Hospital do Quitexe, em 2008, sem a platibanda que tinha em 1974BATALHÃO DE CAVALARIA 8423. Os Cavaleiros do Norte!!! Um espaço para informalmente falar de pessoas e estórias de um tempo em que se fez história. Aqui contando, de forma avulsa, algumas histórias de grupo de militares que foi a Angola fazer Abril e semear solidariedade e companheirismo! A partir do Quitexe, por Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange e Songo! E outras terras do Uíge angolano, pátria de que todos ficámos apaixonados!
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Os tiros e os homens perseguidos na estrada para Camabatela
Hospital do Quitexe, em 2008, sem a platibanda que tinha em 1974domingo, 8 de novembro de 2009
O último patrulhamento do PELREC com um Grupo Especial (GE)

Vale a pena dizer que boa parte dos GE´s eram mais velhos que nós - nós, milicianos do Exército Português - e a maior parte deles chefes de famílias bem fartas, de quatro, cinco ou sete filhos. Cá para nós que ninguém nos ouve, havia a convicção generalizada (para não dizer certeza...) que boa parte deles fazia jogo duplo, colaborando com o chamado IN, compatriotas deles na luta pela independência!
Certeza havia era quanto à sua (in)eficiência - o que levou os comandos militares a, definitivamente, decidirem-se pela sua desactivação. Já andavam a ser preparados para isso -e disso já aqui falámos... - e para 30 de Novembro foi marcada a data. Muitos deles enfileiraram de imediato as forças da FNLA e do MPLA. Um deles, o João, vim eu a encontrar em Luanda, já em Agosto de 1975, salvo erro como capitão. E como ele me mostrou, orgulhoso, os galões a brilharem-lhe nos ombros, na avenida D. João II!!!
Por estes dias, no tal aldeamento em construção, todos falámos do futuro; o nosso, passando pelo regresso a Portugal; o deles, sobre o que iria acontecer a Angola. Mas não passámos as óbvias generalidades!
sábado, 7 de novembro de 2009
A reunião do MFA que não anunciou o regresso a Porugal
Edfício do Comando de Sector do Uíge, em Carmona (1974) A 7 de Novembro de 1974 participei numa reunião do MFA/Angola, no Comando de Sector do Uíge (em Carmona), para a qual tinha sido eleito. Tudo aquilo era novo para mim, que sempre fui curioso de coisas novas mas ali me senti quase a mais. Vieram de Luanda uns senhores oficiais, que falaram, falaram, sem eu entender grande coisa.
A grande expectativa da tropa era, inevitavelmente, saber quando regressávamos a Portugal. Já havia o cessar-fogo, a guerra era coisa que não nos interessava nada, o que queríamos era vir embora. Que viessse lá a descolonização e o avião para Lisboa.
A esse nível, a tal reunião foi uma grande decepção. E eu evidenciei-me não pelo tom empolgado de muitos companheiros milicianos, que como eu não entenderiam as palavas bonitas e revolucionárias dos oficiais vindos de Luanda que para nós falavam, mas precisamente porque fui dos poucos (para não dizer o único) que não botei palavra. Na verdade, estava decepcionado.
Seguiu-se um breve «scotch com gelo», aproveitado para algumas trocas de impressões - e eu por ali a cirandar meio misantropo. Perguntou-me qualquer coisa, a dada altura, um dos oficiais de Luanda. A que respondi como pude. E perguntei-lhe se conheciam, lá em Luanda onde Rosa Coutinho fazia o que queria, se por acaso sabiam o que se passava na área do Quitexe. E pintei-lhe a manta com os dramas dos anos 61, 62, 63 que eu conhecia bem, de muitas leituras - acrescentando-lhe o sal dramático dos nossos dias. Pintei a dita manta como pude! Foi razão para, ainda nesse mês de Novembro, ser chamado a razões que um destes dias narrarei. E que voltaram a chapar-me na cara escritos meus sobre o drama dos produtores florestais do Préstimo, na serrania de Águeda e «coisa» que nada tinha a ver com o meu papel no MFA. Aliás, irrelevante!
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
O furriel de Vilarandelo que, afinal, não meteu o «chico»...
A Igreja da Mãe de Deus do Quitexe, nos anos 70 do Século XX
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
O Bispo da Diocese de Carmona (Uíge) em visita ao Quitexe

O Bispo de Carmona, D. Francisco de Mata Mourisca, esteve no Quitexe a 2 de Novembro de 1974, em visita repartida entre a comunidade católica e com contactos com a administração civil e os comandos militares.
O apostolado pastoral do bispo uígense em terras do Quitexe, não direi que passou despercebida na guarnição militar - não passou... - mas foi, digamos, discreta. Militares houve que da visita souberam apenas dias depois. Como foi o meu caso.
A 4 de Novembro, ausentou-se o comandante Almeida e Brito, que veio de férias para Lisboa - sendo interinamente substituído pelo capitão Falcão, oficial adjunto e de operações, que desempenhou o cargo com a sua convencional discrição e segura eficiência. Nesse mesmo dia, participou numa reunião de comandos que se realizou em Carmona, no BC12 - ele que, na véspera, nos entregara a ordem de operações para o encontro da aldeia do Dambi Angola.
A 6 de Novembro, no Quitexe, realizou-se a a reunião de comandos do subsector.
Os primeiro dias do mês foram tranquilos (comparados com Outubro) e preparava-se a rotação do dispositivo militar e a extinção de alguns aquartelamentos.
Ver texto sobre D. Francisco Mata Mourisca: http://209.85.229.132/search?q=cache:4f4wlINWM5YJ:quitexe-noticias.blogs.sapo.pt/2007/07/+D.+Francisco+Mata+Mourisca+no+Quitexe&cd=2&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
As metralhadoras Kalashnikov dos combatentes da FNLA
O histórico encontro com combatentes da FNLA, de faz hoje 35 anos, teve várias emoções. E medos! E dúvidas, nervosismo e ansiedade. É que tudo podia acontecer!
Não vale a pena, realmente, vir, aqui e agora, fazer evocações épicas de quaisquer heroísmos, ou deslumbramentos por, anonimamente, termos sido contributo activo para a história que se fazia. Ou da (não) importância de um momento que, confundindo-nos, nos amedrontou e simultaneamente galvanizou. E acabou em franca confraternização - que até deu, para além da cerveja e do tabaco distribuídos, para nos juntarmos em retratos para a posteridade. O de ontem, o de hoje e outros! Até, como se vê, para se experientarem as metralhadoras Kalashnikov dos combatentes. Bem mais leves e não menos eficientes que as nossas G3.
Ver em http://cavaleirosdonorte.blogspot.com/2009/04/o-encontro-com-guerrilheiros-da-fnla.html e ainda em http://cavaleirosdonorte.blogspot.com/2009/11/ordem-de-operao-para-aldeia-do-dambi.html
terça-feira, 3 de novembro de 2009
A ordem de operação para a aldeia do Dambi Angola...
A história já aqui foi contada - ver em http://cavaleirosdonorte.blogspot.com/2009/04/o-encontro-com-guerrilheiros-da-fnla.html.
Aqui fazemos referência hoje, quando se passam 35 anos, talvez meramente como evocação sentimental - pois todos nós somos feitos da mesma massa que emociona e sofre, se dá e se partilha, massa irmã de todas as raças e credos.
Deixo aqui hoje uma surpresa desse dia: os combatentes da FNLA não sabiam, ainda, que tinha acontecido o 25 de Abril em Lisboa. Isso nos disseram. E algum espanto sobre a sua falta de atavio. Beberam cerveja connosco, depois de nós bebermos! E aceitaram os maços de cigarros CT!
Hoje, vejam lá..., soube (ou teria esquecido?!) que outro encontro houve com companheiros da CCAV. 8423 instalada na Fazenda de Santa Isabel.
Pela zona de acção dos Cavaleiros do Norte, na sequência do cessar fogo de Outubro, viveu-se por estes primeiros dias de Novembro uma acalmia muito sossegadora. Falava-se de «uma acalmia não encontrada ha longos anos».
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
O cinema para os militares e civis do Quitexe e arredores....
O Clube Recreativo era o Cinema do Quitexe (foto de António Rei, tirada em 2005)
domingo, 1 de novembro de 2009
O alferes que queria pôr o encarregado civil em sentido...
As chuvas torrenciais do fim-de-semana, além de terem transformado a avenida de baixo num autêntico lamaçal, tinham também causado alguns estragos na vila do Quitexe. Destas, apenas tirou proveito a garotada, fazendo uma festa na rua de cima, para gáudio dos adultos “entrincheirados” em casa e dos resguardados junto aos estabelecimentos!
Estávamos a 12 de Março de 1973, segunda-feira! As altas temperaturas que cedo se fizeram sentir, já indiciavam um dia abrasador! Mas a “certeza” disso viria da boca dum civil, na altura funcionário duma serração! «Vai escaldar, amigo…vai escaldar…», dizia ele, mas sem me olhar!
À rua da enfermaria chegara uma equipa de trabalhadores da Administração. Munidos de utensílios para escavações, bem cedo deram início aos trabalhos de abertura de uma vala para melhoramento da rede de águas A saturação era evidente e impunham-se medidas nesse sentido!
A habitual cavaqueira da hora de almoço foi interrompida, ao avistar-mos o alferes Serpa (oficial de Transmissões). Reteve-se junto à vala e pela sua cara (beiço descaído...), nada de bom iria sair dali! Só uma razão muito forte o obrigaria a apanhar aquele calor intenso e a abdicar da sua sesta diária! Flor de estufa, provocação debitada pelos seus companheiros “mais iguais”, como fazia questão de frisar, deixavam-no visivelmente indisposto! Todos sabíamos que tinha o péssimo hábito de se imiscuir em todas as áreas, ignorando as sucessivas chamadas de atenção!
Acabava sempre a levar para “tabaco”, mas no célebre dia em que se envolveu com o pessoal do ELREC levou para “charuto”… cubano…e grande! É que depois de um dia de pó pelas picadas, não houve mesmo a menor paciência para o aturar!...
Ao passar pelos trabalhadores negros, proferiu, em tom bem alto, algumas frases que não agradaram ao encarregado! Não as reproduzo por serem demasiado “pesadas”, mas que deram origem a troca de palavras nada amistosas… lá isso deram!
Nada habituado a que lhe respondessem à letra, direi que deverá ter sentido o chão fugir-lhe! Totalmente descontrolado e transpirando insegurança, virou-se altivamente para o capataz e ordenou-lhe que se pusesse em sentido!!!
«Em sentido o c…….!», respondeu este praguejando a pulmão cheio e com uma enorme ânsia de lhe pôr as mãos em cima! Não pôs, mas ainda tirou da cabeça o chapéu castanho de abas largas, em jeito agressivo!
“Querem ver que ainda lhe dá ordem de prisão!...”, comentámos! Mas não e ainda bem – sempre que o fez, deu-se mal! Era bem notório o rancor com que se olhavam, não deixando margem para dúvidas que por ali andava coisa que ultrapassava a obra e os artistas!
Casmurrices com muitos meses e que, de vez em quando, originavam algumas trocas de mimos, desnecessários e despropositados, dizia-se! Cenas que teimavam em fazer parte do dia-a-dia do Quitexe e que às vezes a nossa memória, “ingenuamente”, deixa escapar!
O aquartelamento não apenas cheirava a rosas! Por lá se misturavam odores que a Pátria bem dispensava! E nós também!
ANTÓNIO CASAL
Foto e texto
sábado, 31 de outubro de 2009
Cinema no Batalhão, a rodar os golos de Eusébio....

Eusébio?! O que terá Eusébio a ver com os Cavaleiros do Norte? Bom, Eusébio marcava muitos golos e, na altura já no pré-ocaso da brilhantíssima carreira, passava nos cinemas o filme «Pantera Negra», já com algum atraso de estreia. Um filme que lhe endeusava os feitos futebolísticos e nos apaixonava a nós - benfiquistas, ou não. Mas portugueses.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Apresentação de 6 elementos da FNLA às autoridades portuguesas
Os primeiros elementos armados da FNLA apresentaram-se voluntariamente no Quitexe fez ontem 35 anos - a 29 de Outubro de 1974. Às autoridades militares e civis.
Também soubemos depois que a razão da sua apresentação tinha principalmente a ver com o esclarecimento de actividades na serra de Quibinda, alegadamente atribuídas às forças armadas portuguesas, o que não correspondia à verdade. Eram grupos armados, que roubavam e pilhavam, ameaçavam e não sei se matavam. Facilmente se concluiu ser acção de elementos estranhos - que procuravam criar clima de desconfiança local, entre as nossas tropas e os combatentes da FNLA, num, período, recordemos, em que já estava estabelecido o cessar-fogo.
A alguns deles, tinham ocorrido o PELREC e o pelotão de sapadores, sem que alguém fosse denunciado. O mês de Outubro fechava com (des)confianças e esperanças. Principalmente a de um rápido regresso a Portugal.
Bem esperámos... Até 8 de Setembro de 1975.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
O condutort Breda a apanhar ananases pela raíz...
RODOLFO TOMÁS
Texto
Quem se lembra do condutor da secretaria do Comando? O seu nome era Breda (também nome de metralhadora...). Bom moço, muito calmo, de quase dois metros de altura, às vezes até era pena não usar a sua estatura. Pode dizer-se, e ele não leva a mal, que era tímido. Mas vamos à história: um belo dia, estávamos nós a queimar muita papelada, do lado de fora - por onde saiam as viaturas, junto ao depósito da água - quando eu, o Santos (cabo escriturário) e o Breda reparámos num bonito terreno cheio de abacaxis(!).
Pedimos ao Breda: "É pá, podias fazer um favor...».
«E o que é?», perguntou ele.
«Como és mais forte, podias ir ali aquele terreno e trazias alguns abacaxis», dissemos nós, respondendo ele que «está bem».
Eu e o cabo Santos estávamos atarefados para não perdermos nenhum documento, visto serem de procedências diversas: confidencial, secretos ultra-secretos, etc., essas coisas,. e continuámos na nossa tarefa,
A dada altura, lembrámo-nos: «O Breda?».
Olhámos para o terreno e vimos que, afinal, fizeramos mal. Ao fim de um ano de comissão, o nosso amigo Breda ainda não sabia que este tipo de fruta nasce em cima da planta e era vê-lo cheio de garra, com aquele físico todo, a arrancar as plantas.
«Ora aqui, esta não tem, esta também não....», contava ele.
Para o Breda, um enorme abraço.
RODOLFO TOMÁS
- BREDA. Joquim Rama Breda. 1º. cabo condutor, natural e residente ma Barosa (Leiria).
- SANTOS. Emanuel Miranda dos Santos, 1º. cabo escriturário, natural da Gafanha da Encarnação (Ólhavo) e residente nos Estados Unidos.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
O jornal da 1º. aniversário dos Cavaleiros do Norte em Angola

O golpe de mão que não chegou a ser... porque não era!
Os serviços nocturnos não eram pêra doce, no Quitexe. Os postos de vigilância ficavam à volta da vila, a várias centenas de metros - que nos obrigavam a longas e prudentes caminhadas! A sanzala, cujo nome não lembro, ficava nas traseiras da administração civil e por ali tinha um dos postos de vigia dos mais temidos da noite.Descia-se e subia-se um caminho de terra, com uma subida íngreme à chegada de enormes campos da ananás. E lá ficava, em cima, o posto, de três pisos, com as respectivas vigias. Muitas vezes, por ser distante, ia-se de jeep. Como na noite a que reporto.
O grupo da ronda, para se assegurar da forma como era feita a vigilância, resolveu ir sem luz, a partir de certa altura, e parou a uns 100 metros, talvez 150..., do posto. E progredimos, com toda a técnica aprendida na serra de Penude, no duro curso de Operações Especiais - os Rangers, de Lamego.
A noite era soprada de uma brisa quente que nos goticulava a testa, a cara e escorria por todo o corpo abaixo. Estranhamente, não havia sinais que se vissem do posto de vigia. E devia haver! Continuámos, até rastejámos e... nada! Já era preocupante! O que estaria a acontecer? Chegámos junto ao posto e... nada. E apanhámos um susto: ao olhar uma plantação de ananás, a brisa quente fazia ondear as folhas, parecia um mar! Um mar que nos amedrontava! O posto de vigia tinha a porta aberta, o que também era estranho! Teria havido um golpe de mão?!
Entrar, não foi fácil, estávamos com medo! Sem saber o que nos esperaria! Mas entrámos, em silêncio sepulcral, a transpirar de medos. Subimos ao primeiro piso, pela escada de madeira, a chiar! E... nada. Vimos dois vultos estendidos, como se dormisssem. Supusemos o pior. Um de nós, pisou uma G3 e confirmámos que estavam vivos! Dormiam!!! Pronto, golpe de mão não havia! Mas... e o militar que deveria estar de vigia?! Sabíamos quem ele era e sussurrámos o nome, sem qualquer eco de resposta. Subimos ao piso de cima e lá estava ele, de mira apontada para o lado do Quitexe, para a caminho que nos trouxera.
Poupemos palavras: ele ouviu o barulho e a luz do jeep, mas deixou de o ouvir e de a ver, sem identificar o que quer que fosse. Fixou-se, à distância de uns 150 metros, no que ele próprio não queria ver: um potencial perigo. E não via. Nós tínhamos progredido, no silêncio da noite quebrado pela brisa, já fora do ângulo de visão dele. No piso de cima, chamámo-lo e ele confundiu-nos com os dois companheiros de vigia.
«Estou a vê-los! Acolá....». E apontava para de onde nós vínhamos!
Demorámos tempo até que o conseguimos tranquilizar. Foi uma noite de medos! A de um golpe de mão que não chegou a ser... porque não era?
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
O cessar-desarmamento dos milícias da região do Quitexe

Hoje, há 35 anos, dia 26 de Outubro de 1974, realizou-se no Quitexe uma reunião dos comandos militares com todos os regedores da região - procurando sensibilizá-los para a necessidade do desarmamento das milícias.
domingo, 25 de outubro de 2009
O Boletim do 1º. aniversário dos Cavaleiros do Norte em Angola
O BCAV. 8423 editou um boletim policopiado a comemorar o aniversário da chegada a Angola. Escreveu o comandante Almeida e Brito que «a evolução do nosso conhecimento, desde a fase de instrução até ao actual cumprimento do processo de descolonização, passando por um período transitório de acções militares, permite-nos poder afirmar que todos souberam interpretar a afirmação de "QUERER E SABER VENCER» que tantas vezes foi usado nas nossas conversas».
Concluía a sua «abertua» considerando que «QUERER E SABER VENCER», lema que nos orientou e que nos vai acompanhar no resto da comissão, como nisso imperativo de vida, é a melhor lembrança para o futuro, com a certeza plena de que, vivendo-o, nos restará a consciência plena de dever cumprido».
Passados 34 anos, não há que ter dúvidas da plena assumpção de responsabilidades do BCAV. 8423, num processo de que, porventura, ainda não foi feito o balanço. Mas todos os Cavaleiros do Norte sabem, e sentem orgulho, de terem sido parte da história, num momento nuclear da vida das nações irmãs. - B. CAV 8423. O boletim, de 16 páginas, teve ilustrações de Humberto Zambujo e variada colaboração, da qual falaremos um destes dias.
sábado, 24 de outubro de 2009
Os homens que gritavam pelo Neto e com armas na mão
Neto e Viegas, dois furriéis do Quitexe, com a aldeia Canzenda ao fundo. 
Os últimos dias de Outubro foram de algumas tensões na zona de acção do BCAV. 8423. Em particular, na zona administrativa do Quitexe.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
O delator que punha o rabinho entre as pernas...
Quitexe, edifício do comando da CCS do BCAV. 8423. Ali se decidia o que nós queríamos e não queríamos. Ali se afixavam as ordens de serviço - que muitas (in)justiças publicavam, a Bem da Nação. A porta da direita era a do gabinete do capitão Oliveira, comandante da companhia.
Ali fomos chamados a prestar contas, em dada altura, o Machado, o Neto e eu. Por razão de minudências persecutórias que sempre aconteciam na tropa, denunciadas por desfavor de alguém. Nenhum de nós era «boa peça», verdade seja dita..., tínhamos as nossas «coisas», mas éramos seguramente gente solidária e companheira de todas as horas.
Entre tanta gente, como eram os cerca de 200 homens que se aquartelavam por ali, sempre havia preferências e proximidades pessoais. Mas nunca deveria existir a perseguição avulsa e disfarçada. E foi isso que o Machado, com a sua sempre exuberante capacidade reivindicativa, expôs em conversa nua de preconceitos, em conversa de bar de sargentos mas que chegou aos sexagenários ouvidos do capitão Oliveira. E eu e o Neto a fazermos coro! Alguém lhos sussurrou!
Lá fomos nós chamados a contas e respondeu menos direito o Machado, à autoritária interpelação do oficial - no gabinete daquela porta que ali se vê. Respondeu de dedo no ar, em riste, explodindo nervos e revolta! Avantajou-se o Neto, sem poupar palavras! Aclimatizei eu o ambiente, coloquial mas corrosivo no verbo.
O «combate» foi duro, é verdade, mas fomos poupados à «ordem de serviço», que sempre apareceu em branco onde alguns desejaram ver os nossos nomes a vermelho, para «sujar» a caderneta militar. E lá o delator teve uma vez mais de pôr o rabinho entre as pernas...
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
O Vitor alentejano que era sacristão no aquartelamento do Quitexe
Este fim de semana estive com o Vítor Manuel Cunha Vieira, na alentejana Vidigueira. Sabem de quem estou a falar? Pertencia à CCS e ao Pelotão-Auto, embora não fosse condutor nem mecânico.
A caminho da Vidigueira, lembrei-me do Vítor. Telefonei ao Porfírio Malheiro (Pelotão-Auto), que se lembrava muito bem dele, não por este nome, como quase toda a gente, mas não me sabia dar qualquer referência - nome, morada ou telefone. Disse-me que talvez soubesse o Celestino (o condutor), de Matosinhos, e eu lembrei-me de outro Celestino, o Viegas - que de certeza me iria dizer o que queria, ou não fosse ele o nosso arquivo ou memória dos tempos de Angola.
Com o nome e a morada do Vítor na cabeça, mal cheguei à Residencial Santa Clara, na Vidigueira, perguntei se conheciam a pessoa ou a rua e indicaram-me a padaria ao lado que, aí, talvez me pudessem ajudar. E ajudaram! Subi a rua, virei à direita, passei no largo da Câmara Municipal, virei pela rua da direita, andei mais uns metros e lá estavam a associação e o café, dolado esquerdo… com o Vítor.
Bem disposto como antigamente, a aviar dois associados ou clientes, ficou muito intrigado a olhar para mim , que estava à entrada a olhar para ele. «Que quererá este maduro a olhar para mim?», pensou ele.
Olhava, olhava, olhava para mim , olhava para os clientes, mas «quem será este?».
Perguntei-lhe eu: «O senhor chama-se Vítor?».
«Sim!», respondeu ele.
«Vitor Vieira?».
«Sim...». E olhou-me intrigado.
«E não me está a reconhecer?».
«Não, mas o senhor é do norte …».
«Acertou, sou de Santo Tirso e estive em Angola».
Demos um grande abraço! Não sei se foram 10, 15 ou 20 minutos que os clientes tiveram de esperar, admirados a olhar para nós. O que sei é que, nesse pouco tempo, recordámos vários companheiros - como o Frangãos (condutor), de Cuba, ali ao lado, e algumas histórias.
Querem saber que, no final, o nosso amigo Vitor não me deixou sair sem me carregar com uma caixa de maduro e uma broa de pão da Vidigueira? Que pomada e que pão!
Mando-lhe daqui um abraço e, agora que ultrapassou, e bem, o susto que apanhou - um AVC - desejo-lhe muita saúde na companhia de sua mãe, que vive com ele e por quem mostrou um grande amor e dedicação, e da esposa e filha (professora), de quem falou com muito orgulho e carinho.
Parabéns, Vítor!!! E obrigado por aqueles minutos que passámos, tão rápidos mas que deram para dizer tanta coisa.
Antes de terminar, quero dizer-vos que vale a pena ir à Vidigueira não só pelo delicioso cozido do Restaurante O Pézinho, em Vila de Frade, todo o bom vinho e comida mas, e sobretudo, para relembrar o Vítor.
Perguntam vocês, mas quem é o Vítor? O Vitor, sempre bem disposto e com graça no seu falar alentejano, era em quem, no Batalhão, estava sempre pronto a ajudar e em quem podíamos confiar.
O VITOR era o SACRISTÃO!
Um abraço Vitor!
A. SOUSA CRUZ
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
As localidades por onde andaram os Cavaleiros do Norte
O mapa do norte de Angola é dos anos 50 do século passado, mas dá para identificar parte das localidades por onde andou o BCAV. 8423. Faltando algumas bem relevantes: Zalala (1ª. CCAV.), Aldeia Viçosa (2ª CCAV.) e Santa Isabel (3ª. CCAV), ou ainda Vista Alegre, Liberato e Luísa Maria (onde estacionaram companhias independentes ou destacamentos).
- QUITEXE: Sede do Batalhão da CCS.
- CARMONA: Cidade do Uíge, onde o BCAV. 8423 esteve de 2 de Março a 4 de Agosto de 1975.
- ZALALA: Ali na zona de S. José de Encoge (à esquerda do sublinhado amarelo de Carmona).
- ALDEIA VIÇOSA: Entre Quitexe e Ponte do Dange, na estrada do café (Carmona-Luanda).
- VISTA ALEGRE: Entre Aldeia Viçosa e Ponte do Dange.
- QUIBAXE: Três ou quatro missões, entre Outubro e Dezembro de 1974.
- NEGAGE. Base aérea e hospital militar. O (furriel) Neto esteve lá internado alguns dias.
- NAMBUANGONGO: A mítica Nambuangongo. Quantas histórias de Nambuangongo se contam e cantam!
- CACUACO: Cidade passagem de Luanda para Quitexe e Carmona (Uíge), a estrada do café.
- LUANDA: A capital de Angola, cidade de chegada e partida e de mil uma histórias e aventuras, nem todas contáveis.
- CATETE: Arredores de Luanda, a caminho do Grafanil (campo militar) e Viana - cidade onde eu, o Neto e o Monteiro vivemos de 1 de Agosto a 8 de Setembro de 1975. O BCAV 8423 estava estacionado no Grafanil.
- SALAZAR: Estive lá duas vezes, movido pela curiosidade de conhecer uma cidade com o nome que tinha. Outra curiosidade minha: qual a razão de darem nomes de pessoas a cidades? Carmona, Silva Porto, Serpa Pinto, Sá da Bandeira e General Roçadas eram outros exemplos. Gostei da cidade. Foi um dos pontos de passagem e paragem da heróica coluna que, a 4 de Agosto, saiu de Carmona para Luanda. Depois da independência, passou a chamar-se N´Dalatando (o nome original).
- CAMABATELA: Ali tão perto e tão longe do Quitexe.
- DUQUE DE BRAGANÇA: As quedas foram atracção de muitos militares do batalhão.
- SANZA POMBO: Fui lá , em visita a Higino Reis, conterrâneo já falecido e que na altura era funcionário público ligado ao Ministério da Agricultura.









