domingo, 12 de abril de 2009

Os furrieis Ranger da CCS do BCAV 8423

Foto na avenida principal do Quitexe. Os furrieis
Neto, Viegas e Monteiro, do Pelotão de
Reconhecimento e Serviços da CCS do BCAV 8423
A minha preparação militar passou pela Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, e continuou no Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego. A escola Ranger de sargentos e oficiais. Foi aqui, em princípios de Dezembro de 1973, que soube da minha mobilização para Angola. «Uma sorte», como se julgava ao tempo, pois seria a zona militar menos perigosa - comparada com a Guiné e Moçambique!
Por mim, ainda melhor era (e foi), pois em Angola tinha familiares e amigos (civis) e lá estava enterrado meu padrinho de baptismo, Arménio Tavares, no cemitério da Gabela, vítima de um acidente.
Mobilizados, também para CCS do BCAV 8423, foram o Neto (José Franciso Rodrigues Neto, de Águeda) e o Monteiro (José Augusto Guedes Monteiro, de Vila Boa de Quires, Marco de Canaveses). Apresentámos-nos os três no Regimento de Cavalaria 4, de Santa Margarida, a 23 de Dezembro desse ano. Aqui tivemos a Instrução Altamente Operacional (IAO) que antecipou a nossa partida para Angola. Para o Quitexe, depois para Carmona (a agora cidade de Uíge).
Fomos um trio divertido! Mais cá, que lá!

Nota: O amigo (ex-furriel) Neto atravessa momento dramático
da sua vida pessoal, com a morte da filha Maria Manuel,
de 30 anos, a 6 de Abril de 2009, vítima de um acidente.
Um abraço solidário!

sábado, 11 de abril de 2009

Avenida do Quitexe.

Avenida principal do Quitexe. A casa cor de laranja, à esquerda, era do Gabinete de Operações e onde estavam instalados o comando e, nas traseiras, a parada, oficinas e parque de estacionamento, camaratas e cozinha e refeitório. Como se vê, tinha (e tem) duas faixas de rodagem, separadas por um espaço ajardinado!
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sexta-feira, 10 de abril de 2009

O Quitexe, nossa casa de mais de 7 meses!

Avenida principal do Quitexe. O edifício cor de rosa era o da messe de oficiais da CCS do Batalhão de Cavalaria 8423. Logo à direita, era um edifício residencial de alguns furriéis milicianos, onde vivi de de Junho de 1974 a 2 de Março de 1975. Mais ao fundo, a casa da direita era o depósito de géneros e a messe e bar de sargentos. Quantos dias e noites ali, família e amigos e matámos saudades das nossas terras e sentimos (os operacionais) as ansiedades das operações militares que nos cabiam.
As companhias operacionais estavam instaladas em Zalala (1ª.), Aldeia Viçosa (2ª.) e Santa Isabel (3ª.).
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Viagem de Luanda para o Quitexe..


Estrada à entrada do Quitexe, via Luanda,
de quem vai de Aldeia Viçosa


A viagem de Luanda para o Quitexe foi de ansiedade e medos. E curiosidade. As berliets galgaram quilómetros atrás de quilómetros, cheias de jovens na descoberta de ares e cheiros novos. O capim!!! Todos ouvíramos falar do capim e das lendas que dele se contavam como cenários de guerra. E os macacos!!! As bananeiras! Percebi nesse dia a razão de por cá se dizer «andar a dormir à sombra da baneira». As folhas são enormes!
O tenente Mora (José Eloi Borges da Cunha Mora), hirto e tenso - que se viria a revelar singular comandante de tropas e nós, ao dia, mal conhecíamos - lá nos ia apontando terras de passagem, até que chegámos à que seria a nossa zona de intervenção, a ponte do Rio Dange. Mal imaginava eu o que, em Setembro seguinte, por ali viria a passar.
Depois Vista Alegre, Aldeia Viçosa e... Quitexe.
Surpreendentemente, era uma vila atraente, ponto de passagem da estrada de Luanda para Carmona. Tinha lido assustadora literatura sobre o Quitexe, antecipando o meu palco dos meses seguintes da minha vida. E o que lera era trágico, com descrições de tragédias, violências e ódios terríveis. Assente a bagagem, fui ver a capela: lá estavam as placas com os nomes de vítimas de 61.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

A partida e chegada a Angola...

O dia 29 de Maio de 1974 foi de chuva intensa, em Lisboa! E de grande ansiedade. No aeroporto, muitos de nós se estreavam em viagens de avião. E que estreia!! Para a guerra, quando Abril tinha acontecido mês e pouco antes e toda a gente pensava (e dizia) que nem mais um soldado iria para o ultramar. Mas fomos!! Era uma quinta-feira e, depois de uma falsa partida de dois dias antes, lá voámos nós no avião dos Transportes Aéreos Militares - os TAM.
Luanda recebeu-nos no alvorecer, com um calor imenso!!! E muita sede! Não gostei da primeira cerveja que bebi - uma Cuca. Achei-a leve, leve de mais e sem sabor!!! Bebida a correr, antes de saltarmos para as Berliets que nos levaram para o Grafanil, onde nos esperaram alguns dias de adaptação ao clima, aos cheiros e às gentes de Angola.
O comando do batalhão era o então tenente-coronel Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito. Sem segundo comandante! O capitão António Martins Oliveira era o comandante da Companhia de Comando e Serviços - a CCS.
Nesse dia de calor e suores novos, ainda fui a correr, a uma unidade ao lado - onde estaria o Custódio, conterrâneo de Óis da Ribeira. Só o encontraria no sábado. Fui à procura de Albano Resende, outro conterrâneo - a trabalhar e viver em Luanda, com dois irmãos, o José Bernardino e o Manuel. Achei a namorada deste, numa retrosaria da baixa de Luanda. Jantei no Amazonas, a olhar da magia do nascer da noite africana espelhada na baía! Deslumbrado!!! E fui dormir ao Grafanil!
Foto tirada na primeira viagem
a Carmona, Julho de 1974



O furriel miliciano em Angola!!!

A minha adolescência e juventude foram fermentadas pelo estigma da guerra. Era certo, fossemos nós minimamente saudáveis, que não escaparíamos à guerra do ultramar. Na Guiné, em Angola, Moçambique... E havia, ainda, Cabo Verde, Guiné e Timor!
Isso aconteceu com milhares e milhares de portugueses que, sem perguntar porquê, vestiram camuflados e, de armas na mão e vencendo medos, galgaram fronteiras continentais para, de Lisboa a Timor, assumirem o chão que a Pátria definia. A mim, calhou-me Angola. No Quitexe e em Carmona (Uíge), depois ainda Luanda, integrando a CCS do Batalhão de Cavalaria 8423!!!
Sou o jovem furriel miliciano da foto! Aos 21 anos!! De Operações Especiais, os Rangeres!!! Não nos faltavam motivações!
Foto (obrigatória) tirada no campo Militar
de Santa Margarida, em Março de 1974.