quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O Zé Marques na Fazenda do Liberato...

Entrada do Quitexe, na estrada Luanda-Carmona (2004).
Casa de Dinis Morais, à direita

Quitexe era o nosso pequeno-grande mundo, o centro das nossas vidas, num tempo em que, em Portugal (continental) se incendiavam paixões e exageros revolucionários. Chegáva-nos o Expresso e o Jornal de Notícias dos fins de semana e cada edição era uma surpresa. E nem sempre a melhor!

Por lá, entre patrulhas, escoltas e operações militares, lá íamos nós pendurando o nosso tempo no calendário. Houve notícia do levantamento de uma mina anti-carro, numa picada para os lados do rio Calambinga e da realização de contactos directos com o IN, nos lados de Vista Alegre. Havia, por esse tempo, a convicção de que as actividades de guerilha iriam acabar, depois da proclamação do Presidente António Spínola - sobre o direito à auto-determinação e independência dos territórios ultramarinos - mas a verdade é que, nunca fiando, o melhor era aprudentarmos as nossas actividades. E assim foi feito, com redobrados cuidados.

A 22 de Agosto conheci a fazenda do Liberato - onde estava CCAC 209, principalmente formada por angolanos, com furriéis e oficiais milicianos idos de Lisboa. O PELREC escoltava o comando de batalhão, para reuniões com os responsáveis locais e depois de passarmos por Vista Alegre.

Soube mais tarde, já em Portugal, que estava lá o Zé Marques, do Caramulo, meu companheiro de escola em Águeda. Que não vi! Lá, ele era o furriel Oliveira, amanuense, e por uma qualquer razão não me cruzei com ele nos pares de horas que por lá estive. E mesmo perguntando eu se por lá estava alguém de Águeda, a verdade é que ele (ou outros) responderia sempre que era do Caramulo. Perdi o gosto de o abraçar!! Ainda hoje, na Caixa Geral de Depósitos (onde ele trabalha) falámos do Liberato e do regresso dele a Portugal - chegando a casa na véspera de Natal de 1974.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A morte de dois civis brancos, emboscados numa picada

Furriéis Viegas e Miguel (pára-quedista) na vila do
Quitexe, a 14 de Outubro de 1974. Clicar na foto, para a ampliar
O Miguel era furriel miliciano pára-quedista e foi parar ao Quitexe por uma qualquer razão que agora me escapa, mas ligada à gestão operacional dos GE (Grupos Especiais). Mais velho que nós, um ano - e com mais tempo de comissão... -, tinha de Angola e dos perigos que muitas vezes nos amedrontavam, uma noção mais exacta da realidade e os seus conselhos eram ouvidos atentamente. Por ele já tinham passado «coisas» que nós não viemos a conhecer! Felizmente!
O dia desta foto não é dos mais felizes da nossa passagem por Angola e terras do Quitexe! Dia 14 de Outubro de 1974!
Um grupo IN, na picada entre as fazendas Alegria II e Ana Maria, emboscou uma viatura civil e matou os dois civis brancos que nela sequiam. Foi um dia inquietante para todos nós, que cada vez mais sonhávamos com o regresso antecipado a Portugal e este acontecimento não era o melhor que poderia acontecer. Supostamente, terá sido um acto de ajuste de contas. E felizmente foi isolado! Mas que dores se sentiram nesse dia, e seguintes, que medos medraram na nossa alma!
A fotografia, na estrada principal do Quitexe (Luanda-Carmona), mostra-nos do regresso da morgue (?), onde fôramos ver os cadáveres, e deixa ver o cemitério da vila e o famoso Posto 5 - posto de vigia e «prisão militar» do Quitexe. Algumas (poucas) vezes lá conduzimos homens que a disciplina militar penalizou. Uma tarefa bem pouco agradável, vale a pena dizer!
- MIGUEL. Miguel Peres dos Santos, furriel miliciano pára-quedista, reside em Setúbal.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

2 - PENSAMENTOS (E IDEIAS) QUITEXANAS

O melhor é clicar na foto, para ver melhor!

domingo, 2 de agosto de 2009

Os futebolistas do Parque-Auto que foram à guerra...

A imbatível equipa de futebol do Parque-Auto da CCS do BCAV 8423. Nunca perdeu um jogo, no estádio do Quitexe. E não se sabe se alguma vez ganhou algum - o que, para o caso, também pouco interessa.
A história vem-nos aqui contada pelo Frangãos - que só se conhece a ele (pelo nome), lembrando-se dos outros pela arte que (des)envolviam no Parque-Auto: o ferramenteiro, o ????, o Frangãos, ele mesmo (conhecido por Cuba, a do Alentejo, aqui sem óculos), o carpinteiro, condutor, o ?, o pintor (em cima) e, em baixo, o gasolinas, o mecânico, o condutor, outro condutor, o bate-chapas e condutor.
Conta o Cuba: «Foi tudo arranjado à pressa, berliet a trabalhar, equipamento o melhor que foi possível arranjar e lá fomos nós à procura do resultado que nos desse a vitória!!??
A equipa não foi um primor de técnica, mas voluntoriosa na aplicação e empenho não faltou. Além de uns pontapés na bola, também os nossos adversários, uma equipa na negros, se ficaram a queixar das pernas. Finalizando, tudo decorreu dentro do espírito das nossas forças armazenadas».

Agora vou eu, que tenho a mania de fixar caras, tentar decobrir: Teixeira(esfofador), o Malheiro, o Cuba, o Marques (carpinteiro), Pereira (condutor), Gaiteiro (condutor) e Teixeira (o pintor, não o estofador). Em baixo, o Monteiro (Gasolinas), Pereira (mecânico), Celestino Silva (condutor),Gomes (condutor), Carlos Mendes (bate-chapas) e Miguel (?, condutor). Errei quantos? E quem nos ajuda a identificar as caras? Se calhar, o alferes Cruz ou o furriel Morais!!! Digam coisas!
PS: Ajuste de identificações com a ajuda do (furriel) Morais. Precisamos de ajuda para (bem) identificar os restantes.

sábado, 1 de agosto de 2009

A limpeza geral e o feijão furado na cozinha..

Furriéis Viegas (junto ao padrão do BCAV 1917) e Neto (ao
do BCaç 3879) no jardim do Quitexe, a 18 de Fevereiro de 1975.
Clique, para ampliar a foto
Viegas e Neto (eu e o Xico), já aqui foi dito, somos ambos de Águeda - que foi sede da Escola Central de Sargentos (ECS), depois Instituto Superior Militar (ISM). Isso nada nos ajudou, bem pelo contrário, ao longo da comissão.
Chamando-nos de «judeus», tudo fizeram alguns superiores militares (por vezes com cúmplices que nem vale a pena lembrar...) para nos tramar. Só por sermos de Águeda, onde estava a Escola Central - «universidade» que levava sargentos a oficiais!
Um dia, fomos nomeados «à ordem»: o Neto como «inspector da limpeza»; eu, como o «asae» daquele tempo, para inspecionar os géneros alimentícios e o refeitório dos praças. Logo percebemos que era uma «habilidade» para nos tramar. Iriam aparecer queixas e lá teríamos de responder por elas! Por isso, preparámo-nos para o «combate».
O Xico Neto, rápido que nem um gamo, logo em dois ou três dias esgotou todo o material de limpeza: detergentes, lixívias, sabões!! O que aumentava os custos de gestão da CCS. Foi «despedido». Eu, mais lento nas de olho bem aberto, aguentei até ao dia em que, por ordem superior, se conformavam os cozinheiros em confeccionar feijão furado... Fui chamado por eles e mandei despejar o feijão furado. «Isso não se dá aos soldados...», argumentei, no fulgor da juventude que nos torna defensores de grandes causas.
O feijão foi despejado e eu «despedido». Que era o que eu queria!! Obviamente! Hei-de voltar a esta história, que tem alguma piada!
- JUDEUS. Epíteto dado aos naturais de Águeda. Os sargentos que passavam pela Escola Central tinham especial prazer em chamar judeus aos de Águeda, creio que para se «vingarem» das dificuldades académicas que por lá sentiam.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Direito à auto-determinação e independência de Angola...


Mapa de Angola, A Província do Uíge, a verde, onde ficavam Quitexe, Aldeia Viçosa, Zalala, Santa Isabel, Vista Alegre e outras localidades por onde «missionou» o BCAV 8423

Fez agora 35 anos, a 27 de Julho, que o Presidente da República António de Spínola fez a histórica declaração sobre os territórios africanos administrados por Portugal e rafirmou o reconhecimento do direito à sua auto-determinação e independência.
Relativamente a Angola, o caso que nos interessava, o Governo Português reconhecia esse direito e anunciava-se (à ONU), disposto a aplicar as decisões das Nações Unidas a este respeito.
A notícia chegou ao Quitexe, de forma oficial, faz hoje 35 anos. Fomos (alguns)informalmente chamados à sala do Gabinete de Operações (GO) e lá nos foi dito que havia a intenção de estabelecer, em breve, contactos com os movimentos de libertação, de modo a poderem iniciar-se, logo que possível, negociações formais. Tudo bem! E quando vamos embora? Isso é que ninguém sabia. Para já, para já, há 35 anos..., registei eu (e todos) que a missão das Forças Armadas passava especialmente a vocacionar-se para a garantia da segurança das populações e construção de uma Angola nova, em ambiente de paz e fraternidade. As acções militares passavam a a funcionar de forma limitada e em defesa própria e a garantir a vida e bens da população.
O anúncio deixou-nos algo constrangidos: em defesa própria? Então já não era? Alguém nos explicou que deixávamos de ter acções ofensivas.
Reuniu logo depois o «comité» dos furriéis mais envolvidos: então vai agora vigorar aquela história de levar o tiro no pêlo e só disparar depois? Nãããã... não íamos nessa! Alguém mais ponderado nos sensibilizou para esperarmos e vermos! E assim fizemos, mas não sem nos dispensarmos de uma conversa «pé de orelha» com o comandante Almeida e Brito. Que nos descansou os receios, mas não sem um raspanete: «Deveriam ter falado primeiro com o comandante do pelotão e da Companhia...» - respectivamente, o alferes Garcia (que até estava no GO e assistiu à cena) e de Companhia (o capitão Oliveira).
- MOVIMENTOS. Vulgarmente denominados por terroristas. Operavam três em Angola, mas no Uíge era essencialmente a FNLA. O MPLA não só viria a instalar-se em 1975. A UNITA não operava na província.
- FNLA. Frente Nacional de Libertação de Angola, dirigida por Holden Roberto. Sucessora da UPA - União dos Povos de Angola.
- MPLA. Movimento Popular de Libertação de Angola, liderada por Agostinho Neto.
- UNITA. União Nacional para a Independência Total de Angola, dirigida por Jonas Savimbi.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Os companheiros oficiais milicianos do Quitexe

Pedrosa, Ribeiro, Cruz, Garcia e Hermida, alferes milicianos do BCAV 8423

Alguma coisa me andava a escapar nesta jornada de fazer saudades do Quitexe - e da nossa tropa, a última da vila angolana do norte... - era ter as caras dos nossos amigos, generosos e solidários oficiais milicianos. Os alferes!!!
Tirando o meu herói pessoal, o Garcia - bravo oficial dos «ranger´s» e comandante do PELREC, que tantas vezes já aqui apontei - todos eram algo mais velhos que nós e licenciados em engenharia. Os estudos académicos os levaram mais tarde ao verde do camuflado e à missão militar angolana. Todos gente do alto! A foto chegou-me agora, pela mão atenta do (alferes) engº. Cruz e para a história aqui ficam, da esquerda para a diireita:
- PEDROSA: Luís Manuel Pedrosa de Oliveira, alferes miliciano atirador de cavalaria, da 3ª. CCAV, em Santa Isabel. Mora em Marrazes (Leiria).
- RIBEIRO. Jaime Rodrigues Picão Ribeiro, alferes miliciano sapador, licenciado em engenharia, de 23 anos, reside no Tramagal.
- CRUZ. António Albano Araújo de Sousa Cruz, alferes miliciano mecânico-auto, licenciado em engenharia, 27 anos, residente em Santo Tirso.
- GARCIA- António Manuel Garcia, alferes miliciano de operações especiais (ranger´s), 21 anos, de Carrazeda de Ansiães (já falecido). Ver aqui: http://cavaleirosdonorte.blogspot.com/2009/04/o-alferes-garcia-e-o-4-de-maio-de-1975.html
- HERMIDA: José Leonel Pinto de Aragão Hermida, alferes miliciano de transmisssões, licenciado em engenharia, residente na Figueira da Foz.
Falta, da CCS, o alferes Almeida, que pode ser visto aqui:
http://cavaleirosdonorte.blogspot.com/2009/05/o-alferes-miliciano-almeida.html

terça-feira, 28 de julho de 2009

As mulheres de seios nus e corpo cor de ébano...

Se coisa houve que me prendeu os olhos e a curiosidade foi, chegado a Angola e começando a palmilhar os trilhos que se escondiam nas matas, descobrir mulheres que se passeavam de peitos ao léu e com a maior naturalidade do mundo. Mulheres quantas delas ainda adolescentes e de crianças às costas, carregadas na cabeça com molhos de lenha ou outra coisa qualquer! Bonitas e sensuais, despertando-nos desejos que se adivinham.
Parámos uma vez numa sanzala, não me lembro qual mas ainda muito pouco sabedores das tradições locais, e olhámos todos, todos gulosos para algumas delas, que pilavam o milho como se embalassem as crianças que seguravam nas costas de uma forma estranha.
Outras vezes, víamo-las, caminhando como gazelas, altivas, carregando água numa qualquer coisa parecida com cântaros. E para elas ficávamos a olhar, enquanto caminhavam de seios soltando-nos desejos e corpo a bambolear-se na frente dos nossos líbidos! Mostrando os seus corpos cor de ébano como se quisessem ser nossas cúmplices e ritmar os seus seios nus à nossa gulodice. Quase provocando!!!
Era assim a Angola que fomos descobrindo!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A boleia de Luanda para Vila Viçosa e daqui para o Quitexe

Posto administrativo de Aldeia Viçosa

Aldeia Viçosa era a sede da 2ª. Companhia do BCAV 8423. Situada na chamada estrada do café, que liga Luanda a Carmona, era local de fácil viagem. Num pulo, de unimog ou jeep, ou até de viatura civil (o machimbombo), estava-se em Aldeia Viçosa e não se faziam esperar os confortos de um bom encontro de amigos: o Matos, o Letras, o Melo, o Guedes, o Chitas, o Rebelo e outros.

A CCAV era comandada por um quase vizinho daqui, de Esmoriz - ao tempo praticante de voleibol (suponho que campeão nacional), capitão miliciano e engenheiro, de nome José Manuel Romeira Pinto da Cruz. O Capitão Cruz, a serenidade em pessoa e sei que um excelente comandante. Um coração de ouro!

Um dia, estando eu por Luanda no bem-bom da cidade e tendo de me apresentar a um sábado no Quitexe, pus a hipótese de ir só na 2ª.-feira. Afinal, sempre era mais um fim-de-semana na capital! Assim pensei e assim ia fazendo. Só não fiz porque me mordeu a consciência e sabia bem o quanto esperava o capitão Oliveira a oportunidade de me pôr a mão em cima. Não marquei o avião para Carmona, mas, passando no Grafanil, resolvi jogar mais pelos seguro e vai de apanhar boleia num MVL que sairia à uma hora da madrugada, por aí. Ia até Vila Viçosa, precisamente!

Lá chegado, pelo fim da manhã de sábado, precisava de chegar ao Quitexe. E como? A hora de apresentação estava próxima e a boleia civil nada fácil. Safou-me o capitão Cruz, que, sabendo da minha urgência, providenciou o transporte em veículo militar, a troco de uma qualquer razão que já não recordo. Lá fomos nós, ligeirinhos, e imaginem quem me esperava, a umas 15 horas da tarde, no seu gabinete de comandante da CCS, mesmo à esperinha que eu não chegasse! O capitão Oliveira!

Bem me disse ele que não esperava que eu chegasse e que estava afiadinho de pressa para me castigar. Como não pôde, obrigou-me a apresentação com muda de calçado - eu estava de sapatos. Vinguei-me eu, que não era santinho nenhum, «exigindo-lhe» a continência regulamentar ao meu obrigatório cumprimento. É que, à primeira, não estava o capitão de boina! E, à segunda, não tinha cinto. Isto é: não tinha as duas coisas à primeira, sobrando-me este supremo e duplo «gozo» de o «obrigar» às NEP que ele tanto gostava de exibir. Ainda hoje, com fraqueza, sinto algum constrangimento pela figura que fiz. Com ele tive várias outras histórias, que não me «abonam» muito!

- OLIVEIRA, capitão. António Martins de Oliveira, comandante da CCS. Transitara da classe de sargentos, tendo feito o curso na Escola Central de Sargentos, em Águeda. Eu e o Neto, ambos de Águeda, não beneficiámos nada por isso.

- MVL. Movimento de Viaturas Ligeiras, camiões civis que asseguravam o transporte de mercadorias para as Forças Armadas.

- NEP. Normas de Execução Permanente.


sábado, 25 de julho de 2009

A malta das transmissões e outros que tais

Pose fotográfica do Grupo de Transmissões, nos bons dias do Quitexe (1974).
Clicar na foto, para a ampliar.


Boa parte desta malta é das transmissões. A malta da foto! E lá estão o alferes Hermida e a esposa. E os furriéis Pires e Rocha.
O grupo tem alguns «penetras», que claramente se "bateram ao retrato". Digo eu! Por exemplo, o cabo Soares, atirador e aqui a exibir, garboso, a braçadeira de cabo de dia. Mas há outros, nesta relação incompleta. A propósito, quem é que ajuda a identificar estas carinhas todas?
Em cima, Florêncio (?, atirador), ??, Soares (1º. cabo atirador), Pais (1º. cabo rádio-montador), ??, ??, Joaquim Moreira (maqueiro), Rocha (furriel de transmissões), ??, ??, alferes Hermida, ??, esposa do alferes Hermida, ??, ??, ??, ??, Miguel (?, cabo escriturário), Cabrita (soldado) e ??. De cócoras: Florindo (1º. cabo enfermeiro), Cruz (furriel rádio-montador), José Gomes (auxiliar de enfermagem), Alfredo Coelho (Buraquinho, 1º. cabo), Madaleno (1º. cabo atirador), Pires (furriel de trasmissões),??, Hipólito (?, cabo atirador), Mosteias (furriel sapador) e Vicente (1º. cabo atirador). À esquerda, sentado, está o Tomás (1º. cabo rádio-montador).
As caras, a gente conhece-as todas, e destas me lembrei! O diacho é que já lá vão 35 anos e não me sai o nome deles de debaixo da língua!!!
- NOTA: A foto foi-me enviada pelo (furriel) Pires - que também conhece
toda a gente, mas não se lembra dos nomes. Ajudem!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Molhar o pincel na sanzala do Kadilonge...


O jardim do Quitexe, aos idos dias de 1974/75, foi espaço de muitos passeios e «estratégias», não digo militares, mas... sociais. Passear por ali, descontraídamente e nomeadamente aos fins de semana, era sempre uma boa oportunidade de pôr os olhos em coisa, ou algo, ou alguém, que nos consolasse a vista!
Sei de quem (mas não digo), quem por ali contou passos sem fim só para ver passar, ao menos ver passar..., uma(s) certa(s) cachopa(s) que era(m) motivo de muitos sonhos. E era, é bem verdade, um bom sítio para matar saudades das idas a bailes e festas, às romarias que engravidavam a nossa juvenil ou adolescente alegria pré-militar!
Uma noite, por ali passava eu de patrulha, com o Madaleno e o António, vínhamos do Posto 5, a fazer ronda pelas vigias da vila, quando avistámos, meio furtivo, o caminhar apressado de um companheiro da guarnição. À civil, coisa meio anormal para a hora. Ali havia gato, assim parecia!!!Caminhava muito encostado às paredes da rua de cima, olhando para todos os lados - parecendo não nos ver a nós!
Resolvemos pregar-lhe um partida: tu por aqui, tu por acolá, cercámos o nosso homem, antes de ele passar a casa dos Correios. Emboscámo-lo! Literalmente!!! Acagaçou-se ele, coitado, apanhado assim de chofre, iam quase a passar as duas horas da manhã e cacimbava, a pouco tempo do alvorecer de um domingo de missa na Igreja da Mãe de Deus de lá da vila!
Dissemos o que tínhamos a dizer, rigidamente, autoritariamente!, impondo as regras, blá-blá-blá..., e o nosso homem sem dizer uma palavra, apenas riscava as unhas na cabeça! «Sabe, é o pincel, o pincel...» , titubeou o nosso homem, algo aturdido!
«O pincel!...», perguntei eu. E riam-se o António e o Madaleno! A gozar comigo!
Bom, o nosso homem vinha do Kadilong(u)e, uma sanzala dali ao lado, e, por ver tropa na entrada do aquartelamento, resolvera passar para a rua de cima! Pôs-se na boca dos lobos: eu, o António e o Madaleno!
Nessa tarde, fomos beber umas cucas ao Pacheco, para desanuviar! Pagou o furriel! E fiquei a saber que, afinal, o pincel tinha a ver com o molhar! Molhar o pincel!!! Ele há cada maneira de chamar nomes às coisas!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A gloriosa rapaziada do parque-auto do Quitexe

Cavaleiros do parque-auto da CCS do BCAV 8423 no Quitexe (1974).
Cliquem na foto que ela aumenta!!!

O Cuba, que é Frangãos de apelido, e também Caeiro, e José das Dores (de nome próprio), descobriu o blogue e encheu-se de brios para nos mandar fotos. Ele era mecânico-auto e, está-se mesmo a ver, mandou-nos a equipa do parque-auto, «capitaneada» pelo garboso alferes Cruz (quarto, a contar da esquerda, na fila de cima), com os sub-capitães Aires (1º. sargento, mesmo ao lado direito dele) e furriel Morais (o quarto, de óculos, a contar da direita, na segunda fila, de pé).
O Frangãos está à esquerda do alferes Cruz e as outras caras todas, pois... bem as conhecemos, mas agora lembrar o nome deles é que nem indo com a memória à oficina. Alguém pode ajudar?
A foto aparece aqui principalmente para o justo louvor a esta rapaziada do parque-auto, que era impecável na manutenção dos unimogs (os burros de mato) e das berliets com que galgávamos quilómetros atrás de quiómetros, nas picadas ou no asfalto. Até tinha um 1º. sargento porreiro, o que era uma sorte!
Aquilo tinha de estar tudo sempre num brinco, oleadinho, afinadinho, com o motor sem um ai de avarias, ou de gripe! Aquilo, digo eu, eram as viaturas!!! A gente bem sabe quanto vale um bom equipamento numa hora de aflição.
Digam para o c.viegas@mail.telepac.pt os nomes dos rapazes! Vejam lá com atenção! Eles merecem!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Olhem os cavaleiros do Quitexe já na... reserva!!

CCS do BCAV 8423 em Penafiel (1997/78).
Clicar na foto, para a ampliar

Há quase 12 anos, a 27 de Setembro de 1997, juntou-se parte do pessoal da CCS em Penafiel, numa organização do Monteiro - onde foram 30 magníficos da cantareira. E foi um forrobodó!!! Quero dizer: foi uma festa!! Comeu-se bem, conversou-se melhor e filtraram-se saudades, ao tempo ainda no princípio da maioridade! Só tinham passado 22 anos da nossa chegada de Angola!
Foi a última vez que o maior número de nós esteve junto e não faltou desfiar de recordações, entre a carne assada e o vinho verde que nos foram postos na mesa para refeiçoar. Se repararmos bem, notam-se algumas diferenças no igual de nós todos.
Ora olhem bem a postura solene do Cruz (quinto da esquerda para a direita, na frente), ou do Dias (o primeiro da direita). E do Machado (de alva camisa, à direita do Cruz). E para onde espreitará o Tomás (à direita do Dias)?
E o ar nobre e feliz do Morais, o do meio na segunda fila, de óculos. E a firmeza do Pires e do Rocha, à esquerda do nosso companheiro cor de laranja! E quem é este? Estou a ver-lhe a cara e não me sai o nome de debaixo da língua! Desculpa lá, pá!
Em forma estava o capitão Luz - o careca que está a ser olhado pelo careca da segunda fila (o Teixeira, estofador), à esquerda. Escapam-me alguns nomes. Vou dizer, dos outros, os que sei, sem dúvidas.
- Almeida e Brito, comandante: o primeiro do lado esquerdo, na primeira fila.
- Florindo, cabo enfermeiro: camisa branca, bigode e óculos, ao meio.
- Neto: na mesma fila, do lado direito.
- Gaiteiro: lá em cima, de bigode, agarrado à árvore.
- Alfredo Coelho, o Buraquinho: frente à árvore, de bigode e fato.
- Teixeira: primeiro, da fila a seguir, do lado esquerdo.
- Esteves: ao lado, de gravata e colete.
- Monteiro: segundo da terceira fila, de cima, da esquerda para a direita. E quem será este cabelinho branco, ao lado? Conheço-lhe a cara e não lhe baptizo o nome. E a seguir? Tenho o nome debaixo da língua e não me sai.
- Calçada: ao lado do comandante Almeida e Brito.
- Pais: à frente do Pires e do Rocha, de camisola aos losangos.
Conhecê-los, eu conheço-os todos, mas a velhice faz-me «ignorante» em relação ao nome de alguns alguns. Alguém pode ajudar?
Ah, falto eu: o segundo da terceira fila, da esquerda para a direita, com o Monteiro a «proteger-se» nos meus ombros.
Ajudem a identificar a malta!! E comeremos todos um almoço, juntos e em Setembro! Pagaremos todos!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Saudades das noites do Quitexe...


Estrada principal do Quitexe em 2004, fotos de Franklim

As noites do Quitexe foram sempre tempos de grandes animações. Fora dos tempos de serviço - ora interno, quantas vezes externo, pelas intermináveis e poeirentas picadas que nos levavam aos confins de destinos que foram de medos e quase se tornaram familiares.
Acabada a janta, na sala de recatos e fomes que era a da messe de sargentos, a gente ficava por ali na tagarelice, a mal dizer e bem dizer da vida, como se o amanhã fosse de grandes dúvidas - quando, afinal, era de sonhos!
Assunto do dia - quero dizer, da noite... - sempre para além de uma boa suecada, as inevitáveis nocais, cucas , ou ekas, ou brandys, bagaços ou wiskys para os mais golosos de álcool... - eram as saudades que nos adormeciam a alma por vezes muito mais que as saídas pelas picadas de pó, os trilhos de suspeições ou as matas de segredos que nos escondiam do mundo.
Havia quem jogasse à lerpa, a dinheiro! Não era o meu caso! Eu ia mais, nos «ósdespois»..., para uns passeios de rua, cacimbando o camuflado numa ida ao Rocha, ao Morais, ao Pacheco, pela rua de cima e passando ao lado do Clube, nem aqui vou dizer se também a alguma sanzala das fronteiras mais próximas do Quitexe. Coisas de garotos e de desejos que o bom recato de hoje não deixa contar!
Adorava as noites aluaradas e quentes, ouvindo-se na distância um ou outro uivo de um qualquer animal das matas do longe do nosso olhar - as mesmas por onde palmilhávamos patrulhas e operações militares, quando alvorecia e as estendíamos nos suores diurnos do calor africano.
As noites eram desnudadas, misteriosas, eram ardentes... diriam noites sensuais. Tudo isto me fez ser um quitexano de coração. Como toda a esta boa gente hoje se desfralda na janela deste blogue contando(-me) as saudades do Quitexe!
Hoje, falei com o Neto, o Rocha, o Moreira (enfermeiro), o Grácio (que tantas vezes nos desenfiou Monks, grades de cerveja e outras gulodices bebíveis do respectivo depósito...). Ontem, o Pires, o de Bragança... E emailou-me o Monteiro (Gasolinas...).
Cá para mim, ou muito me engano ou um destes dias ainda vamos estar por aí aos tiros às saudades e a parir da gravidez de camaradagem que se fez pelo Quitexe... - Ai vamos, vamos!!!...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A morte na picada da Fazenda Liberato

Arranjo na picada para a Fazenda do Liberato
JOSÉ LAPA
Texto e fotos
A 28 de Março de 1967, fazíamos 22 meses de comissão e uma coluna da CART 785 do BART 786, que estava sediada na Fazenda Liberato, sofreu uma emboscada, na picada do mesmo nome. Nesse encontro com o IN, nesse já longínquo dia, sofremos uma baixa, o soldado Faia, natural de Viana do Castelo, e três feridos, dois deles com gravidade.
O menos grave foi atingido com estilhaços de granada no peito. Os dois mais graves, um deles soldado atirador, foi atingido com um tiro na cara. Por sorte, foi efectuado com pistola e entrou junto ao malar do lado direito, ficando alojado no maxilar contrário. O outro ferido grave foi o soldado condutor da Mercedes, que «levou» uma rajada no joelho esquerdo. Foram evacuados para o Hospital da Base Aérea nº. 3, do Negage. O que ficou em pior estado, foi o condutor, pois regista uma grande incapacidade no joelho. Como devem calcular, foi um dia muito triste para o batalhão.
JOSÉ LAPA
CART 785 do BART 786

sexta-feira, 17 de julho de 2009

As noites das negras sensuais e bonitas...


A sossegada Casa das Transmissões estava agitada, lá se passando alguma coisa de incomum. Uma mistura de risos mal disfarçados, sussurros e incontidas gargalhadas, vestiam um mistério. Cá para mim, os rádiomontadores andavam a preparar alguma! Andavam felizes!
Depois de uma passeata já um pouco tardia e uma fugaz conversa com o Alves, junto à enfermaria, achei serem horas de cama. À entrada, quase fui “barrado” pelo Nunes, olhando-me enigmático e de faces um tanto afogueadas! Dos fundos, soavam risos e gritinhos estridentes, típicos dos jogos da cabra-cega e que me guiaram até à casa de banho.
Ao abrir a porta, deparei com uma maravilha da natureza! Uma mulher no chuveiro dos “Rápidos e Audazes”?! Esguia, escultural e, porque não dizer, bela, insinuando-se em passos provocantes, dirigiu-se à varanda que dava acesso ao quarto. Caramba, era a linda Joana da sanzala! Rapariga que alvoroçava corações e que, com o seu olhar doce, fazia vacilar os mais duros. Sabia eu que andava perdida de paixões por um soldado rádiomontador, a quem não poupava elogios e ternamente apelidava de “loirinho bonito”! Nestes termos me perguntava ansiosamente por ele. E o rapaz, voluntário e no apogeu dos seus 20 anos, sedento de loucuras fogosas, entrava no enleio típico de colegiais namorados.
Ao Nunes, não restava outra opção que não fosse sair do quarto! Casado, era um exemplo de rectidão. A sua mente jamais albergaria pensamentos (?) e actos pecaminosos! O furriel Teixeira, sargento-de-dia, como de costume lá foi à casa, em busca de dois dedos de conversa. E também, talvez, dos momentos de boa disposição que ultimamente lhe fugiam! Ex-seminarista, corava intensamente perante uma conversa mais ousada. Ao aperceber-se do acalorado ambiente que reinava, aflito..., temeu ver-se envolvido. Serenamente, apenas em nome da amizade, apelou ao bom senso e de imediato tudo voltou à normalidade. Somou 1+1 e, em tom de acusação, quase afirmou não ser a primeira vez! Será que ele tinha razão? Agora, à distância de tantos anos posso dizer que sim!
Entretanto, esguiamente e envoltas em sorrisos maliciosos, lá saíram bamboleando os corpos curvilíneos! Digo “saíram” porque, além da Joana e para espanto dos presentes, saía também a Maria, sua amiga e igualmente vistosa e linda! Os protagonistas, cujos nomes não “lembro”, optaram pelo recolhimento. Naquela noite, ter-se-ão vendido muitas convencionais palavras, quiçá de amor, que apenas serviriam para o embalo do momento!
ANTÓNIO CASAL

quinta-feira, 16 de julho de 2009

As escoltas aos arranjos da rede de estradas...


Estávamos nós pelos fins de Agosto de 1974 quando o Gabinete de Operações, interinamente comandado pelo alferes Garcia - no lugar do capitão Falcão, certamente de férias - nos deu uma ordem de operação. Iria o PELREC fazer protecção à equipa da Junta Autónima de Estradas de Angola (JAEA), que ao outro dia iria iniciar (ou continuar, não me lembro) arranjos na estrada para o Liberato. Picada, direi melhor...
Já por lá tínhamos passado duas, três ou quatro vezes, pelo que a missão nem nos preocupou muito. Era mais um serviço, até dos mais tranquilos... «Manda instalar Bredas!!!...», disse o alferes Garcia.
«Bredas?!....», perguntei eu, espantado com a ordem. Na verdade, algumas vezes saímos com este tipo de armamento - até outro e mais pesado... - mas desta vez fiquei desconfiado. Eu ia de férias dentro de dias e, francamente, não me agradaria ter problemas. «O que é que se passa?...», perguntei.
Lá me foi dito que tinham «acontecido umas escaramuças...», precisamente beliscando as brigadas da JAEA.
«Pode haver caça, cuidado...», disse o alferes Garcia, que, por estar nquelas funções, interinas, não iria connosco. E que até se mostrava de olhar pesado, qual pai que via os filhos sair para uma frente de qualquer perigo!
Fomos lá, para a picada do Liberato e, para aligeirar a história, digo aqui que prendemos dois homens, dois suspeitos que foram observados de longe com cargas de lenha, onde supostamente levariam armas. Levámo-los para o Quitexe, sem que oferecessem grande resistência, e foram apresentados ao Gabinete Especial de Informações (GEI), julgo que era assim que se passou a chamar a anterior Polícia de Investigação Militar (PIM).
Soubemos mais tarde que nós e os funcionários da JAEA estivemos algumas horas a ser observados, enquanto as máquinas terraplanavam. Como já estivéramos, numa outra altura e na picada para Zalala, onde apanhámos um dos sustos da comissão angolana: quando rebentou um pneu e nós o supusemos por uma bomba inimiga. Malhámos com o peito no chão, rastejámos, e gente houve que não se mexeu até que os olhos confirmaram não haver inimigo algum!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Cartas d´amor a um amor que não existe...

Casa do Mecânico Dias, onde funcionava a Estação dos Correios do Quitexe

É verdade, cartas d´amor, quem as não tem? Muitas, todos!!!... O SPM carregou milhões de promessas e juras, de cá para lá e de lá para cá. E eu, que d´amores me deixei ficar para mais tarde, recebia correio aos montes e não era de namoradas. De tal modo que tinha caixa postal na Estação de Correios do Quitexe! O apartado 246!! Coisa fina!!!
Um dia, decidimos - eu e mais dois «artistas»... - fazer-nos de madrinha de guerra (a caminhar para namorada...) de um jovem cavaleiro sem epístolas que lhe matassem as saudades, ou cozinhassem paixões!! Fizemos a coisa bem feita: a Filomena, assim se chamava a cachopa, era filha de fazendeiro rico, estava em Luanda (era estudante...) e rapariga sonhadora, recatada, introvertida..., que procurava um príncipe encantado mas tinha muito receio de se relacionar com militares. Conhecera o nosso cavaleiro numa passagem breve pelo Quitexe, em visita à família, mas até tinha medo de se identificar. Iriam conhecer-se melhor pelo correio.
Abreviando a história, iam-se conhecendo em... excesso! Quero dizer, o nosso cavaleiro «picou as esporas» à paixão e enamorou-se por quem não existia! Andava transfigurado, entusiasmado, enamorado!! Era uma paixão assolapada, daquelas de cair de queixos!
A coisa não podia continuar assim e tivemos de o «desiludir», a Filomena não existia!!! Foramos nós quem a «inventara», porque o quiseramos ajudar, sentindo-o psicologicamente em baixo, cheio de amarguras. «Ó coiso, desculpa lá...». Não desculpou, cortou relações, amuou, tratou-nos mal.
Uma noite, dias depois, chamou-me para jantar. Lá fomos ao Rocha. Perguntou-me, de rajada: «A miúda não existe mesmo?!...».
Encalacrei-me. Apeteceu-de dizer que sim, sim senhora, nós até sabíamos quem ela era, mas tive de o roubar ao éden que ele sonhava. Desiludi-o! Comemos e bebemos, mas sem mais falar no assunto. Em clima tenso! De regresso ao aquartelamento, ia ele a tropeçar nele, e perguntou-me: «Ó pá, como é que eu caí nesta?!...». E riu-se, riu-se à gargalhada. Nervoso e desiludido!
Rimo-nos ambos, até à deita! Tem hoje dois filhos e já é avô! Achou pouco depois o seu amor de uma vida toda!
NOTA: Este «cavaleiro» existiu mesmo e ainda hoje somos amigos, daqueles que trocam telefonemas de Natal.

terça-feira, 14 de julho de 2009

O jovem cavaleiro que ia dormir a casa...

Campo de futebol do Quitexe

O Monteiro veio aqui contar sua história de Carmona, mas eu volto atrás no tempo, para o Quitexe de 1974 e para a história de um jovem cavaleiro casado e com mulher viçosa, suscitadora de algumas invejas e desejos que não vem ao caso - coisas de «putos» irreverentes e xuxadores de dedos...
Pois, o bom do nosso amigo passava mais tempo lá por casa, que propriamente no aquartelamento. O que nós compreendíamos muito bem, mas não era muito bem visto pelos comandos. Que lhe criavam problemas.
Uma noite de serviço deu para falar de muitas coisas, como era costume..., até que, por volta da uma para as duas, deu de frosques! Foi para casa (civil...), que era ali mesmo ao lado, e apareceu logo depois um oficial. Que deu por falta deledo jovem cavaleiro que estava de serviço e não estava de serviço, o que era um grave incidente disciplinar.
Namorei como pude o bom do oficial (que também lá tinha a mulher...), «olhe, sabe como é que é?...», contando-lhe que até tínhamos estado a preparar um torneio de futebol, para animar a malta, e que ele tinha ido a casa buscar ums papéis e vinha já!!!. O mais persuasivo que pude, tentei convencer o oficial da bondade das intenções e da ausência do jovem cavaleiro. Não o convenci e a «sorte» foi que se ouviram uns disparos na noite, coisa que sempre acontecia por lá... - e isso foi motivo para desmobilizarmos a conversa e entrarmos em outro tipo de acção, felizmente sem consequências. Como também era costume.

Apareceu logo o jovem cavaleiro, meio atarantado, a correr no seu jeito desengonçado, sei lá se saído a correr de algum momento mais tórrido.
«Fulano, o cicrano deu por tua falta....».
«Que se f...!», respondeu!
Contei-lhe a desculpa do futebol: «Ó pá, mas eu nem percebo nada de futebol...».
«Olha, não sei...», resmunguei eu!
Seja como for, o jovem cavaleiro livrou-se desta, com a desculpa do torneio de futebol - que se veio realmente a realizar, entre equipas civis e militares, não me lembro de surgido da conversa daquela noite, mas sendo seguro que se realizou no campo da foto - que me foi enviada pelo (ex-furriel) Letra, que pelo Quitexe passou num pelotão de morteiros.
- CAVALEIRO. O jovem cavaleiro residia há dez anos na Figueira da Foz.