempre ansioso por uma boa passeata na cidade, «a ver as grinas...». O Neto, sempre muito mais expressivo e exuberante, às vezes até quase volupioso, fazia-se de mestre-rua aos menos atrevidos nas noites carmonianas, noites que faziam medrar desejos nos olhos e alma dos rapazes da guarnição.
Leio aqui a minha nota deste dia de 1975, como hoje Dia do Pai: «Nasceu o Zé, há um ano». O Zé Fernando é meu sobrinho e ao tempo também já meu afilhado, baptizado semanas antes de eu embarcar para Luanda. Hoje, é também meu compadre e treina o Náutico de Viana, clube que o fez atleta campeão nacional de remo. E internacional. E quase olímpico. A graça é que nesta quarta-feira de Março de 1975, muito provavelmente em algum frágil momento de nostalagia, associei o cinema ao meu sobrinho e afilhado: eram ambos Moreno. Um de nome, o cinema; outro de apelido, o sobrinho. E passaram-se 35 anos!


























