sábado, 22 de agosto de 2009

O capitão Falcão das Operações


Tenente-Coronel Almeida e Brito (comandante) e capitão Falcão (oficial de operações)

O capitão Falcão era o oficial de operações do BCAV 8423. Oficial Adjunto, para ser mais certo. E tenho a ideia de que, por não termos 2º. Comandante, assumiu ele essa responsabilidade - até à chegada, já em Março de 1975, do capitão Silva Themudo.
O capitão Falcão primava pela discrição, quase sempre de pingalim batendo a perna e sorrindo para toda a gente, garboso, distinto, um verdadeiro oficial de cavalaria! Inspirava confiança e respeito. E sabemos que era competentíssimo nas suas responsabilizadas tarefas: metódico, tecnicamente preparado, sem deixar fugir uma vírgula ou um ponto a um qualquer planeamento operacional - fosse qual ele fosse, o mais perigoso ou o aparentemente mais tranquilo. Dele recebi directamente algumas ordens de operação, na ausência do alferes Garcia (comandante do PELREC), e o mais apreciável desses contactos era a precisão com que esclarecia as tarefas que nos esperavam nas horas seguintes.
A 3 de Novembro de 1974, alertou-nos para a eventualidade de termos encontros directos com o IN - combatentes do FNLA - numa operação do dia seguinte. Ver AQUI. Foi preciso e conciso. Incentivou e descontraiu-nos. Partimos na madrugada de 4 de Novemnro e encontrámo-nos com «fnla´s» na aldeia do Dambi Angola. Quando voltámos, lemos-lhe nos olhos a alegria e a felicidade de voltarmos todos. Sem problemas! A minha continência, sr. oficial de cavalaria!
- ALMEIDA E BRITO. Tenente-Coronel Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito, comandante do BCAV 8423. Depois, foi 2º. Comandante da Região Militar Centro (Coimbra), 2º. Conandante Geral da GNR e comandante da Região Militar Sul (Évora). Atingiu a patente de general. Faleceu há três anos, subitamente, quando passeava em Espanha.
- FALCÃO. José Paulo Montenegro Mendonça Falcão, capitão de cavalaria. Atingiu (pelo menos) a patente de tenente-coronel e reside em Coimbra.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Os todos nós que éramos dos melhores camaradas....

Alferes Ribeiro, Simões (?) e Almeida no bar de oficiais do Quitexe

O Quitexe era assim: camaradagem viva, companheirismo permanente, solidariedade autêntica, fosse qual fosse o quadro hierárquico dos cavaleiros do norte, da CCS à 3ª. Companhia, em Santa Isabel.
Esse espírito teve parto em terras de Santa Margarida, onde o batalhão se formou a partir de Janeiro de 1974 e a 11 de Fevereiro se definiu o lema «Perguntai ao inimigo quem somos». Por lá debutaram primeiramente os gloriosos soldados do PELREC, às mãos «desalmadas» do aspirante miliciano Garcia e dos cabos milicianos Monteiro, Viegas e Neto, de operações especiais. E todos os pelotões das três companhias operacionais! E quantas histórias aqui poderíamos contar para ilustrar esse período!
A foto mostra três alferes milicianos em momento divertido do bar de oficiais da CCS do Quitexe. O do meio, Mário Simões, oficialava por Santa Isabel como atirador de cavalaria. Estava rodeado de dois especialistas: Jaime Ribeiro, sapador, e José Alberto Almeida, dos reabastecimentos. Tudo gente do alto! Qual deles o melhor camarada! Todos nós éramos os melhores, sãozinhos de alma e corpo!
Foto enviada pelo (ex-alferes) engº. Ribeiro.
- RIBEIRO. Jaime Rodrigues Picão Ribeiro, alferes miliciano sapador, comandante do pelotão de sapadores. Agora, engenheiro mecânico e residente no Tramagal.
- SIMÕES. Mário José Barros Simões, alferes miliciano atirador de cavalaria, da 3ª. CCAV. Residente em Tomar.
- ALMEIDA. José Alberto Alegria Martins de Almeida, alferes miliciano de reabastecimentos. Economista e arquitecto, residente em Albufeira. Cônsul de Marrocos no Algarve.

Dois cavaleiros do Norte que nos deixaram...




Temos notícia de mais dois companheiros do Batalhão de Cavalaria 8423 que já não estão connosco.
A vida é assim, traz-nos coisas boas - que saboreamos quantas vezes sem as valorizarmos como devíamos... - e as outras, as que nunca gostaríamos de dar e saber, portadoras da dor e do luto da morte.
- António Carlos Fernandes de Medeiros, 1º. cabo operador cripto, da CCS, natural do Porto.
- Adão Luís Correia Morais, soldado atirador de cavalaria, da 1ª. Companhia, natural de Lousada. Faleceu a 7 de Agosto de 2009.
Paz às suas almas!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Os sempre disponíveis enfermeiros da CCS do BCAV 8423 do Quitexe...


A malta da enfermaria tinha de estar sempre em forma, sem paludismo que lhe pegasse - não fosse pegar-se à malta e seria um desastre. O chefe máximo era o dr. Manuel Leal, depois o dr. Honório de Campos. E, sempre muito e bem atento, o bom do furriel Lopes.
Os bravos «cavaleiros do norte» que nos acompanhavam nos patrulhamentos, escoltas e operações nunca deram um passo atrás - sempre aptos, sempre disponíveis e competentes.
A minha pena, aqui e hoje, é não conseguir recordar todos os seus nomes - e tanto gostava eu de recordar, por exemplo, o segundo da direita, em pé, de bigode e cigarro na boca, companheiro de tantas jornadas nas picadas e matas do Uíge! E todos eles!
As caras são-me todas familiares, mas apenas consigo identificar o inimitável Buraquinho (primeiro da direita, em pé) e o impagável Florindo, o do meio, sentado. Alguém ajuda? Os nomes estão-me debaixo da boca, mas!!!....

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O dr. Leal que era médico de corpos e sacerdote de almas

Alferes Garcia e Ribeiro, capitão-médico Leal e tenente Luz no bar de oficiais do Quitexe
Há daqueles casos em que a gente olha para as pessoas e só lhe apetece dizer bem delas: «Tipos porreiros, estes, pá!!!....».
Sobre os quatro desta foto, não há uma queixa! Quatro nossos companheiros do Quitexe e de Carmona: a coragem do alferes Garcia, a tranquilidade do alferes Ribeiro, a sabedoria do capitão médico Leal e a competência do tenente Mora. Tudo gente do alto!!!
O que venho aqui contar, hoje, tem a ver com o sacerdócio do dr. Leal: o PELREC escoltou-o algumas vezes, quando ele ia às sanzalas para consultas aos povos. Que paciência! Que dedicação! Que amado que ele era por aquela gente - que ele ascultava, medicava, aconselhava, sem um ai de queixa pelo tempo que demorava ou pelo constrangimento da sua missão médica!
Um dia, um dos mais velhos moradores de uma dessas sanzalas disse para mim que ia morrer, que não valia a pena ser consultado. Parecia, muito debilitado, sentado no chão e de corpo curvado para a frente, com a cara quase a beijar a terra vermelha da porta da palhota onde morava!
Arrepiei-me!! E pareço estar a ver a cara do homem, da barba branca e rala que o envelhecia ainda mais, da boca desdentada, do olhar a perder-se no céu avermelhado que caía sobre a floresta da Pedra Verde!
«Doutor, aquele alí diz que vai morrer...», sussurei, disfarçadamente, ao ouvido do dr. Leal.
Sorriu-se: «Já lá vou!....».
Auscultou-o, puxou da bolsa preta que levava, falou pausamente com ele, creio que usou alguns vocábulos indígenas, mandou-o tomar medicamentos que lhe deu! Ainda vi o velho da zanzala por mais algum tempo, nas outras vezes que por lá passei! Não sei quando morreu, mas não morreu daquela vez! Ao médico do corpo «casara-se» o psicólogo do ânimo e o sacerdote de almas! Assim me pareceu!! Era assim, o dr. Leal! Um SENHOR!
- GARCIA. António Manuel Garcia, alferes miliciano de operações especiais, natural de Carrazeda de Ansiães (já falecido).
- RIBEIRO. Jaime Rodrigues Picão Ribeiro, alferes miliciano sapador, engenheiro mecânico e residente o Tramagal.
- LEAL: Manuel Soares Cipriano Leal, capitão miliciano-médico, residente em Fafe.
- LUZ. Acácio Carreira da Luz, tenente do SGE, residente na Marinha Grande.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

5 - Pensamentos (e amores) quitexanos...

Há amores de uma vida! Já aqui falámos das juras do Alfredo Coelho, o Buraquinho, para «assaltar» a alma e o corpo da jovem que enternecidamente ele olha, na foto. Assim como ela o fixa, feliz e cheia de esperanças e ardores no coração!
Foi pelos tempos do Quitexe e Carmona e a verdade é que a «coisa» pegou. E de tal modo pegou que, passados 34/35 anos, aí estão eles mais velhos todos estes anos, é verdade, mas amadurecidos pela paixão que lhes trouxe dois rebentos nascidos em Custóias (Porto): a mais velha, já de 30, psicóloga; o mais jovem, de 16, a fazer pela vida nos bancos da escola!!
Estão a ver como a «guerra» teve coisas muito boas!!!
- COELHO: Alfredo Rodrigo Ferreira Coelho, o Buraquinho, 1º. cabo analista de depósitos de água, residente em Custóias.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O Fonseca que veio de férias e não voltou ao Quitexe

Rocha, Fonseca, Viegas, Belo (óculos), Flora e Pires (Bragança), de
frente. Monteiro, Pires (Montijo), Machado e Dias, de costas.
Clicar na foto, para a ampliar

O Fonseca era amanuense, especialidade que o tornava singular e «invejado» entre os furriéis do Quitexe. Mexia com papéis, orientava o SPM, trabalhava na secretaria do comando do batalhão, era um filósofo e tinha ideias sociais que ultrapassavam as nossas fronteiras de conhecimento.
O Fonseca era gente fixe, um introvertido/extrovertido que se empolgava com uma boa discussão política, mas a quem faltava sempre o «golpe de asa» para nos convencer: chegava à área, rematava, mas falhava o golo. Era a fragilidade que sempre lhe explorávamos, sem constrangimentos e quando se tratava de puxar a brasa para a nossa razão. Quantas e quão acaloradas discussões se levedaram no bar e messe de sargentos, despertadas pelo Fonseca, na sua indomada vontade de nos catequizar, provocando-o e violentando-o nós, aumentando as volumetrias do seu nervoso miudinho.
Um dia, disse-nos que quando viesse de férias, não voltaria ao Quitexe! Todos nos rimos! O Fonseca era lá capaz de ter a coragem de se fazer refractário! Como eu recebia muita correspondência, ele brincava muito comigo, com piadas que agora não vêm ao caso. Ironizava, satirizava, picava-me e lá respondia eu à letra, no melhor que eu podia!
Na véspera de vir de férias, e com essa ideia de ele não voltar esquecida por nós (pelo menos por mim), lá se encarregou ele, no bar do Rocha, de me lembrar: «Pago eu esta rodada e não nos voltamos a ver!...». Eu ri-me! E ele também! E a verdade é que ele não voltou!
Falei com ele há uns dez/doze anos e avivámos esse pormenor, ficando ele de me explicar o que acontecera - qual fôra a razão, ou a cunha... que o levara a não voltar ao Quitexe - mas isso não veio a concretizar-se! A cerveja do Rocha ainda hoje é a última.
Agora, com o Fonseca quase esquecido no tempo, mandou-me o Pires (do Montijo) uma foto na qual ele aparece. «Olhó Fonseca!!...». Como não recordá-lo aqui?! A sua figura alta e esguia, o cabelo sempre bem penteadinho que ele empurrava com um jogo de dedos, o bigodinho a tapar-lhe o beiço, o ar filosofal e quase aristocrata, o passo miúdo e apressado com que sempre ia e vinha da secretaria para o bar e a messe!. Ele lá teve as suas razões para se deixar ficar nas labaredas revolucionárias que se viviam por Lisboa!
- FONSECA. José Carlos Pereira da Fonseca, furriel
miliciano amanuense, natural de Lisboa.

domingo, 16 de agosto de 2009

O carneiro apanhado quando se ia buscar os aerogramas..

Modelo de aerograma usado na correspondência dos militares


RODOLFO TOMÁS
Texto
(1º. cabo rádio-montador)
Estávamos no dia 5 de Junho de 1974, tínhamos acabado de chegar ao Quitexe seriam mais ou menos 5 menos dez da tarde, pois logo a seguir, mandaram-me ficar em sentido, porque estava a ser arreada a bandeira.
Até aqui tudo bem, mas eram passadas apenas duas horas já eu estava a ser procurado para ir buscar o correio no dia seguinte. Lembrei-me do Raul Solnado e da sua ida à guerra. Eram precisas balas para a G3 e eu não tinha. Fui então ter com o (ex-alferes) Hermida para me dar instruções e fornecer as munições que eu não tinha. Depois de as obter, no outro dia, lá fui para Carmona buscar o correio, tão esperado por todos.
Um belo dia, e peço desculpa de não me lembrar dos nomes dos companheiros que iam comigo, íamos nas muitas curvas entre o Quitexe e Carmona, quando de repente apareceu um carneiro na estrada. O condutor fez travão a fundo e lá foram todos atrás do animal - menos eu, que fiquei na Mercedes de taipais, de G3 em punho e para o que desse e viesse. O problema era chegar a Carmona sem que ninguém desse pelo carneiro, que foi escondido debaixo do banco e a balir: méééé!!!....
Quem se lembra o posto de correio em Carmona, era junto ao BC 12. Tivemos que deixar a viatura longe para não se ouvirem os constantes méééés do carneiro. Mas se a situação piorou, foi no regresso ao Quitexe. Quando chegámos, parecia que vínhamos todos com os copos, cantando em altos berros e não só. Não parámos, fomos directos ao refeitório para descarregar a preciosa carga e os nossos companheiros todos a correr atrás de nós para receber o seu aerograma, os que recebiam. É claro que, nessa noite e às escondidas, houve "tacho melhorado".
Por isso digo: saudades do Quitexe e de todos os colegas. Um grande abraço para todos.
RODOLFO TOMÁS

sábado, 15 de agosto de 2009

A malta reunida em Leiria e o homem que veio de motorizada

Madaleno, Monteiro, Viegas, Neto, Caixaria, Pinto e Cordeiro,
gente do PELREC, na confraternização de 1 de Junho de 1996, em Leiria.
Clicar na foto, para a ampliar

A 1 de Junho de 1996, as quatro companhias do Batalhão de Cavalaria 8423 confraternizaram no Barracão (Leiria), reunindo-se cerca de 400 pessoas - entre antigos militares e famílias. Foi a última vez que nos achámos de saudades com o cabo Vicente e o soldado Leal, ambos do PELREC - entretanto falecidos.

Desse dia recordo também o feito notável (e provavelmente irrepetível...) de um companheiro que, para lá estar, fez mais de 400 quilómetros de motorizada. Sozinho! «Tinha de estar, tinha de estar...», dizia e repetia ele, com os olhos a rir de alegria. Ainda hoje acho isso verdadeiramente extradordinário!

A CCS, entretanto, voltou a reunir a 27 de Setembro de 1997, num encontro organizado pelo (furriel) Monteiro. Ver AQUI. Volta a reunir a 12 de Setembro de 2009, na Estalagem da Pateira, em Fermentelos (Águeda).

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Os afectos que nasceram e se multiplicaram no Quitexe


A tropa é uma grande escola de solidariedade e camaradagem! No nosso tempo, dizia-se até que a tropa nos fazia homens. E a verdade que muitos de nós por lá amadureceram ideias e propostas para a vida, abrindo alicerces para o futuro. A tropa, por outro lado, semeou e cultivou afectos que se multiplicaram e amadureceram até hoje - 34 anos depois do nosso regresso.
Afectos que bem se vêm aqui, nesta foto tirada mesmo em frente à oficina-auto. Estão ali uns rapazes, na verdura dos 21 para 22 anos, a olhar embebecidos um bebé seguro no conforto de uma alcofa acadeirada. Quase sem saber como lhe pegar (não se fosse fartir o «vidrinho»...), está o Malheiro. E reparem no brilho dos olhos dos que olham!
Sobra saber quem é o bebé-mascote? É o Ricardo, hoje homem dos seus 35 anos, filho do alferes (engº.) Cruz.
É o engº. Cruz quem faz a legenda:
«A contar da direita , o condutor Pereira (?), penso que foi um dos que me acompanhou, no transporte de umas viaturas a Luanda, numa aventura inesquecivel; o furriel Machado, sempre atento, o 1º.. cabo Gasolinas... (como é que me esqueci do nome ! ), o 1º. cabo Porfirio Malheiro com a mascote (o meu filho Ricardo ) e o condutor... , dos mais certinhos , como é que se chamava?».
Clicar na imagem, para a ampliar.
- CRUZ. António Albano Araújo de Sousa Cruz, alferes miliciano mecânico-auto, de Fafe.
- MACHADO. Manuel Afonso Machado, furriel miliciano mecânico de armamento, natural de Covelo do Gerez (Montalegre), residente em Braga.
- MALHEIRO. Porfírio Tomas Malheiro de Jesus, 1º. cabo de manutenção de material.
- GASOLINAS. João Fernando Carvalho Dias Monteiro, 1º. cabo de combustíveis e lubrificantes, do Porto.
- PEREIRA. Alípio Canhoto Pereira, soldado condutor, de Belmonte.
- CONDUTOR. Anónimo, quem se lembra do nome?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

4 - Pensamentos (de três furriéis) quitexanos

Não há volta a dar-lhe: os furriéis de Operações Especiais (Ranger´s) armavam-se na cintura, descontraíam emoções e corriam picadas e asfaltos do Uíge, fosse para onde fosse, escoltados e escoltando-se no sempre corajoso PELREC, a ordems e/ou comando do alferes Garcia. Lá iam eles, para Carmona, Negage, Aldeia Viçosa e Vista Alegre (comodamente, no alcatrão), Zalala, Liberato, Luíza Maria (e outras, tantas outras fazendas), Santa Isabel, Baixa do Mungage, Serra do Vambe, Pedra Verde, fosse por onde fosse. Cliquem na foto, para verem melhor as carinhas deles! E o que dizem e pensa(ra)m em terras do Quitexe!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Brincadeira e fotos felizes no parque-auto do Quitexe...


Gente do Parque-Auto, divertida da silva. Logo aqui à esquerda, o condutor... Silva (o «Senhor de Matosinhos»)! Seguem-se, e quem os recorda é o alferes Cruz, seguem-se o furriel Morais («Grande parceiro!...»), o próprio alferes (gente do alto, digo eu!), o 1º. sargento Aires («Com muita paciência para nos aturar...»). Em segundo plano, o condutor Bigodes (e o nome ?), o 1º. cabo Porfírio Malheiro («Que nos reabastecia...»), o 1º. cabo Domingos Teixeira (de bigode, quem «tinha sempre tudo muito bem estofadinho...»), e os outros dois «já não vou lá...».
Destes, conheço um: o 1º. cabo Almeida, atirador de cavalaria, o da direita, já falecido. A espreitar, de óculos, está o Cuba.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Saudades de quatro bravos cavaleiros do PELREC do BCAV 8423


Militares do Pelotão de Reconhecimento, Serviço e Informação (PELREC) da CCS do BCAB 8423 - o meu bravo e corajoso pelotão. O grupo desta fotografia, infelizmente, está reduzido a metade. Quatro destes amigos já faleceram: o alferes Garcia, os cabos Almeida e Vicente e o soldado Leal.
Em cima, da esquerda para a direita:
- HIPÓLITO. Augusto de Sousa Hipólito, 1º. cabo atirador de cavalaria, natural de Vinhais e residente em França.
- MONTEIRO. José Augusto Guedes Monteiro, furriel miliciano de operações especiais, natural de Marco de Canaveses e residente em Valongo, aposentado da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto e empresário.
- ALMEIDA. Joaquim Figueiredo de Almeida, 1º. cabo atirador de cavalaria, de Pedrogão (Penamacor). Faleceu a 28 de Fevereiro de 2008.
- VICENTE. Jorge Luís Domingues Vicente, 1º. cabo atirador de cavalaria, de Via Moreira (Alcanede), falecido.
Em baixo:
- GARCIA. António Manuel Garcia, alferes miliciano de operações especiais, natural de Pombal de Ansiães (Carrazeda de Ansiaes). Faleceu num acidente de viação, em 1979 (ou 80), era agente da Polícia Judiciária.
- LEAL. Manuel Leal da Silva, soldado atirador de cavalaria, de Caxaria (Pombal), faleceu em Maio de 2007.
- NETO. Jose Francisco Rodrigues Neto, furriel miliciano de operações especiais, empresário, de Águeda.
- BARBEIRO. Aurélio da Conceição Godinho Júnior, soldado atirador de cavalaria, com funções de barbeiro, de Raposeira (Ferreira do Zêzere).

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

3 - Pensamentos (sobre) quitexanos

Amores houve que o Quitexe ampliou, embora com as saudades cozinhadas nas distâncias que os bem medidos 8 000 quilómetros separaram em 1974 e 1975. Os casamentos do Monteiro (e da Nani, ou Fernanda Queirós) e do Neto (e da Ni, ou Eunice Santos) são disso um bom exemplo! Aí estão elas, coxixando afectos e evocando os tempos em que eram mais sonhadoras! A maturidade deu-lhes certezas!

domingo, 9 de agosto de 2009

Oficiais do Batalhão de Cavalaria 8423 no Quitexe



Os oficiais da CCS incluíam, naturalmente, os de carreira - com funções de comando e respectiva hierarquia. Para além dos milicianos de que ha dias aqui falámos. Hoje, por gentileza do (então alferes) engº. Cruz, temos o gosto de aqui recordar alguns deles.

Da esquerda para a direita:
- TENENTE LUZ: Acácio Carreira da Luz, Chefe da Secretaria do Comando. Atingiu a patente de capitão (pelo menos). Reside na Marinha Grande.
- ALFERES RIBEIRO: Jaime Rodrigues Picão Ribeiro, alferes miliciano sapador, engenheiro mecânico, reside no Tramagal.

- ALFERES HERMIDA. José Leonel Pinto de Aragão Hermida, alferes miliciano de trasmissões, engenheiro, reside na Figueira da Foz.
- TENENTE MORA: José Eloy Borges da Cunha e Mora, tenente e 2º. comandante da CCS. Residia em Lisboa.
- ALFERES CRUZ. António Albano Araújo de Sousa Cruz, alferes miliciano mecânico-auto, engenheiro mecânico, reside em Santo Tirso.
- CAPITÃO OLIVEIRA. António Martins de Oliveira, capitão e comandante da CCS. Foi, mais tarde, como major, director do DRM de Aveiro.
- TENENTE CAMPOS. Parece-nos ser o tenente miliciano médico António Honório de Campos. Alguém pode confirmar?
- CAPITÃO LEAL. Manuel Soares Cipriano Leal, capitão miliciano médico, reside em Fafe.
O grupo de oficiais do Quitexe incluía o tenente coronel Almeida e Brito (comandante) e os alferes milicianos Almeida (reabastecimentos) e Garcia (operações especiais).

sábado, 8 de agosto de 2009

Amores secretos e pratos e pratos de bacalhau afrodisíaco...

Edifício da secretaria e Comando da CCS do BCAV 8423, no
Quitexe (1974/75), à esquerda

Já tinha notado uma certa agitação no Quitexe! Falava-se muito pelo canto da boca e sussurrava-se lá para os lados da Secretaria. De concreto nada se sabia, principalmente no seio dos oficiais e sargentos. Estes, normalmente mais recatados porque a sua exposição seria mais notada, não “deambulavam” tanto pela noite como os praças. Estes é que não perdiam pitada das noites quitexanas! Se algum boato lhes soava, era certo que, mais noite menos noite, viessem a descobrir. Vem isto a propósito de nos ter constado que andariam por ali umas paixões de média patente a mexer no coraçãozito de alguém! Com o cair da noite, montaram-se alguns pontos de vigia em esquinas bem estratégicas. Para se colherem frutos desta “operação” foram precisas três noites. Finalmente, ali estava o ”lobo” de pose imponente a tentar convencer a “carochinha” com as suas histórias. Mas esta, ao princípio, mostrava-se um pouco arredia! Ele bem gesticulava de macio, mas ela, coitadinha, parecia encolher-se toda assustadinha!... O problema é que não se ouvia nada de nada e estavam duas horas passadas. Ah, finalmente ela acenou que sim a qualquer coisa que não se entendeu e despediram-se com gestos que indiciavam muitos recados e cautelas!
O lobo e a carochinha ficaram amigos e brincavam até muitas… muitas vezes!... Andavam tão felizes que era de partir o coração!!!
Não sei porquê, mas eu cá achava que o lobo andava a pisar terreno movediço e que aquela obsessão doentia iria acabar mal!
A certa altura correu o boato que o bacalhau era um alimento afrodisíaco! O lobo, acreditando, não esteve com meias medidas – toca de lhe oferecer quilos atrás de quilos! Era bacalhau a rodos!
Um dia, a carochinha macho ao chegar do trabalho e farta de tanto bacalhau, zangou-se e pediu explicações sobre a repetição constante da ementa caseira. Desconfiada, colocou em acção os seus instintos e zangou-se com a sua carochinha fêmea! Mas zangou-se mesmo muito!!!...
Respondendo aos seus instintos mais primários, perdeu a cabeça e resolveu fazer a sua justiça! “Voluntarioso” como era, vai daí, pegou na G3 e, desorientado, dirigiu-se à rua de baixo, ali bem para os lados da secretaria!... Vociferou tudo o que lhe ia na alma, descarregando todos os adjectivos mais “baixos”do vocabulário!
Queria defender a sua honra e era para isso que ali estava! Mas, afinal, onde estava o lobo?! Será que se tinha refugiado nas matas?! Nada disso!!!
Ele estava bem ali, hirto e de peito feito, mas dentro do Comando e bem longe do raio de acção!
A alta patente. sim!!! Essa desceu à rua, e de dentro de uma personalidade impressionante, saíram poucas palavras mas que terão sido incisivas.
Rodeado dum silêncio sepulcral, a carochinha macho baixou a G3 e rumou para o seu doce lar onde, quem sabe arrependida e a jurar amor eterno, a aguardava a carochinha fêmea!!!...


A. CASAL

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A região do Quitexe nos anos 61 e 62 do século XX

O Quitexe em 1961 (foto de João Garcia)


Anteontem, à conversa de café, fiquei a saber que outro conterrâneo ribeirense passou por terras do Quitexe - Quitexe, Zalala, Zala, Quipedro, Santa Isabel, Aldeia Viçosa, Dange, Nambuangongo, Liberato, Santa Eulália, entre outras terras-mártires do norte de Angola, nos anos 61 e 62 do século passado: José Oliveira Martinho, agora aposentado da PSP.
Narrar aqui os dramas dos grupos de militares que, a esse tempo, enfrentaram as dificuldades do chamado terrorismo, é como chamar paraíso ao período que por lá passámos. Direi que andaram nove meses sem se deitarem numa cama, sequer num colchão. Que desbravaram picadas e construíram pontes, invadiram «aquartelamentos», limparam suor feito de sangue dos rebentamentos de bombas e minas, do deflagrar de granadas, do efeito mortífero de rajadas..., que sei eu?!
Natural de Tarouca, apaixonou-se por Angola, por lá ficou, entrou na PSPA, casou com a Maria Emília (ela, daqui...) e regressou em 1975, progrediu na carreira e chegou a dirigir a Secção de Justiça da PSP de Aveiro, durante 11 anos. É secretário da Assembleia de Freguesia de Ois da Ribeira e perguntar por ele, por aqui, é perguntar pelo homem dos pombos! É columbófilo «doentio».

- PSPA: Polícia de Segurança Pública de Angola.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Furriéis do Quitexe à meia-dúzia!....

O grupo de furriéis da CCS do BCAV 8423 era bastante heterogéneo. «Havia de tudo...», como se diz. O Cruz, era o mais velho - já então com a «farta» idade de 22 para 23 anos (nasceu em 1951).
O grupo da foto, em pose descontraída na parada do parque-auto, mostra uma meia dúzia deles, que (se) iam do norte a sul do país. Da esquerda para a direita:
- CRUZ. António José Dias Cruz, mecânico rádio-montador. Com ele passei o mês de Abril de 1975, em férias e correndo Angola. Natural de Cardigos e residente em Lisboa, é funcionário da Câmara Municipal. Com ele, tudo estava sempre bem!
- PIRES: Cândido Eduardo Lopes Pires, sapador, natural do Montijo e residente em Niza - onde é funcionário da Câmara Municipal. Era o Candinho, ou o Pires do Montijo, rapaz de gracejos e de grandes sonhos.
- MOSTEIAS. Luís João Ramalho Mosteias, sapador, natural de Lisboa e morador em Sines. Quadro de uma empresa de serviços em Sines. Único furriel casado da CCS, era o mais extrovertido de nós.
- NETO. José Francisco Rodrigues Neto, operações especiais, natural e residente em Águeda, empresário. O meu irmão «gémeo», mais extrovertido ele.
- PIRES. José dos Santos Pires, transmissões, natural e residente em Bragança. É aposentado da GNR. Humildade em pessoa e grande camarada.
- ROCHA: Nélson dos Remédios da Silva Rocha, transmissões, natural e residente em Valadares (Gaia). Técnico de Vendas. «Cópia» do Pires, ou vice-versa. O mundo seria muito melhor, pelos dois.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O Zé Marques na Fazenda do Liberato...

Entrada do Quitexe, na estrada Luanda-Carmona (2004).
Casa de Dinis Morais, à direita

Quitexe era o nosso pequeno-grande mundo, o centro das nossas vidas, num tempo em que, em Portugal (continental) se incendiavam paixões e exageros revolucionários. Chegáva-nos o Expresso e o Jornal de Notícias dos fins de semana e cada edição era uma surpresa. E nem sempre a melhor!

Por lá, entre patrulhas, escoltas e operações militares, lá íamos nós pendurando o nosso tempo no calendário. Houve notícia do levantamento de uma mina anti-carro, numa picada para os lados do rio Calambinga e da realização de contactos directos com o IN, nos lados de Vista Alegre. Havia, por esse tempo, a convicção de que as actividades de guerilha iriam acabar, depois da proclamação do Presidente António Spínola - sobre o direito à auto-determinação e independência dos territórios ultramarinos - mas a verdade é que, nunca fiando, o melhor era aprudentarmos as nossas actividades. E assim foi feito, com redobrados cuidados.

A 22 de Agosto conheci a fazenda do Liberato - onde estava CCAC 209, principalmente formada por angolanos, com furriéis e oficiais milicianos idos de Lisboa. O PELREC escoltava o comando de batalhão, para reuniões com os responsáveis locais e depois de passarmos por Vista Alegre.

Soube mais tarde, já em Portugal, que estava lá o Zé Marques, do Caramulo, meu companheiro de escola em Águeda. Que não vi! Lá, ele era o furriel Oliveira, amanuense, e por uma qualquer razão não me cruzei com ele nos pares de horas que por lá estive. E mesmo perguntando eu se por lá estava alguém de Águeda, a verdade é que ele (ou outros) responderia sempre que era do Caramulo. Perdi o gosto de o abraçar!! Ainda hoje, na Caixa Geral de Depósitos (onde ele trabalha) falámos do Liberato e do regresso dele a Portugal - chegando a casa na véspera de Natal de 1974.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A morte de dois civis brancos, emboscados numa picada

Furriéis Viegas e Miguel (pára-quedista) na vila do
Quitexe, a 14 de Outubro de 1974. Clicar na foto, para a ampliar
O Miguel era furriel miliciano pára-quedista e foi parar ao Quitexe por uma qualquer razão que agora me escapa, mas ligada à gestão operacional dos GE (Grupos Especiais). Mais velho que nós, um ano - e com mais tempo de comissão... -, tinha de Angola e dos perigos que muitas vezes nos amedrontavam, uma noção mais exacta da realidade e os seus conselhos eram ouvidos atentamente. Por ele já tinham passado «coisas» que nós não viemos a conhecer! Felizmente!
O dia desta foto não é dos mais felizes da nossa passagem por Angola e terras do Quitexe! Dia 14 de Outubro de 1974!
Um grupo IN, na picada entre as fazendas Alegria II e Ana Maria, emboscou uma viatura civil e matou os dois civis brancos que nela sequiam. Foi um dia inquietante para todos nós, que cada vez mais sonhávamos com o regresso antecipado a Portugal e este acontecimento não era o melhor que poderia acontecer. Supostamente, terá sido um acto de ajuste de contas. E felizmente foi isolado! Mas que dores se sentiram nesse dia, e seguintes, que medos medraram na nossa alma!
A fotografia, na estrada principal do Quitexe (Luanda-Carmona), mostra-nos do regresso da morgue (?), onde fôramos ver os cadáveres, e deixa ver o cemitério da vila e o famoso Posto 5 - posto de vigia e «prisão militar» do Quitexe. Algumas (poucas) vezes lá conduzimos homens que a disciplina militar penalizou. Uma tarefa bem pouco agradável, vale a pena dizer!
- MIGUEL. Miguel Peres dos Santos, furriel miliciano pára-quedista, reside em Setúbal.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

2 - PENSAMENTOS (E IDEIAS) QUITEXANAS

O melhor é clicar na foto, para ver melhor!

domingo, 2 de agosto de 2009

Os futebolistas do Parque-Auto que foram à guerra...

A imbatível equipa de futebol do Parque-Auto da CCS do BCAV 8423. Nunca perdeu um jogo, no estádio do Quitexe. E não se sabe se alguma vez ganhou algum - o que, para o caso, também pouco interessa.
A história vem-nos aqui contada pelo Frangãos - que só se conhece a ele (pelo nome), lembrando-se dos outros pela arte que (des)envolviam no Parque-Auto: o ferramenteiro, o ????, o Frangãos, ele mesmo (conhecido por Cuba, a do Alentejo, aqui sem óculos), o carpinteiro, condutor, o ?, o pintor (em cima) e, em baixo, o gasolinas, o mecânico, o condutor, outro condutor, o bate-chapas e condutor.
Conta o Cuba: «Foi tudo arranjado à pressa, berliet a trabalhar, equipamento o melhor que foi possível arranjar e lá fomos nós à procura do resultado que nos desse a vitória!!??
A equipa não foi um primor de técnica, mas voluntoriosa na aplicação e empenho não faltou. Além de uns pontapés na bola, também os nossos adversários, uma equipa na negros, se ficaram a queixar das pernas. Finalizando, tudo decorreu dentro do espírito das nossas forças armazenadas».

Agora vou eu, que tenho a mania de fixar caras, tentar decobrir: Teixeira(esfofador), o Malheiro, o Cuba, o Marques (carpinteiro), Pereira (condutor), Gaiteiro (condutor) e Teixeira (o pintor, não o estofador). Em baixo, o Monteiro (Gasolinas), Pereira (mecânico), Celestino Silva (condutor),Gomes (condutor), Carlos Mendes (bate-chapas) e Miguel (?, condutor). Errei quantos? E quem nos ajuda a identificar as caras? Se calhar, o alferes Cruz ou o furriel Morais!!! Digam coisas!
PS: Ajuste de identificações com a ajuda do (furriel) Morais. Precisamos de ajuda para (bem) identificar os restantes.

sábado, 1 de agosto de 2009

A limpeza geral e o feijão furado na cozinha..

Furriéis Viegas (junto ao padrão do BCAV 1917) e Neto (ao
do BCaç 3879) no jardim do Quitexe, a 18 de Fevereiro de 1975.
Clique, para ampliar a foto
Viegas e Neto (eu e o Xico), já aqui foi dito, somos ambos de Águeda - que foi sede da Escola Central de Sargentos (ECS), depois Instituto Superior Militar (ISM). Isso nada nos ajudou, bem pelo contrário, ao longo da comissão.
Chamando-nos de «judeus», tudo fizeram alguns superiores militares (por vezes com cúmplices que nem vale a pena lembrar...) para nos tramar. Só por sermos de Águeda, onde estava a Escola Central - «universidade» que levava sargentos a oficiais!
Um dia, fomos nomeados «à ordem»: o Neto como «inspector da limpeza»; eu, como o «asae» daquele tempo, para inspecionar os géneros alimentícios e o refeitório dos praças. Logo percebemos que era uma «habilidade» para nos tramar. Iriam aparecer queixas e lá teríamos de responder por elas! Por isso, preparámo-nos para o «combate».
O Xico Neto, rápido que nem um gamo, logo em dois ou três dias esgotou todo o material de limpeza: detergentes, lixívias, sabões!! O que aumentava os custos de gestão da CCS. Foi «despedido». Eu, mais lento nas de olho bem aberto, aguentei até ao dia em que, por ordem superior, se conformavam os cozinheiros em confeccionar feijão furado... Fui chamado por eles e mandei despejar o feijão furado. «Isso não se dá aos soldados...», argumentei, no fulgor da juventude que nos torna defensores de grandes causas.
O feijão foi despejado e eu «despedido». Que era o que eu queria!! Obviamente! Hei-de voltar a esta história, que tem alguma piada!
- JUDEUS. Epíteto dado aos naturais de Águeda. Os sargentos que passavam pela Escola Central tinham especial prazer em chamar judeus aos de Águeda, creio que para se «vingarem» das dificuldades académicas que por lá sentiam.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Direito à auto-determinação e independência de Angola...


Mapa de Angola, A Província do Uíge, a verde, onde ficavam Quitexe, Aldeia Viçosa, Zalala, Santa Isabel, Vista Alegre e outras localidades por onde «missionou» o BCAV 8423

Fez agora 35 anos, a 27 de Julho, que o Presidente da República António de Spínola fez a histórica declaração sobre os territórios africanos administrados por Portugal e rafirmou o reconhecimento do direito à sua auto-determinação e independência.
Relativamente a Angola, o caso que nos interessava, o Governo Português reconhecia esse direito e anunciava-se (à ONU), disposto a aplicar as decisões das Nações Unidas a este respeito.
A notícia chegou ao Quitexe, de forma oficial, faz hoje 35 anos. Fomos (alguns)informalmente chamados à sala do Gabinete de Operações (GO) e lá nos foi dito que havia a intenção de estabelecer, em breve, contactos com os movimentos de libertação, de modo a poderem iniciar-se, logo que possível, negociações formais. Tudo bem! E quando vamos embora? Isso é que ninguém sabia. Para já, para já, há 35 anos..., registei eu (e todos) que a missão das Forças Armadas passava especialmente a vocacionar-se para a garantia da segurança das populações e construção de uma Angola nova, em ambiente de paz e fraternidade. As acções militares passavam a a funcionar de forma limitada e em defesa própria e a garantir a vida e bens da população.
O anúncio deixou-nos algo constrangidos: em defesa própria? Então já não era? Alguém nos explicou que deixávamos de ter acções ofensivas.
Reuniu logo depois o «comité» dos furriéis mais envolvidos: então vai agora vigorar aquela história de levar o tiro no pêlo e só disparar depois? Nãããã... não íamos nessa! Alguém mais ponderado nos sensibilizou para esperarmos e vermos! E assim fizemos, mas não sem nos dispensarmos de uma conversa «pé de orelha» com o comandante Almeida e Brito. Que nos descansou os receios, mas não sem um raspanete: «Deveriam ter falado primeiro com o comandante do pelotão e da Companhia...» - respectivamente, o alferes Garcia (que até estava no GO e assistiu à cena) e de Companhia (o capitão Oliveira).
- MOVIMENTOS. Vulgarmente denominados por terroristas. Operavam três em Angola, mas no Uíge era essencialmente a FNLA. O MPLA não só viria a instalar-se em 1975. A UNITA não operava na província.
- FNLA. Frente Nacional de Libertação de Angola, dirigida por Holden Roberto. Sucessora da UPA - União dos Povos de Angola.
- MPLA. Movimento Popular de Libertação de Angola, liderada por Agostinho Neto.
- UNITA. União Nacional para a Independência Total de Angola, dirigida por Jonas Savimbi.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Os companheiros oficiais milicianos do Quitexe

Pedrosa, Ribeiro, Cruz, Garcia e Hermida, alferes milicianos do BCAV 8423

Alguma coisa me andava a escapar nesta jornada de fazer saudades do Quitexe - e da nossa tropa, a última da vila angolana do norte... - era ter as caras dos nossos amigos, generosos e solidários oficiais milicianos. Os alferes!!!
Tirando o meu herói pessoal, o Garcia - bravo oficial dos «ranger´s» e comandante do PELREC, que tantas vezes já aqui apontei - todos eram algo mais velhos que nós e licenciados em engenharia. Os estudos académicos os levaram mais tarde ao verde do camuflado e à missão militar angolana. Todos gente do alto! A foto chegou-me agora, pela mão atenta do (alferes) engº. Cruz e para a história aqui ficam, da esquerda para a diireita:
- PEDROSA: Luís Manuel Pedrosa de Oliveira, alferes miliciano atirador de cavalaria, da 3ª. CCAV, em Santa Isabel. Mora em Marrazes (Leiria).
- RIBEIRO. Jaime Rodrigues Picão Ribeiro, alferes miliciano sapador, licenciado em engenharia, de 23 anos, reside no Tramagal.
- CRUZ. António Albano Araújo de Sousa Cruz, alferes miliciano mecânico-auto, licenciado em engenharia, 27 anos, residente em Santo Tirso.
- GARCIA- António Manuel Garcia, alferes miliciano de operações especiais (ranger´s), 21 anos, de Carrazeda de Ansiães (já falecido). Ver aqui: http://cavaleirosdonorte.blogspot.com/2009/04/o-alferes-garcia-e-o-4-de-maio-de-1975.html
- HERMIDA: José Leonel Pinto de Aragão Hermida, alferes miliciano de transmisssões, licenciado em engenharia, residente na Figueira da Foz.
Falta, da CCS, o alferes Almeida, que pode ser visto aqui:
http://cavaleirosdonorte.blogspot.com/2009/05/o-alferes-miliciano-almeida.html

terça-feira, 28 de julho de 2009

As mulheres de seios nus e corpo cor de ébano...

Se coisa houve que me prendeu os olhos e a curiosidade foi, chegado a Angola e começando a palmilhar os trilhos que se escondiam nas matas, descobrir mulheres que se passeavam de peitos ao léu e com a maior naturalidade do mundo. Mulheres quantas delas ainda adolescentes e de crianças às costas, carregadas na cabeça com molhos de lenha ou outra coisa qualquer! Bonitas e sensuais, despertando-nos desejos que se adivinham.
Parámos uma vez numa sanzala, não me lembro qual mas ainda muito pouco sabedores das tradições locais, e olhámos todos, todos gulosos para algumas delas, que pilavam o milho como se embalassem as crianças que seguravam nas costas de uma forma estranha.
Outras vezes, víamo-las, caminhando como gazelas, altivas, carregando água numa qualquer coisa parecida com cântaros. E para elas ficávamos a olhar, enquanto caminhavam de seios soltando-nos desejos e corpo a bambolear-se na frente dos nossos líbidos! Mostrando os seus corpos cor de ébano como se quisessem ser nossas cúmplices e ritmar os seus seios nus à nossa gulodice. Quase provocando!!!
Era assim a Angola que fomos descobrindo!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A boleia de Luanda para Vila Viçosa e daqui para o Quitexe

Posto administrativo de Aldeia Viçosa

Aldeia Viçosa era a sede da 2ª. Companhia do BCAV 8423. Situada na chamada estrada do café, que liga Luanda a Carmona, era local de fácil viagem. Num pulo, de unimog ou jeep, ou até de viatura civil (o machimbombo), estava-se em Aldeia Viçosa e não se faziam esperar os confortos de um bom encontro de amigos: o Matos, o Letras, o Melo, o Guedes, o Chitas, o Rebelo e outros.

A CCAV era comandada por um quase vizinho daqui, de Esmoriz - ao tempo praticante de voleibol (suponho que campeão nacional), capitão miliciano e engenheiro, de nome José Manuel Romeira Pinto da Cruz. O Capitão Cruz, a serenidade em pessoa e sei que um excelente comandante. Um coração de ouro!

Um dia, estando eu por Luanda no bem-bom da cidade e tendo de me apresentar a um sábado no Quitexe, pus a hipótese de ir só na 2ª.-feira. Afinal, sempre era mais um fim-de-semana na capital! Assim pensei e assim ia fazendo. Só não fiz porque me mordeu a consciência e sabia bem o quanto esperava o capitão Oliveira a oportunidade de me pôr a mão em cima. Não marquei o avião para Carmona, mas, passando no Grafanil, resolvi jogar mais pelos seguro e vai de apanhar boleia num MVL que sairia à uma hora da madrugada, por aí. Ia até Vila Viçosa, precisamente!

Lá chegado, pelo fim da manhã de sábado, precisava de chegar ao Quitexe. E como? A hora de apresentação estava próxima e a boleia civil nada fácil. Safou-me o capitão Cruz, que, sabendo da minha urgência, providenciou o transporte em veículo militar, a troco de uma qualquer razão que já não recordo. Lá fomos nós, ligeirinhos, e imaginem quem me esperava, a umas 15 horas da tarde, no seu gabinete de comandante da CCS, mesmo à esperinha que eu não chegasse! O capitão Oliveira!

Bem me disse ele que não esperava que eu chegasse e que estava afiadinho de pressa para me castigar. Como não pôde, obrigou-me a apresentação com muda de calçado - eu estava de sapatos. Vinguei-me eu, que não era santinho nenhum, «exigindo-lhe» a continência regulamentar ao meu obrigatório cumprimento. É que, à primeira, não estava o capitão de boina! E, à segunda, não tinha cinto. Isto é: não tinha as duas coisas à primeira, sobrando-me este supremo e duplo «gozo» de o «obrigar» às NEP que ele tanto gostava de exibir. Ainda hoje, com fraqueza, sinto algum constrangimento pela figura que fiz. Com ele tive várias outras histórias, que não me «abonam» muito!

- OLIVEIRA, capitão. António Martins de Oliveira, comandante da CCS. Transitara da classe de sargentos, tendo feito o curso na Escola Central de Sargentos, em Águeda. Eu e o Neto, ambos de Águeda, não beneficiámos nada por isso.

- MVL. Movimento de Viaturas Ligeiras, camiões civis que asseguravam o transporte de mercadorias para as Forças Armadas.

- NEP. Normas de Execução Permanente.


sábado, 25 de julho de 2009

A malta das transmissões e outros que tais

Pose fotográfica do Grupo de Transmissões, nos bons dias do Quitexe (1974).
Clicar na foto, para a ampliar.


Boa parte desta malta é das transmissões. A malta da foto! E lá estão o alferes Hermida e a esposa. E os furriéis Pires e Rocha.
O grupo tem alguns «penetras», que claramente se "bateram ao retrato". Digo eu! Por exemplo, o cabo Soares, atirador e aqui a exibir, garboso, a braçadeira de cabo de dia. Mas há outros, nesta relação incompleta. A propósito, quem é que ajuda a identificar estas carinhas todas?
Em cima, Florêncio (?, atirador), ??, Soares (1º. cabo atirador), Pais (1º. cabo rádio-montador), ??, ??, Joaquim Moreira (maqueiro), Rocha (furriel de transmissões), ??, ??, alferes Hermida, ??, esposa do alferes Hermida, ??, ??, ??, ??, Miguel (?, cabo escriturário), Cabrita (soldado) e ??. De cócoras: Florindo (1º. cabo enfermeiro), Cruz (furriel rádio-montador), José Gomes (auxiliar de enfermagem), Alfredo Coelho (Buraquinho, 1º. cabo), Madaleno (1º. cabo atirador), Pires (furriel de trasmissões),??, Hipólito (?, cabo atirador), Mosteias (furriel sapador) e Vicente (1º. cabo atirador). À esquerda, sentado, está o Tomás (1º. cabo rádio-montador).
As caras, a gente conhece-as todas, e destas me lembrei! O diacho é que já lá vão 35 anos e não me sai o nome deles de debaixo da língua!!!
- NOTA: A foto foi-me enviada pelo (furriel) Pires - que também conhece
toda a gente, mas não se lembra dos nomes. Ajudem!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Molhar o pincel na sanzala do Kadilonge...


O jardim do Quitexe, aos idos dias de 1974/75, foi espaço de muitos passeios e «estratégias», não digo militares, mas... sociais. Passear por ali, descontraídamente e nomeadamente aos fins de semana, era sempre uma boa oportunidade de pôr os olhos em coisa, ou algo, ou alguém, que nos consolasse a vista!
Sei de quem (mas não digo), quem por ali contou passos sem fim só para ver passar, ao menos ver passar..., uma(s) certa(s) cachopa(s) que era(m) motivo de muitos sonhos. E era, é bem verdade, um bom sítio para matar saudades das idas a bailes e festas, às romarias que engravidavam a nossa juvenil ou adolescente alegria pré-militar!
Uma noite, por ali passava eu de patrulha, com o Madaleno e o António, vínhamos do Posto 5, a fazer ronda pelas vigias da vila, quando avistámos, meio furtivo, o caminhar apressado de um companheiro da guarnição. À civil, coisa meio anormal para a hora. Ali havia gato, assim parecia!!!Caminhava muito encostado às paredes da rua de cima, olhando para todos os lados - parecendo não nos ver a nós!
Resolvemos pregar-lhe um partida: tu por aqui, tu por acolá, cercámos o nosso homem, antes de ele passar a casa dos Correios. Emboscámo-lo! Literalmente!!! Acagaçou-se ele, coitado, apanhado assim de chofre, iam quase a passar as duas horas da manhã e cacimbava, a pouco tempo do alvorecer de um domingo de missa na Igreja da Mãe de Deus de lá da vila!
Dissemos o que tínhamos a dizer, rigidamente, autoritariamente!, impondo as regras, blá-blá-blá..., e o nosso homem sem dizer uma palavra, apenas riscava as unhas na cabeça! «Sabe, é o pincel, o pincel...» , titubeou o nosso homem, algo aturdido!
«O pincel!...», perguntei eu. E riam-se o António e o Madaleno! A gozar comigo!
Bom, o nosso homem vinha do Kadilong(u)e, uma sanzala dali ao lado, e, por ver tropa na entrada do aquartelamento, resolvera passar para a rua de cima! Pôs-se na boca dos lobos: eu, o António e o Madaleno!
Nessa tarde, fomos beber umas cucas ao Pacheco, para desanuviar! Pagou o furriel! E fiquei a saber que, afinal, o pincel tinha a ver com o molhar! Molhar o pincel!!! Ele há cada maneira de chamar nomes às coisas!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A gloriosa rapaziada do parque-auto do Quitexe

Cavaleiros do parque-auto da CCS do BCAV 8423 no Quitexe (1974).
Cliquem na foto que ela aumenta!!!

O Cuba, que é Frangãos de apelido, e também Caeiro, e José das Dores (de nome próprio), descobriu o blogue e encheu-se de brios para nos mandar fotos. Ele era mecânico-auto e, está-se mesmo a ver, mandou-nos a equipa do parque-auto, «capitaneada» pelo garboso alferes Cruz (quarto, a contar da esquerda, na fila de cima), com os sub-capitães Aires (1º. sargento, mesmo ao lado direito dele) e furriel Morais (o quarto, de óculos, a contar da direita, na segunda fila, de pé).
O Frangãos está à esquerda do alferes Cruz e as outras caras todas, pois... bem as conhecemos, mas agora lembrar o nome deles é que nem indo com a memória à oficina. Alguém pode ajudar?
A foto aparece aqui principalmente para o justo louvor a esta rapaziada do parque-auto, que era impecável na manutenção dos unimogs (os burros de mato) e das berliets com que galgávamos quilómetros atrás de quiómetros, nas picadas ou no asfalto. Até tinha um 1º. sargento porreiro, o que era uma sorte!
Aquilo tinha de estar tudo sempre num brinco, oleadinho, afinadinho, com o motor sem um ai de avarias, ou de gripe! Aquilo, digo eu, eram as viaturas!!! A gente bem sabe quanto vale um bom equipamento numa hora de aflição.
Digam para o c.viegas@mail.telepac.pt os nomes dos rapazes! Vejam lá com atenção! Eles merecem!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Olhem os cavaleiros do Quitexe já na... reserva!!

CCS do BCAV 8423 em Penafiel (1997/78).
Clicar na foto, para a ampliar

Há quase 12 anos, a 27 de Setembro de 1997, juntou-se parte do pessoal da CCS em Penafiel, numa organização do Monteiro - onde foram 30 magníficos da cantareira. E foi um forrobodó!!! Quero dizer: foi uma festa!! Comeu-se bem, conversou-se melhor e filtraram-se saudades, ao tempo ainda no princípio da maioridade! Só tinham passado 22 anos da nossa chegada de Angola!
Foi a última vez que o maior número de nós esteve junto e não faltou desfiar de recordações, entre a carne assada e o vinho verde que nos foram postos na mesa para refeiçoar. Se repararmos bem, notam-se algumas diferenças no igual de nós todos.
Ora olhem bem a postura solene do Cruz (quinto da esquerda para a direita, na frente), ou do Dias (o primeiro da direita). E do Machado (de alva camisa, à direita do Cruz). E para onde espreitará o Tomás (à direita do Dias)?
E o ar nobre e feliz do Morais, o do meio na segunda fila, de óculos. E a firmeza do Pires e do Rocha, à esquerda do nosso companheiro cor de laranja! E quem é este? Estou a ver-lhe a cara e não me sai o nome de debaixo da língua! Desculpa lá, pá!
Em forma estava o capitão Luz - o careca que está a ser olhado pelo careca da segunda fila (o Teixeira, estofador), à esquerda. Escapam-me alguns nomes. Vou dizer, dos outros, os que sei, sem dúvidas.
- Almeida e Brito, comandante: o primeiro do lado esquerdo, na primeira fila.
- Florindo, cabo enfermeiro: camisa branca, bigode e óculos, ao meio.
- Neto: na mesma fila, do lado direito.
- Gaiteiro: lá em cima, de bigode, agarrado à árvore.
- Alfredo Coelho, o Buraquinho: frente à árvore, de bigode e fato.
- Teixeira: primeiro, da fila a seguir, do lado esquerdo.
- Esteves: ao lado, de gravata e colete.
- Monteiro: segundo da terceira fila, de cima, da esquerda para a direita. E quem será este cabelinho branco, ao lado? Conheço-lhe a cara e não lhe baptizo o nome. E a seguir? Tenho o nome debaixo da língua e não me sai.
- Calçada: ao lado do comandante Almeida e Brito.
- Pais: à frente do Pires e do Rocha, de camisola aos losangos.
Conhecê-los, eu conheço-os todos, mas a velhice faz-me «ignorante» em relação ao nome de alguns alguns. Alguém pode ajudar?
Ah, falto eu: o segundo da terceira fila, da esquerda para a direita, com o Monteiro a «proteger-se» nos meus ombros.
Ajudem a identificar a malta!! E comeremos todos um almoço, juntos e em Setembro! Pagaremos todos!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Saudades das noites do Quitexe...


Estrada principal do Quitexe em 2004, fotos de Franklim

As noites do Quitexe foram sempre tempos de grandes animações. Fora dos tempos de serviço - ora interno, quantas vezes externo, pelas intermináveis e poeirentas picadas que nos levavam aos confins de destinos que foram de medos e quase se tornaram familiares.
Acabada a janta, na sala de recatos e fomes que era a da messe de sargentos, a gente ficava por ali na tagarelice, a mal dizer e bem dizer da vida, como se o amanhã fosse de grandes dúvidas - quando, afinal, era de sonhos!
Assunto do dia - quero dizer, da noite... - sempre para além de uma boa suecada, as inevitáveis nocais, cucas , ou ekas, ou brandys, bagaços ou wiskys para os mais golosos de álcool... - eram as saudades que nos adormeciam a alma por vezes muito mais que as saídas pelas picadas de pó, os trilhos de suspeições ou as matas de segredos que nos escondiam do mundo.
Havia quem jogasse à lerpa, a dinheiro! Não era o meu caso! Eu ia mais, nos «ósdespois»..., para uns passeios de rua, cacimbando o camuflado numa ida ao Rocha, ao Morais, ao Pacheco, pela rua de cima e passando ao lado do Clube, nem aqui vou dizer se também a alguma sanzala das fronteiras mais próximas do Quitexe. Coisas de garotos e de desejos que o bom recato de hoje não deixa contar!
Adorava as noites aluaradas e quentes, ouvindo-se na distância um ou outro uivo de um qualquer animal das matas do longe do nosso olhar - as mesmas por onde palmilhávamos patrulhas e operações militares, quando alvorecia e as estendíamos nos suores diurnos do calor africano.
As noites eram desnudadas, misteriosas, eram ardentes... diriam noites sensuais. Tudo isto me fez ser um quitexano de coração. Como toda a esta boa gente hoje se desfralda na janela deste blogue contando(-me) as saudades do Quitexe!
Hoje, falei com o Neto, o Rocha, o Moreira (enfermeiro), o Grácio (que tantas vezes nos desenfiou Monks, grades de cerveja e outras gulodices bebíveis do respectivo depósito...). Ontem, o Pires, o de Bragança... E emailou-me o Monteiro (Gasolinas...).
Cá para mim, ou muito me engano ou um destes dias ainda vamos estar por aí aos tiros às saudades e a parir da gravidez de camaradagem que se fez pelo Quitexe... - Ai vamos, vamos!!!...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A morte na picada da Fazenda Liberato

Arranjo na picada para a Fazenda do Liberato
JOSÉ LAPA
Texto e fotos
A 28 de Março de 1967, fazíamos 22 meses de comissão e uma coluna da CART 785 do BART 786, que estava sediada na Fazenda Liberato, sofreu uma emboscada, na picada do mesmo nome. Nesse encontro com o IN, nesse já longínquo dia, sofremos uma baixa, o soldado Faia, natural de Viana do Castelo, e três feridos, dois deles com gravidade.
O menos grave foi atingido com estilhaços de granada no peito. Os dois mais graves, um deles soldado atirador, foi atingido com um tiro na cara. Por sorte, foi efectuado com pistola e entrou junto ao malar do lado direito, ficando alojado no maxilar contrário. O outro ferido grave foi o soldado condutor da Mercedes, que «levou» uma rajada no joelho esquerdo. Foram evacuados para o Hospital da Base Aérea nº. 3, do Negage. O que ficou em pior estado, foi o condutor, pois regista uma grande incapacidade no joelho. Como devem calcular, foi um dia muito triste para o batalhão.
JOSÉ LAPA
CART 785 do BART 786

sexta-feira, 17 de julho de 2009

As noites das negras sensuais e bonitas...


A sossegada Casa das Transmissões estava agitada, lá se passando alguma coisa de incomum. Uma mistura de risos mal disfarçados, sussurros e incontidas gargalhadas, vestiam um mistério. Cá para mim, os rádiomontadores andavam a preparar alguma! Andavam felizes!
Depois de uma passeata já um pouco tardia e uma fugaz conversa com o Alves, junto à enfermaria, achei serem horas de cama. À entrada, quase fui “barrado” pelo Nunes, olhando-me enigmático e de faces um tanto afogueadas! Dos fundos, soavam risos e gritinhos estridentes, típicos dos jogos da cabra-cega e que me guiaram até à casa de banho.
Ao abrir a porta, deparei com uma maravilha da natureza! Uma mulher no chuveiro dos “Rápidos e Audazes”?! Esguia, escultural e, porque não dizer, bela, insinuando-se em passos provocantes, dirigiu-se à varanda que dava acesso ao quarto. Caramba, era a linda Joana da sanzala! Rapariga que alvoroçava corações e que, com o seu olhar doce, fazia vacilar os mais duros. Sabia eu que andava perdida de paixões por um soldado rádiomontador, a quem não poupava elogios e ternamente apelidava de “loirinho bonito”! Nestes termos me perguntava ansiosamente por ele. E o rapaz, voluntário e no apogeu dos seus 20 anos, sedento de loucuras fogosas, entrava no enleio típico de colegiais namorados.
Ao Nunes, não restava outra opção que não fosse sair do quarto! Casado, era um exemplo de rectidão. A sua mente jamais albergaria pensamentos (?) e actos pecaminosos! O furriel Teixeira, sargento-de-dia, como de costume lá foi à casa, em busca de dois dedos de conversa. E também, talvez, dos momentos de boa disposição que ultimamente lhe fugiam! Ex-seminarista, corava intensamente perante uma conversa mais ousada. Ao aperceber-se do acalorado ambiente que reinava, aflito..., temeu ver-se envolvido. Serenamente, apenas em nome da amizade, apelou ao bom senso e de imediato tudo voltou à normalidade. Somou 1+1 e, em tom de acusação, quase afirmou não ser a primeira vez! Será que ele tinha razão? Agora, à distância de tantos anos posso dizer que sim!
Entretanto, esguiamente e envoltas em sorrisos maliciosos, lá saíram bamboleando os corpos curvilíneos! Digo “saíram” porque, além da Joana e para espanto dos presentes, saía também a Maria, sua amiga e igualmente vistosa e linda! Os protagonistas, cujos nomes não “lembro”, optaram pelo recolhimento. Naquela noite, ter-se-ão vendido muitas convencionais palavras, quiçá de amor, que apenas serviriam para o embalo do momento!
ANTÓNIO CASAL

quinta-feira, 16 de julho de 2009

As escoltas aos arranjos da rede de estradas...


Estávamos nós pelos fins de Agosto de 1974 quando o Gabinete de Operações, interinamente comandado pelo alferes Garcia - no lugar do capitão Falcão, certamente de férias - nos deu uma ordem de operação. Iria o PELREC fazer protecção à equipa da Junta Autónima de Estradas de Angola (JAEA), que ao outro dia iria iniciar (ou continuar, não me lembro) arranjos na estrada para o Liberato. Picada, direi melhor...
Já por lá tínhamos passado duas, três ou quatro vezes, pelo que a missão nem nos preocupou muito. Era mais um serviço, até dos mais tranquilos... «Manda instalar Bredas!!!...», disse o alferes Garcia.
«Bredas?!....», perguntei eu, espantado com a ordem. Na verdade, algumas vezes saímos com este tipo de armamento - até outro e mais pesado... - mas desta vez fiquei desconfiado. Eu ia de férias dentro de dias e, francamente, não me agradaria ter problemas. «O que é que se passa?...», perguntei.
Lá me foi dito que tinham «acontecido umas escaramuças...», precisamente beliscando as brigadas da JAEA.
«Pode haver caça, cuidado...», disse o alferes Garcia, que, por estar nquelas funções, interinas, não iria connosco. E que até se mostrava de olhar pesado, qual pai que via os filhos sair para uma frente de qualquer perigo!
Fomos lá, para a picada do Liberato e, para aligeirar a história, digo aqui que prendemos dois homens, dois suspeitos que foram observados de longe com cargas de lenha, onde supostamente levariam armas. Levámo-los para o Quitexe, sem que oferecessem grande resistência, e foram apresentados ao Gabinete Especial de Informações (GEI), julgo que era assim que se passou a chamar a anterior Polícia de Investigação Militar (PIM).
Soubemos mais tarde que nós e os funcionários da JAEA estivemos algumas horas a ser observados, enquanto as máquinas terraplanavam. Como já estivéramos, numa outra altura e na picada para Zalala, onde apanhámos um dos sustos da comissão angolana: quando rebentou um pneu e nós o supusemos por uma bomba inimiga. Malhámos com o peito no chão, rastejámos, e gente houve que não se mexeu até que os olhos confirmaram não haver inimigo algum!