O Cuba, que é Frangãos de apelido, e também Caeiro, e José das Dores (de nome próprio), descobriu o blogue e encheu-se de brios para nos mandar fotos. Ele era mecânico-auto e, está-se mesmo a ver, mandou-nos a equipa do parque-auto, «capitaneada» pelo garboso alferes Cruz (quarto, a contar da esquerda, na fila de cima), com os sub-capitães Aires (1º. sargento, mesmo ao lado direito dele) e furriel Morais (o quarto, de óculos, a contar da direita, na segunda fila, de pé).
O Frangãos está à esquerda do alferes Cruz e as outras caras todas, pois... bem as conhecemos, mas agora lembrar o nome deles é que nem indo com a memória à oficina. Alguém pode ajudar?
A foto aparece aqui principalmente para o justo louvor a esta rapaziada do parque-auto, que era impecável na manutenção dos unimogs (os burros de mato) e das berliets com que galgávamos quilómetros atrás de quiómetros, nas picadas ou no asfalto. Até tinha um 1º. sargento porreiro, o que era uma sorte!
Aquilo tinha de estar tudo sempre num brinco, oleadinho, afinadinho, com o motor sem um ai de avarias, ou de gripe! Aquilo, digo eu, eram as viaturas!!! A gente bem sabe quanto vale um bom equipamento numa hora de aflição.
Digam para o c.viegas@mail.telepac.pt os nomes dos rapazes! Vejam lá com atenção! Eles merecem!
BATALHÃO DE CAVALARIA 8423. Os Cavaleiros do Norte!!! Um espaço para informalmente falar de pessoas e estórias de um tempo em que se fez história. Aqui contando, de forma avulsa, algumas histórias de grupo de militares que foi a Angola fazer Abril e semear solidariedade e companheirismo! A partir do Quitexe, por Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange e Songo! E outras terras do Uíge angolano, pátria de que todos ficámos apaixonados!
quinta-feira, 23 de julho de 2009
A gloriosa rapaziada do parque-auto do Quitexe
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Olhem os cavaleiros do Quitexe já na... reserva!!
- Pais: à frente do Pires e do Rocha, de camisola aos losangos.
terça-feira, 21 de julho de 2009
Saudades das noites do Quitexe...
As noites do Quitexe foram sempre tempos de grandes animações. Fora dos tempos de serviço - ora interno, quantas vezes externo, pelas intermináveis e poeirentas picadas que nos levavam aos confins de destinos que foram de medos e quase se tornaram familiares.
Acabada a janta, na sala de recatos e fomes que era a da messe de sargentos, a gente ficava por ali na tagarelice, a mal dizer e bem dizer da vida, como se o amanhã fosse de grandes dúvidas - quando, afinal, era de sonhos!
Assunto do dia - quero dizer, da noite... - sempre para além de uma boa suecada, as inevitáveis nocais, cucas , ou ekas, ou brandys, bagaços ou wiskys para os mais golosos de álcool... - eram as saudades que nos adormeciam a alma por vezes muito mais que as saídas pelas picadas de pó, os trilhos de suspeições ou as matas de segredos que nos escondiam do mundo.
Havia quem jogasse à lerpa, a dinheiro! Não era o meu caso! Eu ia mais, nos «ósdespois»..., para uns passeios de rua, cacimbando o camuflado numa ida ao Rocha, ao Morais, ao Pacheco, pela rua de cima e passando ao lado do Clube, nem aqui vou dizer se também a alguma sanzala das fronteiras mais próximas do Quitexe. Coisas de garotos e de desejos que o bom recato de hoje não deixa contar!
Adorava as noites aluaradas e quentes, ouvindo-se na distância um ou outro uivo de um qualquer animal das matas do longe do nosso olhar - as mesmas por onde palmilhávamos patrulhas e operações militares, quando alvorecia e as estendíamos nos suores diurnos do calor africano.
As noites eram desnudadas, misteriosas, eram ardentes... diriam noites sensuais. Tudo isto me fez ser um quitexano de coração. Como toda a esta boa gente hoje se desfralda na janela deste blogue contando(-me) as saudades do Quitexe!
Hoje, falei com o Neto, o Rocha, o Moreira (enfermeiro), o Grácio (que tantas vezes nos desenfiou Monks, grades de cerveja e outras gulodices bebíveis do respectivo depósito...). Ontem, o Pires, o de Bragança... E emailou-me o Monteiro (Gasolinas...).
Cá para mim, ou muito me engano ou um destes dias ainda vamos estar por aí aos tiros às saudades e a parir da gravidez de camaradagem que se fez pelo Quitexe... - Ai vamos, vamos!!!...
segunda-feira, 20 de julho de 2009
A morte na picada da Fazenda Liberato
O menos grave foi atingido com estilhaços de granada no peito. Os dois mais graves, um deles soldado atirador, foi atingido com um tiro na cara. Por sorte, foi efectuado com pistola e entrou junto ao malar do lado direito, ficando alojado no maxilar contrário. O outro ferido grave foi o soldado condutor da Mercedes, que «levou» uma rajada no joelho esquerdo. Foram evacuados para o Hospital da Base Aérea nº. 3, do Negage. O que ficou em pior estado, foi o condutor, pois regista uma grande incapacidade no joelho. Como devem calcular, foi um dia muito triste para o batalhão.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
As noites das negras sensuais e bonitas...

Depois de uma passeata já um pouco tardia e uma fugaz conversa com o Alves, junto à enfermaria, achei serem horas de cama. À entrada, quase fui “barrado” pelo Nunes, olhando-me enigmático e de faces um tanto afogueadas! Dos fundos, soavam risos e gritinhos estridentes, típicos dos jogos da cabra-cega e que me guiaram até à casa de banho.
Ao abrir a porta, deparei com uma maravilha da natureza! Uma mulher no chuveiro dos “Rápidos e Audazes”?! Esguia, escultural e, porque não dizer, bela, insinuando-se em passos provocantes, dirigiu-se à varanda que dava acesso ao quarto. Caramba, era a linda Joana da sanzala! Rapariga que alvoroçava corações e que, com o seu olhar doce, fazia vacilar os mais duros. Sabia eu que andava perdida de paixões por um soldado rádiomontador, a quem não poupava elogios e ternamente apelidava de “loirinho bonito”! Nestes termos me perguntava ansiosamente por ele. E o rapaz, voluntário e no apogeu dos seus 20 anos, sedento de loucuras fogosas, entrava no enleio típico de colegiais namorados.
Ao Nunes, não restava outra opção que não fosse sair do quarto! Casado, era um exemplo de rectidão. A sua mente jamais albergaria pensamentos (?) e actos pecaminosos! O furriel Teixeira, sargento-de-dia, como de costume lá foi à casa, em busca de dois dedos de conversa. E também, talvez, dos momentos de boa disposição que ultimamente lhe fugiam! Ex-seminarista, corava intensamente perante uma conversa mais ousada. Ao aperceber-se do acalorado ambiente que reinava, aflito..., temeu ver-se envolvido. Serenamente, apenas em nome da amizade, apelou ao bom senso e de imediato tudo voltou à normalidade. Somou 1+1 e, em tom de acusação, quase afirmou não ser a primeira vez! Será que ele tinha razão? Agora, à distância de tantos anos posso dizer que sim!
Entretanto, esguiamente e envoltas em sorrisos maliciosos, lá saíram bamboleando os corpos curvilíneos! Digo “saíram” porque, além da Joana e para espanto dos presentes, saía também a Maria, sua amiga e igualmente vistosa e linda! Os protagonistas, cujos nomes não “lembro”, optaram pelo recolhimento. Naquela noite, ter-se-ão vendido muitas convencionais palavras, quiçá de amor, que apenas serviriam para o embalo do momento!
quinta-feira, 16 de julho de 2009
As escoltas aos arranjos da rede de estradas...

quarta-feira, 15 de julho de 2009
Cartas d´amor a um amor que não existe...
Um dia, decidimos - eu e mais dois «artistas»... - fazer-nos de madrinha de guerra (a caminhar para namorada...) de um jovem cavaleiro sem epístolas que lhe matassem as saudades, ou cozinhassem paixões!! Fizemos a coisa bem feita: a Filomena, assim se chamava a cachopa, era filha de fazendeiro rico, estava em Luanda (era estudante...) e rapariga sonhadora, recatada, introvertida..., que procurava um príncipe encantado mas tinha muito receio de se relacionar com militares. Conhecera o nosso cavaleiro numa passagem breve pelo Quitexe, em visita à família, mas até tinha medo de se identificar. Iriam conhecer-se melhor pelo correio.
Abreviando a história, iam-se conhecendo em... excesso! Quero dizer, o nosso cavaleiro «picou as esporas» à paixão e enamorou-se por quem não existia! Andava transfigurado, entusiasmado, enamorado!! Era uma paixão assolapada, daquelas de cair de queixos!
A coisa não podia continuar assim e tivemos de o «desiludir», a Filomena não existia!!! Foramos nós quem a «inventara», porque o quiseramos ajudar, sentindo-o psicologicamente em baixo, cheio de amarguras. «Ó coiso, desculpa lá...». Não desculpou, cortou relações, amuou, tratou-nos mal.
Uma noite, dias depois, chamou-me para jantar. Lá fomos ao Rocha. Perguntou-me, de rajada: «A miúda não existe mesmo?!...».
Encalacrei-me. Apeteceu-de dizer que sim, sim senhora, nós até sabíamos quem ela era, mas tive de o roubar ao éden que ele sonhava. Desiludi-o! Comemos e bebemos, mas sem mais falar no assunto. Em clima tenso! De regresso ao aquartelamento, ia ele a tropeçar nele, e perguntou-me: «Ó pá, como é que eu caí nesta?!...». E riu-se, riu-se à gargalhada. Nervoso e desiludido!
Rimo-nos ambos, até à deita! Tem hoje dois filhos e já é avô! Achou pouco depois o seu amor de uma vida toda!
NOTA: Este «cavaleiro» existiu mesmo e ainda hoje somos amigos, daqueles que trocam telefonemas de Natal.
terça-feira, 14 de julho de 2009
O jovem cavaleiro que ia dormir a casa...
Campo de futebol do Quitexe O Monteiro veio aqui contar sua história de Carmona, mas eu volto atrás no tempo, para o Quitexe de 1974 e para a história de um jovem cavaleiro casado e com mulher viçosa, suscitadora de algumas invejas e desejos que não vem ao caso - coisas de «putos» irreverentes e xuxadores de dedos...
Uma noite de serviço deu para falar de muitas coisas, como era costume..., até que, por volta da uma para as duas, deu de frosques! Foi para casa (civil...), que era ali mesmo ao lado, e apareceu logo depois um oficial. Que deu por falta deledo jovem cavaleiro que estava de serviço e não estava de serviço, o que era um grave incidente disciplinar.
Namorei como pude o bom do oficial (que também lá tinha a mulher...), «olhe, sabe como é que é?...», contando-lhe que até tínhamos estado a preparar um torneio de futebol, para animar a malta, e que ele tinha ido a casa buscar ums papéis e vinha já!!!. O mais persuasivo que pude, tentei convencer o oficial da bondade das intenções e da ausência do jovem cavaleiro. Não o convenci e a «sorte» foi que se ouviram uns disparos na noite, coisa que sempre acontecia por lá... - e isso foi motivo para desmobilizarmos a conversa e entrarmos em outro tipo de acção, felizmente sem consequências. Como também era costume.
Apareceu logo o jovem cavaleiro, meio atarantado, a correr no seu jeito desengonçado, sei lá se saído a correr de algum momento mais tórrido.
«Olha, não sei...», resmunguei eu!
- CAVALEIRO. O jovem cavaleiro residia há dez anos na Figueira da Foz.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Os acidentes do «voluntário» Monteiro na estrada de Carmona para o Negage!...
domingo, 12 de julho de 2009
Os «próbrema...» do mês de Julho de 1974 no Quitexe e arredores
O mês de Julho de 1974 foi particularmente activo, em termos da relação do BCAV 8423 com as autoridades regionais, população civil e pessoal das muitas fazendas a nossa área de acção. Se por uns breves oito dias de Junho, nos sentímos, diria, apoiados pela experiência do BCA 4211, que rendêramos, agora, fizesse chuva e fizesse sol, éramos nós quem tinha de dar o corpo ao manifesto. Pois que déssemos!
Para trás das costas, estavam já as primeiras saídas à mata (nomedamnte a operação de estreia, de três dias a gotejar suores sei lá por onde), algumas escoltas, vários piquetes, colunas de logística e o comando já tinha feito toda a rotação pelas subunidades e destacamentos - o que começou a partir de 14 de Junho, dia do adeus aos caçadores da 4211. Pelo que coube ao PELREC, já tínhamos palmilhado umas picadas das redondezas e comido o pó dos «caminhos» de Luísa Maria. Logo chegaram os das fazendas do Negrão, Pumba Loge, Liberato, Guerra, Buzinaria, Isabel Maria, Minervina, Chandragoa. E aos povos do Quitoque, Quimassabi e outros, cujos nomes a memória já não lembra.
Por esse tempo, numa das operações a nível de Sector, soubéramos da amputação de um pé a um soldado Comando, que pisara uma mina anti-pessoal. E que fôra capturado um IN, depois posto em liberdade. Outra memória destes dias, é a de um grupo de Sanza Pombo ter sido emboscado, embora só com tiros de... aviso. E a do grupo que estava em Vista Alegre, que «recebeu» um antigo GE - que fora raptado na área de Bolongongo e entregou à tropa a primeira arma «capturada» do BCAV 8423, uma espingarda semi-automática Simonov.
Uma coisa que pessoalmente me atormentava, pelos tempos inexperientes e sempre cheios de reticências e medos que eram os das nossas saídas, pela picada fora e embrenhados nas matas de perigos e sombras que Deus por lá fez, era ouvir nativos ou os GE´s a falar língua que eu não entendesse. «Põe-te atento, podem estar a tramar alguma coisa...», avisara-me o Casares, furriel da 4211, de quem recebi a «herança» dos GE´s.
«E os p´robrêma, pá... os próbrêma...», valha a verdade, é que raramente os ouvia falar «os língua esportuguesa, pá»! E apenas era parecida, quando a falavam!
sábado, 11 de julho de 2009
As "borracheiras" que se apanhavam na tropa...

Toda a gente fala de enormes bebedeiras na tropa, expondo-as como troféus de vida! Bebedeiras no sentido literal: mesmo a cair de queixos, já sem segurar as pernas, a tropeçar e vomitar, etc. e tal. Com toda a franqueza, não me lembro de alguma vez ter apanhado alguma, lá pela tropa ou mesmo na vida civil - que já vai em 56 anos e tal. Um copito a mais, porventura, quiçá, talvez, quem sabe?!... Ora uma bebedeira assim dessa maneira, acho que não!
Mas o (furriel) Monteiro, num comentário de hoje, diz que, e cito-o, «por falar em brandy, a maior borracheira que eu apanhei em terras de Angola foi com o Viegas».
E, sem dúvidas, afirma que «bebemos os dois uma garrafa de brandy "MOSCA", no bar de sargentos....», sublinhando ainda que «depois, foi ir até ao quarto de gatas, pois já não havia força nas pernas».
«É verdade...», diz o Monteiro, sem dúvidas.
Meu caro Monteiro: nós apanhámos uma bebedeira no bar de sargentos e fomos os dois de gatas para o quarto?!!! Qual quarto? O teu? O meu? Se tu o dizes!!!... Eu não me lembro. Agora deixa-me falar e refresca lá a tua memória: eu era pouco de álcool a essa densidade. Ainda hoje digo que só duas vezes bebi bagaço em toda a minha vida e se olhar para a fotografia que se publica neste sábado (a de cima), verás que estamos, eu e tu, a rodear o teu amigo 1º. sargento Luzia, no bar, mas os três de cerveja na mão. Eram os costumes!
Ainda hoje gosto de uma boa cerveja, é verdade, de um bom vinho ou de um especial espumante bruto! São estas as minhas bebidas preferidas, mais a água - e venho até de um almoço de grupo, que fez 40 anos de vida e demorou oito horas! Oito horas, o almoço! Sem eu tocar nesse tipo de álcool. É do meu feitio, o que é que tu queres?!
Bom, mas está bem, eu vou admitir por «certo» que apanhámos essa tal borracheira (se tu o dizes..), só que, a ser assim, devíamos ter, seguramente, uma boa razão para afogar qualquer mágoa. Lembras-te de qual?
E diz-me lá tu, olhando para a fotografia de baixo: então quem é que conduzia o veículo?! É que já nesse tempo era perigoso conduzir depois de ter bebido!
- MONTEIRO: José Augusto Guedes Monteiro, furriel miliciano de Operações Especiais (Ranger´s), natural de Vila Boa de Quires (Marco de Canaveses) e, reformado, residente em Paredes (Porto). Companheiro: recorda-me lá melhor essa borracheira, pois preciso de a pôr no meu currículo. Mas não digas nada a ninguém, por causa das minhas vergonhas!
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Amores nascidos na terra angolana do Quitexe...
Jardim do Quitexe (em cima) e 1º. Cabo Alfredo Coelho (o Buraquinho, ao lado)
quinta-feira, 9 de julho de 2009
A construção dos aquartelamentos do Liberato e de Santa Isabel
Toda a gente tem histórias para contar e eu também, mas o meu batalhão desbravou ainda muito terreno para os que lhe seguiram.
Quando chegámos à fazenda Liberato, o aquartelamento era um aglomerado de tábuas e chapas de zinco, constituindo umas barracas. Quando de lá saímos, ficou um aquartelamento já com boas condições - com um bom refeitório uma boa arrecadação e afins. Quando fomos para a Aldeia Viçosa, novamente obras e o aquartelamento que lá fizemos já deveria ser aquele que viu quando por lá passou anos mais tarde. A companhia 1706 que estava em Santa Isabel fez o aquartelamento todo novo (...). A Companhia 1705 foi a mais beneficiada nesse capítulo. No Zalala, tinha boas instalações, além de electricidade 24 horas por dia.
Só as férias nos davam folga, mas mesmo essas normalmente eram gozadas em Luanda e, se se tinha que ir de coluna, era uma grande chatice. No meu caso, ou ia a Negage, à base aérea, para apanhar o Noratlas, ou ia a Carmona, no avião da DTA.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Para a frente, Zalala..., e sem demora...
O alferes Louro estranhava tanta ansiedade e o alferes Gama entendia que eu não estava bom da cabeça! Para eles, não fazia muito sentido, na medida em que tínhamos acabado de chegar e eu insistia em visitar a «toca do lobo», como alguns “velhinhos” lhe chamavam - em parte para assustar!
Passados 15 dias no Quitexe, lá fui eu em passo de corrida aperaltar-me todo para a tal aventura. Finalmente tinha conseguido ser “encaixado” e para regalo de outro que não mostrava grande apetite por aquelas famosas paragens! Garanto que em dois minutos estava pronto e com a G3 na mão! Pois… há muitas coisas que a tropa nos ensinou e esta foi uma delas! Pelo menos a mim!... Qual passo lento, qual preguiça, qual mau acordar, qual brilhantina! Para a frente era Zalala e... sem demora!
Os primeiros quilómetros foram cinco estrelas mas quando entrámos no serpentear, aquilo começou a meter respeito. Fizemos o percurso “limpinho” e eis finalmente a tão badalada Zalala. Devorei com os olhos tudo à minha volta, peguei na máquina fotográfica e lá fui eu direitinho para o altar de Nossa Senhora de Fátima. Pois é… em Zalala havia este altar, com imagem e tudo! Quantos lhe terão pedido ajuda em horas aflitivas?!
Foram certamente muitos, como muitas foram essas horas!
Saboreei Zalala ao máximo! No regresso ao Quitexe, mantive-me em silêncio. Seria talvez um silêncio condoído! Alimentada pelos relatos, a minha imaginação tinha sido tão fértil que, quando confrontada com a realidade, toda ela deixou de fazer sentido. Também por isso eu insisto em dizer que não se consegue entender África, se não a sentirmos no corpo e na alma.
A não ser por obrigação, eu já não voltaria a Zalala e já estava com saudades porque aquele sítio teimava em dizer-me muito. De lá recebi muitas cartas e aerogramas e para lá enviei outras tantas. Notícias que se trocavam, sempre na ânsia de se saber que tudo estava realmente bem. E também desabafos “camuflados” em frases bem dispostas!
Consegui cumprir a minha promessa e trazer o registo em foto do altar onde o meu irmão tantas vezes pediu protecção!
Eu sei que a 12 de Maio de 1970 se curvou perante este altar, a pedir as suas graças. Ele sabe que a 12 de Maio de 1972 me curvei perante este altar a pedir, quem sabe, as mesmas graças. Iluminado por velas, lá ficou a aguardar os pedidos e súplicas de crentes e não crentes. Até quando, eu não sei!...
A. CASAL
terça-feira, 7 de julho de 2009
Aqueles que, de nós, se vão para a outra vida!
O blogue trouxe-me a notícia do passamento de mais dois companheiros do Quitexe: o furriel Farinhas e o 1º. cabo Almeida. Dois amigos que vimos pela última vez a 8 de Setembro de 1975, no aeroporto de Lisboa.
O Farinhas era furriel miliciano sapador, de Amarante. Algo circunspecto, de poucas falas, de ideias firmes sobre os seus princípios morais e éticos, era seguramente um excelente camarada. Introspecto e sempre de muitas poucas falas, guardou segredos que não nos ajudaram a ajudá-lo, quando terá precisado. E nós sabíamos. Dele, recordo uma noite algo constrangida para ambos, estava eu de sargento de dia, matando horas pela noite fora. O Farinhas estava com um problema, falou dele muito nervoso e revoltado, fumando, fumando, fumando... e parecia não querer sair dele, como se quisesse auto-imolar-se na fogueira das suas reticências. Levou a sua posição até ao fim, declinando o nosso apoio e sujeitando-se à disciplina militar.
Falei com ele, ao telefone, em 1996, creio eu..., para que participasse no encontro do batalhão. Trabalhava nos Serviços Florestais e, salvo erro, tinha voltado dos Estados Unidos. Não participou no encontro. Morreu a 14 de Julho de 2005.
Joaquim Figueiredo de Almeida, 1º. cabo atirador de cavalaria, de Pedrogão, em Penamacor. Garboso militar do PELREC! Julgo que seria pastor, antes de chegar à recruta e, depois, à especialidade, em Santa Margarida. Algo o fez atrasar-se dois anos no cumprimento do serviço militar, lembro-me bem. Era o mais velho de nós. Muito introspectivo, era rigorosamente disciplinado, de poucas falas e humilde. Nunca se lhe ouviu uma queixa do que quer que fosse. Faleceu a 28 de Fevereiro de 2009.
Estes companheiros juntam-se a outros que a vida já levou de nós: o alferes Garcia, o cabo Vicente, o soldado Leal! Aqui lhe deixamos o nosso e respeito e saudade!
segunda-feira, 6 de julho de 2009
As férias angolanas dos «transmissões» Pires e Rocha

domingo, 5 de julho de 2009
As minhas férias em Angola...
Então e a malta ia para Angola, carregar-se de armas e encher-se de guerras e aquilo era para ali um fadinho chorado, uma drama diário com alguidares cheios de sangue, actos fúnebres e cemitérios de medos?! Nada disso!
Já por aqui contei que o Quitexe era uma vila atractiva e Carmona ainda mais, muito mais aliciante. E de Luanda nem falar!!! Enchia as medidas e por lá cirandei vastas vezes! A cidade e os seus desafios enchiam todas as medidas e desejos da rapaziada dos 21 para 22/23 anos, de sangue na guelra e almas grávidas de desejos. Todos os desejos!!!
Havia também uma coisa chamada... férias.
Por opção, não quis vir a Portugal, das duas vezes e meses a que tive direito- em Setembro de 1974 e Abril de 1975! Andei por lá, a galgar terras e conhecer gentes, reencontrando amigos e familiares. Sempre fui muito dado a estas coisas do aparecer de surpresa e lá andei eu a bater à porta dos irmãos Resende, da Cândida, do Mário e da Benedita e o Zé Martinho (em Luanda), dos primos Mário, Cecília Neves e Clemente Pinheiro, na Gabela! Por Setembro! Ou, já em Abril de 1975, a mesma Cecília e também Orlando Rino e os irmãos Óscar e Nélson, que tinham sido meus colegas de escola; e o primo Manuel Viegas e família, em Nova Lisboa!
Por estes dois meses «bati» estradas por Lobito e Benguela, Alto Hama, Caala, Sá da Bandeira e Moçâmedes, Silva Porto. Fiz a inesquecível viagem ferroviária de Nova Lisboa para o Lobito/Benguela, com o Cruz! Depois, de avião para Luanda! Foi no fundo, um verdadeiro trota-mundos, com um amigo ou familiar em cada lado, descobrindo e descodificando com eles os grandes e misteriosos feitiços da gigante Angola.
A foto de hoje ilustra um desses momentos de relaxe e fraternidade, em frente ao Colégio de Nossa Senhora da Assumpção, de Nova Lisboa, onde se vê o marido de Cecília Neves (Rafael Polido) com os filhos Fátima, Idalina e Saudade e eu, com as mãos sobre o Valter. Eram netos e genro de meu padrinho Arménio, que morreu na Gabela, vítima de um acidente. Por lá estava também a viúva, minha madrinha Isolina. Férias em família, com quem eu falava em grandes fôlegos, como se estivesse aqui no adro, à saída de missa, fazendo o sumário da semana! Belas férias, com a minha gente!!!
sábado, 4 de julho de 2009
A visita de médico e o «esfurrié Veigas» do BCAV 8423
Como era possível ele saber o meu nome, embora dito de forma errada? Foi uma dúvida que só desfiz meses depois, em Maio de 1975: um dos gerrilheiros da FNLA chamava-se Viegas (como eu), tinha passados em vésperas pela tal fazenda e referira haver no novo batalhão um furriel com o mesmo apelido. Coisa que o miúdo «apanhou», sei lá como! Só que diziam Veigas, trocando as duas primeiras vogais. Como sabiam tal coisa, nunca soube. E como fui reconhecido? Bem, ainda hoje não sei!
sexta-feira, 3 de julho de 2009
As vidas boas dos cavaleiros do norte!....
Furriéis Fernandes e Graciano, um guerrilheiro da FNLA equinta-feira, 2 de julho de 2009
Saudades do Garcia, do Vicente e do Leal!















